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Neste momento, com 181 secções apuradas, temos aqui um dado curioso: os dois candidatos estão empatados com 50%, 50 certinhos para cada lado. É um empate a esta hora, quando faltam apurar 137 secções de voto. Aqui em estúdio, temos de novo conosco o Alexandre Homem Cristo, o André Abrantes Amaral, temos aqui o reforço do Miguel Pinheiro e do Pedro Benevides para mais uma noitada de diretas de PSD. Alexandre, começava por ti, pegando naquilo que o José Manuel Fernandes estava a dizer: mesmo que Rui Rio ganhe, não vai conseguir unir o partido.
Parece-me que a leitura do José Manuel Fernandes é uma leitura correta. Eu acho que aqui há dois problemas que o Rui Rio vai ter que enfrentar. O primeiro é: não vai ter, da parte do próprio partido, disponibilidade para alinhar com a sua estratégia, que é uma estratégia que tem sido contestada desde o início do seu mandato. E depois há a outra questão, que é aquela que o José Manuel Fernandes estava a referir, que é a própria disponibilidade do Rui Rio em agregar as várias correntes do PSD à sua volta. Ele que tem rejeitado fazê-lo desde o início. Aliás, ele tem tido uma perspectiva muito exclusiva daquilo que deve ser a identidade do PSD, convidando todos os militantes e alguns deles notáveis do partido a abandonarem o partido se não se sentirem identificados com a sua liderança. E, portanto, a atitude dele, que ele garantiu que sendo reeleito, seria replicada nos próximos dois anos, é uma atitude de exclusão e é muito difícil, nesse contexto, haver um ambiente propício para unidade partidária. Parece-me praticamente impossível que isso venha a acontecer.
André Abrantes Amaral, também te chamo à conversa, pegando também neste ponto sobre a capacidade ou incapacidade do Rui Rio para unir o partido.
Boa noite. Primeiro, vamos ver se Rui Rio vence mesmo, porque os últimos dados apontam 50%.
Neste momento, já estamos com 50,02 para Rui Rio e 49,98 para Montenegro. Estão 136 secções por apurar.
Volta a inclinar-se para Rui Rio. Vamos partir desse pressuposto. O problema com Rui Rio, com este resultado, será bastante difícil impor-se perante os seus opositores, naturalmente. Mas ele tem outro problema, que já não é uma questão ideológica de querer ou não posicionar o PSD como centro, de direita ou até de esquerda. Tem a ver com o facto de ele querer tornar o PSD, que sempre foi um partido extremamente combativo, num partido que compactue com o PS, que seja um partido compassivo relativamente ao PS. E isto vai contra a natureza do PSD e contra a natureza de muitos dos militantes e toda a história do PSD. Este é que é o grande problema que ele tem. Eu até costumo dizer que o PSD, isto agora relativamente ao posicionamento ideológico, que não existe propriamente, quer dizer, não existe uma discrepância ideológica no PSD, existe mais uma discrepância na estratégia dos candidatos. Acho que referimos isto semana passada.
Exatamente.
Ele deu uma entrevista esta semana onde tentou explicar que o PSD sempre se posicionou mais ao centro e isso não é certo, não é verdadeiro. Se nós olharmos para a história do PSD, o PSD ganhou as eleições sempre à direita. Com Sá Carneiro, com o apoio do CDS, com Cavaco cilindrando o CDS, Durão Barroso governou com o CDS e Passos Coelho governou com o CDS. A única vez, e são as exceções que confirmam a regra, em que o PSD governou ao centro com o PS, foi com o PS que tinha vencido no bloco central. Foi uma situação excepcional e numa altura em que o Partido Socialista, relativamente a um programa de austeridade imposto pelo FMI, teve um posicionamento completamente contrário àquele que teve relativamente à aplicação do programa da Troika entre 2011 e 2015. E portanto, este posicionamento do Rui Rio, este entendimento que ele tem do partido, choca contra a sua natureza e eu penso que isso, por muitos votos até que ele tivesse hoje, acabaria por ser sempre algo que iria ferir a sua liderança.
Já vamos chamar à conversa o Pedro Benevides e o Miguel Pinheiro. Dou aqui um salto ao Porto, onde está o André Azevedo Alves. Mais uma vez, boa noite, André. Bem-vindo a mais uma noitada de diretas.
