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"Il Venztor é" na Rádio Observador e também em vídeo no YouTube, hoje com a Judite França, o Anselmo Crespo e o António Costa. Hoje temos novas sondagens, escrutamos o horizonte para um vislumbre sobre o futuro do governo. Isto numa sexta-feira marcada por ameaças de utilização de comissões parlamentares de inquérito. O PS ameaça com uma comissão parlamentar de inquérito para setembro sobre os exames. O Chega promete avançar mesmo no caso do consulado de Luís Neves na Polícia Judiciária. E o ministro vai respondendo, ainda bem. Respondeu ainda bem a esta ameaça, respondeu ainda bem à notícia de que o Ministério Público tinha aberto um inquérito. Quanto aos esclarecimentos, António, esses ficam para um dia a combinar.
Pois, estamos há 15 dias nisto. Acho que faz hoje mesmo 15 dias que tudo isto começou.
Chegou a primeira notícia.
Sim. E a cada oportunidade que o ministro tem de esclarecer, diz: "Em devido tempo, eu vou explicar." Eu espero que o ministro não esteja à espera de explicar só em setembro com a comissão de inquérito. Veremos.
Parecia.
Parecia mesmo. Tens razão. Eu devo confessar que fiquei surpreendido com a iniciativa do Chega da comissão de inquérito, da entrevista desta semana de André Ventura à SIC. Parecia que estava a dar ele próprio tempo ao ministro e ao primeiro-ministro para explicarem, para não ter que promover uma comissão de inquérito. Não sei o que é que nas últimas 24 horas terá mudado, talvez esta notícia, ou as notícias de hoje, com mais detalhes, mais informações. Estava a ouvir o PS dizer que a utilização da comissão de inquérito, embora logo a seguir espetam uma comissão de inquérito também.
O próprio André Ventura dizia isso. Queria evitar uma comissão parlamentar de inquérito, porque sabe que isso vai contaminar a Polícia Judiciária.
O primeiro responsável desta comissão de inquérito, se ela se efetivar, é Luís Neves. Porque ele ainda não falou, ainda não disse nada, e cada vez que tem a oportunidade diz.
Também não sei se falar resolve. Mas isso é outra coisa.
Exato. É a conclusão que podemos chegar. Se calhar, não pode falar. Mas então, se calhar, uma comissão de inquérito. Para lá da surpresa de Luís Neves sobre esta gestão político-mediática, considero que há um enorme risco desta comissão de inquérito. Eu acho que pode transformar-se numa comissão de inquérito ao regime. Nós tivemos uma comissão de inquérito ao regime, que foi a do BES. Era ao regime político, económico e financeiro. Eu creio que esta corre o risco de resvalar para uma comissão de inquérito ao regime político e de Justiça e de Estado, pela natureza da comissão de inquérito. Também parece que, mesmo para o Chega, esta comissão de inquérito tem os seus riscos. O universo político-eleitoral do Chega toca muito naquelas zonas da segurança, das forças policiais. André Ventura já conseguiu duas coisas: se isto correr mal e se houver chatices, vai dizer: "Estão a ver? Eu bem avisei. Nós afrontamos e defrontamos o ministro da Administração Interna e estamos a sofrer as consequências disso." E posiciona-se como o líder da oposição, exigindo que o ministro explique o que era óbvio, que já devia ter explicado. O PS fica de tal forma incomodado que sai uma comissão de inquérito ali ao lado. Na mesa ao lado, sai outra comissão de inquérito. O PS critica esta comissão de inquérito, também acha que boa ideia é fazer outra ali ao lado. Isto não tem bom ar. E creio que o desgaste que isto tem, a comissão de inquérito a avançar, veremos, se não houver nenhum dado novo, parece-me evidente que vai avançar. Isto vai ser um mês de agosto e mês de setembro penosos desse ponto de vista político, que é trágico. Embora eu, devo dizer, não pare de ser rápido. Não compro esta ideia. É preciso proteger o ministro da Administração Interna porque estamos em época de incêndios. Eu quero recordar que Zelensky mudou a sua cúpula militar e está numa guerra há quatro anos. Há coisas mais importantes do que proteger politicamente o ministro da Administração Interna. Também não acho que se deva agora caminhar para uma comissão.
Não sabemos se o governo está a fazer essas contas.
