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Está na hora da análise aos principais protagonistas da atualidade para avaliar e pontuar. Hoje estão conosco no "Youven Soré", para além do José Manuel Fernandes, a Filomena Martins e o colunista do Observador, André Azevedo Alves. Carla, hoje vamos ter bebês e gatinhos.

É verdade, hoje vamos dar um fofinho.

Vamos dar tudo, mas não tenho certeza se vai ser fofinho. O que sabemos é que temos aqui neste painel muitos amantes de animais. Filomena Martins, bom dia. Agradou-te veres os animais de estimação a entrarem na campanha?

Começo eu?

Sim, começas tu.

Queres perguntar ao Black Nicolau ou à Rui Julieta?

Podes perguntar aos dois, até podem participar.

Não, podem, mas eles não estão aqui agora.

Ainda bem. Eles agitam-se mais quando passa o cartaz, nós sabemos.

É mais na hora do carteiro. Olha, não está aqui, e eu quero lhe fazer jus, não está aqui nem o Miguel Santos Carrapatoso, nem o Rui Pedro Antunes, estão a tratar da campanha, e eu traria para amanhã as piadas deles, porque eles fazem falta com as piadas deles. Portanto, eu diria que esta campanha não está transformada na peixada do costume. E entramos na arca de Noé dos candidatos. Eles descobriram, pelos vistos, só agora, que as fotos fofinhas de cães e gatos na internet têm sempre um efeito muito mais fácil do que se calhar outras coisas mais politicamente fortes e andam a pôr os animais nas suas redes sociais.

Já agora, Filomena, eu acho que isso é um tema para o PAN. Por que os animais não têm direito à sua própria imagem? Podemos divulgar as imagens nas nossas redes sociais assim?

Não sei, porque, de facto, eu acho que deviam lhe perguntar, pelo menos. Mas de facto, de repente, isto transformou-se num verdadeiro desfile de animais. Tu lembravas aqui na nossa troca de mensagens no WhatsApp que até no debate dos partidos sem sempre na assembleia, o líder do ADN levou um boneco de pelúcia para aquele debate também animalesco, para não dizer outra coisa, e foi o elefante de pelúcia. Mas de facto, depois do gato do Zé Albino, do Rui Rio ter feito uma piada com o que o Rui Rio quis fazer, por estar desolado com a aproximação do PAN ao PS, a Inês de Sousa Real foi logo dizer que para não haver ciúmes, porque ele achava que o gato ia votar PAN. Mas é verdade que ela também já apareceu com a cadela dela, a Luna, a dizer que tinha de lhe dar mimos entre a preparação para os debates. Depois foi o Rui Tavares que respondeu com o seu gato, o Camões, a dizer que o bichano anda eriçado com as hesitações do PSD com a extrema-direita e o liberal, o Cotrim de Figueiredo, meteu um cão na luta de gatos e diz que a sua cadela Bala está muito entusiasmada com o crescimento da iniciativa liberal e a hipótese de reformarem o país a sério nos próximos quatro anos. E claro, não podia faltar, já ao fim da noite, a noite dentro, aliás, a famosa coelha Acácia do André Ventura entrou na corrida dos animais e diz que está na luta pelo primeiro lugar das eleições. E eu acho que isto é tudo o que eu ia dizer. Uma fantochada ou não, que nisso não são fantoches, os animais têm o mesmo direito, vocês sabem o quanto eu gosto de animais, mas isto de repente, eu achei que de facto aquilo era uma brincadeira do Rui Rio. Levei aquilo como uma piada, porque o gato realmente está numa posição engraçada e eu gosto realmente de cães e gatos e animais, mas depois toda a gente levou aquilo muito a sério.

E pronto, houve agora aqui este corte, mas a Filomena achava que este dia ficou um bocadinho abaixo de cão. Será por aí. André Azevedo Alves, bom dia. Bem-vindo também aqui ao "Youven Soré". Este recurso dos animais ainda não tinha sido utilizado numa campanha eleitoral?

