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A nossa convidada de hoje começou a sua carreira em televisão na Sport TV como repórter de desportos. Passou pela informação, da informação para o entretenimento. Fez 25 anos de ginástica rítmica, segundo sei. Dança, diz que é a palhaça de serviço, não gosta de competição. É a pessoa que tem a gargalhada mais incrível da televisão. Aliás, atrevo-me a dizer a pessoa com a gargalhada mais incrível que eu conheço, Tânia Ribas de Oliveira.
Olá, Catarina. Olá, Diogo.
Olá, bem-vinda.
Obrigada.
Tu és mesmo a palhaça? Já ouvi dizer que sim. Aliás, a fazer aqui a pesquisa, nós divertimo-nos imenso. Achas que as pessoas olham para ti como uma pessoa muito certinha?
Não. Acho que não. Num sentido em que eu também não sou muito certinha em televisão. Ou seja, eu não tenho medo do ridículo, nem me levo demasiado a sério e, portanto, se eu tiver que me rir ou que chorar, ou que fazer palhaçadas. Aliás, nós durante a pandemia, no programa, para as pessoas poderem viajar um bocadinho também através da nossa tarde, fizemos uma série de mini peças de teatro em chroma e eu vestia tudo que era personagem. Não sendo atriz, era puramente uma brincadeira. Eu acho que as pessoas sabem que eu não me levo a sério e sabem que eu não sou assim tão certinha.
Tu tiveste um episódio com a Condessa do Vesúvio, queres contar? Esse é o momento mais feliz da televisão?
Tenho vários, mas este é daqueles que tem muita graça vendo, não tem tanta graça contando. Mas estava a fazer um programa com o Zé Pedro Vasconcelos na Régua e estava lá uma senhora vestida de ferreirinha a contar a história toda do vinho do Porto e daquelas coisas todas. E eu ia entrar de férias no dia seguinte, eu já estava supercansada e já era o final do programa, faltava meia hora para acabar. E a senhora trocava os V pelos B, o que é normal no Norte, não há problema nenhum, mas a senhora diz-me, a contar a história da ferreirinha, que ela tinha sido traída ou enganada pela condessa do Bezúvio. E aquilo era, obviamente, do Vesúvio. Mas eu percebi condessa do Bezugo. Quando eu digo condessa do Bezugo, o Zé Pedro começa-se a rir. Fica um silêncio. O realizador põe um plano de drone no ar para se ver o rio e a régua e tudo mais. E um silêncio, a senhora não falava. Nós com o microfone para baixo, eu a tentar resolver, mas ainda estava pior, o Zé Pedro descancarado a rir. Mas a gente percebeu que fui eu que percebi mal e foi uma tontice, mas teve muita graça.
Mas eu gostei muito da tua expressão: "Do Bezugo?"
Conheço tanta condessa. Essa nunca tinha ouvido falar. Que horror! Mas acontecem muitas coisas destas. Mas trabalhar em direto é isto.
É isso. Eu sei que tu com nomes também és ótima.
Sim, eu troco imensos nomes às pessoas.
Tiveste problema com Anselmo Ralph e com o-
Com o Gilmário Vemba. Mas o Gilmário Vemba agora é uma personalidade em Portugal e há meia dúzia de meses ninguém o conhecia. E o Anselmo Ralph foi ao meu programa para dizer que ia ter um concerto que ele cantava e depois tinha lá um amigo de Angola que brincava com as letras, que aliás é o rubrica que ele agora tem na comercial, e brincava com as letras. E diz-me o Gilmário Vemba, eu nunca tinha ouvido falar daquilo. Passado um bocado chamo-lhe Gervásio, e ele começa-se a rir, a dizer que não era Gervásio, era Gilmário. Depois já lhe chamei Gilmário, mas chamei-lhe outra coisa qualquer, ou Zemba ou outra porcaria qualquer. E às tantas ele assim: "Tânia, sério, o que é que dão para beber aqui? Isto bebe em direto." E o copo era amarelo, mas lá dentro tem água, naturalmente. Depois disse: "Olhe, vamos convidar o Gilmário para vir aqui ao programa, que eu até me sinto mal." Passado duas semanas, lá estava ele. Chega cheio de autocolantes do preço certo, cheio de nomes. E a dizer: "Um destes nomes é o meu, qual é o meu nome?" Mas ele cheio de nomes diferentes. Nessa altura já toda a gente sabia que ele era.
Pronto, é assim.
Podemos tirar anedotas. Há aqui três anedotas favoritas, agora despachamos isto.
Eu só tenho três. Não são favoritas, são as únicas que eu sei.
Mas podemos contar.
Podem.
Tu és fortíssima ao nível de anedotas. Conta lá. A mais rápida.
Pronto, a mais rápida. Vou só contar uma. Mas eu tenho que pensar sempre um bocadinho antes desta. É o Pargo e a Lula que se encontram no fundo do mar. Estão a nadar, cada um para seu lado, depois chegam ali a um ponto que chocam. E a Lula diz: "Estás Pargo ou o quê?" E ele responde: "Shh, calula." Isto é só. Mas é daquelas que podes contar aos teus filhos.
