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Dia de cumprir o sonho europeu. O Sporting Braga joga hoje frente ao Friburgo, na Alemanha, segunda mão das meias-finais da Liga Europa. O Sporting Braga está em vantagem. Conseguiu, na semana passada, no domingo, uma vitória por 2 x 1 e hoje tenta conseguir um lugar na final. É tema em destaque nesta edição de "You Champion É". Eu sou o Miguel Cordeiro, comigo estão hoje o Gabriel Alves, o Augusto Inácio e o Pedro Henriques. Bem-vindos. Já vamos também falar desse Bayern Munique, Paris Saint-Germain e da arbitragem de João Pinheiro, mas começamos, naturalmente, com este Sporting Braga. Gabriel Alves, há o sonho de chegar a uma final europeia novamente para este Sporting Braga. Há condições para isso?
Boa tarde. Eu acho que o sonho comanda a vida. Eu espero que esse sonho se torne realidade. Seria estupendo, maravilhoso para o futebol português ter uma equipa numa final europeia desta temporada. Até por tudo o que naturalmente aconteceu durante este 25/26. Agora, vai ser um jogo onde me parece a mim que esse Sporting de Braga, na minha perspectiva, independentemente das questões técnicas e táticas, vai ser uma equipa que vai ter que ter muita cabeça. A mente vai ter que comandar muito tudo aquilo que é a estratégia montada pelo treinador, com a compenetração dos seus futebolistas, no cumprir daquilo que é essa estratégia traçada, face a uma equipa que sabemos e conhecemos, que no seu estádio, porque o povo alemão é, de fato, também um povo que é 12º jogador.
Sim, notou-se na semana passada, no domingo.
Exatamente. E seis vitórias, seis jogos na sua casa, nesta prova. É importante que a equipa do Braga tenha uma boa estratégia montada pelo treinador, que é competente e já mostrou essa capacidade, e que os jogadores sempre de cabeça fria. Eu sei que é muito mais fácil dizer do que fazer, mas profissionais de alto gabarito têm, naturalmente, que ter esta correspondente disciplina tática, muita concentração competitiva e aguentar aquilo que é a grande força desta equipa do Friburgo, que é a técnica da força, a velocidade que impõe no jogo, o físico que implementam e tudo em uma regra tática onde a geometria está acima de tudo. É evidente que a equipa do Braga tem alguns jogadores de fora, mas o Friburgo também tem algumas baixas. Portanto, só faz falta quem está presente e vamos todos torcer pro Braga.
Augusto Inácio, a expectativa para este jogo. Friburgo já mostrou do que é capaz na semana passada, mas a verdade é que o Sporting Braga tem mais presenças em competições europeias, tem mais experiência, já chegou a uma final na década passada e hoje tenta fazer o mesmo. Mas é um jogo fora, na Alemanha, num terreno complicado, como dizia o Gabriel Alves.
Boa tarde a todos. Sim, é um jogo fora, mas o Braga já provou que em Sevilha, também era fora, era complicado, e conseguiu ultrapassar esse grande obstáculo. Quando toda a gente dizia praticamente que era o Betis que ia para as meias-finais. Eu diria que o Sporting Braga tem que ser uma equipa muito competente e tem que ser uma equipa muito solidária, porque os alemães vão obrigar os jogadores do Braga a irem até ao limite. Mas o Braga também quando tem bola, sabe o que faz. Também sabe agredir o adversário, também sabe aproximar-se do gol. É um jogo muito complicado para as duas equipas. Não é só para o Sporting Braga, para o Friburgo também vai ser, porque o Braga é que está a ganhar. Agora, claramente, com o andamento do jogo e depois quem marcar primeiro, eu acho que vai ter uma grande vantagem psicológica, acima de tudo, para aquilo que for o resto da partida. Mas até lá, é o Braga que está à frente do marcador. É o Braga que está a ganhar por um gol de diferença, é verdade, mas neste momento está a ganhar neste segundo jogo. Agora já se sabe os alemães o que são. São frios, são calculistas, é muita força, também têm a sua técnica, é muito competitiva, jogam em casa, têm a motivação e a moral de jogar em casa e terem ganho os jogos todos. Isso também conta para o peso psicológico. Mas o Braga também tem as suas armas e é uma equipa que, provavelmente, digo eu, até pode surpreender na Alemanha. Vamos ver, oxalá que sim. E como disse o Gabriel Alves, e bem, nós hoje somos todos Braga.
