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Está tudo pronto para mais um "E o Campeão É?" da Rádio Observador. Esta quarta-feira juntam-se a mim e ao Júlio Magalhães, o Gabriel Alves, o Pedro Henriques, e hoje está também conosco o editor de desporto do Observador, o Bruno Roseiro, que já aqui está comigo em estúdio. Bom dia a todos. Boa quarta-feira.

Bom dia.

Bruno, já vamos ao Ronaldo, temos muito para falar, mas antes falemos de outro português, Abel Ferreira, que venceu ontem o Al-Ahli. Al-Ahli?

Al-Ahli.

Al-Ahli. Está na final do Mundial de Clubes, vai encontrar-se com o Chelsea ou com o Leonardo Jardim, do Al-Hilal.

Al-Hilal, exatamente.

É um bocado complicado.

Eu não sou boa nestes clubes. Jogam hoje.

Em condições normais, Al-Hilal é uma coisa que amanhã já não deverás dizer. Vais só dizer Chelsea em condições normais, porque o Al-Ahli já fez aquilo que tinha a fazer. Aliás, até conseguiu mais, conseguiu a maior goleada de sempre no Mundial de Clubes frente ao Al-Jazira, curiosamente treinado por Marcel Kaiser, antigo treinador do Sporting. Portanto, basicamente já cumpriu a sua missão, embora tenha sempre um jogo com o Chelsea, que acaba por ser uma montra para aquela equipa.

Mas chegar a esta meia-final já foi muito, não é?

Sim, é um pouquinho mais do que é normal e ainda assim, para jogadores como Marega ou Matheus Pereira, não deixa de ser uma montra para eles poderem aparecer, embora, claro está, o Chelsea seja claramente favorito. O mais interessante aqui para mim é o Palmeiras, em comparação com 2020, é uma equipa muito mais experimentada e muito mais batida, ou seja, consegue perceber muito melhor os momentos de jogo, ao contrário do que aconteceu, por exemplo, com o Tigres no ano passado e com o próprio Al-Ahli na atribuição do terceiro e quarto lugar. Os adeptos do Palmeiras percebe-se que têm uma confiança muito maior do que tinham no ano passado, porque basicamente invadiram Abu Dhabi e aquilo parecia o Allianz Parque a certa altura, porque era só adeptos do Palmeiras e conseguiam se ouvir bem.

Mas isso deve-se também à influência do Abel Ferreira?

Eu acho que o Abel Ferreira conseguiu dar aqui uma versão 2.0 com os mesmos jogadores, mas com uma ideia um pouquinho diferente. Ou seja, o Palmeiras ontem entra e ganha o jogo, basicamente. O Al-Ahli acordou para o jogo quando já estava a perder 2 x 0 e quando já não tinha capacidade de resposta. E aquilo que se consegue perceber é que o Abel Ferreira preparou a competição que já começou no Brasil, ou seja, já anda lá com o Campeonato Paulista. De recordar que o Abel Ferreira no ano passado fez mais de 90 jogos no ano civil, portanto, no Brasil é assim. Nós cá queixamo-nos porque temos 50, lá fazem mais de 90, e ele tem que fazer sempre essa gestão. Agora, ele preparou este Mundial de Clubes aproveitando esse Campeonato Paulista, e parece-me que o grande segredo é a maneira como ele está a preparar os jogos. Muito provavelmente, ele vai encontrar o Chelsea na final e vai ser curioso perceber, o Jorge Jesus leva o Flamengo à final em 2019 com o Liverpool, e eram naquela altura duas equipas que tinham um chip completamente ofensivo. Ou seja, eram duas equipas completamente balanceadas para o ataque e com muita facilidade conseguiam fazer gols aos adversários. Agora não, agora vamos ter Palmeiras e muito provavelmente o Chelsea, que são duas equipas que baseiam todo o seu jogo na solidez defensiva e depois a partir daí tentam também ferir o adversário. E parece-me que esse modelo é exatamente o modelo com o qual o Palmeiras ganhou a Libertadores ao Santos e ganhou a Libertadores ao Flamengo, sendo uma equipa na altura, se calhar, sem tantas valias como os adversários, mas com uma capacidade de jogar melhor nesse estilo de tentar segurar o jogo e tentar jogar em transições. Na teoria, isto é tudo assim, vamos ver até que ponto é que na prática conseguimos ter o primeiro treinador português a ganhar o Mundial de Clubes, sendo que tudo aquilo que o Abel Ferreira já está a fazer, acho que já lhe dá um lugar na história do Palmeiras que não mais estará apagado.

