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Este é um dia especial pra todos os europeus, é um dia histórico pra Europa, mas obviamente é também pra nós, para os portugueses. E quão entusiasmante e emocionante ouvirmos o nosso militante número um. Cada vez que o ouvimos, a inspiração que o grande Mário Soares nos traz, o homem que liderou a nossa integração europeia. Nós estamos cá hoje. Nós estamos a participar nestas eleições europeias porque foram homens e mulheres, homens socialistas, um grande líder político como Mário Soares, que desde o início percebeu que a melhor forma de consolidarmos a nossa democracia, de avançarmos e desenvolvermos Portugal, era fazendo parte do projeto europeu. Todos os portugueses, todos os partidos políticos em Portugal, devem a muita gente, mas desde logo, em primeiro lugar, a um homem cujo nascimento faz este ano 100 anos, ao nosso, ao socialista, ao Mário Soares.

Pedimos Santos a fazer também o agradecimento e a relembrar Mário Soares, o Deputado Mário Soares também na construção europeia.

E ao nosso ministro Jaime Gama, um grande agradecimento. Nunca os esqueceremos. Eu já tive a oportunidade de dizer: a nossa história confunde-se com a do projeto europeu. E não foi só no início. Mário Soares é um daqueles que aparece só de séculos em séculos. Teve sempre razão. Nós não nos podemos gabar disso. Ele pode. Ele teve razão quando em 73 decidiu criar o Partido Socialista. Ele teve razão em 74, na defesa de Abril e da construção da democracia. Ele teve razão em 75, quando defendeu a democracia parlamentar e constitucional. Ele teve razão quando deu início à entrada de Portugal na União Europeia. Ele teve razão, ao longo da sua história, em vários momentos. Ele teve razão quando lutou contra a troika. Ele foi crítico de algumas mudanças que a social-democracia fez em determinada altura, umas décadas passadas. Ele teve razão quando defendeu que o Partido Socialista se entendesse com as outras esquerdas. É, de fato, o nosso maior exemplo e ele é nosso todos os dias. Mas no projeto de construção europeia, não foi só esse líder político que a marcou. Fomos nós também que lideramos a integração no euro com António Guterres. Fomos nós que, em 2007, com o Tratado de Lisboa, demos um contributo decisivo para democratizar ainda mais a União Europeia. Fomos nós também, com o último governo, que lideramos a forma como a União Europeia passou a responder às crises. Foi com António Costa, foi com os nossos eurodeputados, foi com os socialistas. Em todos os grandes momentos da União Europeia, foram governos do PS que estiveram nesse momento a liderá-los, foram primeiros-ministros do Partido Socialista. Nós temos muita honra, muito orgulho, a nossa história, muita honra e muito orgulho na pertença à União Europeia. Eu quero cumprimentar-vos a todos na pessoa dos nossos candidatos. Mas antes deles, dizer-lhes aquilo que eles sabem. É que o legado e a herança que vão apresentar a eleições, é um legado e uma herança de grande respeitabilidade da União Europeia. Trabalho e respeito conquistado pelos eurodeputados que nós tivemos nos últimos anos no Parlamento Europeu. Um agradecimento a todos, a começar por Carlos Zorrinho, Margarida Marques, Maria Manuel Leitão Marques, mas a todos eles, que permitiram nos últimos cinco anos, como muitos outros em anos anteriores, mostrar que os eurodeputados do Partido Socialista não estão no Parlamento a assistir, estão no Parlamento a contribuir para as mudanças. Muitos deles aqui presentes, que já foram eurodeputados, perdoem-me não vos estar a referir a todos, mas àqueles que acabam agora funções. O legado é de grande responsabilidade, a herança também, que nos prestigia e prestigia quem se apresenta agora. Nós, como sempre, apresentamos a melhor lista e os melhores candidatos. E a melhor cabeça de lista. Eu já o disse várias vezes. Nós, ao longo da nossa vida, somos testados nas nossas profissões, no nosso trabalho, na nossa vida pessoal também. Nem todos temos o azar de sermos testados na vida profissional e política como foi Marta Temido. Marta Temido foi testada no momento de grande adversidade pra todo mundo, pra Europa e pra Portugal em particular. Um momento de grande incerteza, de receio, de medo também, do desconhecido. A forma como estávamos a lidar com aquele momento fez a diferença entre o nosso governo e Portugal e muitos outros países do mundo, que ninguém tenha ilusões sobre isso. Foi um governo que soube estar à altura de um momento de grande dificuldade, de grande tensão, de grande incerteza. Obviamente, liderados por um grande político como António Costa, mas com uma grande ministra da Saúde, Marta Temido.