Pedro Henriques, tens um 11 para esta equipa do Braga?
Tenho tudo pro Braga, pra Friburgo, é só pedires. Boa tarde a todos. Sim, aqui a grande questão do Braga hoje, e o Moutinho falou bem sobre a importância que tem o Ricardo Horta, que é, como ele disse, intocável dentro e fora do campo, por aquilo que aporta, quer como jogador, a parte técnico-tática e tudo isso, como também a questão da liderança, da motivação, da sua qualidade individual. Eu acho que ele não vai a jogo em termos de um titular, havia a hipótese dele ainda estar em condições, não estar, havia aí recuperação. A minha ideia é que ele não vai a jogo. Ornisha, Lagerbielke, Victor Carvalho, Muscard e Victor Gomes, depois João Moutinho, Gorbi, o Tinares e o Dorgeles, Zalazar e Paulo Vitor. Esta é a minha previsão de 11.
Muito bem, vamos ver o que acontece logo às 20h. Há relato em direto aqui na Rádio Observador, emissão a partir das 19h30. Vamos também falar da Liga dos Campeões, porque ontem tivemos mais um episódio desse épico duelo entre Paris Saint-Germain e o Bayern Munique. Jogo a contar para as meias-finais da Liga dos Campeões. Ontem deu empate, um igual, mas Gabriel AlvesFoi, ainda assim, um grande jogo de futebol. Não foi um 5 x 4, como tivemos na semana passada, mas um belo jogo de futebol. Ontem os guarda-redes estiveram um pouco melhor, houve mais defesas e continuamos a ter vários remates.
O Neuer foi o melhor da equipe do Bayern de Munique, há que dizer. Não estão lá mais gols metidos, porque ele mostrou os galões. Eu quero dizer algo que me parece que é importante: para vencer, tens que saber defender. E a verdade ontem ficou bem ilustrada. Defender bem é vencer. E depois combinar aquilo que é defender e atacar é o diamante do futebol. Para mim, é uma vitória de treinador, é uma vitória de Luis Enrique, o técnico. Estudou muito bem o Bayern de Munique e truncou autenticamente o Bayern de Munique, sem que a Kompany tivesse tido capacidade de poder alterar as circunstâncias. Esta é a verdade em termos de campo. Depois, tem os seus jogadores, todos eles, eu poderei falar deles numa segunda fase, não quero ter o monopólio, mas a verdade é que este Luis Enrique é um grande treinador. A comunicação nem sempre está com ele, porque ele não está nem sempre de acordo para as novelas, para aquela conversa. Mas rende-se, porque ele é um treinador profissional, criativo, aplicado e, acima de tudo, é um grande, enorme líder. A Espanha está a torcer um bocadinho a orelha com ele. E nota-se isso até na própria imprensa, porque tem que o reconhecer como um grande treinador. Já é campeão europeu, fez do Paris Saint-Germain aquilo que é, de facto, uma equipa à altura daquilo que é o mundo do futebol.
Augusto Inácio, o que te pareceu esta exibição? Achas que o Paris Saint-Germain acaba por ser também um justo finalista, depois de duas eliminatórias muito intensas?
Estou completamente de acordo com aquilo que o Aurélio Alves disse em relação ao Luis Enrique, até é o meu destaque da nota de campeão, inclusive. Porque se toda a gente estava à espera que íamos assistir a um jogo igual ao da primeira mão, esqueçam, porque as estratégias são diferentes. O Luis Enrique demonstrou, ali em Munique, como é que se ganha para ir à final ou como é que se defende o resultado de 1 x 0 para ir à final. Ele não abriu o jogo, ele esperou pelos alemães e, acima de tudo, não deu espaço nenhum. Havia momentos no meio-campo do PSG em que havia praticamente casais, homem a homem, não dar espaços, não dar oportunidade de pensar o jogo, não criar nenhuma oportunidade, não fazer quase nenhum cruzamento, foi uma muralha. E depois não é só isso. É claro que não é só defender, é também saber atacar. E o PSG, na segunda parte, principalmente, fez três, quatro contra-ataques que podiam arrumar completamente o Bayern de Munique. O Bayern de Munique acaba por empatar no fim. Enfim, numa situação em que o capitão da equipa estava um bocadinho desfocado, mas claramente que o PSG, na minha opinião, fez a melhor exibição da época para aquilo que era os seus interesses, os seus objetivos, que é defender o seu título europeu na final. Por isso, parabéns ao PSG. Adorei ver jogar o PSG, o seu sistema tático, a maneira como os jogadores se entregaram, o espírito de sacrifício que todos tiveram, e só assim é que tinham que ter chegado à final e conseguiram. Parabéns ao PSG e ao Luis Enrique, que eu daqui a bocadinho já vou dar a nota.