Pedro Henriques, concordas com o Bruno Roseiro?

Sim. Acima de tudo, há aqui um aspeto, para não estar a retirar o que ele está a dizer.

Claro, sim.

Dizer que este Campeonato do Mundo, obviamente, embora seja uma prova importante, não tem aquela dimensão que eu acho que esta prova deveria ter, sob o ponto de vista do mediatismo. Ou seja, as pessoas não ligam assim tanto àquilo que é este Campeonato do Mundo. Primeiro, porque normalmente os europeus acabam por ganhar e, portanto, quando lá vai um Chelsea ou Liverpool, etc, normalmente são eles que saem com o título.

Aí é que ganha destaque, na imprensa e tudo.

Pronto, e aí é que ganha destaque. O próprio Jorge Jesus quando esteve na final, teria tido um grande destaque se tivesse ganho ou não ter ganho. Enfim, cumpriu-se aquilo que é o normal. De qualquer maneira, penso que esta equipa do Abel Ferreira, e como tu disse, e bem, o Bruno, o Chelsea será o finalista, digo eu também.

Eu gostava tanto que houvesse uma surpresa e amanhã estivéssemos a falar do Leonardo Jardim.

Eu acho pouco provável. No futebol tudo pode acontecer.

Sim, mas acredito que vocês é que são os entendidos.

Até porque as equipas como o Chelsea, as equipas europeias vão lá para cumprir, mas vão para cumprir naquela perspetiva. Foi o que aconteceu na final com o Jorge Jesus. O Jorge Jesus ficou com aquela ideia que até podia ter ganho, mas quando foi preciso acelerar, a equipa europeia acelera e, portanto, mesmo que seja só por um, acaba por ganhar. Mas de qualquer maneira, eu penso é que a equipa do Abel Ferreira estará mais preparada, no meu ponto de vista, para numa final com o Chelsea, poder fazer coisas diferentes. Não digo surpreender, mas poder fazer coisas diferentes. Mas acho que continua a ser muito difícil, porque continua a haver um grande desnível, no meu ponto de vista também, entre aquilo que são as equipas europeias de uma maneira geral e estas que têm chegado às finais. O Liverpool, como o Chelsea, etc. De vez em quando lá vai o Bayern de Munique. Portanto, são equipas que têm outro poder e outra capacidade e na hora da verdade, isto é, quando é preciso ganhar, normalmente ganham. De qualquer maneira, é um Campeonato do Mundo. Esta é uma prova que tem vindo a ser pensada pela FIFA também numa perspetiva de como dar um mediatismo e mais espetacularidade, que normalmente só tem naquilo que é a final propriamente dita, porque até lá as pessoas pouco ou nada ligam a esta prova.

Gabriel, o que se anda a passar com o Ronaldo e com o United? Depois da eliminação da Taça de Inglaterra, o United voltou a não convencer. Empatou ontem na Premier League com o último classificado e não houve CR7 que salvasse os Red Devils, que estão em quinto lugar.

Sim, já lá irei, mas ainda direi aqui uma palavra.

Queres dar uma palavra sobre o Mundial de Clubes? Sim.

