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Vamos já falar com os nossos adeptos. João Pinto, não era nada este o jogo que se esperava quando começámos a falar antes do arranque destes 90 minutos. Sofreu-se demasiado para uma vitória que parecia fácil.

Achaste? Eu não. Eu achei que foi exatamente o jogo que nós estávamos à espera. Já não sei quem estava a falar no English game. Só que isto é o Portuguese game e esta malta assim que veste a camisola das quinas, é uma espécie de funcionário público.

João, eu pensei em trazer para aqui a analogia porque quando acabei de ver o episódio, devo dizer, fiquei emocionado com a série, porque mostra muito aquilo que é a paixão pelo futebol e aquilo que é o espírito do futebol, a improvisabilidade.

Claro, mas isto não. Tinhas ali 11 negócios extraordinariamente lucrativos, 11 mais os que estavam no banco, que têm transações importantes a fazer em abril, em maio. Não era este. Depois tinhas uma equipa do Azerbaijão que estava a dar tudo, era o jogo mais importante da vida deles. A dada altura, lá um defesa do Azerbaijão que leva uma bolada na cara do Cristiano Ronaldo e ele vai se lembrar daquele momento para a vida.

Vai tatuar a marca da bola na cara, talvez?

Claro que sim. "Este x que eu tenho no nariz foi o Cristiano."

E aquele guarda-redes.

Vocês fartaram-se de dizer bem do rapaz. Realmente, o homem parou muita coisa. Mas eu não cria no Piedade. Eu não cria aqui no Piedade.

Mas resultou aqui no Azerbaijão, resultou neste jogo aquela camisola amarela.

Claro que sim. O homem jogou, fez o jogo da vida dele, jogou bem e teve todo o mérito. Aquilo que me surpreendeu mais no Azerbaijão até foi a qualidade que eles tinham de receção e passe. Isso tinham. E ali na segunda parte notou-se isso. Não eram aqueles coxos da bola batia no joelho, depois batia no outro. Não, os homens tinham receção e passe, isso ao seu acerto. Mas depois taticamente, bastava os jogadores portugueses acelerarem um bocadinho, aquilo tremia tudo e dava sempre a ideia que se por acaso tivesse acontecido um remate à baliza, acho que eles nem uma vez remataram à baliza. Mas se tivesse acontecido um remate que por acaso entrasse, dava toda a ideia que Portugal acelerava 10 minutos e marcava dois. Sinceramente, já vimos todos este jogo não sei quantas vezes, e é aquele jogo que nós daqui a sei lá, 20 minutos, já ninguém se lembra. Agora é Sérvia e agora é que é.

Muito bem, Júlio Magalhães, uma análise também a estes 90 minutos, um pouco mais com os tempos de descontos. Não se esperava, talvez, um sofrimento tão grande, mas este Portugal precisa de ser um pouquinho mais eficaz frente à Sérvia, que só para olharmos aqui para os resultados, também terminou o jogo frente à Irlanda com a vitória por 3x2.

Sou eu? Estavas a falar comigo?

Estou a falar contigo.

Está bom. Eu subscrevo tudo o que foi dito até agora. O futebol está diferente, também temos que ver um bocadinho isso. Os jogadores têm muitos jogos, é um ano muito diferente de todos os outros anos, e portanto os jogos já não são tão desequilibrados quanto eram. E hoje foi um caso disso, pesaram as pernas dos jogadores portugueses. Há aqui uma série de fatores que estão a contribuir para isto. São quatro titulares que não estão, fora, outros que ficaram no banco. Três jogos seguidos com a ideia de que há aí um jogo com a Sérvia já no sábado que é bastante importante. E há esta ideia também no subconsciente dos jogadores, na minha opinião, que é: têm agora três jogos da seleção, um mais importante, mas depois têm os compromissos com os clubes e entra-se numa fase decisiva dos campeonatos, uns na Champions, outros nos vários campeonatos que estão, e são muitos os que estão nas suas equipas a discutir os campeonatos e portanto, há claramente no subconsciente uma gestão de esforço deles também, porque isso são jogos para ganhar. Se calhar não é preciso máximo esforço para máxima eficácia, e isto foi um jogo de máxima eficácia, três pontos, era o que interessava. Mas tudo isto está a contar para este caldo que são estes jogos agora em que os jogadores têm mais dificuldades, pesam as pernas, têm poucas ideias e fazem também muita gestão de esforço. E continuo a achar que o Fernando Santos pensou o mesmo que nós, que eles que entraram jogavam para ganhar de forma mais ou menos confortável e tinha depois, de alguma maneira, preparado o jogo com a Sérvia. A verdade é que depois foi obrigado a meter o Bruno Fernandes, a meter o João Félix, a meter o Rafa, sendo que quando o Rafa entrou, eu achei que devia ter saído o André Silva e não o Pedro Neto, porque havia um excesso de jogadores dentro da área e era preciso jogadores mais nas alas, só isso. Mas pronto, três pontos, uma vitória, é o que interessa. A Sérvia, como estava há pouco a dizer, é o que segue e é o que interessa.

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