Não, que eu me recorde, não. Acho que a precursora foi a coelha Acácia, que já tinha aparecido em vários momentos com o André Ventura, até em entrevistas que o próprio André Ventura deu. E portanto, de alguma forma, é um elemento que faz parte da construção da imagem e da caracterização do André Ventura. E depois houve esta entrada mais recente do gato Zé Albino, que me parece também bastante bem conseguido e juntou-se o tal elefante na sala, mas neste caso de pelúcia. Eu também gosto bastante de animais, tenho uma cadela, mas é uma cadela sem aspirações políticas.

Sem ideologia.

Não, e sem não partilha imagens nas redes sociais, não aspira à celebridade, mas vejo com curiosidade este movimento. Curiosamente, numas eleições em que aparentemente o PAN vai ter um resultado bastante fraco. Portanto, não sei exatamente como ler isto, mas se calhar porque o próprio elemento principal de marketing político do PAN, de alguma forma, é mais ou menos transversal.

E, portanto, o discurso do PAN foi apropriado pelos outros partidos, se calhar.

Sim, parece-me isso.

José Manuel Fernandes, também conhecemos aqui os teus cães. Como é que vês esta entrada agora a cavalo dos animais domésticos?

Sinceramente, como sabes, de vez em quando até temos aqui animais neste debates. Eu tenho vários cães, quatro cães e duas cadelas.

E às vezes, Amâncio, participam aqui no programa.

Exatamente, e às vezes participam aqui no programa, mas devem estar cansados porque tiveram uma noite muito agitada, não sei por que. Isso é da lua do lobo que os colocou agitados. Está uma lua linda, parece dia, e andaram um pouco agitados. Mas eu estive a olhar para isto e fiquei um pouquinho preocupado. Dá-se o nome, isto é muito politicamente correto, estes nomes que estes cães têm. Já repararam? Temos um Zé Albino. Não sei se isto não é uma falta de respeito pelos albinos. E depois, sobretudo, como é que é possível o Rui Tavares, que teve a Joacine como candidata, colocar o autor do poema "A Lusíada", portanto, o nome do autor, Camões, ao seu gato? Há aqui umas contradições que eu não sei se vão ter leitura política ou não, mas de facto não deixa de ser curioso.

E há uma Bala.

Há uma Bala, que é bélico.

E há uma Bala, bélico, exatamente, há uma Bala ainda. Estes nomes são politicamente muito incorretos. Eu não sei que leitura que os eleitores vão fazer disto, mas foi uma entrada assim um pouquinho com o pé esquerdo, diria eu.

Agora falta vir António Costa, que tem as suas vacas voadoras, e ganha isto assim com as vacas voadoras.

António Costa acho que tem um cão também. Pelo menos tinha, não sei se ainda tem.

Para já está reservado neste debate das redes sociais. Júlio Magalhães.

A gente sabe que há países onde não ter cão ou não ter gato é quase crime de lesa-majestade. O presidente dos Estados Unidos não tinha um cão, não é presidente.

É verdade. Portanto, os animais são mesmo importantes.

Só o Trump é que não tinha bicho roxo, era alérgico.

Acho que no caso do Trump, ele pode pirar o bicho roxo, não era preciso mais.

Os bichos roxos eram alérgicos ao Trump.

Quando o Júlio Magalhães faz a emissão do Porto, ouvimos passarinhos. São teus?

Não.

São dali, são do bairro.

Moram por ali.

E como é que viste esta entrada do humor na campanha eleitoral?