Descobriste o teu talento.
Mas não é um talento, é uma coisa muito rudimentar, são só três, e as outras duas demoram tempo a contar.
Mas dás tudo, porque eu também já ouvi e as outras também são muito boas, mas deixamos para outra.
São boas. Por isso é que são só três. Porque como são boas, não vale estar a inventar mais.
Olha, como é que lidas com a idade, Tânia?
Lido bem. Custou-me um bocadinho os 40. Não me senti logo. Eu agora tenho 46 anos. Quando fiz 40, fiz uma grande festa com os meus amigos, foi espetacular e foi lindo. Mas passado um tempo, à medida que o tempo ia passando e as pessoas iam perguntando a idade, saía-me sempre 30 e. E portanto, quando arredondava e dizia: "Não, eu não tenho 30 e, eu tenho 40 anos", houve um certo peso, porque na verdade o meu segundo filho nasceu aos 39. Eu tinha acabado de fazer 39 e portanto pensei: "Eu tenho 40 anos e tenho um bebê". E nesse sentido pesou-me um bocado. É óbvio que hoje em dia a medicina já é o quê? As pessoas têm filhos cada vez mais tarde, não é essa a questão. A questão é que eu tinha 40 anos e tinha um bebê. E portanto, senti ali um certo peso de pensar: "Eu vou mais ou menos a meio da minha vida, se tudo correr Dentro da normalidade, e eu tenho que cuidar de mim, continuando a ser feliz, mas eu tenho que cuidar de mim, porque os meus filhos vão precisar de mim, eu preciso de mim, a minha família precisa de mim. E senti que aquela coisa da intemporalidade e de alguma inocência, que eu tive até muito tarde, e inconsequência também, no sentido em que fazia coisas e divertia-me e não pensava, se calhar pesou um bocadinho e comecei a pensar um bocadinho mais. Não sei, acho que comecei a perceber que a vida caminhava para a segunda metade e não estava já na primeira. Acho que foi aí. Agora, quanto ao resto, ou seja, a pele, as rugas da idade, é óbvio que trato de mim, claro que trato de mim. Agora, não vivo em função disso, e sinto que é mesmo uma prisão quem o faz, porque depois qualquer coisa que apareça ao espelho é uma tragédia. E eu acho que é muito mais fácil tu seres feliz com aquilo que tens, cuidando sempre de ti. Por exemplo, há uma coisa que eu não gosto é: eu não gosto de me ver com cabelo branco. E há mulheres que assumem os seus cabelos brancos a partir de uma determinada idade e têm uma grande pinta. Eu não sou esse tipo de mulheres, acho que não tenho uma grande pinta e tenho cara de miúda, portanto, fica só estranho. E eu tenho alguns cabelos brancos desde há muito tempo e eu pinto o cabelo e não tenho problema nenhum com isso e enquanto sentir que é assim que vai ser, eu vou fazer isto durante muito tempo. Ou seja, sou fiel àquilo que eu gosto de ver, ou de me ver, ou de me sentir. Basicamente, é isto, não tem regras.
E há pressão para ser a melhor em tudo?
Não, porque eu própria não imponho essa pressão em mim. Eu acho que a pressão maior, e que nos faz depois, e faz as pessoas hoje em dia terem uma série de problemas de saúde mental e ansiedades, é a pressão que nós pomos em nós mesmos, não é que os outros nos põem. Porque aquilo que os outros querem de mim é um bocadinho indiferente, para ser razoável e sincera. Eu quero ser a melhor mãe que consigo ser, sabendo que não sou perfeita nem nunca serei, porque isso não existe.
Mas se não há pressão, por que houve uma grande choradeira quando chegaste à RTP?
Quando cheguei à RTP, como?
Para iniciar o estágio, creio que houve ali um momento de grande-
Mas isso não era pressão, isso era alegria. Mas quando comecei há 20 anos?
Sim. Houve um momento em que há várias entrevistas em que lemos este episódio de que acabaste por ir para a casa de banho chorar, no caso era de alegria.
Sim, claro. Era o sonho da minha vida. Eu estava a entrar na RTP, eu tinha prometido a mim mesma que ia conseguir estudando. Eu não tinha cunhas nenhumas, o meu pai é professor. A minha mãe trabalhava na TAP, quer dizer, nada daquilo tem a ver com comunicação. E eu sabia que tinha que ser à força. Pois não, acabou por não ser. Eu não entrei em Comunicação Social, eu tirei Sociologia, e não tinha nada a ver. Lá fui para o Senjor tentar matar ali e perceber algumas coisas, mas não é a mesma coisa. Portanto, quando entrei na RTP, chorei imenso de muita alegria e de pensar: "Agora vais ter que agarrar esta oportunidade, ninguém a vai agarrar por ti". E fui fazendo isto ao longo dos tempos e pelos vistos correu-me bem. Mas não é pressão, é felicidade. Aliás, sou supergrata pela vida que tenho.