Mas toda a gente vai dizendo: "Não, mas é perigoso, porque vem aí época de incêndios." Nós não estamos em incêndio. A última ministra que saiu, aliás, saiu no meio de uma tempestade, Cristina, e o primeiro-ministro teve que assumir funções. Obviamente que é desejável que o ministro esteja em funções, porque se dizemos que não é desejável, então não está lá a fazer nada. É desejável, mas há coisas mais importantes do que garantir que o ministro esteja em funções, que é o ministro ter autoridade para estar em funções.
Claro. Anselmo.
Duas notas sobre isto. A primeira, um conselho que ninguém me pediu, mas eu vou dá-lo gratuitamente a Luís Neves. E o conselho é este: eu recomendava vivamente que Luís Neves parasse rapidamente de seguir a estratégia de comunicação que o Luís Montenegro e presumo que o Hugo Soares lhe estão a passar. É a única explicação possível, porque não me parece que esta ideia de se atirar para dentro das brasas e ir grilhando, enlumbrando, seja do próprio Eu quero recordar que Luís Neves esta semana, naquela primeira aparição que fez depois das últimas notícias, disse que estava em causa a sua honra e a sua honorabilidade. Acho que foram estas as palavras. Se é isso que está em causa, se é a honra e a honorabilidade do próprio Luís Neves, então eu recomendaria que Luís Neves resolvesse rapidamente, porque já não é cada dia, é cada minuto que passa em que Luís Neves dá esta aparência de normalidade, com um sorriso na cara. Não duvido que ele esteja a trabalhar, ele obviamente estará a trabalhar, mas cada minuto que passa não ajuda à honra e à honorabilidade, à defesa da honra e da honorabilidade de Luís Neves. Eu percebo que num governo se tem que ser leal e se deve essa lealdade ao primeiro-ministro, mas eu acho que o que está aqui em causa vai muito para lá do que aconteceu no Ministério da Educação. Em que o que estava em causa e o que estava à volta do ministro tinha a ver com uma decisão política e com um tema que envolve diretamente o governo. No caso de Luís Neves, nós estamos a debater o passado de Luís Neves à frente da Polícia Judiciária. Nós não estamos a debater o papel de Luís Neves enquanto ministro da Administração Interna. Isso leva-me à segunda nota. Eu acho extraordinário que ao fim deste tempo todo, ou que durante todos os anos, neste caso, em que Luís Neves foi diretor da Polícia Judiciária, todos aqueles que hoje em dia acham que sabem coisas sobre a ética de Luís Neves, a legalidade com que Luís Neves agiu à frente da Polícia Judiciária, tenham esperado que ele fosse ministro para colocar em causa essa ética e essa legalidade. O que me leva a pensar que o respeitinho em Portugal ainda existe, só não pela classe política. Mas ser diretor da PJ, claramente, é mais poderoso do que ser ministro neste país.
Não há dúvida.
Isso parece-me bastante evidente, porque tudo, até esta última notícia que saiu esta semana pelo jornal Nascer do Sol, que tem a ver com a não entrega das declarações de rendimentos ao Tribunal Constitucional.
Enquanto diretor.
Enquanto diretor da Polícia Judiciária, o que também é extraordinário, que o Tribunal Constitucional, também ninguém pediu.
Ninguém perguntou.
Ninguém mandou, ninguém pediu. Mas não acham extraordinário que Luís Neves tenha, eu já não me recordo quantos anos é que ele foi diretor nacional da Polícia Judiciária.
Sete ou oito anos.
Sete ou oito anos. Durante sete ou oito anos, por aquilo que nós agora sabemos, Luís Neves tem um monte que está a ser construído por um empreiteiro que trabalhava pra Polícia Judiciária. Fez um tanque que afinal é uma piscina, não pediu licença. Aparentemente, só falta dizer que Luís Neves também foi a conduzir um caminhão do ponto A ao ponto B. Um caminhão que por acaso tinha produtos que davam pra fazer droga. Luís Neves é suspeito de ter feito aqui um conjunto de coisas questionáveis do ponto de vista ético e do ponto de vista legal. Havia pessoas que sabiam disso, só não acharam oportuno, enquanto ele foi diretor da Polícia Judiciária, dizerem nada. Vamos lá. Temos que ter aqui algum bom senso no meio disso tudo. Por fim, no caso da comissão de inquérito do Chega, é só pra lembrar que a Polícia Judiciária está a investigar o grupo 1141. Eu não tenho nenhuma dúvida que o Chega, se puder fragilizar a Polícia Judiciária, não é esse o objetivo principal, mas se o puder fazer, não perdem uma hora de sono com isso.
