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Hoje é o primeiro "E o Vence Tudo?" da semana e vamos ter uma espécie de revista dos últimos dias. Nuno Vinha, vamos começar por ti. Bom dia. O Miguel Pinheiro já tinha dado aqui uma referência a Joe Berardo e é também sobre o Comendador que tu queres falar.
Sim, bom dia. Daqui a uns dias cumprem-se dois anos desde aquela famosa audição de Joe Berardo na Comissão Parlamentar de Inquérito à Caixa Geral de Depósitos, em que ele disse coisas espantosas e fantásticas como: "Eu não tenho dívidas" e soltou aquela brilhante gargalhada, quase gozando com os portugueses. E dois anos depois, nós temos este homem novamente a abrir um novo museu, aqui mesmo ao lado de onde eu moro, em Alcântara. Eu vou lhe dar uma nota baixa, mas eu tenho muita dificuldade em classificá-lo como um perdedor associado a essa nota baixa, porque este homem consegue, dois anos depois, fazer tudo aquilo que queria. Ou seja, ele continua a ser o único dono das obras de arte, apesar de haver um arresto. Ele conseguiu enganar a banca, através da famosa associação Coleção Berardo, em que consegue contornar toda a questão dos penhores que existia. Continua a dar a volta ao Estado, com quem tem um protocolo desde 2016, mas que no caso de, eventualmente, até se o Estado vier a comprar as obras, o que não consegue fazer, porque as obras hoje em dia valem o triplo daquilo que estava estipulado e avaliado na altura. Ele continua a ser de forma vitalícia o dono das obras. Mais, abriu o ano passado um novo museu em Estremoz, o Museu do Azulejo, em Estremoz, numa parceria com a Câmara Municipal. E portanto, este homem continua no topo da onda, na crista da onda, continua a fazer exatamente aquilo que sempre fez, continua a fazer tudo aquilo que lhe apetece fazer no mundo da arte, continua a chamar a si mesmo de Comendador, etc. E continua com o quê? Com uma dívida de quase € 1000 milhões à banca e parte dessa dívida é a um banco público e que foi recapitalizado por todos nós, portanto, somos nós que estamos a pagar tudo isto. E quando, eventualmente, o Estado decidir acionar essa cláusula de compra que existe na Fundação Berardo, na Fundação CCB, digamos assim, nas obras de arte do CCB, com o nosso dinheiro, é o Comendador Berardo que no final vai ganhar.
Portanto, em termos de resiliência. Pois. Em termos de resiliência.
Exato. Eu não sei como é que lhe consigo chamar de perdedor, porque este chico-espertismo, eu moralmente dou-lhe quatro valores. Perdedor somos nós. Desculpa. Sim, perdedores somos todos nós, na verdade. Ele continua a ganhar tudo aquilo que sempre quis ganhar, mas eu moralmente, como não gosto de chico-espertismos, vou lhe dar um quatro. Também daria uma nota negativa à Graça Fonseca, que reconduziu todo o conselho de administração da fundação, que reconduziu tudo como se fosse tudo normal e como se tudo estivesse igual, sem fazer absolutamente nada nos últimos dois anos para evitar esta situação. Mas é a ele que eu dou, por ser um chico-esperto, moralmente, eu dou-lhe quatro valores.
Aqui fica essa nota negativa, mas com as hesitações todas que ficaram claras, Nuno, para o primeiro perdedor desta manhã. Rui Pedro Antunes, vais para onde?
Vou continuar aqui sentado, Carla. Bom dia a todos.
Muito bem.
Tendo em conta as limitações. Não, mas vou para a manifestação do Chega de André Ventura. Deixa-me só dizer que caso isto dê para o torto e depois ficamos todos credores do Joe Berardo e sejamos os portugueses a pagar tudo, eu posso escolher já as minhas obras, posso ficar com mais ou menos um Picasso, dos que ele tem na Coleção Berardo, um Roy Lichtenstein e talvez um Warhol. Assim, de repente.
Ficas só com três.