Olha, acho que não tem graça nenhuma, por acaso. E tenho uma má notícia para os gatos e para os proprietários dos gatos, que estou aqui a ler uma notícia no jornal "O Económico" que diz que os produtores de leite querem subir o leite já em janeiro 31%. Isto vai complicar a vida do Camões. E do Zé Albino. Mas não são só essas notícias. O problema é o leite que vai subir. Há 10 mil professores que deixaram de ensinar também. As infecções estão a subir e fala-se em 700 mil isolados já em Portugal, e são verdadeiras preocupações. Eu lembro-me de uma fotografia aqui há uns anos em que o mundo estava com várias convulsões, a guerra entre os israelitas e palestinianos, havia uma série de convulsões, e houve uma reunião do G7 e aparecia uma fotografia dos líderes todos no final a rirem-se, e o título era mesmo: "Riem-se de quê?" Com o mundo todo em convulsão. Mas a campanha é tão pobre, tem sido tão pobre, só vemos arruadas, é o primeiro-ministro a comer morangos, é o Rui Rio a dizer que está a usar as portões como se eu estiver à rasca faço uma Torre Eiffel. Enfim, não há mais nada para dizer nas campanhas. Verdadeiramente, as campanhas são pobres e por isso agora recorre-se ao Twitter, recorre-se ao humor para ser falado e, sobretudo, para os políticos quererem dar uma imagem de que apesar de tudo, são pessoas descontraídas, que têm algum humor, que não são assim pessoas tão sisudas quanto isso, mas não me parece que isto resulte. Faz parte da política e é pena, porque há problemas como hoje estamos a ver nos títulos dos jornais de hoje, e já vimos aqui notícias na rádio, que deviam ser verdadeiramente discutidos em campanha e que não estão a ser discutidos. E portanto, vamos continuar a falar dos animais, se calhar, ao longo desta campanha e de outras piadas que eles vão dizendo, porque Rui Rio lançou esse mote, que devia haver algum humor na campanha, e eles estão a seguir à risca essa cartilha.

Vem aí uma nota baixinha, Júlio.

Vem a uma nota baixa mesmo. O chumbo direto não é quatro, não é um chumbo direto, é um sete. Não é grande coisa.

Um sete para o caminho que a campanha está a tomar. André Azevedo Alves, que nota dá e a quem?

Eu vou classificar os animais.

Muito bem.

Ao elefante Plush, acho que não funcionou bem, sendo plush, vou dar oito valores. À colha Acácia vou dar 14 pela antiguidade, embora me pareça que esteja a perder um bocadinho de força. O gato Zé Albino acho que entrou bem, vou dar um 16. O gato Camões pela questão que o José Manuel Fernandes referiu do nome, que acho que é inconsistente, dou só 12. A cadela Bala dou 14, acho que tem um aspeto promissor, mas falta provar. Vou dar 13 valores à vaca que o Carlos Eduardo Reis também colocou no Twitter em resposta ao Rui Rio. E a minha última nota é uma nota sólida em termos de potencial desafio Que se o Francisco Rodrigues dos Santos apresentar um touro de estimação e o outro vai com ele.

Vamos ficar à espera.

Posso acrescentar: e se eu pegasse caras logo a seguir?

Passa a 20. Muito bem, muitas notas aos animais. Filomena, tens nota também?

Para os animais tem sempre nota, é sempre positiva. Venham cães, gatos ou ofereçam um hamster que seja o António Costa. Por aí que seja, será sempre uma nota positiva da minha parte. Ficam com um 15 e divirtam-se a pôr gatinhos e cãezinhos na internet. Aliás, já existe uma conta de Instagram que são animaizinhos da campanha. Vão ver que há animais de todos.

Muito bem, boa recomendação. Vamos então ver. E um 15 para os animais da campanha.

Olha, com 15 da minha parte é uma coisa absolutamente extraordinária.

É um dia especial, afinal é mesmo um dia fofinho. José Manuel Fernandes, tens nota também para os animais da campanha ou guardas para o teu outro tema?

Vou guardar para o meu outro tema.

Muito bem. Então vamos ouvir o Paulo Ferreira, que ainda não deu notas. Queres falar das regras de votos? Queres introduzir também a coalha à caso e a cadela Vala na lista, no boletim?