Sim, Aurélio Alves.
Antes de dizeres ao Pedro, só para dizer, o Augusto falou da questão do homem a homem. Parecia uma equipa de basquete do terreno de jogo, do homem a homem, naquilo que era a cobertura. E depois, só esta nuance. E aquela dos pontapés para fora a meio do relvado. Olá!
Pontapés baliza lá para fora.
Não é por acaso, é porque queres controlar. Dá para falar, dá para um programa.
Mas, de facto, uma estratégia curiosa, de abdicar da posse de bola várias vezes em situações de pontapé de baliza, o Paris Saint-Germain. De qualquer forma, nós aqui na Rádio Observador, para jogos em que não temos relatos, não fazemos um sem falta, mas Pedro Henriques, hoje quase que é preciso, principalmente para dois lances. O lance em que o Vitinha tenta aliviar uma bola dentro da área do PSG e bate na mão de João Neves e outro lance em que Nuno Mendes, também com a mão, corta um ataque perigoso do Bayern de Munique, sendo que Nuno Mendes já tinha cartão amarelo. São os dois lances mais importantes deste jogo, lances para talvez uma análise mais rápida?
Sim, de forma rápida, são os dois lances mais relevantes e importantes, sendo que o primeiro revela toda a ignorância do mundo do futebol, que depois, quando começam a ver, a malta que percebe disto um bocadinho e a meter no Instagram e tal: "Olha que a lei em 21/22 mudou, olhem lá o texto, olha o que aconteceu". Então a malta depois já retarda. O futebol profissional do Bayern de Munique e do Paris Saint-Germain e de todos que estavam lá dentro não fazem a mínima ideia das leis. É que não fazem, nomeadamente nessas situações. Aliás, na própria transmissão televisiva, não faziam a mínima ideia da lei. Depois, ao intervalo, lá retificaram, porque obviamente existem pessoas da arbitragem que trabalham com esses respectivos canais e até pessoas como eu, que não trabalhando com os canais, sou amigo de quem estava a falar e mandei logo mensagem, mandei logo o texto da lei, recortes, etc. Isto para dizer o quê? Que há uma situação excepcional de quando é um jogador que chuta a bola, vamos dizer que o ponto está virado, chuta de qualquer maneira, e a bola acaba por embater no braço do seu próprio colega dentro da área, em que não é penalizado, neste caso, com pontapé de penal. Depois a própria lei explica que mesmo que haja volumetria, mesmo que o braço esteja fora do plano do corpo, a não ser que seja uma situação em que a bola é chutada e o jogador que vai jogar a bola com a mão, tipo guarda-redes, vai lá mesmo de propósito defender. No normal, não é isso que acontece. E o que aconteceu foi exatamente esse chute, o ponto estava virado, o Vitinha, o João Neves, exatamente, o Vitinha encostou, o João Neves com o braço levantado, fora do plano do corpo, a levar com a bola e enquadrado nessa situação. E reparem uma coisa, só de forma rápida. Essa explicação foi dada já há uns anos, e existem vídeos e tudo mais, pela própria UEFA, nas perguntas e respostas, com base num jogo português, de Portugal-Suíça. E o facto de há dois ou três anos termos tido um Boavista-Porto, em que o Zé Pedro chutou da mesma maneira, o ponto estava virado, e a bola foi ao braço do Neón Peres, e o árbitro, mal, ter arbitrado pontapé de penal contra o Futebol do Porto, não significa que agora tenham que desmarcar mal os outros. Esta é a situação. E ninguém, nem no Bayern de Munique, nem no Paris Saint-Germain, ao mais alto nível, profissionais, fazem a mínima ideia do que estava a passar.Ponto número um. Ponto número dois, já é diferente. Realmente, o Nuno Mendes intercepta a bola com o braço, é passível de cartão amarelo, corta um ataque promissor e seria o segundo cartão. O quarto árbitro, e isto não invalida, obviamente, a responsabilidade do João Pinheiro, porque o João Pinheiro, inicialmente, a body language dele era quem ia marcar a falta do Nuno Mendes. O quarto árbitro dá-lhe a indicação, que ele até faz um físco com o dedo, no sentido de aceitar e agradecer, de que o Konrad Laimer, é assim que se diz?