Obrigado, boa noite.
André, que prognóstico para esta noite?
Ora bem, há de facto um aumento da participação, portanto, a abstenção já sabemos que reduziu. Haverá cerca de mais 3 mil votos. Os resultados que já são conhecidos apontam também, como era de esperar, porque na maior parte das secções há uma transferência substancial, mas não total, de eleitorado que provavelmente terá votado em Miguel Pinto Luz para Luís Montenegro. Mas como o José Manuel Fernandes referiu logo no início, Rui Rio vai também buscar, nas secções que já estão contabilizadas podemos ver isso, uma parte ainda que menor desses votos, quer dos novos votos, quer dos votos que são transferidos Portanto, ainda que o apuramento neste momento esteja 50/50, basicamente, considerando também que o apuramento em Lisboa está completo e que no Porto faltam apurar muitos votos, sendo que o Porto é a área mais forte pra Rui Rio, neste momento o meu prognóstico será de uma vitória para Rui Rio por uma margem pequena. Não será claramente uma vitória.
E que leitura fazes dessa vitória por uma margem pequena? Que PSD é que vamos ter a seguir?
Vamos ter um PSD dividido, claramente. Um resultado em que há uma margem pequena, que neste momento não é possível prever exatamente qual será, mas mesmo admitindo a vitória, que parece mais provável de Rio, será com uma margem pequena. Claramente não creio que vá resolver definitivamente a questão. Creio que será natural que, finalizado este processo, Rui Rio conduza o partido até às autárquicas, mas a minha previsão será de que depois, em função do resultado das autárquicas, se poderá abrir uma nova crise interna no PSD.
André, vamos voltar ao Porto ainda esta noite. André Azevedo Alves aqui com uma intervenção inicial neste especial Rádio Observador. Estamos a acompanhar a segunda volta das diretas no PSD. Chamo agora também à conversa o Miguel Pinheiro, diretor do Observador, e Pedro Benevides, o editor de política do Observador. Miguel, Pedro, boa noite. Bem-vindos a esta emissão especial e com aquilo que temos em cima da mesa, com as informações que temos em cima da mesa, Miguel, Rui Rio segue na frente, mas por um nariz.
Certo. Agora, nós podemos fazer as contas e as comparações todas e, por exemplo, uma das comparações interessantes também será comparar esta eventual vitória de Rui Rio com os números da última eleição. Ele ganhou a Pedro Santana Lopes com 54,37% dos votos. Pode ser interessante perceber aqui se aumentou ou diminuiu o apoio que teve nas últimas eleições. Agora, vamos ver. Rui Rio ganha. Acho que nós podemos falar da história do PSD, da inclinação ideológica, e quem votou foram os militantes do partido. Não foram uns alienígenas, como diria a Sousa Lara, que vieram pra aqui infiltrar-se pra votar. Não, foram os militantes. Portanto, o atual PSD quer Rui Rio. E já quando foram as eleições com Santana Lopes, Santana Lopes tentou incorporar o espírito verdadeiro PPD/PSD e perdeu. Portanto, não há aqui grande volta a dar. Em relação ao partido dividido. Rui Rio, quando venceu as últimas eleições, tentou unir as duas fações. Aliás, até fez um esforço que alguns consideraram excessivo, porque dividiu praticamente ao meio os lugares no Conselho Nacional e, portanto, deu um enorme poder a Pedro Santana Lopes e aos apoiantes de Pedro Santana Lopes. E correu mal, não correu bem, não lhe serviu de muito. Em relação ao que vem aqui pra frente, eu também não vejo que Rui Rio tenha que ter algum problema, porque ele já controla o grupo parlamentar, o grupo parlamentar foi escolhido por ele. Ele é que escolhe os porta-vozes do partido, ele é que escolhe quem é que decide as políticas do partido, vai escolher os candidatos às autárquicas. Portanto, agora tem o poder, as pessoas sabem, caso isto tudo se confirme, sabem que será ele a decidir quem concorre em Lisboa, quem concorre no Porto, quem concorre em Freixo de Espada à Cinta, em qualquer sítio.
Tem a última palavra, não é?