Podemos ir por aí. Começaria só por sublinhar que todos os legisladores estão armados em avestruz, fazendo aquela ligação aos animais, com a cabeça bem enterrada debaixo da areia para tentar escapar a este escrutínio e à asneira que eles cometeram, que estão a cometer desde há quase dois anos, nesta compatibilização entre aquilo que são direitos fundamentais e as medidas sanitárias. E ontem isso ficou claríssimo. Quando se deixa chegar a este ponto um tema destes, já não há soluções. O que temos são remendos, imprevistos, desenrascantes. Foi isso que ontem foi comunicado. Este é um processo em que a Assembleia da República, antes de mais, falhou, e falhou redondamente. Não legislou a tempo, não mudou as leis que havia a mudar. Aliás, o parecer da PGR, que o Contracorrente vai explorar daqui a pouco, é muito elucidativo disso. Portanto, o Parlamento falhou. Depois, o governo, quando se percebeu que o Parlamento já nada podia fazer depois da dissolução, atrasou-se imenso desde o início de dezembro, que podia ter feito isto. Não, deixou para o início de janeiro. E aqui estamos nós, a 13 dias das eleições, a tomar decisões que deviam estar tomadas há muito. E quando se chega a este ponto, depois tem que aparecer, tem que justificar o injustificável, e aí aparece Graça Freitas a dizer o contrário daquilo que andou sempre a dizer, de alguma maneira. Isto tem sido um clássico. Quando é preciso mandar Graça Freitas à televisão a dizer coisas, significa que alguma coisa já se perdeu pelo caminho. E quando ela vem dizer que votar é um ato seguro, estou a citar, pergunta-se onde é que estava Graça Freitas, o governo e o Parlamento a dizerem o mesmo há um ano, quando foram as eleições presidenciais, e há quatro meses, quando foram as autárquicas. Aí ninguém se lembrou das centenas de milhares de pessoas que ficaram com o direito de voto capturado, basicamente, porque cumpriram as regras sanitárias. E portanto, chegamos a este ponto. Chegamos ao ponto em que temos que andar a desdizer aquilo que dissemos. Já não é novo, já passamos pela fase em que não havia evidência que os vírus se transmitiam nos transportes públicos, mas agora temos a própria Graça Freitas a desaconselhar as pessoas de irem de transporte público exercer o seu direito de voto. Eu gostava de saber o que é que dizem às pessoas que estão em confinamento e que não têm carro ou que não vivem a uma distância a pé de assembleia de voto. Não podem ir votar estas pessoas. Portanto, estamos a criar mais um grupinho de pessoas que ficam sem poder exercer esse direito. Já ouvimos dizer o mesmo das escolas numa fase da pandemia, os aviões não havia problema, íamos todos virados para a frente. Pode estar aqui uma solução.

Nos elevadores.

Nos elevadores. Pode estar aqui a solução, vamos todos virados para a frente nas assembleias de voto, ou até na Assembleia da República não havia problema nenhum, porque era um edifício muito alto. Aqui também se vota em pavilhões, que são muito altos, ou em escolas, não haverá problema. E no fundo, acho que todos devíamos olhar para este processo, para a absoluta incompetência e a absoluta falta de zelo que houve, a começar pelo Parlamento, e tirar conclusões. E vamos ver se não chegamos aqui ao próximo ato eleitoral, não faço a mínima ideia quando será, ninguém sabe, nem em que situação sanitária é que vamos estar. Vamos ver se não vamos estar rigorosamente com os mesmos problemas que tivemos há um ano, há quatro meses e estamos a ter agora. A única coisa que se vai safando aqui é, de facto, a PGR, que põe os dedos na ferida. Demorou demasiado, talvez, a fazer o parecer, mas fê-lo de uma forma abrangente, põe os dedos na ferida e portanto eu daria um 14 à PGR pelo parecer. É bom que a classe política, agora os legisladores, não deixem de fazer aquilo que têm que fazer. É uma obrigação deles. E para todos os outros, a Assembleia da República, governo e DGS são quatro, porque isto não é forma de se tratar o direito fundamental de voto. E o Presidente da República. Absolutamente. O Presidente da República também, que tem palavras para tudo. É constitucionalista, tem sempre palavras para tudo, fala de tudo e mais alguma coisa, vai comentar futebol, mas para o direito fundamental e mais sagrado de uma democracia, que é o direito de voto e que custou a vida a muita gente para o conseguir, é bom lembrar isso, nós tivemos 50 anos de ditadura, para isso não houve uma palavra até agora digna de Marcelo Rebelo de Sousa. Para ele também quatro: governo, Assembleia da República, presidente e DGS.

Chumbo direto para esses. Filomena, vais ser pior do que o Paulo?