A este Mundial de Clubes, não deixando de frisar a crítica de Leonardo Jardim à FIFA. Ele considera que este mundial beneficia a Europa e a América do Sul. Os clubes europeus e sul-americanos jogam quatro jogos em oito dias, os clubes asiáticos e os outros jogam só dois. Ele tem alguma razão, mas isto, obviamente, é o money money que está em causa, é a questão do mediatismo e naturalmente que tudo isto funciona. Vejam lá se por acaso o Al-Hilal ganhasse a Taça da Ásia, o campeonato do mundo de clubes. Vejam lá o que é que isto seria de interessante para a FIFA. Vamos então ao Ronaldo. Eu acho que isto de se gastar muito dinheiro numa formação, num investimento, nem sempre corresponde àquilo que se passa dentro das quatro linhas. E eu penso que nesta altura a equipa do Manchester United, mas nesta já vem de trás, o problema é propriamente a parte estrutural, a forma como se pensa, a forma como se pensa o clube, a forma como se pensa o jogo depois. E aquilo pode ser um cemitério de treinadores, quer dizer, também um cemitério de jogadores, porque obviamente as coisas não funcionam. Portanto, o Ronaldo já há uma série de jogos que não marca.

Há cinco jogos.

Problema dele, obviamente, mas não se pode individualizar só nele. Há toda uma dinâmica. Aliás, não é a primeira vez que o Ronaldo tem esta seca de gols. Até ele próprio que disse quando estava em Espanha, mas também aconteceu em relação ao Real Madrid, que ele disse que depois os gols quando aparecerem é como o ketchup. Mas a verdade é que independentemente da sua questão pessoal e singular, de forma de estar no campo, enfim, todos os aspectos de ordem competitiva, há também toda uma dimensão de equipa que não funciona.

Júlio, o que tens a dizer sobre o Ronaldo, que já não marca há cinco jogos? Bruno, tu poderás confirmar. Há 13 anos que isto não acontece?

Desde 2010, sim. É verdade.

Júlio.

Olha, pois, o que é que se passa?

Que seca é esta que está a chegar a Inglaterra?

E vou-te dizer, nós temos esta coisa também de defender muito o Ronaldo e neste caso acho que ele não tem assim muita culpa, de facto. Eu acho é que o Manchester United, não é de agora, já dá uns anos. O treinador é decisivo, ou seja, olhamos para o Pep Guardiola, para o Klopp, para a influência que têm nas equipas. Se quisermos estar mais perto, ver a influência que o José Mourinho teve no Sporting, a que o Sérgio Conceição tem no Porto, que o Abel Ferreira tem no Palmeiras, por exemplo. Isto não basta ter um lote de grandes jogadores e depois pôr lá um treinador qualquer. O Manchester United já vinha com o Solskjaer, que vinha demonstrando que não tinha capacidade para ser treinador do Manchester United, ia fazendo o seu trabalho aqui e ali e depois foi buscar um diretor desportivo para treinar a equipa. Manchester United, agora fala-se que o Ronaldo, com a idade que tem, se calhar para o sistema de jogo do Manchester United, não é bom. Eu acho isto já desde o ano passado, há dois anos, e acho agora mesmo, o problema do Manchester United é a defesa. Não tem bons defesas. Não defende bem, os centrais não são bons, os laterais não são extraordinários e a equipa do Manchester United ressente-se disso. E o Ronaldo também, porque está numa equipa que não tem um bom treinador e que não tem bons defesas, porque para ter o Cristiano Ronaldo é preciso ter uma defesa forte nesta altura, e não tem. E o Manchester United está a pagar caro. O Manchester United está no lugar que deve estar, porque as outras equipas são todas melhores e têm melhores treinadores.

Bruno, és da mesma opinião? O problema está na defesa?