Eu acho que o objetivo é mesmo ir à pesca na Polícia Judiciária e aproveitar, porque não faz sentido nenhum que agora a avaliação dos mandatos de Luís Neves seja feita a todos os mandatos de Luís Neves, ou seja, a todos os oito anos, sete, oito, eu acho que são oito, mas por aí. Todo o tempo que lá esteve, a propósito de quê? A não ser pra ir à pesca à procura de alguma coisa. Eu acho que é a única razão.
Eu discordo de ti por uma razão. Se estamos a analisar a atuação de Luís Neves e as relações com aquele construtor, nós sabemos que aquele construtor fez contratos com a PJ creio que já vinha antes.
Já antes de Luís Neves.
Da entrada de Luís Neves até agora, até ter saído, 2019 agora até 2026, fez uma dúzia de contratos. Eu quero sublinhar ainda por cima uma coisa que a PJ pra já não respondeu. Não é que fizemos essa pergunta e não nos respondem. Quantos contratos a Polícia Judiciária fez com todos seus parceiros, fornecedores, com aquele regime de exclusão, que é legal, mas exclusão sugere ilegalidade, não é ilegal, mas à margem das regras gerais da contratação pública? A Polícia Judiciária não responde. Vamos lá ver, até esta hora, 16h27, não respondeu. Ora, esse período, e é isso que está em causa, eu não quero ser ingênuo, isto é, há aproveitamento, mas de facto, se é isso que está em causa, lamento, mas essa gestão tem que ser avaliada.
Mas isso vai fazer ricochete na Polícia Judiciária só pra atingir Luís Neves.
Não é só pra atingir Luís Neves. Vamos pra um cenário. Todos os cuidados são necessários, obviamente, pra uma função desta natureza, como era quando estávamos a discutir o Banco de Portugal e a forma como supervisionou os bancos. Mas nós não queremos saber como é que funciona a Polícia Judiciária, tendo em conta os dados que aqui temos?
Se calhar temos razões pra isso.
Já temos razões pra querer informação, no mínimo A PJ ou o Ministério Público, já não sei qual foi a entidade, acho que foi mesmo a PJ, não descobriu documentação sobre o acordo que permitiu que o empreiteiro de Barcelos-
Não encontrou os papéis
Não encontrou os papéis. Que é outra coisa que eu não consigo entender.
Ora, face à verdade. Alto. Não encontrou os papéis, como assim?
Mas alguém disse que aquele atrelado estava lá, alguém sabia que o atrelado estava lá.
Alguém o levou. Foi o Luís Neves.
Alguém o levou e alguém sabia que ele lá estava e informaram jornalistas disso.
Não há papéis. Face a essa evidência, basta-me esta. Não é preciso saber o que a PJ faz? Eu acho que é. Com todos os cuidados, que é preciso salvaguardando, ainda por cima uma polícia que de facto, na última década, e sobretudo com Luís Neves, teve intervenções muito importantes na defesa do Estado de direito, sem questionável.
Eu acho que pode ser um caminho complicado, fazer uma auditoria.
Fazer democracia é complicado, não é?
Pois, fazer uma auditoria à polícia judiciária.
É que dizer assim: pode ser complicado ir a eleições.
Não, não acho que se compare.
Acho que os franceses pensam isso. É melhor não ir para eleições.
Tudo dito, à questão dos exames, o PS, se não tiver tudo esclarecido até setembro.
Setembro é o mês-chave, já se percebeu.
Tunga.
E comissões de inquérito, também é o que está a dar. Hoje é o que está a dar.
Lá vem mais uma comissão parlamentar de inquérito.
Mais uma comissão parlamentar de inquérito, disseste isso tão rápido.
Foi, não foi? Também fiquei espantado comigo próprio. CPI.