Por aí. Se vier a pagar, também queria ficar com qualquer coisinha. Se der, acho que fica aqui muito bem na minha parede. Sobre para onde eu vou. Eu queria dar nota ao líder do Chega, André Ventura, devido à manifestação deste fim de semana. E queria dar um sete. É uma nota negativa, só não é mais baixa porque há alguma eficácia interna no tipo de manifestação que o André Ventura fez. Mas queria me referir, e o facto de ter uma nota negativa, é porque André Ventura segurou uma tarja que dizia: "Chega ou Morte". Eu não sei se ele achou que estava nas margens do Ipiranga, mas de facto, eu recordo no debate presidencial com a Ana Gomes, o André Ventura atacou a certa altura a candidata presidencial pelo passado de ligação ao MRPP. E uma das coisas que fazia era confundir o MRPP da altura com o atual. E a criticar aquela célebre frase que nós vimos em outdoors do MRPP, que era: "Morte aos traidores." Ora, agora já não há problema em ter uma frase a dizer: "Chega ou Morte." E eu não percebo o que é que o André Ventura quer dizer com isto. Não percebo, mas fico perplexo e até assustado. Isto significa o quê? Que caso o Chega seja ilegalizado, o André Ventura e o Chega vão recorrer à luta armada? O que é morte? É a morte do partido ou é uma incitação à violência? Este é o primeiro ponto que eu acho negativo daquela manifestação. Depois, há, e como há sempre nesta altura, não há outra forma de fazer, grandes aglomerados de pessoas. Obviamente, estavam todos de máscara. Segundo as reportagens televisivas e notícias, só o André Ventura é que não teve máscara e a maior parte do tempo foi a cantar o hino ao Ao microfone e a dizer coisas, portanto, a maior parte do tempo até seria justificado, que era pra falar melhor. Mas efetivamente esteve sem máscara. Depois, nas imagens televisivas, eu estou limitado, não estava lá, obviamente, estamos sempre todos um bocadinho, nunca estamos nos locais. Vejo também a própria polícia afastar pessoas com bastante agressividade na frente da manifestação e um senhor a gritar para a companheira algo do gênero: "Ela está grávida", e a polícia empurrá-lo, portanto, imagens que também são muito más de ver. E há muita gente também a criticar o Chega por ter feito a manifestação por ruas pequenas, não garantindo tanto distanciamento social. Obviamente, não dá pra ir ao Tribunal Constitucional sem passar por ruas pequenas. A questão não é essa. A questão é que depois do que disse André Ventura, do avante, do primeiro de maio, vieram pessoas de todo o país com 30 autocarros, segundo os relatos, e de facto juntam-se todos ali num espaço pequenino, efetivamente, pelo menos André Ventura estava sem máscara, portanto, também nesta segunda parte, não é eficaz. Terceira e última coisa, na mensagem. O Tribunal Constitucional está precisamente a avaliar, ou vai precisamente avaliar, independentemente depois da decisão que tome, se isto é legítimo ou não é, do ponto de vista ético, etc. O Tribunal Constitucional está a avaliar se o Chega é um partido racista, se o Chega é um partido perigoso, porque há uma parte do que diz é ser militarizado ou paramilitar. O fato do partido poder ser ou não agressivo é importante. O que é que André Ventura decide fazer em vez de normalizar o partido numa altura dessas? Segurando um cartaz que diz: "Chega ou morte." Ao meu ver, é uma má estratégia, devia-se optar por uma coisa o mais pacífico possível, era dispensável aquela frase, quer chocar, quer aparecer, percebe-se isso, não se coaduna com aquilo que devia ser o objetivo do partido agora, que é precisamente não só fazer barulho para que o partido não seja ilegalizado, mas tentar normalizá-lo para que os juízes não o vejam como algo perigoso. Por isso, um sete pra André Ventura.
Aqui fica esse sete, mais uma negativa esta manhã. José Manuel Fernandes, como é que olhas para este protesto de ontem do Chega?