E a história do Manuel Subtil, barricado na casa de banho, e tu que estavas quase a entrar.
É verdade.
E não estavas lá.
Não, é que foi se barricar na casa de banho do Teletexto, que era onde eu estava a fazer o estágio. E não havia telemóveis nessa altura. Então eu chego a 5 de outubro, toda contente, e vejo tudo à porta, e eu: "Credo, manifestações. Quero ver que vão privatizar isto." Que houve uma altura, no 5 de outubro, que aquilo quase seis em seis meses era privatizar a RTP. "Não sei o quê, barricou-se um homem na casa de banho." "Na casa de banho? Qual casa de banho?" "Do Teletexto." E eu aqui fora.
Tu pensaste: "Esse é o meu primeiro furo", não é?
O que eu mais queria, lá está, cada vez há a inconsequência da idade. E o que eu mais queria está lá dentro.
E os teus pais preocupadíssimos.
Os meus pais preocupadíssimos e eu ir para casa, está quieto. Eu queria era estar ali a ver o que é que ia acontecer. Acabei por ir para casa. Enquanto aquilo já estava a dar em direto na televisão, a minha mãe já doente. Fui para casa tristíssima, porque não tinha acontecido nada.
Nessa altura o objetivo era ser jornalista?
Era. Sim, era ser jornalista. Aliás, eu fui para o Teletexto como jornalista e eu fazia quando carregas no 888, naqueles fiozinhos, eu acho que esta geração já nem sabe o que é que é o Teletexto.
Aliás, eu estava a falar do Manuel Subtil e pensei: "Se calhar temos que contextualizar, mas tu já o fizeste. Um senhor barricou-se.
Um senhor barricou-se na casa de banho. Tinha lá os seus motivos. Não interessa, aquilo carregava-se lá no botão e tinha as farmácias de serviço, os signos, o tempo, mas também tinha uma zona de notícias e eu fazia parte dessa equipa que fazia as notícias. E tinha um chefe na altura, que era o senhor Rod Sérgio, que entretanto já faleceu. Era uma pessoa que foi muito importante para mim, com quem eu tinha uma relação mesmo querida. Eu adorava-o, ele adorava-me, ele sentia mesmo que o meu lugar não era ali. E então andava-me sempre a dizer: "Vá, já falei, vamos ver se conseguimos pôr-te lá na RTP Internacional África." E eu: "Então vá, vamos embora." E então consegui. E fui fazer a segunda parte do meu estágio para a RTP África e Internacional na altura da independência de Timor-Leste. Portanto, aquilo para mim foram as primeiras notícias em televisão, dava na RTP Internacional. Não contente com isso, consegui fazer a última parte do estágio no Telejornal. E as coisas foram assim. E eu ainda fiquei bastante tempo na informação, com um monte de peripécias pelo meio, concursos públicos que entretanto depois fui e das 700 que concorreram, ficaram 24, fui uma delas. E depois fizemos o curso e depois entrei para a equipa que fundou o "Bom Dia Portugal", que ainda hoje está no ar, das seis ou sete às 10 da manhã.
Das 10 horas da manhã.
Sim, estive lá durante nove meses. Depois ainda fui mais uns meses para o Telejornal e depois veio o Rangel, na altura, e quis remodelar a RTP. Portanto, essas pessoas que estavam prestes a entrar no quadro, que iriam ficar, fomos todos embora. Mas entretanto fui para o entretenimento, deram-me essa oportunidade, entrei na Operação Triunfo.
Mas antes do entretenimento, e se calhar já podemos ir lá, porque na verdade é a parte importante da tua carreira dos últimos anos. O foco na informação era na informação desportiva, porque há aqui uma passagem também pelo desporto.
Sim, a parte da informação que mais gostava era a informação desportiva, mas depois de um breve estágio que fiz na Sport TV, percebi que o ideal era estar sossegada. Porque passava a vida a telefonar ao meu pai, a perguntar-lhe: "Ó pai, tenho que fazer aqui uma peça de ténis. O que é isto dos sets e não sei o quê?" "Ó pá, sai daí. Isso não é para ti. Tens que te informar mais." Eu adorava a informação desportiva, mas na verdade, eu não sabia as regras principais de uma série de desportos. Mas tinha muita lábia, muita conversa, tinha uma voz bonita e depois andava ali, eles achavam-me piada, mas quando acabou: "Tânia, gostámos muito. Mas a tua vida há de ser outra." E pronto, foi assim. E depois fui para a sociedade. Fiquei na editoria de sociedade.
E assim, o momento mais feliz da tua vida? Bebida que é profissional? Vamos primeiro à profissional.