CPI. Bom, para já, há uma série de perguntas que vão ser enviadas. Segundo o PS, será uma extensa lista de perguntas que é enviada ao governo e só depois, se não existirem respostas, então é que se avança para a CPI. E logo ali, a CPI deve encomendar uma auditoria externa e independente. O Eurico Brilhante Dias recordou que este tipo de solução já foi usada na comissão de inquérito ao BES e, portanto, digamos que os quesitos para auditoria são definidos logo na comissão de inquérito. Eu acho curioso que o próprio Eurico Brilhante Dias concorda que não se devem banalizar as comissões de inquérito, mas acha que não é possível não esgotar todos os instrumentos de escrutínio disponíveis e, portanto, que acabará por cair nesta opção. Talvez antes tenham respostas do governo, não se sabe, podem ter. Até setembro ainda falta muito tempo. Mas eu acho sinceramente que abrir uma comissão parlamentar de inquérito também à questão dos exames é banalizar, de facto, as comissões de inquérito, porque há uma série de respostas que podem ser dadas, que não é necessário uma comissão de inquérito para isso. Podem ser chamados ao Parlamento diversos intervenientes, como aliás têm sido chamados ao Parlamento, e podem continuar a ser. Não é preciso fazer-se uma comissão de inquérito. E eu acho, de facto, que o PS corre o risco de, de alguma forma, parece correr atrás do Chega sem necessidade.
Queres deixar já uma nota?
Vou dar um nove ao Partido Socialista por esta invenção da comissão de inquérito.
Anselmo?
Eu acho que o comboio da banalização das comissões de inquérito já passou. Não, já passou há algum tempo. Nós daqui a pouco fazemos comissões de inquérito de cada vez que o país tiver um problema, ou neste caso, o Estado tiver um problema, fizermos uma comissão de inquérito, podemos tirar os próximos anos por conta das comissões de inquérito e ficamos só a fazer comissões de inquérito. Eu concordo com o que os dito, eu acho que o Partido Socialista acaba por entrar aqui numa certa incoerência quando critica a do Chega, porque acha que é banalização, mas depois acha que esta aos exames já não é uma banalização. Eu também entendi isto por parte do PS mais em jeito de ameaças. Queremos explicações, senão avançamos com uma comissão de inquérito, fez-me lembrar Pedro Nuno Santos com a CP não viva, o primeiro-ministro explica ou avançamos com uma comissão de inquérito. E na realidade, o que eu sinto, muito mais do Chega, mas também de alguma forma por parte do Partido Socialista, é que está tudo a fazer dossiê. Se repararem, André Ventura foi fazendo aqui um dossiê que era: mandou uma cartinha ao primeiro-ministro, depois foi recebido pelo presidente da República e hoje diz uma coisa extraordinária que é: eu ainda pensei numa moção de censura, mas achei melhor uma comissão de inquérito. Eu acho que o país não está para aí virado, para eleições. Não é pelo prejuízo que traz ao país, acho que as pessoas não querem. É aquela eterna forma de decidir coisas de André Ventura, que é pôr o dedo no ar, ver para que lado é que está o vento e decide em função do vento. E no caso do Partido Socialista, óbvio, não é comparável com a postura do Chega, mas eu acho que o Partido Socialista também está, de alguma forma, a tentar perceber como é que isto se vai mover, como é que as peças se vão mover, sobretudo do lado do governo, o que é que vai acontecer a estes dois ministros em particular, ver como é que os exames vão correr, porque a verdade é que no caso de Fernando Alexandre, pode não ser como começou, pode ser como vai acabar. Depende agora um bocadinho do fim do processo.
Como é que tudo isto vai correr.
Depende desta segunda fase também.
Nem estou na fase da auditoria, porque quando sair a auditoria, se é que vai haver auditoria, já nenhum de nós está a pensar na auditoria, já estamos a tentar demitir outro ministro qualquer. Mas eu acho que tem a ver sobretudo com como é que isto vai acabar este processo dos exames, para depois chegarmos ao processo do orçamento, que já lá vamos, não vou entrar nesse debate já, mas eu acho que tudo isto é, para o Partido Socialista, um equilíbrio e um jogo de tabuleiro para tentar perceber como é que se mexem as peças. Eu neste caso vou dar... quanto é que tu deste, Tostito?
Dei um nove.
Nove.
Está bem, posso copiar?
Podes.
Vou copiar, é um exame, vou copiar. Dou nove. Acompanho a-
Estás sentado ao lado do Tostito.
Eu estou aqui ao lado. Isto não é digital.
Mas ainda temos que ir ao futuro do governo Ainda vamos ao futuro do governo.
Eu ia dar um sete a Luís Neves. Eu acho que a cada dia que aqui venha e ele anuncie que em devido tempo vai responder, eu dou menos um valor. Vamos ver onde é que isto vai chegar.
Faz sentido.
Só tem sete dias agora. Não, sete dias não. Tu não vês todos os dias.
E Anselmo, tiveste um vislumbre do futuro do governo?