Eu acho que é um protesto que do ponto de vista do Chega, não correu mal. E acho que sobretudo aqui a questão que se coloca é ter levantado esta questão. Acho que a questão de pretender resolver o problema do Chega no Tribunal Constitucional ou na Procuradoria-Geral da República é uma má solução e portanto, independentemente dos erros e dos exageros de André Ventura, isto são oportunidades para André Ventura ter palco e vitimizar-se. Portanto, eu concordo com muitas das notas que o Rui Pedro deu, mas há aqui um problema de base original, que é não deveria estar a decorrer um processo de ilegalização do Chega, porque isto não é a forma de lidar com partido político nos dias de hoje. E portanto, desse ponto de vista, André Ventura está a explorar o facto de alguém achar que essas coisas se tratam na Justiça, o que é um erro. E por isso, apesar de haver as contradições habituais de André Ventura, que diz uma coisa e depois faz outra, pesando os negativos e os positivos, dou-lhe um 10.
Um 10 pra André Ventura. Carlota, queres desempatar? A uma nota positiva e uma negativa.
Não é isso. Eu acho que estão demasiado pessimistas em relação à resolução das coisas na Justiça, porque se apanharem um juiz como o Ivo Rosa, na questão da ilegalização do Chega, provavelmente há aí surpresas. Miguel Coelhinho, mas me deixa só dizer uma coisa, Carla, ao que disse o José Manuel. Eu também concordo com isso. Durante anos houve o PNR com posições muito mais agressivas do que o Chega e falou-se ligeiramente de ilegalização há uns anos do PNR e não houve este ataque no Constitucional, o que leva a crer que aquilo que André Ventura diz pelo partido ser grande, grande no sentido de ter bastante votação, é uma das motivações pro ataque, e não devia ser, devia-se olhar só estritamente pra aquilo que diz a Constituição. E nesse aspecto também concordo que quem quer combater o Chega, deve combatê-lo nos locais próprios, que é nas urnas e nas campanhas eleitorais e dia a dia no Parlamento, não deve combatê-lo na secretaria. Aí também pra dizer que concordo com o José Manuel nessa parte, o que estou a avaliar é a forma. O André Ventura tem todo o direito de se manifestar contra isso. A questão é a forma como se manifesta.
Ficou claro. Miguel Pinheiro, já tinhas anunciado que queres falar do presidente da Câmara de Cascais. O que te leva a querer pontuar Carlos Carreiras?
É nostalgia, Carla. Eu passei este fim de semana nostálgico, a lembrar-me dos bons velhos tempos em que os autarcas prometiam construir rotundas. Agora prometem, e vou citar, "alterar a dinâmica da batalha contra a Covid-19, não só no nosso limitado contexto nacional, mas sobretudo no espaço mais vasto da lusofonia." Carlos Carreiras precisava de uma bomba pra relançar a sua candidatura, pelos vistos, achava que precisava disso, e então decidiu criar uma enorme confusão dizendo que tinha identificado uma unidade de produção em Portugal, de uma farmacêutica com capacidade pra produzir dezenas de milhões de doses de vacina anualmente, e escreveu um artigo em que falava mesmo da vacina portuguesa, que na realidade seria a vacina russa Que ainda nem sequer pediu autorização ao regulador europeu e que, na realidade, também não seria produzida, porque na entrevista que deu este fim de semana ao "Sol", percebeu-se que afinal António Costa é que tinha razão e o máximo que nós conseguimos é encher os frasquinhos das vacinas com o produto. Tudo isto foi um enorme faz de conta criado por Carlos Carreiras. Nós no "Observador" explicamos que para fazermos efetivamente uma vacina seria preciso uma fábrica nova que custaria entre €500 e €700 milhões e que demoraria 10 anos a poder começar a produzir. Muitos autarcas nesta crise da pandemia sentiram a tentação de se chegarem à frente quando sentiram falhas do governo e sentiram a tentação de tentar mostrar aos munícipes que era possível combater uma pandemia mundial localmente, com autarcas competentes. E agora Carlos Carreiras levou isto ainda mais longe. E depois eu acho graça, porque no final diz: "Bem, eu já fiz a minha parte, já fiz tudo o que tinha a fazer." Como se tivesse feito alguma coisa. Parece que telefonou para uma cidade que é geminada com Cascais. "Eu já fiz o que tinha a fazer, agora é com o governo." Por isso, se o governo não mudar a geoestratégia do combate à pandemia, criando uma fábrica ou várias fábricas em Portugal para produzir milhões de vacinas que resolvam o problema em Portugal e no mundo lusófono e no planeta, se isso não acontecer, a culpa será de António Costa, porque Carlos Carreiras quer convencer-nos de que abriu o caminho para isso e agora será só receber os votos quando chegarmos às autárquicas. Enfim, para o que nós estávamos reservados. Perante isso, Carlos Carreiras, quanto é que eu lhe hei de dar? Qual foi a nota mais baixa que nós demos hoje?