Claro, vou ser muito brutal e não vou ser tão simpática com a PGR como vocês estão a ser. Eu ouvi o José Manuel há pouco a fazer a introdução do Contracorrente. Houve algumas coisas muito irritantes para mim na decisão de ontem. Uma delas já lá vou, a quase unanimidade em redor desta decisão por parte dos partidos, que me tirou do sério. E a forma como o governo não comentou e tentou esconder o conteúdo do parecer da PGR. Vamos lá ver, como diria o primeiro-ministro, com mais leituras e menos. Nas presidenciais estiveram 130 mil portugueses confinados a quem foi retirado o direito de voto. Nas autárquicas, pelas minhas contas, 14 mil eleitores também não puderam exercer o seu direito constitucional. Agora prevê-se que estejam 600 a 700 mil pessoas confinadas e a quem vai ser permitido finalmente votar. Mas o que vai acontecer ou o que acontecerá aos que estiveram impedidos de votar sem qualquer base jurídica da última vez? Ninguém disse nada, não houve nenhum constitucionalista que falasse sobre isso a sério, a começar pelo presidente da República. Mas a PGR também não falou naquela vez e agora vem ser muito dura, mas não foi daquela vez. Ninguém lhe disse nada, ninguém veio a terreiro dizer: "Meus senhores, há aqui uma ilegalidade brutal" e agora vem dizer que afinal houve e que impedir alguém de votar incorre inclusive em penas de até cinco anos. Há aqui crime. E foram infringidos, obviamente, direitos constitucionais. E que vai ser preciso mudar a lei eleitoral no novo governo imediatamente. Aliás, a PGR vem dizer mais, vem dizer que além deste direito eleitoral, que é óbvio, que é constitucional, que é um direito dos mais puros que pode haver em democracia, que até na pandemia houve muitos direitos, desde deslocação, manifestação, à aprendizagem em oculto, que foram infringidos. Mas até agora esteve calada. A PGR aqui também não sai para mim completamente bem na fotografia. E eu pergunto o que vai acontecer em relação às últimas eleições também, o que é que foram? Vamos também impugná-las? Quase que me apetece dizer que eram preciso ser impugnadas, que o presidente da República ele próprio não foi eleito numas eleições verdadeiramente legais. E depois não é disso tudo. Ontem todos os partidos concordaram com esta solução da PGR, que ainda por cima foi uma solução dada pela Procuradoria-Geral da República, que eu saiba não pode dar uma solução. Porque o que a Procuradoria sabe de saúde? É a Procuradoria que aconselha o governo e a DGS que é preciso uma hora a mais, ou uma hora especial para se votar? Isto deveria ser dito, que eu saiba, pelas autoridades de saúde, pela Direção-Geral de Saúde. Aliás, nem precisavam pedir uma solução destas à Procuradoria-Geral de Saúde, eu já tinha dado este conselho aqui há um mês aqui no "Vence Sorea". Eu até teria feito uma coisa simpática e teriam pegado numa ideia minha. A Procuradoria o que disse, pediu a conselhar em termos jurídicos, não em termos de saúde. A verdade é que ontem todos concordaram porque até aqui, nestes últimos dois anos, ninguém quis mudar nada. Só falaram agora de soluções quando já não era possível mudar a lei. A história dos dois dias, do sábado e do domingo, a de uma hora a mais, que podia ter sido discutida há dois meses, pelo menos, não foi nem pelo governo nem por nenhum partido.

E portanto ninguém sai vencedor daqui, Filomena.

Nada, é sempre tudo feito quando a porca torce o rabo pra meter mais um bicho ao barulho.

Vamos à nota, Filomena.

A nota pra mim é obviamente zero para o governo e para os partidos. É um 10, 11 muito fraquinho pra Procuradoria-Geral da República, por sorte ter falado agora, porque isto para mim é tremendo, porque é todo um episódio de voluntarismo de como se tratam as coisas mais importantes em Portugal. Estamos a falar de eleições legislativas em pandemia e dos direitos de meio milhão de eleitores.