Elogiou Pedro Nuno Santos a Marta Temido e a forma como a então ministra da Saúde lidou com a pandemia.

Nós apresentamos alguém que os portugueses conhecem, que os portugueses sabem como trabalha, sabem como lida com momentos de tensão, de incerteza, dificuldade. Todos nós, ao longo da vida, somos testados. Muito poucos, como foi a Marta Temido. E os portugueses criaram essa relação com a Marta Temido e sabem aquilo que ela foi na governação e aquilo que ela será no Parlamento Europeu. Experiência política, o saber fazer, o saber o que não funciona, o que corre mal, o que corre bem, saber gerir, liderar pessoas, liderar transformações, responder a crises, liderar, saber fazer com empatia e respeito, afetividade com os outros, mas capacidade e assertividade de decidir e liderar. Caras e caros camaradas e amigos, há alguma dúvida sobre quem é que apresenta a melhor cabeça de lista nestas eleições europeias?

Pedro Nuno Santos, que vai discursando de improviso, ao contrário de Marta Temido, que trazia um discurso escrito.

A nossa lista é toda ela de grande qualidade. Ela começa com Marta Temido, ela termina com João Soares. Obrigado, João, por aceitares. A Marta Temido orgulha-nos profundamente. Temos orgulho em fazer esta campanha ao lado dela. Mas nós temos uma lista extraordinária, que não se encerra na nossa cabeça de lista. Nós temos Francisco Assis, com aquilo que significa de pensamento político, de sabedoria, de experiência, de experiência de fazer e de pensar, de combater. Ana Catarina Mendes, com a sua experiência política, ainda juventude na forma de estar na vida, de ver os outros, de governar, parlamentar. Não há igual, não há nenhuma lista tão completa quanto a nossa. O Bruno Gonçalves, quando estas vozes ainda poucos conhecem, um jovem secretário-geral da Organização Internacional das Juventudes Socialistas, a voz da juventude portuguesa no Parlamento Europeu. As nossas vozes das regiões autónomas no Parlamento Europeu. Nós não ignoramos a importância que tem ter os Açores e a Madeira no Parlamento Europeu com o André Rodrigues, com o Sérgio Gonçalves. A experiência de mulheres como a Carla Tavares, a Isilda Gomes, a experiência no território, no poder local, frente a frente com o povo, a lidar com os problemas diariamente. Na Amadora, como na área metropolitana de Lisboa, no Algarve, em Portimão, na ANAPS ou no Comité das Regiões, que mulheres que nós apresentamos na Europa, na União Europeia, que lista, que qualidade têm todos os nossos candidatos. Orgulho.

Pedro Nuno Santos a nomear alguns dos candidatos da lista do PS às europeias.