É muito complicado, porque eu sou mesmo muito feliz. Até estou a emocionar um bocadinho. Eu sou muito feliz com aquilo que eu faço. E um dia eu sei que vou deixar de fazer isto e estou super resolvida em relação a isso, porque sei que há outras coisas que eu gosto de fazer. Mas neste momento, se eu deixasse de fazer televisão, ia perder uma fatia importante da minha felicidade, porque eu gosto daquilo que eu faço. Eu acho que tenho uma espécie de missão no meu trabalho e senti isso durante a pandemia, durante quase dois anos, mesmo a fundo. E acho que faço o meu trabalho bem feito e esforço-me por fazê-lo e estou sempre a aprender e estou sempre a tentar corrigir aquilo que faço menos bem e informo-me e preparo-me e por isso é difícil escolher um momento. Mas eu sei lá, quando me deram a minha primeira reportagem para o Telejornal sobre o teletexto, foi um momento, que ainda tenho gravado em VHS.
A sério?
Foi um momento que eu apareci em vivo. Não era suposto, aquilo nem fazia falta nenhuma, mas eu pensei: "Já que me tou a dar esta oportunidade vou aparecer na televisão." Até me fui maquilhar e tudo.
Tu lembras-te disso?
Lembro-me perfeitamente, sim. Até me lembro da roupa que tinha.
O que é que tinhas?
Tinha uma camisola da Benetton assim de gola alta, metade castanha, metade às riscas cremes. Péssima para televisão, mas não interessa. Era nova. E eu um fanho. Depois fui superfeliz a fazer a Operação Triunfo com o Daniel Oliveira, que éramos comparsas na altura, fazíamos os dois e eu adorei. Fui superfeliz a fazer o Euro 2004. Foi uma coisa única, histórica para Portugal e eu fiz todos os jogos com o Carlos Daniel. Ele fazia a parte informativa e eu o entretenimento, e aquilo foi super especial para mim. Fui superfeliz a fazer a Volta a Portugal em bicicleta. Depois estive na Praça do Alegria, no Porto, durante um mês, que foi isso que depois me catapultou para poder fazer daytime. Quando me apresentaram ao João Baião, foram sete anos de pura felicidade, trabalhamos juntos todos os dias. Ainda hoje ele é como se fosse meu irmão. São tantos momentos de felicidade. Depois, trabalhar com o Zé Pedro também foi ótimo. Quando me deram a oportunidade de fazer a nossa tarde sozinha, senti que me estavam a dar uma grande responsabilidade e um corolário, talvez, daquilo que eu tinha feito nos últimos anos. Eu, ao todo, já estou a fazer daytime sem interrupções há 14 anos. São muitas horas em direto, todos os dias. Se não aprender, será difícil.
As pessoas têm a ideia que está tudo escrito e não está tudo escrito.
Não, no meu caso está mesmo muito pouco, até porque eu vejo muito mal.
Já ouvi dizer.
Até telepontes. No outro dia estavam-me a dizer: "Tânia, qualquer dia parece que estás a ver ténis, se continuamos a aumentar o tipo de letra." Eu dou por mim, já estou quase assim, porque eu vejo mal ao longe e portanto o ideal é preparar-me bem, porque eu leio mal. E mesmo os cartões, já estou naquele ponto que tenho que afastar um bocadinho, que é aquilo que a gente gozava com os nossos pais antes, tipo: "Não consegues ler." Eu também já estou um bocadinho assim. Portanto, sim, preparo-me e eu acho que o improviso é o mais giro de tudo.
Completamente.
E quantas vezes é que começou um programa com uma zanga com um colega de apresentação? Nunca? Ou já chegou a acontecer?
Já chegou a acontecer. Sim, já chegou a acontecer.
Com quem?
Eu e o Zé Pedro somos super amigos e nós conhecemo-nos desde miúdos. Imagina, nós vivemos os dois em Telheiras, em crianças, e portanto, havia um à vontade que é difícil ter com outras pessoas. E como nós somos muito diferentes e temos os dois uma personalidade forte, às vezes tínhamos turras e choques. E às vezes isso acontecia antes de irmos para o ar. Mas nós não aguentávamos ficar muito tempo chateados e passado ali um bocado, na primeira VT ou no primeiro intervalo, já estávamos abraçados e a pedir desculpa um ao outro e ficava tudo bem.
Mas faz parte do trabalho, não é?
Sim, mas conosco nem era de trabalho. Nós éramos amigos e portanto, isto em trabalho nunca aconteceria. Tu em trabalho tens que ser profissional, ponto. Tu chateias-te, vais fazer, mas nós como éramos amigos, amuávamo-nos. E pronto, às vezes acontecia.
Com o João Baião nunca?
Com o João Baião nunca, porque mais ele do que eu, se nós nos chateássemos, depois ele começava a chorar, eu começava a chorar, e depois estava tudo bem. Portanto, não nos podíamos chatear. Mas isso aconteceu uma vez e nunca em trabalho, nunca antes de entrar no ar. Não, eu e o João Baião é outra coisa.
Olha, há espaço para todos na televisão? Eu lembro-me que na pesquisa que estava a fazer que tu, no teu percurso entre estágios, porque fizeste vários na RTP e não remunerados, enfim, aquilo que todos nós passamos.