Um quatro a Joe Berardo.
Então pronto. Coitado.
Fica ao nível de Joe Berardo.
Calma. Não, também por amor de Deus. Vamos para um seis. Também não podemos exagerar.
Fica um seis. Fica um ponto abaixo de André Ventura. Um seis para o presidente da Câmara de Cascais.
Não, isso também não pode ser. Espera aí. Desculpa lá, o André Ventura ficou com sete?
Ficou com sete ou com 10. O José Manuel Fernandes deu-lhe um 10.
Não, 10 também não.
Estás a regatear notas. Um oito?
Não, estou a tentar arranjar aqui o equilíbrio. Fica com um oito, acima do André Ventura, do Rui Pedro e abaixo do José Manuel.
Pronto, então fica aqui fechado. Miguel, ainda tens oito minutos se quiseres reconsiderar, mas para já um oito para Carlos Carreiras. Vamos falar agora do plano de estabilidade. Pode ser, Paulo Ferreira? Avança lá.
Vamos lá falar desse programa. Sim, porque os números foram divulgados no final da semana passada. No fundo, é aquele exercício feito em abril por todos os governos, que enviamos para a Comissão Europeia, em que é feita uma projeção a cinco anos da economia e da evolução do orçamento. Depois as coisas vão sendo revistas de ano a ano, mas de qualquer maneira é uma espécie de uma bússola, de um mapa de crescimento. E nós sabemos que estamos a sair de uma crise ou no meio de uma crise. Sabemos que este ano e o próximo ano vão ser de crescimento forte. Por quê? Porque vamos recuperar da queda muito forte também em 2020, que foi de 7,6%. Portanto, a economia bateu no fundo e agora está a recuperar. E olhando mais para a frente, o que se esperaria? Em 2021, 2022, sobretudo em 2022, já teremos no terreno dinheiros da bazuca, do tal programa de recuperação e resiliência. E era de esperar que depois disso a economia subisse bastante, que arrancasse, não direi como um foguete, mas pelo menos que saísse daquele marasmo em que tem estado mergulhada desde o início da década. E olhando para as previsões publicadas e feitas pelo governo, o que vemos é precisamente o contrário. Depois de crescermos aqui na casa dos 4% este ano e o próximo, precisamente por causa desse efeito automático quase de recuperação, em 2023 o governo já prevê que a taxa de crescimento caia para 2,8%, depois 2,4% e em 2025, 2,2%. E olha-se para isto e não se quer quase acreditar que a economia não consiga arrancar. Atenção, isto com a bazuca já em pleno, porque o governo também diz que os investimentos do PRR, e cito o próprio programa de estabilidade, os investimentos do PRR no curto prazo, desses investimentos resulta um incremento da taxa de crescimento média anual do PIB em 0,7%. Ora bem, se nós a 2025 retirarmos o efeito do PRR, estes 2,2% passam para um crescimento de 1,5%. E isto diz bem do sarilho económico em que estamos metidos, em que desde 2000, 2001 que basicamente não crescemos. A média de crescimento deste século é de 0,33% ao ano, mas também não vamos sair muito longe disto. Esperava-se que depois deste choque, depois de começar a entrar no terreno os investimentos do PRR, depois de tantos foguetórios com o fim da austeridade, que o ciclo de crescimento está aí, que a economia de facto saísse desta anemia. Só para termos uma ideia do sarilho grande em que estamos metidos e que mais do que nós, os nossos filhos e netos vão pagar, convém olhar para isto num horizonte temporal mais largo. Vamos olhar para o PIB per capita, comparando com a média da União a 27. Em 1995, Portugal estava com 81%. Em 2019, 78%. Portanto, caímos nestes quase 30 anos, de 25 anos, caímos três pontos. E a produtividade por hora trabalhada, que é basicamente a origem disto tudo, se não somos produtivos, o PIB não cresce e não podemos ter salários maiores, caiu de quase 69% em 96 para 65% em 2019. Portanto, esta é a nossa trajetória histórica. Esperava-se que tivéssemos aprendido alguma coisa e que algumas reformas na economia pudessem começar a fazer efeito, mas não. Preparem-se que depois deste sobressalto, vamos continuar a cair naquela anomia habitual. Se isto não é confissão de um país falido, então não sabemos o que é uma economia falida e sem futuro. A nota para isto não é para o governo, para este governo, nem para este Presidente da República, nem para esta Assembleia da República. Andamos nisto há demasiado tempo, como vemos, para responsabilizar este ou aquele. No fundo, somos nós, nós todos, é o coletivo, é a fraca qualidade das nossas instituições, é a fraca qualidade da formação dos trabalhadores, mas sobretudo também da gestão. No fundo, é a nossa falta de ambição também, de exigência enquanto eleitores e cidadãos. É assim, é a nossa vida, é a nossa sina, continuar a ver toda a gente ultrapassar-nos na União Europeia e por isso, para nós todos, vocês que estão aqui a ouvir-me agora incluídos, não se ponham a olhar para essa cara, vocês que estão aí do outro lado também. Também para vocês, vai aqui um sete, para não ser muito desanimador com esta falta de perspectiva para o futuro.