A União Europeia é importante para todos os europeus, ela tem sido determinante pra vida, pra história, pra democracia portuguesa. A consolidação da nossa democracia fez-se com a União Europeia. O desenvolvimento de Portugal fez-se com a União Europeia. Nós temos a consciência da importância que a União Europeia tem pra todos os europeus, desde logo pra os portugueses. Nós somos o partido mais europeísta em Portugal, profundamente europeísta. É por isso que nós podemos ter sempre, em cada momento da história de Portugal e da Europa, uma atitude crítica, ser exigentes. A União Europeia é muito importante pra nós, foi uma das maiores conquistas dos europeus nas últimas décadas, mas ela não é perfeita. Nunca foi, nunca será. Os socialistas europeus em toda a Europa, em Portugal em particular, foram sempre exigentes, sempre exigindo que a Europa seja capaz de se adaptar aos novos desafios, consiga encontrar respostas para os novos desafios e novas abordagens para velhos problemas. Foi sempre assim. Foi sempre assim que nós fizemos, será sempre assim que faremos no futuro. Na dimensão social, nós seremos exigentes, continuaremos a ser exigentes. Os socialistas têm feito, já há algum tempo, têm conseguido dar prioridade à batalha da habitação em toda a Europa. A habitação é um dos maiores desafios. A Marta já aqui pôde falar de grande parte do manifesto, eu queria só fazer alguns destaques. É um dos nossos maiores desafios em toda a Europa, em Portugal também, e nós ainda não o conseguimos vencer. Que ninguém se engane, ele não é um problema nacional. Já não é um problema nacional há muito tempo. Não é um problema só em Portugal, não é um problema nos países governados pelos socialistas, ele é um problema em todos os países europeus, sejam eles governados por socialistas, por conservadores ou por liberais. E não vale a pena fugirmos. Há um problema que ganhou dimensão europeia e que é transnacional Muitos dos desenvolvimentos A liberdade de movimento de capitais e de pessoas, a massificação do turismo, a forma como a política monetária respondeu à crise pandémica, teve consequências. E teve consequências no inflacionamento dos preços, no imobiliário e no setor da habitação. É por isso que pra nós, socialistas portugueses, e já agora socialistas europeus, tivemos esse debate em Portimão, a habitação é um problema que tem também que ter resposta europeia. É um problema nacional ao qual nós nunca fugimos, mas é também um problema europeu que tem que ter resposta europeia. Não é só um problema das populações mais carenciadas, e é por isso que a resposta europeia não pode estar limitada à habitação social. E é por isso que pra nós é fundamental que haja um plano europeu pra habitação acessível, um plano europeu pra habitação pra classe média.

Pedro Nuno Santos, a pôr a tônica no problema da habitação.

Nós entendemos, durante anos, que eram apenas nacionais. À medida que o projeto europeu se vai integrando, se vai avançando, se vai aprofundando, há novas áreas que devem acrescentar à dimensão europeia. Esta é uma delas. A economia, o desenvolvimento econômico de Portugal é outro desafio. Desenvolvimento econômico de toda a Europa, mas de Portugal também. É fundamental garantirmos que o desenvolvimento econômico europeu não é desequilibrado, não é desigual e é harmonioso. Nós temos muito orgulho da importância que o setor do turismo teve pra o desenvolvimento serviços a um país de turismo. Nós queremos ser um país avançado, com indústria, indústria complexa, de valor acrescentado. Nós queremos ser um país com agricultura, e agricultura que produz valor. E nós queremos que a União Europeia garanta que Portugal e que os países periféricos tenham a oportunidade igual de desenvolvimento industrial e agrícola. A Europa tem, desde logo, que garantir que se defende a si própria. A Marta falou em autonomia estratégica, e ela é fundamental. Nunca significou, e não significa para os socialistas, uma Europa fechada sobre si própria, mas uma Europa que não exija mais a si do que exige a quem exporta para a Europa. A Europa tem que ser um espaço aberto, de comércio com o mundo, de troca com o mundo, mas que é capaz de proteger também a sua indústria e a sua agricultura. Não significa fechar-se sobre si própria. Nunca, nunca será esse o destino da Europa, não é assim que os socialistas veem a Europa. Mas nós não queremos que a Europa perca capacidade industrial. Nós não queremos que a Europa perca capacidade agrícola. Isso exige que a Europa seja exigente consigo, mas seja exigente com o mundo, em matéria de proteção ambiental. Porque nós sempre quisemos compatibilizar aqueles que querem lutar contra o fim do mundo, com aqueles que querem chegar ao fim do mês. Isso implica desenvolvimento na Europa, desenvolvimento em Portugal. Continuar o trabalho que temos feito em matéria de inovação, investigação e desenvolvimento, mas sermos capazes também de questionar algumas das regras. A política da concorrência e de auxílios do Estado, que não pode apenas ter exceções para os países mais desenvolvidos e industrializados da Europa. Até agora, a política de auxílio do Estado tem servido para que uma grande parte dos Estados tenha mais dificuldade em apoiar a sua indústria. Mas quando nós vamos ver que há exceções, e quem são os países que beneficiam dessas exceções, nós conseguimos reduzir a esmagadora maioria das exceções a dois países na União Europeia. Nós queremos indústria e queremos indústria avançada em Portugal e a política industrial deve ser inteligente. O desenvolvimento da periferia europeia faz-se com os fundos estruturais, mas faz-se também com política industrial inteligente e seletiva. E nós temos também, não só que defender a Europa, mas defender Portugal na Europa. E reforço a autonomia estratégica da Europa em matéria econômica. A Marta deu exemplos, exemplos concretos para nós visualizarmos daquilo que não pode acontecer. E o investimento que estamos a fazer agora, a Europa, seja nos microchips ou nas baterias, pra que não aconteça o que aconteceu com toda a indústria de painéis solares. É fundamental que esse desenvolvimento venha também pra Portugal, não fique apenas no centro e no norte da Europa. E este é um trabalho que fazem os políticos em Portugal, é um trabalho que fazem os políticos na Europa, é um trabalho que farão também os eurodeputados na Europa. Reforça a autonomia estratégica na economia, reforça a autonomia da Europa também em matéria de política externa. Termos a capacidade, cada vez mais, falar a uma só voz. É fundamental que a Europa se apresente no mundo como uma potência global, capaz de falar a uma só voz, que defenda o multilateralismo, que defenda a diplomacia, que defenda a paz. Continuemos, porque esse será o desígnio também dos socialistas, a apoiar sem hesitação a luta da Ucrânia. A luta da Ucrânia pela sua soberania, com todo o apoio, apoio político, financeiro, logístico, militar. Apoio à Ucrânia sem hesitação. E a defesa da paz, como tão bem tem feito o secretário-geral das Nações Unidas no Médio Oriente, defender a paz no Médio Oriente é exigir um cessar-fogo imediato e defender negociações imediatas assentes na solução dois Estados.