Também, sobretudo da mesma opinião em relação ao treinador. Ontem, e eu vejo os jogos todos do United, é daquelas equipas europeias que eu vejo todos os jogos. Conseguiu surpreender-me, porque eu pensava que mesmo assim, depois de uma primeira parte daquelas, era impossível um treinador não perceber como é que se conseguia gerir aquele jogo, mas enganei-me. A certa altura achei até que o United iria perder, porque o Weghorst sozinho dava cabo de uma defesa inteira, portanto apareciam centrais, recuava o McTominay e ele sozinho dava cabo daquilo tudo. Parece-me que é uma questão estrutural, não tem nada de conjuntural. Ainda assim, se fosse a guerra dos tronos em relação ao Ronaldo, winter is coming. Continuo a achar que winter is coming, porque já não é a mesma coisa. E mais uma vez, aquela reação, acabar o jogo e ir a correr para o balneário, lamento imenso, mas nesta altura do campeonato não é assim. Aquilo que ele fez com o Elanga quando ele falhou o penálti com o Middlesbrough, sim. Acabar um jogo destes e ir a correr para o balneário, não é por aí.

Pedro Henriques, a tua análise.

Eu só estou preocupado é com o Cristiano Ronaldo na seleção. Ou seja, se há momento em que vamos precisar dele, e aliás, de todos os jogadores, é agora naquilo que tem a ver com o playoff. Eu sei que já estou a sofrer por antecipação, como se costuma dizer, mas isso para mim, neste momento, é que é até o mais relevante. E depois do Fernando Santos não ter contado com ele e destes problemas emocionais que ele está a viver.

Achas que isso tudo vai afetar a prestação?

Vamos lá ver. O Cristiano Ronaldo, normalmente, nestes momentos mais difíceis, costuma virar de cima. Eu penso que é preciso ter um Cristiano Ronaldo. Já nem falo só na questão das quatro linhas, no sentido daquilo que ele pode dar, marcar gols, etc.

Mas quanto tempo mais é que ele precisa para virar o de cima?

O Cristiano Ronaldo nesse aspecto, embora já não seja o mesmo Cristiano Ronaldo, obviamente do ponto de vista técnico, eu estou sempre à espera que ele de um momento para outro faça aquilo que um campeão do nível dele, e são poucos, faz, que é de repente tudo volta ao normal, de repente volta a marcar, de repente volta a ser decisivo. Essa não é a minha questão. A minha questão é a parte emocional e psicológica dele, embora ele seja muito forte e saiba separar as coisas e perceba também o momento em que a seleção portuguesa está, até que ponto é que depois do Fernando Santos não ter contado nele, depois destes problemas que ele está a viver e que não têm corrido bem. É bom relembrar que ele ontem estava no banco. Só na segunda parte, na parte final, é que entrou. Até que ponto é que isso depois pode se refletir, e espero bem que não, em termos daquilo que é as emoções, o ambiente, a postura, a atitude para a seleção nacional. Esse é que é o grande momento, porque obviamente o Cristiano Ronaldo ainda tem muita coisa para fazer a nível de clubes. Acredito que sim, ele próprio diz que quer fazer mais três ou quatro anos, portanto chegar aos 40, etc. Mas a questão é que o Cristiano Ronaldo neste momento já tem um currículo que realmente é quase insuperável, invejável, etc. Portanto, a minha preocupação em relação ao Cristiano Ronaldo, se estivesse a começar a carreira, era diferente. Não é o que ele ainda pode fazer em termos de clubes e as conquistas que ainda pode vir a ter e aquilo que ele pode dar ao clube. Para mim, neste momento, é a importância que ele tem na seleção e a importância que ele pode vir a ter naquilo que vai ser dois momentos decisivos. Esperemos que sejam dois. Portugal ganhar a Turquia, obviamente, e depois também no embate com a Itália, e que possa ter ao nível da seleção. Agora, em relação ao clube, está tudo dito. Eu ontem para casa também vi o jogo, como gosto de vez em quando fazer umas apostas online por causa dos jogos. E havia dois jogos que eu tinha quase certeza que ia ganhar. Perdi, porque pus o Manchester United a ganhar. Havia uma aposta que era fácil, que era o Newcastle ontem tinha que ganhar o Everton, por diversos motivos.