Um sete ao nível do André Ventura para o Rui Pedro Mendes.
Por exemplo, tem mais futuro na política, se calhar, o André Ventura do que o país na economia, mas enfim.
José Manuel Fernandes, também achas que este plano é poucochinho?
Eu acho que este plano é muito poucochinho e vamos a ver se a União Europeia o aprova, porque este plano não está a cumprir sequer os mínimos e tem alguns problemas. Eu acho que este plano foi basicamente feito para tentar tapar os buracos da falta de investimento público nos últimos anos. Tudo aquilo que não se investiu para continuarmos a ter austeridade fingindo que não tínhamos austeridade. E por isso canaliza para aí a maioria do dinheiro. Para calar as associações empresariais, não estou a falar de calar os investidores ou as empresas, porque isso é uma coisa um bocado diferente, calar aqueles que os representam, mas que na minha perspetiva nem sequer os representam muito bem. O governo promete recorrer um pouco mais a uma das linhas do programa, a linha dos empréstimos, mas tudo o que aqui está é muito pouco estimulante. Aliás, o próprio programa europeu já não é particularmente estimulante. Mas quando nós, por exemplo, comparamos, apesar de tudo, o nosso programa com o programa espanhol, que procura reinventar de alguma forma a economia espanhola, as empresas espanholas, a vocação exportadora da economia espanhola, e temos em Espanha um governo que não é particularmente amigo das empresas, um governo que não está apoiado, tem lá dentro a extrema-esquerda, olhamos para nós e vemos que aqui parece haver uma completa anomia, uma completa satisfação com o estado em que estamos. Conseguir fazer um plano destes, pior que o programa espanhol, dá-nos uma ideia do ponto em que estamos e que só se pode explicar em parte porque o governo está tão aflito que precisava de facto disto para pagar aquilo que não fez durante os últimos anos, e também porque temos uma sociedade civil que já se rendeu a este estado de coisas, porque também não reagiu muito a isto. Como entretanto nós sabemos que em Portugal não há capital, não podemos esperar grandes crescimentos. Podemos esperar, infelizmente, o que nos continua a acontecer é aquilo que aconteceu nos últimos anos, que é paulatinamente ficando um bocadinho mais para trás na escala, no ranking dos países europeus. Já temos mais dois países quase a ultrapassar-nos, a Eslováquia e a Hungria. É natural que se calhar até à saída da pandemia já tínhamos sido ultrapassados por eles, vamos ver o que é que nos acontece. Portanto, não é um grande destino. Eu não posso dar ao plano mais do que a classificaçãp que o Paulo deu.
Deu um sete.
Deu um sete. Eu vou ser pior ainda, vou dar mesmo um seis.
Muito pouco generosos os nossos participantes hoje do "O Vencedor" e a segunda-feira é um dia difícil, esperamos outro otimismo amanhã.
É o dia de voltar ao trabalho.
É o dia de voltar ao trabalho. Amanhã encontramo-nos novamente. Até lá.