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Esperavam, desejavam e conseguiram. O Sporting virou o resultado de 3 x 0 da primeira mão, avança para os quartos de final da Liga dos Campeões depois de uma vitória histórica em Alvalade, 5 x 0 frente ao Bodo/Glimt, de quem diziam ser a sensação desta Champions. Para os comentários e análise a este feito, temos conosco o Gabriel Alves, o Augusto Inácio, o Bruno Roseiro e o Pedro Henriques. Muito boa tarde, campeões. Gabriel Alves, iria começar por ti. A tua nota de ontem para a utopia virou realidade. Onde esteve o sucesso desta grande vitória do Sporting em Alvalade ontem à noite?

Apeça-me lembrar. Boa tarde. Uma letra de uma canção: foi bonito? Foi. Foi intenso? Foi. Foi verdadeiro? Foi. Foi mais sincero? Foi. E depois, pegando as palavras do treinador do Bodo: "Fomos demasiado pequenos e o Sporting demasiado grande." E das palavras do Rui Borges: "O melhor Sporting o Bodo não conhecia. Nós conhecíamos o melhor Bodo." Olha, foi de fato um grande Sporting, muito bem orientado, uma boa projeção para o jogo, uma bela estratégia, os jogadores completamente intensos e irmanados naquilo que lhes foi pedido e que lhes foi distribuído para dentro do relvado, com um público fabuloso, em que eu posso dizer que a técnica da força do 12º jogador foi fabulosa. Portanto, merece divertir-se, merece entreter-se, merece estar no auge da alegria.

Bruno Roseiro, queria ouvir a tua análise sobre as razões que levaram a este sucesso do Sporting ontem em Alvalade, mas também o caminho que agora tem pela frente a equipa de Rui Borges, quer na Champions, quer também no mês que se aproxima e que vai ser muito complicado com outras competições.

Sobre o jogo, eu resumiria a três pontos, uma coisa que eu acho que vai sempre soar a pouco quando estamos perante uma noite europeia destas. O meu primeiro ponto, eu agarro numa expressão que ouvi de um jornalista brasileiro, quando ele dizia que os jogadores do Sporting entraram com sangue nos olhos. E eu diria que essa atitude competitiva, essa agressividade e essa reação à perda, que se viu desde o primeiro minuto, acho que foi o segredo para tudo o resto depois ter sucesso. Depois, um segundo ponto, Ancelotti dizia que o Bodo/Glimt era uma das melhores defesas da Europa e uma das mais difíceis de ultrapassar. E aquilo que o Rui Borges percebeu é que bastava dar largura ao seu jogo, que o Bodo/Glimt não tinha um plano B. Ou seja, defendia com quatro, nunca utilizou uma tentativa de um plano B, de fechar com cinco, de tentar mudar alguma dinâmica. Pura e simplesmente, tinham aquele plano, o Rui Borges percebeu, deu largura ao seu jogo e o Sporting dominou do início ao fim. Um terceiro ponto, e que tem a ver com a questão dos quilômetros. Eu na primeira volta tinha aqui falado, não era normal haver uma diferença de 10 km num jogo de 90 minutos entre o Bodo/Glimt e o Sporting. Ontem, em 120, com o prolongamento, de fato o Bodo/Glimt correu mais 4 km no total do que o Sporting, mas com duas grandes diferenças. O Sporting percebeu como é que havia de correr melhor e, segundo, conseguiu que o Bodo andasse a correr atrás da bola. E isso acabou também por ser um dos segredos do jogo. Como nota final, e falando também um bocadinho daquilo que serão agora os próximos passos do Sporting, Rui Borges tem toda a razão quando deixa alguns recados, quase fazendo uma comparação entre aquilo que ele tem feito enquanto treinador do Sporting e aquilo que outros têm feito enquanto treinadores de equipas grandes, sendo que esses estão no pedestal e ele parece que está sempre lá embaixo e não tem direito a qualquer reconhecimento. Ontem, que mais não seja pelo resultado, tem todo o reconhecimento. Um segundo ponto, dizer que em termos internos, e esta foi uma semana também marcada pelas eleições, ou seja, é normal falar-se com mais pessoas em termos internos do Sporting. Em termos internos, havia muito pouca gente que tinha dúvidas em relação a esta remontada, e eu diria que esse é o primeiro sinal de que algo de épico está prestes a acontecer. De fato, havia essa convicção de que era possível eliminar o Bodo/Glimt. Terceiro ponto, e aqui é que poderá haver o problema. Em termos físicos, este jogo deixou muitos jogadores completamente de rastos. Não sei se a fatura poderá vir.