Pedro Nuno Santos enaltece também o papel de António Guterres, a ele próprio antigo líder socialista.

Estão na Europa, em Portugal e no mundo. Nós queremos uma Europa solidária, uma Europa mais social, uma Europa que garanta a todos os Estados possibilidades de desenvolvimento, uma Europa que tenha voz no mundo e uma voz una no mundo. Mas uma Europa democrática, consciente dos desafios e das ameaças que tem hoje. A extrema-direita não é uma novidade pra Europa. Ela chegou tardiamente a Portugal, mas chegou. É um dos maiores desafios que nós temos hoje na democracia, na democracia europeia e na democracia portuguesa. E não tenhamos a menor dúvida, só os socialistas, os socialistas portugueses e europeus, travam, sem hesitação, o combate à extrema-direita em toda a Europa, em Portugal. Só nós, sem hesitação. Enquanto a extrema-direita explora os problemas, os socialistas apresentam soluções. Enquanto a extrema-direita promove a divisão e promove o ódio, a esquerda social-democrata, os socialistas promovem o encontro, a união, porque nós sabemos que só com todos conseguimos resolver. Nós não excluímos, nós não dividimos, nós não fomentamos o ódio. A extrema-direita combate-se em Bruxelas, combate-se em Portugal todos os dias. A extrema-direita combate-se todos os dias com políticas e na ação. Nós não confundimos e não pomos no mesmo plano a direita tradicional e a extrema-direita. Mas nós já sabemos, ao dia de hoje, que já são vários os governos onde a direita tradicional se aliou à extrema-direita pra governar. E nos sítios onde não se aliou à extrema-direita para governar, a direita tradicional tem vindo a incorporar na sua agenda, a agenda da extrema-direita. A diabolização da imigração e dos imigrantes não tem sido feita apenas pela extrema-direita. Ela tem sido feita também por dirigentes e candidatos políticos da direita tradicional em Portugal, que diabolizam a imigração, que diabolizam imigrantes, que confundem imigrantes com insegurança. Não é só a extrema-direita. A desvalorização da crise climática não tem sido só feita pela extrema-direita na União Europeia ou em Portugal. Ela tem sido feita em Portugal por dirigentes do PSD e candidatos a deputados pelo PSD. A agenda contra a família, sim, porque quem tem uma agenda contra a família, quem tem agenda contra o direito a constituir a família que deseja e que ama. Quem tem a agenda contra a família não tem sido só a extrema-direita, ela tem sido corporizada também por dirigentes e personalidades do PSD em Portugal. O mesmo com os direitos das mulheres, com o direito à interrupção voluntária da gravidez, não tem sido apenas a extrema-direita. E na hora, no Parlamento Europeu, se votar o direito à interrupção voluntária da gravidez como direito que integra a Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, essa votação pôde contar com os votos favoráveis de todos os eurodeputados do PS, mas contou com os votos contra de quase todos os eurodeputados do PSD. Pro PSD português e pro primeiro-ministro português que apoiou esse voto dos eurodeputados, o direito à saúde sexual e reprodutiva das mulheres não são direitos fundamentais que mereçam estar na Carta de Direitos Fundamentais da União Europeia. Nós não somos iguais a eles. A extrema-direita quer um retrocesso econômico, social e cultural. Nós não os colocamos no mesmo patamar que a direita tradicional, mas a direita tradicional tem contribuído com o seu discurso e com vários dos seus dirigentes pra se promover esse retrocesso social, econômico e cultural. E esse combate é um combate que nós também vamos travar nestas eleições europeias.