Todos nós passamos. Todos nós na nossa geração.
Exatamente. Sim, é verdade. Que fazia parte e que era normal e estava tudo bem, e queríamos, porque no fundo era experiência. Lembro-me que tu fizeste um casting em que deste tudo e que depois, à última da hora, que ficou a filha de um diretor. Isso desmotivou-te um bocadinho. É o fator C, se calhar, a funcionar.
Olha, eu fartei-me de chorar com isso, porque já tinham dito ao senhor Róges, Sérgio, lá está, que eu tinha ficado. Depois acabou por ficar outra pessoa na altura. Mais tarde, com o crescimento, eu achei que muito provavelmente até era injusta a forma como eu estava a pensar, porque imaginem que essa pessoa tinha feito o casting depois, precisamente porque o pai trabalhava lá e tinha mesmo jeito e acabou por ficar durante muito tempo a trabalhar. Ninguém sabe efetivamente se isso aconteceu ou não. Na altura, e também dada a minha maturidade, eu fiquei super desiludida e super triste. Eu já andava um bocado a perceber que o mundo da televisão não era tão cor-de-rosa e não tinha propriamente a meritocracia que eu achava que iria ter, que nessa altura ponderei mesmo achar que se calhar aquilo não era para mim. Mas depois: "Tanoocas ao ataque", pensei. "Não é desta que me derrubam, cá vai disto."
Tu és daquelas que ainda te alimentas mais desses momentos, não?
Na altura fiquei mesmo triste, foi difícil Na altura fiquei triste, foi difícil, mas depois foi o que foi. E ainda bem que não foi assim. Se tivesse sido assim, se calhar hoje em dia já não trabalhava em televisão, tinha feito aquele projeto e ninguém tinha visto. Temos de pensar que é o que é. Haver espaço para toda a gente em televisão. Eu acho que há espaço para várias pessoas diferentes e cada uma delas com o seu talento e com a sua área, porque, por exemplo, eu adoro fazer daytime e não é nada a minha praia fazer galas, por exemplo. E eu acho que as galas estão muito bem entregues à Catarina e à Sílvia, estou a falar da RTP. E não as estou a ver a fazer daytime, estar ali todos os dias, à tarde, durante duas ou três horas, diariamente. Portanto, cada uma de nós e cada um de nós tem o seu caminho. E, portanto, nesse sentido, sim. Agora, haver espaço para toda a gente em televisão, não há. Nem todas as pessoas podem trabalhar em televisão, porque não há espaço para todas, efetivamente, porque não há assim tantos programas de televisão. Se nós formos olhar para a RTP, por exemplo, nós temos três horas de manhã, que é a Sónia e o Jorge Gabriel, que fazem há anos a Praça da Alegria, depois é informação, depois há uma telenovela, depois há a Nossa Tarde, que é o meu programa, depois há informação, depois há o Preço Certo. Portanto, neste momento temos dois, três, quatro apresentadores e estamos a chegar ao final do dia. E depois há o Telejornal e a seguir há ou o Joker ou o programa que hoje está a dar, que é o do Vasco Palmeirim. Portanto, estamos a falar de seis apresentadores. Agora, eu não sou diretora de programas e honestamente também não tenho essa pretensão.
Não tens?
Não.
Não gostavas?
Eu gostava de coordenar uma equipa, mas nunca uma equipa de televisão gigante. Adorava coordenar uma equipa num projeto. E um dia mais tarde é capaz de vir a acontecer. Já tenho muita experiência e portanto acho que tenho jeito para coordenar pessoas e para lidar com pessoas e acho que ia correr bem. Agora, ser diretor de programas é muito difícil, porque tu não tens efetivamente programas para tantas pessoas e não é porque elas não tenham talento. Não tem a ver com isso. E hoje em dia a televisão é diferente do que era há uns anos. Não há tantos programas, não há tanto dinheiro, não se investe em tanta coisa.
E vai continuar a mudar. A televisão tem mudado muito, agora há as novas plataformas. Estes programas, os programas de daytime que estamos a falar e pelos quais passaste durante os últimos anos, têm futuro da forma como existem ou não? Fala-se muito sobre isso, não é?
Sim, fala-se muito sobre isso. E tenho várias conversas com o Fragoso sobre isso, o diretor de programas da RTP. Eu acho que o que nós fazemos é televisão de companhia e parecendo que não, isso é diferente. Agora, nós estamos a fazer televisão de companhia para as pessoas que precisam de companhia e temos uma sociedade cada vez mais envelhecida, como sabemos. Daqui a uns anos, eu não sei se esta geração que precisará de companhia já não está habituada a outras plataformas. Porque a geração que hoje em dia precisa de companhia, provavelmente não tem Netflix em casa.
Claro.
E Portugal não é Lisboa nem o Porto. Portugal é um vasto território com ilhas e com pessoas para quem a televisão e a RTP em particular, ainda tem um peso muito grande. E eu sei disso porque eu ainda recebo muitas cartas escritas à mão.