E por isso muito exigente Filomena Martins aqui a aparecer com essa pontuação. José Manuel Fernandes, temos ainda tempo para bebês, e o que nos mostram os números é que nunca tivemos tão poucos bebês como no ano passado.

Sim, é verdade. Nós vamos ter menos de 80 mil bebês nas estatísticas do ano passado, nunca tinha acontecido. Enfim, por enquanto só sabemos o chamado teste do pezinho, mas ele é praticamente certo. Certa quociente número, talvez não à unidade, mas praticamente isso. Testes do pezinho que foram realizados 79217, não vamos chegar aos 80 mil bebês. Para ter uma noção, e estamos a falar de um ano em que morreram 125 mil portugueses. Estamos a falar de uma situação em que o saldo natural é menos 45 mil. Num único ano, enfim, vamos ver qual é o saldo migratório, mas perdemos um enorme número de habitantes. Isto tem razões, houve um excesso de mortalidade por causa da Covid, houve um déficit de nascimentos também por causa da Covid, mas isto não é novo. Nós perdemos em média, entre o censo de 2011 e o censo de 2021, o saldo natural foi negativo, em média 25 mil por ano. O saldo migratório não compensou de forma nenhuma. Só pra ter uma ideia, nesses 10 anos, o saldo migratório foi apenas 33 mil. E em 10 anos não teríamos recuperado o que perdemos este ano em saldo natural. E aquilo também que é mais preocupante é que nós tínhamos perdido natalidade durante os anos da crise, tinha havido menos nascimentos. Nós descemos dos 100 mil já há bastante tempo.

Dos três dígitos e não recuperámos.

Dos três dígitos nunca mais recuperámos.

Havia uma expectativa, lembras-te de se falar dos bebês Covid? Quem sabe se os confinamentos iam permitir mais bebês.

Exatamente, e essa expectativa não se concretizou. E há uma questão que é essa, como nós estamos com uma média etária para o primeiro nascimento e para os nascimentos em média muito elevada, um ano, dois anos perdidos, muitos casais pode ter acontecido isso, terem adiado a decisão de ter filhos um ou dois anos, é algo que provavelmente já vai ser difícil de recuperar, porque já estamos no limite da altura em que os casais têm condições para ter filhos e vontade de ter filhos. E depois temos outro dado, que eu acho que é um dado que se fala muito pouco e também me parece relevante. Nós tivemos alguma recuperação nos nascimentos entre 2015, 2016, 2017, voltámos a valores na casa dos 87 mil. Só que, eu acho que este aspecto é importante, essa recuperação ocorre sobretudo por via do nascimento de filhos de pais estrangeiros a viver em Portugal. Neste momento, os últimos dados que existem são os de 2020, dados do INE. Em 2020, nós tivemos 73 mil nascimentos de filhos de pais portugueses e já íamos em 11 mil nascimentos, o número maior de sempre, desde que há registro, 11300 nascimentos de filhos de pais estrangeiros, o que representava um em cada sete nascimentos, praticamente. Um em cada sete nascimentos em Portugal já são de filhos de pais estrangeiros, o que quer dizer que a nossa baixa natalidade está muito a ser aguentada por filhos de imigrantes. Basicamente é isso, porque não haverá muitos patriados. Enfim, não são os mais ricos, todos nós temos noção disso. Não é uma questão apenas de dinheiro, é uma questão também de cultura, de hábitos de vida, de condições em que as pessoas vivem familiarmente. Mas eu acho que isto, que são dados pouco conhecidos, deviam-nos fazer meditar sobre as políticas públicas de natalidade. Um tema de campanha que tem estado ausente da campanha.

E a tua nota, então, José Manuel?

E portanto, a minha nota neste momento, para ir mais direto à atualidade, vai para a ausência deste tema da campanha eleitoral e desse ponto de vista vai um chumbo direto, vai o meu habitual quatro. Porque acho que estes números não podiam deixar de ter suscitado comentários aos nossos candidatos.

Aos candidatos e não aos animais. Está feita então a ronda pelos vencedores. André Azevedo Alves, muito obrigada por teres sido a presença especial deste "O Vencedor É". Amanhã estamos de regresso.