Pedro Nuno Santos, à semelhança do que tinha feito Marta Temido, acolá o PSD à extrema-direita e à agenda da extrema-direita.

E é de uma atitude perante a vida, perante a União Europeia e perante os outros que também se trata. Os direitos das mulheres, o direito dos outros, o direito de quem é diferente da maioria, o direito daqueles que não vivem cá e querem viver e trabalhar, o direito dos outros, o respeito pelos outros, os problemas de uns, como dizia a Marta, serem os problemas de todos. É assim que nós estamos na vida, isso distingue-nos profundamente deles. É assim também na nossa governação nacional. O Partido Socialista não ganhou as últimas eleições. Está no Parlamento Nacional, como nós estaremos no Parlamento Europeu, a defender as nossas posições, a defender a nossa visão da Europa, a defender a nossa visão de Portugal. É isso que nós temos feito desde que fomos eleitos pra Assembleia da República. Com a incompreensão de alguns, com uma incompreensão maior nossa Por constatarmos o desconhecimento do sistema parlamentar e constitucional português. O direito de cada grupo parlamentar, direito não, eu diria mais, a obrigação de cada grupo parlamentar fazer o seu trabalho e fazer tudo para aprovar as propostas com que se apresentou a eleições. O que os socialistas estão a fazer em Portugal é cumprir o mandato que os portugueses lhes deram, com grande sentido de responsabilidade. Os senhores nos perguntam se nós temos orgulho em estar a passar as nossas propostas? Temos. Temos, porque nós sabíamos que elas eram boas para o povo português e que nós, na oposição, tínhamos que fazer tudo, lutar para que elas começassem a ser aprovadas. Os últimos 30 dias do governo português não foram bons. Eles não devem ter orgulho nesses 30 dias. Foram 30 dias de desorientação, onde foi revelada uma grande incompetência política, atroz, assustadora. Um governo de combate, é verdade, como disseram tantos analistas como se fosse uma coisa boa. E nós hoje vemos o que é um governo de combate. Um governo de combate contra toda a gente, um governo de combate contra o governo anterior, que já foi. Um governo de combate contra as oposições, todas elas. Um governo de combate contra a administração, os serviços públicos. Um governo de combate contra gestores com provas dadas. Um governo de combate, é o que ele chama. Só que não era de um governo de combate que nós precisávamos. Nós precisávamos de um governo que governasse, que desse estabilidade e esperança ao povo português. Não é isso que nós temos. Um governo com uma necessidade de desconstruir, desmontar, reverter o que se fez. Um governo sem a capacidade de olhar para frente, de aceitar, apresentar, mudar, reformar. Não é isso que nós temos tido, é isso que nós temos feito, é isso que nós continuaremos a fazer. Ninguém tem dúvidas sobre as nossas alianças, mas há algum cidadão português que tem dúvidas sobre com quem é que nós aliamos ou nos deixamos de aliar? A nossa aliança é com os nossos valores, a nossa aliança é com o povo português, a nossa aliança é com o nosso programa. Quando nós dissemos, e eu tive a oportunidade no discurso, no debate do programa de governo, de dizer que iríamos avançar com cinco medidas de imediato, que constavam do nosso programa eleitoral. E nós temo-lo feito. A primeira foi a eliminação das portagens nas SCUT. Nós temos muito orgulho de termos conseguido esta vitória. É que ninguém se engane, nem sequer há nenhuma rutura com o passado, como alguns tentaram ver. Durante oito anos nós fomos reduzindo, cortando as portagens. E chegou o momento, quando nós nos apresentamos às eleições, de dizermos: "Nós não vamos cortar mais, nós vamos eliminar as portagens, por respeito a uma grande parte do país, a uma grande parte do território." Perdoem-me, eu terminarei, mas é preciso, quando não fazem isso por nós, fazermos nós a pedagogia do que nós fazemos, a explicação do que nós fazemos. A direita fala da importância de reduzir impostos, da necessidade de reduzir impostos. O que é que são as portagens para Castelo Branco? O que é que são as portagens para Bragança ou Vila Real ou Viseu? O que é que são as portagens para a Guarda ou para o Algarve? São impostos à mobilidade em regiões que não têm alternativa, em regiões que não sabem o que é o transporte coletivo e que o mínimo que nós podíamos fazer era justiça ao povo do interior.