O Bruno Sugas também tinha apostado no United a ganhar. Com o que está classificado, cai não.

Mas o United ontem era daqueles jogos.

Eu no United nunca aposto. Nunca.

Não, mas o United ontem tinha que ganhar. Ontem era daqueles jogos que tinha que ganhar. E o United esteve a ganhar várias vezes, foram anulados dois gols. É bom relembrar isso. De repente, aquilo parecia que ia ser fácil. De repente, aquilo passou para 2 x 1, só que depois os gols não contaram, por questões, naturalmente, da intervenção do VAR. De qualquer maneira, tenho esta preocupação em relação ao Cristiano Ronaldo, é sobretudo naquilo que ele pode vir a dar em relação à seleção. Porque eu também estou convicto que ele, mais tarde ou mais cedo, seja no United, seja noutro clube qualquer, ele poderá ainda vir a fazer algo de positivo. Agora já sabemos que o Cristiano Ronaldo tem que estar muito envolvido com o próprio clube e com todas as coisas que lá se passam. E neste momento, há ali coisas que se passam no Manchester United que não fazem sentido, como ter um diretor desportivo que realmente não pode ser treinador. E voltamos àquela questão, que se calhar até falamos do Benfica, que tem que haver um projeto, e tem que haver um projeto realmente consistente e não pode haver essas soluções de remendo. Isso pode acontecer num clube distrital ou num clube de bairro, não pode acontecer num clube desta dimensão.

Bruno Rosário, ontem foi dia de regresso de José Mourinho ao campo do Inter, pelo qual foi campeão nacional e europeu. O jogo até começou com homenagens, mas acabou com a derrota da Roma, que foi eliminada da taça por 2 x 0.

Uma derrota esperada. O Inter joga 10 vezes mais do que a Roma. A Roma também é outra das equipas que eu vejo sempre os jogos aqui por uma questão até afetiva, porque sempre foi a minha equipa italiana e sempre foi a equipa que eu mais gostei. Não teve hipótese nenhuma com o Inter. Fica, sobretudo, a homenagem que fazem aos Mourinho e o reconhecimento que tiveram. Porque em dois anos o Inter ganha cinco títulos, consegue ser campeão europeu, ganha os dois campeonatos, ganha uma taça, ganha uma supertaça. Portanto, há esse reconhecimento ainda e a prova de que o facto de Mourinho ter ido para a Roma, como dizia o Francesco Toldo, não sujou a imagem que ele tinha, porque se fosse para a Juventus ou para o Milan, poderia ser diferente. Do lado do Inter, e apesar da derrota que teve com o Milan este fim de semana, parece-me claramente que com muito daquilo que Conte deixou, o Inzaghi está a conseguir pôr a equipa a jogar aquilo que sabe e, muito provavelmente, continua a ser favorita a ser campeã em Itália também.

Gabriel, queres acrescentar alguma coisa a este regresso de José Mourinho ao Inter?

Não, é muito interessante ver como os adeptos, naturalmente, não esqueceram o Mourinho e o saudaram de forma bem evidente, bem visível e com alma e com coração. Isso é, de facto, bonito. E esta questão do futebol, que é emocional, muito de emocional, trazer isso em termos até, inclusivamente, globais, porque toda a imprensa fala nisso. Mourinho tem que se sentir muito bem, todos nós nos sentimos bem, porque são grandes momentos e bons momentos de futebol.

Bruno, como até sexta não vais voltar a estar aqui no Campeão, aproveito para te perguntar antes de saber quem é o teu campeão do dia, o que esperas do jogo Porto x Sporting, sexta-feira?