Olhando para aquilo que está a acontecer ao governo de Luís Montenegro e mais ainda à forma como o governo de Luís Montenegro está a gerir... Todos os governos têm polêmicas. António Costa, já não sei quem que no outro dia lembrava, teve 11 ou 12 ou 13 demissões, não todas. Lembra-se do secretário de Estado adjunto? Eu não lembro. Sim, do lado de cima. Foi elevado, aliás, recentemente nesse processo. Mas António Costa lidou, ou se quiserem, ao contrário, Luís Montenegro está a lidar do ponto de vista de gestão de crise, exatamente da mesma forma que António Costa lidou, que foi deixar os ministros arrastarem-se até apodrecerem e caírem da árvore por si. Tirando aquela primeira fase de Constança Urbano de Sousa, que foi um caso à parte. Eduardo Cabrita, que ainda há pouco estava falado. Eduardo Cabrita, a mesma coisa. Foi penoso a forma como viveu a demissão.
Perguntámos, mas não respondeu.
Se nós começarmos a tentar colar as peças, que é, por um lado, este desgaste permanente de um governo que, apesar de tudo recente, em que os dois ministros, que eram as estrelas do governo, estão neste momento no estado em questão do ponto de vista político. E estes eram os dois mais emblemáticos, se quiserem. Se colares isso com o que as sondagens vão mostrando, e eu, como sabem, não é desvalorismo, mas eu não valorizo em excesso as sondagens, ainda que elas mostrem tendências, e é uma tendência que é clara. A tendência mais importante das sondagens não é só o Partido Socialista estar à frente. Há várias sondagens. É a AD estar em várias em terceiro lugar. Não é sequer em segundo. É em terceiro. Não é em todas, é verdade, mas começa a ser consistente. Isto mostra seguramente uma tendência. Isto vem desde a tempestade Cristine. Isto também não começou em Luís Neves, nem começou com os exames. Isto começou com as tempestades. E portanto, há aqui um desgaste muito acelerado, muito rápido do governo, que as sondagens eu acho que vão demonstrando de alguma forma. E eu acho que isso é, de facto, mais demérito do governo do que propriamente demérito dos partidos da oposição, sem querer com isso retirar todo o mérito aos partidos da oposição, numa fase crucial pra vida do país, que é a fase do orçamento, que vamos entrar a partir de setembro. Neste momento, eu acho que só sobra ao Partido Socialista, a Luís Montenegro, pra conseguir viabilizar o orçamento. E eu estou muito curioso, porque eu há pouco dizia o PS e o Chega estão a fazer dossiê, mas eu também acho, ou começo a sentir, que esta postura de Luís Montenegro, não sendo pra fazer dossiê, é calculista o suficiente para se fazer à falta, exatamente como aconteceu quando foi da Spin on Viva. Vamos ver se eu estou certo ou se estou errado. Eu acho que tenho que dar ao próprio Luís Montenegro, porque a política também tem tática, mas se for só tática, o país acaba por sofrer e, portanto, eu neste momento dou um oito a Luís Montenegro, porque não sinto que ele esteja a pôr o país à frente do resto.
Eu também acho que isto já não é uma sondagem isolada, claramente, já não é uma oscilação dentro das margens de erro, isto torna-se uma tendência, torna-se um padrão, olhando pras últimas sondagens. E o governo regista hoje a pior avaliação desde que tomou posse. E portanto, já não se pode dizer que seja um problema de comunicação, há algo estrutural aqui. E o Chega passar a segundo também é algo que já não é apenas uma vez por outra. E portanto, eu acho que o PS reforçar a sua liderança pelo quinto mês consecutivo é um valor muito importante, é um dado muito importante. Ter o Chega em segundo lugar também. E portanto, eu acho que o governo, e por exemplo, esta sondagem foi feita até dia 21 de julho, já apanhou alguns dos piores momentos dos exames, também da questão do Luís Neves e do outro lado. E portanto, eu acho que o governo tem que começar a fazer contas de cabeça, porque isto está a lhe correr muito mal.
Queres classificar?
Eu vou dar... Quanto é que teve a AD aqui? Estava aqui a ver, teve 23,2.
Não podes dar 23 já.
Não, dou um cinco. Três mais dois.
Não tem nada a ver.
Três mais dois é um cinco. Vinte e três.
É um cinco.
É três mais dois.
É por isso que eu fui pra Letras.
Porque achaste que eu estava a fazer uma raiz quadrada.