Pedro Nuno Santos a virar agora o discurso para as questões mais nacionais também com críticas ao governo e a forma como tem governado nos últimos 30 dias.

E nós estamos satisfeitos e temos orgulho nisso. Como no debate sobre habitação, também conseguimos aprovar o aumento da dedução em sede IRS com as despesas com arrendamento até 800 €. Era uma medida que nós tínhamos apresentado em campanha. Fomos coerentes com o nosso trabalho, apresentamos a nossa medida e ela foi aprovada. É a segunda das cinco. Mas hoje foi aprovada a terceira das cinco. Já não foi por nós, porque o governo, e bem, antecipou-se ao nosso agendamento. O governo, o PSD e quem faz a análise do que os políticos dizem e fazem, toda a gente, a começar nos portugueses, sabiam que esta era uma medida defendida por nós. Não tem mal nenhum. Nós, às vezes, usamos, eu próprio, usar a palavra copiar medidas. Nem é tanto isso. Nós estamos gratos que finalmente, ao fim de 20 anos, ainda dirá a medida concreta, que ao fim de 20 anos, o PSD tenha percebido a importância do complemento solidário para idosos.

Pedro Nuno Santos a referir-se à medida aprovada hoje pelo governo de aumentar em 50 € o complemento solidário para idosos.

O complemento solidário para idosos é uma das medidas mais importantes de combate à pobreza na terceira idade adotada em Portugal. Foi adotada pelo PS, por um governo do PS, por ministros do PS, por primeiros-ministros do PS, com o voto contra do PSD. Finalmente perceberam e ainda bem. Mas o complemento solidário para idosos foi evoluindo ao longo do tempo. As políticas públicas vão evoluindo ao longo do tempo, é assim. E é por isso que para nós era importante também que nós déssemos mais um passo e que se deixasse de exigir, como condição de acesso ao complemento solidário para idosos, os rendimentos dos filhos. Era para nós uma questão de justiça, de respeito para com os mais velhos. Quem tem direito ao complemento solidário para idosos não tem nada que ir pedir aos filhos a sua declaração de rendimentos. Os mais velhos são autónomos e emancipados. Esta proposta era nossa, estava no nosso programa eleitoral, foi defendida várias vezes, foi apresentada no dia do debate do programa de governo. Não estava no programa eleitoral da AD, não estava no programa de governo da AD, mas foi hoje aprovado em Conselho de Ministros e os socialistas estão felizes com isso.

Pedro Nuno Santos a falar então dessas medidas que foram aprovadas hoje no Conselho de Ministros relacionadas com o rendimento social para idosos.

Caras e caros camaradas e amigos, o combate em Portugal é o mesmo que nós travamos e travaremos na União Europeia, sempre com grande respeito pelo povo português, sempre com grande respeito pela União Europeia e pelos europeus, com a vontade de continuarmos a avançar, sem darmos passos atrás, sem aceitarmos nenhum retrocesso a nenhum direito. Com os socialistas, como sempre na nossa história, avança-se. Avança-se na Europa, avança-se em Portugal. Vamos ganhar as europeias para logo a seguir ganharmos Portugal. Boa noite a todos. Viva o PS! Viva a Europa! Viva Portugal!