Espero um jogo com uma pressão enorme, porque é aquilo que eu tenho visto na conta do Futebol Clube do Porto média, portanto a intenção é também colocar o máximo de pressão possível e até ao jogo, o objetivo vai ser o Futebol Clube do Porto a colocar pressão em cima do Sporting, o Sporting a tentar esvaziar o balão da pressão, como se isto não fosse um jogo decisivo. Um jogo que, se o Futebol Clube do Porto ganhar, para mim é rumo ao campeonato, por mais que possamos andar a fazer contas, são nove pontos, que no fundo são 10, porque tem também a vantagem no confronto direto. Ainda assim, parece-me que nem o Sporting com esta vitória na Taça da Liga e com esta última vitória com o Famalicão, voltou a ser aquilo que era enquanto equipa. E eu alerto para um dado, para mim, fundamental: o Palhinha não está bem e o facto de o Palhinha não estar bem condiciona todo o jogo do Sporting, sobretudo a nível de transições e na defesa.

Bruno, terá a ver alguma coisa por não ter saído na janela de inverno?

Não, eu acho que é mesmo uma questão física, até porque a minha ideia, mais ou menos a certeza, é no próximo verão vai sair não só o Palhinha, mas o Matheus Nunes. O Sporting no próximo verão vai vender esses dois médios. A proposta que ele tinha e que nem sequer chegou aos valores que o Sporting pretendia, também não era propriamente de um clube europeu de grande gabarito, digamos assim. Parece-me que nem foi tanto por aí, acho que fisicamente ele ainda não está bem. E em relação ao Futebol Clube do Porto, por mais que se continue a dizer que está tudo bem em termos internos, não está. Sérgio Conceição não esqueceu aquilo que se passou no final do mercado, não esqueceu a saída do Luís Dias, sente-se traído. Até mesmo depois do jogo com o Arouca, a maneira como ele falou do Luís Dias é um sinal de que as coisas não estão bem. E quando assim é Quando se ganha, as coisas vão andando, quando se perde, as coisas vão explodindo e será sempre esse o problema do Futebol Clube do Porto até ao final da temporada.

Júlio, num minuto. Sim, Gabriel?

É só para dizer que vai ser um jogo também de treinadores.

Sem dúvida que sim. Júlio, ontem não estavas aqui para comentar o regresso às vitórias do Benfica. As opiniões dividiram-se. Houve quem dissesse que a saída de Pizzi tinha tido influência, outros disseram que era a presença do Otamendi que tinha contribuído para esta melhor prestação. Gostava de ouvir a tua opinião. Um minuto. Não, não vou ouvir a opinião do Júlio. Gabriel, então vou a ti, teu campeão do dia.

Pep Guardiola.

Pep Guardiola. Por causa do jantar?

É, que o convidem para o próximo.

O Pedro também queria falar disso.

Que o convidem no próximo, porque de facto é de líder. E realmente há aqui um fator que me parece importante: é muito difícil, nos tempos modernos, a própria comunicação lidar com um Pep Guardiola e até com um Ancelotti, porque são treinadores muito experimentados e sabem viver com tudo o que se passa hoje. Portanto, ele com o seu estado de humor: "Estou muito preocupado, fiquei chateado, estou a citá-lo, porque eles não me convidaram, não gostei nada, espero que para a próxima vez me convidem e façam um jantar como deve ser." O vídeo não mostra exatamente o que se passou, jantaram juntos, sóbrios, divertiram-se.

Mas mostra como é que acabou.

Exato, com o Grealish a ser barrado à entrada do bar.

A conversa acaba, Bruno, o que é que vais perguntar a seguir?

Depois daquelas imagens, não. A imagem estava torta.

Exatamente. Os jogadores conhecem o risco quando saem à noite por causa das redes sociais, mas todos eles estiveram perfeitos. Vão ser multados porque não me convidaram. Está contente. Grande treinador, grande líder.

Que nota dás ao Pep Guardiola?

Está sempre do 18, 19.

18, 19. Pedro Henriques, primeiro tu. Também querias falar deste tema, mas não sei se será teu campeão.

Era o meu campeão por essas questões de liderança. É lógico que essas imagens referem-se a uma noite de domingo, uma altura em que o plantel principal estava de folga. Como disse o Guardiola, eles sabem quais são os riscos da internet hoje em dia e das redes sociais, mais concretamente.