E portanto, eu não vejo nenhuma razão para que Rui Rio, mesmo que isto seja uma vitória com uma diferença não muito grande, mesmo que seja aqui uma coisa que fique à volta dos 50 e poucos por cento, não vejo nenhuma razão para Rui Rio não poder executar a sua política e não poder ignorar as críticas que lhe sejam feitas. E de fato, os críticos ficam sem grande margem de manobra.
E ele poderá assumir em pleno o partido, não é?
Não vejo razão nenhuma pra não assumir. Ele não precisa de ter percentagens norte-coreanas, não precisa ter 90%, que muitas vezes até são percentagens falsas, no sentido em que os líderes recebem apoio só por estarem lá sentados. Ele não precisa disso para conduzir o partido. Portanto, acho que tem todas as condições e mais uma pra fazer o que entender.
Pedro Benevides, bem-vindo.
Obrigado, Ricardo.
Bem-vindo à minha casa.
Bem-vindo aqui à nossa sala de estar. Passamos aqui o serão este sábado.
Bom, eu acho que isto hoje se calhar não vai ser tão-
Achas que hoje vai ser mais rápido?
Tão presenteiro como sei que foi na semana passada, onde se ficou aqui até a uma da manhã.
Exatamente.
Acho que a contagem dos votos vai ser mais rápida e acho que basicamente se vai confirmar aquilo que está a ser aqui dito. Acho que Rui Rio vai ganhar esta eleição, como de resto já se esperava, também a própria tendência da campanha, o espírito da campanha de Luís Montenegro dava a entender que ele próprio já estava derrotado. Digamos que os próprios apoiantes dele já estavam a fazer o funeral da sua candidatura, o que foi um pouco bizarro, mas de fato contra aquilo que já se esperava na semana passada, não houve aqui nenhuma surpresa. Estes votos que estão a ser contados neste momento dão aqui esta curiosidade, que é termos um empate, mas as informações que estão a chegar às candidaturas, quer de um, quer do outro, dão não resultados já fechados, mas indicações muito claras de que Rui Rio vai vencer com cerca de 53, 54% dos votos. Isto, claro, carece ainda de confirmação oficial por parte do Conselho Jurisdicional.
Isso é um valor que poderá deixar Rui Rio tranquilo?
Eu tenho a certeza que vai deixar Rui Rio tranquilo por uma razão, porque ele próprio já tinha anunciado que se os adversários internos quisessem continuar a fazer o estilo de guerrilha de oposição interna que fizeram, que ele ia comprar essa guerra. Portanto, eu acho que ele não tem nenhum problema em qualquer dos cenários. Nem se os críticos internos sentirem necessidade de ir lamber as feridas, porque há aqui uma questão que é importante, que é Luís Montenegro, apesar de tudo indicar que possa perder com resultado honroso e até por menos do que Santana Lopes perdeu há dois anos
Há aqui uma questão: Luís Montenegro fez aquilo que foi conhecido como o golpe de Estado em janeiro do ano passado contra Rui Rio e não ganhou. Entretanto, Rui Rio foi a eleições europeias como líder do PSD, presidiu ao PSD com uma candidatura que teve um resultado historicamente baixo, teve as legislativas onde Rui Rio se aproximou de resultados historicamente baixos do partido e mesmo assim Luís Montenegro não conseguiu vencer e o partido mostrou que está na sua maioria com o atual líder. E portanto, eu diria que esta é uma derrota que tem um peso mais significativo por isso. Não quer dizer que Luís Montenegro perca todas as esperanças de um dia vir a ser líder do PSD, mas se tivesse conseguido ganhar nestas circunstâncias, o futuro dele seria melhor, não o conseguiu fazer. Portanto, eu diria que Rui Rio não tem nenhum problema se os críticos internos se silenciarem agora. Eu diria que ele até terá mais problemas com isso, porque ele funciona muito bem sob pressão e quando é desafiado. E também não vai ter nenhum problema se eles continuarem a mexer, porque não só já foram a votos e não ganharam, e ele terá sempre esse argumento para lhes atirar, como eu acho que Rui Rio gosta e funciona bem precisamente assim. Não é um homem consensual, não gosta de liderar consensualmente, gosta deste ambiente tenso.
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