A sério?
Sim, muitas cartas escritas à mão por senhoras que se dão ao trabalho de ir ao correio para me escrever para agradecer a companhia, que gostam muito de mim, mandam coisas para os meus filhos feitas à mão, em croché, em malha. Isto é único.
Peças de roupa?
Sim. Quando os meus filhos nasceram, eu tinha um enxoval feito por avós que eu nunca conheci.
Incrível.
É lindo, não é?
E agora eu destruí este momento em que tu estás quase a chorar, Isa, mas já vendeste isso tudo, não?
Já não vendi, mas já passei a outras pessoas que precisam. Como passei toda a roupa dos meus filhos.
Claro.
E pronto, isto eu acho que é mesmo especial. Só quem não dá valor a isto, se calhar não merece estar onde está. Eu dou imenso valor ao carinho que as pessoas têm por mim. Às vezes as pessoas chegam ao pé de mim ou no supermercado ou num restaurante. "Ai, desculpe incomodar, eu sei que tem a sua vida." Eu não deixo de ter a minha vida para as pessoas falarem comigo. No dia em que eu achar que não quero que as pessoas falem comigo ou que levo a mal que falem comigo, tenho que mudar de profissão.
E aqueles programas na rua, tipo aquele onde conhecemos a Condessa do Bezugo são os ideais.
Do Bezugo, ok.
São os ideais para contactar com estas pessoas. As pessoas vão lá também muito para conhecer os apresentadores.
E os músicos, depois vão lá bandas conhecidas. E cantores que eles gostam de ver. E vão ver televisão ao vivo. Nem todas as pessoas têm a possibilidade de ver como é que se faz um programa de televisão. E quando estamos na rua, sim. Este ano tivemos muito poucos programas de televisão, na rua, no exterior, durante o verão, mas até 2021 nós fizemos televisão na rua durante uns 15 anos, o verão inteiro. É julho, agosto e parte de setembro com as vindimas na rua.
O verão tal há muitos anos.
Sim, o verão tal, depois as maravilhas, depois os monumentos, depois sei lá o que mais. Todos têm um nome diferente, mas na verdade aquilo é televisão de proximidade, é estar na rua junto das pessoas que nos veem na televisão e poder estar perto delas. Todos os dias, de segunda a domingo, quase, porque depois há o Aqui Portugal ao sábado e depois há o programa de exterior ao domingo. Nós estamos muito na rua e é fundamental, sim.
Para que as pessoas possam ter esse contacto também.
Sim, sim, fotografias e autógrafos, ainda damos autógrafos.
E aqueles momentos de galhofa de Tânia Ribas de Oliveira.
Sim, é só rir.
Olha, já falámos do momento mais feliz. E o momento mais triste?
Olha, houve alguns também. O dia em que o João Baião se foi embora para a SIC, para mim foi horrível.
Alguma vez pensaste em desistir?
Não.
Eu nunca esqueci.
Não, desistir não.
E ir com ele?
Ir com ele? Ele dizia: "Anda comigo." E eu: "Claro!" Chego lá, bato à porta e digo assim: "Os meus queridos, ponham mais um prato na mesa que a fofinha chegou. Já é almoçar."
Não houve um convite?
Assim...
Para que os dois fizessem, porque o programa resultava muito bem na RTP.
Não houve. Para nos juntarem novamente, não houve esse convite. Houve algumas abordagens, mas um convite: "Olha, queres vir trabalhar com o João?", nunca aconteceu. E também foi o que teve que ser. Ele está superfeliz na SIC, é supervalorizado, está muito feliz com a Diana, encontrou ali também uma grande amiga com quem se sente bem, tem uma boa equipa. E o João tem que estar na televisão. É o patrimônio da humanidade, como ele costuma dizer.
Eu acho giro, porque tu uma vez estavas a dizer quando soubeste que ias fazer com o João Baião, começaste a pensar: "Meu Deus, como é que eu vou fazer com o homem que está sempre aos pulos?"
Não, fiquei um bocado preocupada. Não ficavas? Não é agora, é há uns anos. Ele nunca tinha feito "The Late Night".
E aquela imagem do João, não é? Há muitos anos.
Eu pensava: "Pronto, lá vem ela aos saltos." E o Nuno Santos disse: "Isto é um talk show, tu és o talk, ele é o show. E portanto, vai ser perfeito." E foi mesmo perfeito. Portanto, esse foi um momento muito triste pra mim, foi horrível. E outro foi quando morreu o meu avô e ele já estava ali mesmo prestes a falecer e nós estreamos o "Agora Nós", eu e o José Pedro, era de manhã, dia 22 de setembro, e o meu avô morreu dia 26. E eu avisei logo. O José faz televisão, se calhar, até há mais tempo do que eu, mas tinha um formato diferente, era uma pessoa muito habituada ao late night e a concursos, etc. Portanto, era uma coisa diferente. E eu senti que eu ia deixar ali um bocadinho na mão, mas eu avisei logo: "Quando o meu avô morrer, eu não consigo vir trabalhar. Eu não sou das pessoas que vêm pra aqui como se nada fosse, porque eu admiro muito as pessoas que têm de o fazer. Os atores continuam a fazer teatro, não deixam as pessoas na mão. Isto é duro e corajoso, mas eu não sou atriz, eu não consigo fazer isso", e portanto eu avisei logo e assim foi. Portanto, dia 26 o meu avô morreu, eu não fui, e estive quatro ou cinco dias sem conseguir ir trabalhar. E nessa altura foi mesmo difícil também voltar. Tudo me dava vontade de chorar, foi difícil. Mas pronto, a vida continua, é mesmo assim.