Por já não se perdeu ninguém por lesão, o que é uma boa notícia.

Deixa ver.

Ok. Vamos aguardar.

Não, mas acontecem aquelas coisas. Por exemplo, eu há pouco estava a ver nas redes sociais a mulher do Luís Soares a deixar-lhe uma mensagem a dizer: "Ontem fizeste aquilo que fizeste, dormiste quatro horas e hoje às 19 h estavas a acordar para ir deixar o nosso filho ou nossa filha na escola." Portanto, isto traz sempre uma fatura. Pode não ser em Alverca, mas diria que vai haver o outro lado desta moeda e é complicado o Sporting não pagar essa fatura em termos físicos.

Augusto Inácio, estes dois jogos com o Bodo/Glimt revelam o melhor e o pior Sporting desta época. Isto pode ser analisado, estudado e ter agora um efeito galvanizador para um ataque ao campeonato?

Boa tarde a todos. Bom, eu diria que o Sporting, quando foi à Noruega jogar e quando se falou que havia falta de atitude, que a equipa estava pouco fresca, tem muito a ver também com aquilo que foram os jogos que o Sporting fez antes, ou seja, com o Sporting para a taça e em Braga para o campeonato. E naturalmente que os jogadores, com estes dois jogos de alta intensidade e que requer realmente muito esforço físico, aliando a tudo isso, ao sintético, ao frio, à viagem, tudo isso, o Sporting não foi aquela equipa fresca como se apresentou ontem. E o Bodo/Glimt aproveitou isso, deste desgaste físico que o Sporting teve. Mas fica a sensação Ficou a sensação de que o Sporting em casa podia marcar gols. A minha dúvida, ainda bem que não se concretizou, foi que o Bodø/Glimt poderia, no contragolpe, surpreender a defesa do Sporting. O segredo da vitória do Sporting, além da intensidade que colocou em campo, além da atitude, foi a arte de saber jogar bem coletivamente e individualmente, jogadores que também apareceram. Estiveram desde o princípio até o fim sem tirar o pé do acelerador e foi o equilíbrio dessa manobra ofensiva com a parte que podia ser perigosa para o Sporting, que era o contragolpe. O Sporting esteve sempre equilibrado nesse sentido, a não ser só um lance da primeira parte em que o Sporting realmente foi surpreendido, mas só de lembrar que aos 15 minutos o Sporting já podia estar a ganhar por 3 x 0. O Sporting entrou muito bem e acabou muito bem. O Sporting foi realmente uma equipe equilibrada, com uma dinâmica de jogo que há muito já não se via. Eu diria que o Sporting demonstrou que realmente tem uma grande equipe. Afinal, não é só do meio-campo à frente, é também a equipe na sua totalidade. Eu diria que o Sporting fez uma exibição brilhante, mereceu ganhar e passar à fase seguinte. Vai jogar com o Arsenal do Guilherme Oquelles, mas eu diria que o Sporting teve uma noite daquelas para ninguém esquecer.

Pedro Henriques hoje leva o prêmio do campeão. É um bacalhau, claro, porque ontem apostou e venceu que o jogo ia a prolongamento. Também que a probabilidade de vitória e passagem à próxima fase era bem mais elevada do que dizia a inteligência artificial. Por isso vai aí um bacalhau para o Pedro Henriques. Pedro, como é que olhaste para esta partida? Qual foi o segredo do Sporting para conseguir virar estes 3 x 0 e acabar com 5 x 0 frente aos noruegueses?