Sim.
O jogador do Bayern de Munique, o Laimer, ter tocado, dominado a bola com a mão antes de ele próprio, Laimer, ter chutado a bola e ter sido interceptada. E depois, na repetição, que não deu, só deu a parte final, mas depois foi-se buscar em direto, foi-se pôr ao relantim, já se viu em várias imagens e fico com a ideia que nunca tocou na mão, apenas tocou no peito. Dentro desta perspectiva, eu acho que este é o erro do jogo, porque o Nuno Mendes, com a falta, teria que levar o segundo cartão amarelo e obviamente, estávamos com maior hora de jogo, tudo podia ser diferente.
Sim, e de facto era um lance já perigoso para a baliza do Paris Saint-Germain e o Nuno Mendes já tinha cartão amarelo, ficava assim com um segundo cartão, daria para expulsão. Mas só para rematar mesmo, Pedro, o VAR não podia intervir porque estávamos a falar de uma situação de cartão amarelo.
Por enquanto. Daqui a um mês e meio, se calhar vamos lá ver se há uma alteração nesse aspeto, depois falaremos disso mais à frente. Neste momento em que estamos a falar, o VAR não pode intervir em segundos cartões amarelos, sejam mal dados, sejam bem dados, ou seja, expulsões que resultem de segundos cartões amarelos. Neste momento em que estamos a falar, o VAR ainda não pode intervir.
Fica a explicação do nosso áudio-árbitro. Vamos às notas de campeão. Tenho 30 segundos para cada um. Gabriel Alves.
Olha, Luís Henrique e Dembélé são para mim dois 20, porque Luís Henrique, por tudo o que eu já disse, e Dembélé, naturalmente, porque sendo um grande jogador, e eu conheço-o desde o Borussia Dortmund, depois no Barcelona, percebeu que ele é um grande artista, mas percebeu como homem que tem que cumprir com aquilo que o treinador lhe diz, porque o treinador também percebeu que jogador ele é e tira dele o maior partido. 20 para os dois. E depois umas notas de música. Ali pela zona de Madrid, parece que aquela música do Brasil, a lambada, parece que está a ter grande sucesso. Portanto, notas de música. Valverde e Tchouaméni, Rudiger e Carreras. A lambada com Rudiger e Carreras, Carreras ficou mal. Ou com o Ardila, que está de patins a tirar notas e a mandar para o seu professor, certamente. Olha, notas de música para o Real Madrid, lambada. Podes pôr aí, se tiveres.
Vai bonita a dança em Madrid. Augusto Inácio.
Ora, nota 20 para o Sporting Braga, que consiga o grande objetivo, não é só do Braga, do futebol português, que consiga estar na final. Isto de motivação, de crença e de acreditar que é possível. Queria dar também nota 20 para o voleibol do Sporting, que é bicampeão nacional, ganhou 3x0 ao Benfica ontem, três sets, é bicampeão nacional. E também nota 18 para o PSG, na pessoa e na figura do seu treinador, Luís Enrique, fizeram um jogo fantástico, por isso merecem estar na final.
Pedro Henriques.
Nota 20 para o Braga, por todos os motivos e razões que conhecemos. Oxalá seja uma noite épica e feliz, até porque também a minha costela, da parte do meu pai, é de Vila Verde Braga e, portanto, ainda mais. Portanto, dou mais um, dou 21. Mas acima de tudo, que seja uma noite épica para o Braga e se for para o Braga, também é para Portugal.
Está feita esta edição de "E o Campeão É". Logo ao final da tarde, a partir das 19h30, há relato em direto do Friburgo-Sporting Braga.