E como é que tu fazes e alimentas para não te esqueceres da voz do teu avô? Eu faço esta pergunta porque eu também tenho esse exercício com o meu. Eu não quero nunca deixar de...
Eu não sei, se eu ficar em silêncio, a voz chega facilmente. Fácil. Eu nunca apaguei o número de telefone do meu avô, faz parte dos meus favoritos, posso vos mostrar. Ninguém na rádio está a ver, porque vocês não estão aqui, mas está aqui. João, mãe, avôzinho, pai. Não consigo apagar a fotografia. Mas eu não faço isto por mal, é óbvio que eu não lhe vou ligar, mas gosto de o saber aqui. Mas não me esqueço nunca da voz dele, isso não esqueço. Nem da minha avó. Mas a minha avó também morreu há pouco tempo. Era a mulher deste meu avô e foi duro, mas a minha avó já estava doente há bastante tempo e eu sentia que ela já não estava bem. Tinha Alzheimer e, honestamente, gosto tanto dela que senti que foi o melhor. Não consigo explicar isto de outra forma.
Às vezes somos egoístas.
Sim.
E queremos que as pessoas fiquem embora.
E achava que ela já há muito tempo que se devia juntar a ele, lá por cima. Pra andar a chatear, que devem andar a fumar cigarros nas nuvens. Ele anda lá. E pronto, e tenho esta ideia romântica, ou talvez não, que eu acho que as almas gêmeas nunca se separam, encontram-se de outras formas e, portanto, acho que é o caso.
Pessoa mais importante na tua vida. Porque estavas a falar do João. Por exemplo, tu ligas ao João todos os dias, vocês falam todos os dias, João Baião?
Todos os dias trocamos mensagens. Todos. De manhã e ao fim do dia. Sempre. Vou vos mostrar também.
Não temos vídeo, mas a Tânia está aqui para mostrar.
Não têm vídeo, mas vocês são as provas.
É verdade.
Vocês não vão dizer: "Olha, não é verdade."
Mas pra comentarem o trabalho um do outro.
Não, todos os dias dizemos: "Bom dia, amor. Bom dia, amor. Bom dia, meu amor. Dorme bem, meu amor. Muitos beijinhos."
Estamos a ver muitos corações nestas mensagens trocadas entre a Tânia Ribas e o João Baião.
O beijinho também é pra João, ele é incrível.
Sim, todos os dias dizemos bom dia e boa noite. Todos os dias. Pronto, é assim. E se eu fecho a luz e penso assim: "Ai, o João!" Ligo outra vez, tiro de modo avô, mando-lhe uma mensagem, é claro, porque ele de manhã depois fica ali um bocadinho: "Hum, não recebeu."
"Ontem não tivemos mensagem?"
"Ontem não, esqueceste de mim, foi?" E portanto, sim. Pessoa mais importante da minha vida é difícil. É óbvio que os nossos filhos, o meu marido, são as pessoas mais importantes da minha casa, mas a minha vida é mais do que a minha casa. Os meus pais, obviamente. Os meus irmãos, a minha sobrinha, os meus sogros, o meu tio, os meus cunhados, aliás, a família é um todo. Agora é óbvio que se pensar, nós quando começamos a crescer, temos uma família nuclear. E é claro que o João e os meus filhos são as pessoas mais importantes do meu mundo atual, como de certeza que o meu irmão dirá o mesmo da mulher e da filha. E é claro que ninguém tira os passos aos nossos pais, é difícil.
Claro. Dizia só uma pessoa. Eu adoro o teu primeiro encontro romântico com o João, ainda não era nada assumidíssimo. "Vamos sair." "Vamos onde?" "Vamos ver um jogo de futebol, vamos à bola."
Não, nós já tínhamos saído várias vezes à noite, porque ele fazia parte do mesmo grupo de amigos que eu.
Pronto, mas vá.
Mas assim é uma maneira de nunca ninguém vai pensar que é alguma coisa que se queira, porque ninguém vai ao futebol. Mas sabes o que aconteceu nesse jogo?
Conta lá.
Então nós chegamos ao jogo, era o Sporting qualquer coisa, porque nós somos os dois do Sporting.
No Estádio Alvalade.
No Estádio Alvalade. E aquilo foi o dia, nós começamos a namorar para aí dia 16 de fevereiro. Eu acho que é 16.