Olha, eu até tenho dificuldade em pegar no assunto, no sentido de por onde começar, porque não há aqui videntes, nem há aqui pessoas que sabem mais ou sabem menos, nada disso. Mas eu, no nosso podcast do Campeão, exatamente no dia 12, o Sporting jogou dia 11, disse que não fiquei convencido que o Sporting ia dar a volta, e até de alguma maneira a malta criticava. Não, fiquei convencido. Ontem voltei a enunciar os motivos pelos quais fiquei convencido logo no início e terminei com esta brincadeira, que era a minha convicção: não marquem nada para as 20h, porque às 20h vamos estar aqui a trabalhar. E podia não ter sido, podia ter sido até antes das 20h que tudo ficasse resolvido. E por que eu não fiquei convencido? E aqui o Augusto Inácio e o próprio Gabriel já elencaram alguns desses motivos e até foi dita aqui a questão da largura. Primeiro, o Maxirug e o pote fazem diferença. Eu continuo a bater naquilo que pouca gente fala. Eu passei 20 anos em campos destes, sintéticos, não é a mesma coisa, a bola está sempre a saltar. Pode ser os de última geração, os jogadores para dominar a bola demoram sempre mais um segundo, os adversários marcam mais em cima. Depois os campos normalmente são mais curtos e mais pequenos, o que facilita os setores mais próximos, jogadores mais juntos, para quem destrói é melhor. E foi isso que não me convenceu. Quando aparece o Maxirug e o pote, com tudo aquilo que eles dão, mesmo o pote sentar a jogar muito bem, mas depois marca logo o golinho. Mais de 315 metros de área enquadrada, uma bola que rola e que não salta, uma relva natural, uma temperatura que, se formos comparar com a sensação térmica, são mais 15° do que estava a semana passada. A hora do jogo, não é um campo de 8 mil pessoas, mas de 50 mil. Enfim, houve aqui um conjunto de fatores e mesmo a ideia que eu tinha que o Sporting era melhor e que podia dar muito mais. E depois, aquilo que penso que o Augusto agora falou, e muito bem, que é: o Sporting vinha de dois jogos intensos. O Sporting aproveitou bem o regulamento. Não foi porque alguém facilitou, foi porque não pôde a possibilidade de haver-

Explicaste isso bem ontem.

Exatamente, as tais 144 horas entre um jogo e outro europeu, eram 141 e 45 minutos. Portanto, o Sporting não podia mesmo jogar pelo meio. Isto para dizer o quê? Fez toda a diferença na recuperação física. Ontem até falei naqueles aspectos fisiológicos. O Sporting apareceu com a tal energia que não tinha tido. É normal. Está bem que o Bodø/Glimt também se preparou para este jogo e não teve mais nenhuma competição, mas isso fez total diferença e por isso acabei, até com alguma naturalidade, quando a inteligência artificial dizia que era para o Sporting passar 13,5 e para ganhar 57%. E eu até brinquei e disse: "Não, é 75% para o Sporting ganhar e 51 para passar." Estava muito na cara que isso aconteceria. Podia não ter acontecido, mas aconteceu, e aconteceu porque realmente o Sporting é melhor. Agora, o que vem a seguir é outra cepa. Imagine que o Sporting joga o primeiro no Arsenal e se perder 3 x 0 no Arsenal, eu já não vou dizer o mesmo, porque já estamos a falar de equipes completamente diferentes. A aquele tempo iremos falar, mas o Arsenal está em primeiro lugar na Champions League, é uma equipe de topo, com jogadores de topo. O que está fazendo na Inglaterra, agora escalou para um patamar de grau de dificuldade superelevado.

Muito bem. Temos Liga Europa esta quarta-feira, já às 15h30 com esse Braga-Ferencváros. Muito rapidamente, Bruno Roseiro, e vou depois encadear também com a nota que queres para a edição de hoje. Temos também ainda a decorrer esse Real Madrid-Sporting para a Youth League. Os espanhóis estão na frente por 2 x 1 com 64 minutos de jogo e mais logo Braga, que também pode bem olhar para esta remontada que faz o Sporting para tentar levar de vencida os húngaros do Ferencváros.

Acho que há muitos paralelismos, não na questão do sintético, mas na questão de que, apesar da vitória do Ferencváros, eu fiquei com a clara ideia de que o Sporting Braga tem mais do que capacidade para conseguir essa remontada, assim consiga ter, de fato, os mesmos equilíbrios que o Sporting teve. No caso do Sporting

Que é diferente, porque o segredo foi dar largura, abrir o campo. No caso do Sporting Braga, poderá não ser só isso, mas diria que tem argumentos para conseguir dar a volta. Vou já dar a minha nota de campeão.

Força.

Falou-se muito de Max Araújo.

Super Maxi.

Sim, é o espelho daquilo que foi a atitude do Sporting no jogo todo. Gulmann voltou a fazer um jogo fabuloso. Nuno Santos e Bragança entraram muitíssimo bem, também não têm sido muito falados. Trincão, acho que é a arte em andamento e cada vez mais.