Paulinho que o diga.

Exato. De qualquer maneira, eu acho que acima de tudo, independentemente de haver aqui também alguma parte errada por parte dos jogadores, mesmo sendo dia de folga, se beberam, se não beberam, se tiveram algum tipo de comportamento fora do normal, e nós sabemos que hoje, ao mais alto nível, isso não pode ser, obviamente que não, não só pelas redes sociais, mas por aquilo que também pode implicar na vida das pessoas, sob o ponto de vista físico, etc. Mas é a forma como o Guardiola realmente sai disso e resolve, como disse o Gabriel Alves e muito bem, quando eles dizem: "Vão ser multados, obviamente, mas não é por esse motivo, é porque não o convidaram." A maneira como ele de repente descomplica e simplifica todo este processo, independentemente daquilo que se possa fazer internamente e até da conversa que eventualmente o Guardiola possa ter com os seus jogadores, quanto mais não seja para alertar para o cuidado que devem ter quando fizerem este tipo de ações que não se podem expor publicamente. Por isso era muito para essa questão da liderança. E 10 segundos só para dizer que dou nota 18 ao Guardiola na forma como ele se empenhou. Uma nota negativa, naturalmente, por esta questão que a mim me preocupa, que é nós termos duas duplas portuguesas que vão ao Campeonato do Mundo de Ginástica Acrobática, irão se conseguirem arranjar 12 mil € para ir, porque sendo juniores, não estão contemplados fundos para isso. Estamos a falar de duas duplas do mais alto nível que nós temos, não é só em Portugal, mas da Europa. Recentemente um deles foram campeões da Europa e neste momento estamos a fazer um peditório para que essas duas duplas possam ir a um Campeonato do Mundo. Eu sei que, em termos governamentais, a Federação Portuguesa de Ginástica não pode apoiar porque não apoia os juniores, então se não pode, tem que começar a apoiar, porque se gasta tanto dinheiro mal gasto em outras situações, estas aqui não pode ser assim a andar a pedir nas redes sociais. Também o meu abraço de solidariedade para estas duplas de juniores e espero que consigam o seu objetivo, que é ir a Baku em março ao Campeonato do Mundo de Ginástica Acrobática.

Bruno, não sei se queres dar alguma nota positiva à seleção nacional sub-16 feminina.

É isso.

Não tivemos tempo para falar, mas acho que sim.

Vou escolher a Federação Portuguesa de Futebol como campeão do dia, nota 18. Muitas vezes há algumas coisas que eu não gosto, que é uma coisa é perceber que se tem a tutela do futebol português, outra coisa é perceber que não se é o futebol português. E muitas vezes a federação não percebe que não é o futebol português. Tem a tutela do futebol português, que é completamente diferente. Mas a nível desportivo, aquilo que se passou nos últimos 10 anos, seja no futebol, no futebol de praia, no futsal, camadas jovens, sub-17, sub-19, etc. Tudo isto e agora mais uma questão que é não só o futebol feminino, foi pela primeira vez a uma fase final de uma grande competição a nível sénior, como agora temos a primeira vitória de sempre com a Alemanha, seleção sub-16 no torneio de desenvolvimento da UEFA. É só um torneio, foi em Vila Real de Santo António. Se nós começarmos a agarrar nessas pequenas migalhas que vão começando a crescer e sobretudo o boom que o futebol feminino teve, até com a chegada de muitas jogadoras estrangeiras que também ajudam a que as nossas possam crescer de uma outra forma, acho que é mais um mérito da federação, que em termos desportivos tem nota 20. Depois, às vezes confunde o que é a tutela do futebol português com o ser o futebol português. E quando deixar de fazer isso, fica com a nota 20 também.

Bruno Rosário, Gabriel Alves, Pedro Henriques e Júlio Magalhães. Amanhã há novo e o campeão é. Boa quarta-feira para todos.

Obrigado.

Para todos também.