Ai, ai, ai.
É, porque é 15 ou 16. É 16. Não, mas foi 16. E o dia dos namorados é dia 14. E nós fomos ao futebol para aí dia 13, sei lá, uma coisa assim. E estávamos lá e não sei que mais. E de repente olho pro ecrã gigante, estava eu e ele dentro de um coração enorme.
O Kiss Cam, não é? Aquela coisa.
Sim, o jogo devia estar a ser transmitido pela RTP, um câmera qualquer deve ter conhecido, achou graça, pôs lá. Então nós dentro de um coração, de repente olho pra lá. E comecei-me a rir, a rir, ele a rir, tapei-me assim, mas vamos rir. Começo a receber mensagens: "Ah, tudo bem, namorado e tal, não sei o quê." "Não, não é nada namorado, é meu amigo, viemos ao futebol e tal." Portanto, eu acho que no fundo já estava ali meio destinado.
Mas queriam passar despercebidos.
Não, queríamos só ser amigos a ir ao futebol.
E quanto é que ficou o jogo?
Não sei, mas acho que ganhamos.
E já sabes mais as regras agora? Futebol, tênis.
Não, futebol já sei.
Continua na mesma.
Não, futebol já sei. E tênis também já sei alguma coisa Gosto muito de ténis.
A sério?
Sim.
Olha.
Gosto bastante de ténis. Fiquei super emocionada com a despedida do Federer. Aquilo sim é um desporto de senhores cavalheiros.
Era isso que eu ia dizer. Estamos a falar de pessoas que tu vês no campo, mas também fora do campo. Não sentes que às vezes caminhamos para um mundo em que é cada vez mais raro encontrares esse tipo de pessoas? Ou sou eu que já estou a ficar um bocado desiludida às vezes?
Eu acho que esse tipo de pessoas existem, mas deviam era mostrar-se mais para dar bons exemplos, porque infelizmente também, tanto a rádio, como a televisão, como os jornais, se tu olhares, há poucas boas notícias. Há, de certeza absoluta, uma série de pessoas que merecem destaque porque ajudaram e foram um exemplo, mas na verdade, o que é a capa do Correio da Manhã? É a pessoa que esfaqueou outra. Estou a dizer o Correio da Manhã como outro qualquer, mas a verdade é isto que agarra as pessoas. Eu acredito que os haja, mas na verdade nós mostramos mais o lado negro da sociedade do que o lado luminoso, mais o lado lunar do que o lado solar. Eu acho que sim. Eu não perco a esperança.
Ia perguntar se é isso que se tenta fazer também nos programas do daytime entre os noticiários.
No meu, não.
Entre os noticiários.
Pois, não sei, eu só posso falar do meu. No meu, não, claramente não. Nós temos um programa de serviço público, é completamente diferente. E ainda bem. Eu gosto muito do formato da nossa tarde.
Tu tens uma expressão incrível do daytime, que é: "Fazer daytime é ser a neta que muitas pessoas não têm."
Sim, é verdade. Sim, eu há pouco disse-te que os meus filhos receberam uma série de presentes de avós que não conheciam.
Acho que resume bem o que tu sentes em relação.
Porque havia aquela coisa do Namoradinha de Portugal, lembram-se? Que era a Catarina na altura. E eu sinto-me a netinha de Portugal. Sempre me senti um bocadinho e eu gosto muito disso, muito mesmo.
Olha, há um estereótipo do que é uma apresentadora de televisão, e isto já estamos quase na reta final. E tu nunca aceitaste.
Eu acho que já não há esse estereótipo. Se tu reparares, há muitas pessoas com esse estereótipo que passaram pela televisão e saíram. E portanto, acho que isso está apresentado. Hoje em dia eu acho que esse estereótipo não existe. Acho que as pessoas têm que ser estruturadas, consistentes, informadas e cuidadas. E com um bom discurso, um bom português, não dando erros e portanto, eu acho que isso é fundamental. Se olhares para os vários canais, esse estereótipo já não corresponde à realidade. E é isso que eu gostava de dizer.
Pronto, muito bem. Estamos conversadíssimas. Tânia, é sempre um prazer receber-te.
Obrigada.
Volta, por favor, à Rádio Observador.
Volto, sim. Gostei muito deste espaço. Diogo e Catarina, eu acho que as pessoas têm que saber que o espaço da Rádio Observador é lindo. A sério, eu nem pensei. Eu saí aqui na rua, pensei: "Pronto, agora lá vou eu". Isto parece o LX Factory, meus queridos. É uma coisa gira, moderna, com uma equipa tão gira.
E o Diogo adorou ainda mais ter-te, não só pela conversa, mas porque também és pessoa que gosta do bar do ar-condicionado. É sempre uma luta aqui no estúdio.
Mas olha que está um ar-condicionado muito leve, Diogo. Mas já percebi que para o dia a dia isto até está fresco.
Não, está demasiado.
Tânia, um beijinho.
Obrigada.
Obrigada aos dois. Obrigada.