Vi o Trincão a fazer uma dobra ao Maxi. Ia fazer um grande corte. Do ponto de vista físico, diz algo sobre a preparação do jogo.

Aos 42 minutos, viste como é que ele ficou no chão. E mesmo assim aguentou até aos 110. De facto, foi incrível. Mas o meu destaque e a minha nota 20 é para o Fresneda, que é uma espécie de um patinho feio para muita gente em Alvalade. E quando se vai ver o jogo dele, faz um jogo fantástico, a atacar, a defender e tem este pormenor: eu não consegui, pode ser que o ChatGPT me ajude, encontrar um jogador que num jogo deste, se eliminar numa grande competição, fizesse quase 17 km em 120 minutos. Acho que é uma exibição fantástica e eu acho que este número simboliza também todo o pulmão que o Sporting conseguiu ter para fazer história.

Gabriel Alves, o teu campeão, por quê e com que nota nesta quarta-feira?

Eu vou dar dois campeões. Estou de acordo com o que acabou de referir o Bruno Rezeiro em relação ao Fresneda, faz lembrar aquele menino que jogava uns anos atrás no Valladolid e depois foi para o Sporting e depois andou perdido, mas de facto agora está a mostrar todo aquele talento que dava então no seu clube em Espanha. Eu quero dar 20 ao Sporting, naturalmente, por tudo isto, não só pelo Sporting em si e por aquilo que é a família Sporting, mas também pelo futebol português, porque este jogo, ontem, foi altamente visto ao nível planetário, porque era um jogo onde todos estavam a querer perceber onde é que poderia ir a equipa norueguesa e até que ponto o Sporting conseguiria ou não dar a volta ao resultado. Portanto, foi um jogo ao nível planetário e o Sporting conseguiu dar a volta com o brilhantismo com que deu. Portanto, é 20 para o Sporting e para todo o grupo, mas eu quero destacar neste 20 a força do trabalho de Rui Borges e dar a Rui Borges, 21. Dou-lhe um dado de distinção e deixar um zero para aqueles opinadores do estatuto e para os estatutários e estatutos. Quer dar zero, também tem que dar, portanto, àquilo que é o escândalo do século neste momento, hoje não dá muito para falar disto. E tal como diz a imprensa italiana, um troféu não se vence com um e-mail. Esta história de se ter tirado a Copa da África ao Senegal e entregue em mão a Marrocos. Isto sem deixar e não invalidar o mau serviço que o Senegal fez durante a final, mas as coisas não são assim. Vamos ver o que isto quer dizer. Marrocos está no Mundial 2030. Esse Mundial 2030 vai dar muito que falar. Portanto, zero para as organizações e espero que África, quando forem as eleições na FIFA, se lembre de Infantino.

Augusto Inácio, o teu campeão de hoje e com que nota?

Eu dou a nota 20 para o Sporting Braga para o jogo de hoje, que faça a remontada, que faça um belo jogo, que imita o Sporting no sentido de dar a volta ao resultado e que passa à fase seguinte. Nota 20 para tudo o que é Sporting, grande exibição para jogadores, para treinadores, para massa adepta, que realmente foram fantásticos. Mas também queria dar aqui uma nota 20 para os adeptos de Bodø/Glimt. Terminou o jogo e eles levaram os seus cachecóis, as suas camisolas, e via-se que estavam orgulhosos daquilo que o seu clube também tinha feito. Coisa contrária quando o Sporting foi a Bodø/Glimt e os jogadores ainda foram apupados por alguns poucos adeptos do Sporting, nem sei se são adeptos, a dizer que aquilo era uma vergonha. Não, não é vergonha. Há que ter orgulho nos jogadores que têm e na equipa que são.

Pedro Henriques, o teu campeão de hoje.

São dois. Nota 20 para o Sporting, por tudo aquilo que já foi dito e sobretudo por aquilo que o Sporting fez. E naturalmente, nota 20 para o Braga, e vou dizer isto com a mesma convicção. O Braga, depois de 60% de posse de bola, 12 cantos contra um, o Braga hoje vai ganhar e nem vai precisar de prolongamento. É muito melhor que a equipa adversária e o Braga vai passar, é tão simples quanto isso.

Está feita a edição de hoje do programa "E o Campeão É".