Não sei o que estavas a fazer. Ainda não sei o que é que tu andas a fazer.
Essa deve ser a frase mais repetida por todos os jornalistas: "É por isso é que eu fui pra Letras."
Bom, o António-
Eu fui pra Escola de Ciência. Um jornalista qualquer.
O António ainda quer falar de sucessos da Autoridade da Concorrência que acabam por falecer.
Andamos todos muito entretidos e bem, com muita justificação. Com as crises políticas, nomeadamente da educação e agora da administração interna, mas há mais país pra lá disto. Há mais vida pra lá disto e mais vida econômica. E mais Estado na relação com o setor privado e nomeadamente com uma matéria que me é muito cara, que é concorrência.
E há processos a morrer.
Processos decididos pela Autoridade da Concorrência contra empresas por
Por cartel, por alimento de preços, dezenas. Eu não vou discutir o mérito do próprio processo de cada um deles. O que eu quero alertar é que só em julho e agosto, portanto, até o final da próxima semana e no mês de agosto, estão em causa dois processos que valem 82 milhões de euros de multas por prescrição. Não é porque o tribunal decidiu que a Autoridade da Concorrência não tinha razão, isso é o que era razoável. Já com o famoso cartel da banca, assim conhecido, também acabou por prescrever e os gestores da banca dizem que não cometeram nenhum crime. A Autoridade da Concorrência diz que sim, e o processo prescreve. Eu acho que é mesmo inaceitável. O presidente da Autoridade da Concorrência dizia há poucas semanas no Parlamento que nos próximos dois anos e meio, portanto, este ano e os próximos dois anos, estão em risco 800 milhões de euros de multas. Isto é absolutamente insuportável. Eu não sei se a Autoridade da Concorrência tem razão ou não. Estes dois, um em particular com a Super Bock e com hipermercados e outro na área da ferrovia, o da Super Bock, que é particularmente importante com os grandes hipermercados portugueses no valor de 81 milhões de euros. Eu não sei se a concorrência tem razão ou não. O que eu acho é que não é aceitável coletivamente que isto prescreva, porque obviamente, juridicamente, toda gente tem direito aos seus recursos, não é só o Sócrates. Todos têm direito aos seus recursos, mas os recursos não podem ser um obstáculo ao julgamento e à decisão em julgamento.
Os recursos são muito díspares.
São.
E esse é o problema, não é?
Nas últimas semanas, houve uma aprovação, com algumas vicissitudes, pra tentar ultrapassar o risco, o recurso que estas empresas estão a fazer para o Tribunal de Justiça Europeu. Aquilo leva muito mais tempo, obviamente, é toda a União Europeia recorrer ao Tribunal de Justiça Europeu, da União Europeia, e, portanto, há uma lei que foi aprovada no Parlamento, mas não é claro pra mim, e seguramente não vai a tempo destes dois processos, de salvaguardar pra o tempo os processos que estão hoje em curso já e em processo de avaliação dessa prescrição. O que é preciso é, de fato, trazer isto à discussão, porque tem que haver mesmo uma sensibilização dos decisores políticos no Parlamento e do governo, porque é inaceitável que estes processos ocorram, que a Autoridade da Concorrência, que é obviamente outra instituição, não vou fazer comparações sobre a importância, mas pra atividade econômica, pra concorrência, pra mecanismos rentistas, que nós sabemos que eu, que sou absolutamente defensor da concorrência e do mercado, estou à vontade pra dizer que as empresas que fazem isto são os maiores inimigos do mercado e da concorrência. E isto, de uma maneira ou de outra, tem que ser julgado e não pode cair na prescrição.
Vamos à tua nota?
Pois, eu dou, sei lá.
Soma aí o valor das multas.
23.
Ora, 82.
83 com 80.
82.
Isso dá seis.
Exato. Não, eu dou um 15 à Autoridade da Concorrência, por vir a alertar há alguns anos, enfim, sem grande sucesso, mas cumprindo o seu papel, pra este fato, independentemente, depois, volto a dizer, não tenho condições, obviamente, não estudei a substância dos casos e a razão ou não da Autoridade da Concorrência.
Judite, então liga pra ti da Sociedade Portuguesa de Matemática. Não sei se queres que eu faça a chamada. Amanhã mais "E o Vencedor É?", na Manhãs 360 de fim de semana. É mais tarde, é às 10h30. Amanhã com a Eunice Lourenço e o André Azevedo Alves.