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virar, vencer esta eleição?
Olá, boa noite. Bom dia, digamos assim, porque realmente em Portugal já é manhã. Ela continua a ter um caminho, mas é um caminho cada vez mais estreito. Ela precisa de vencer a Pensilvânia, o Michigan e o Wisconsin. Sem esses três estados, ela pode perder as esperanças. Portanto, se nas próximas horas recebermos os resultados finais de pelo menos um destes estados, mas sobretudo se for da Pensilvânia ou se for do Michigan, está basicamente decidida a corrida a favor de Donald Trump. Se ela conseguir vencer os três, e por isso mesmo é que continua em aberta corrida neste momento, ainda não temos ninguém declarado como vencedor, nem como potencial vencedor, mas neste momento Donald Trump tem muito mais vias para a vitória e Kamala Harris tem basicamente uma.
Para Kamala Harris precisa dos três, mas Donald Trump pode precisar só da Pensilvânia ou só de Wisconsin e Michigan para chegar a uma vitória, e uma vitória ainda durante as próximas horas, e não a esperar quatro dias como aconteceu há quatro anos.
Exatamente. Se os resultados da Pensilvânia saírem nas próximas horas, quando chegarmos à manhã de quarta-feira aqui nos Estados Unidos, já poderemos ter esta corrida completamente decidida. Se Kamala Harris conseguir este, nem sei como lhe chamar, obviamente, mas realmente é um long shot, um pequeno milagre, de vencer estes três estados, aí sim, podemos ter que esperar pela longa contagem ou o que se pensa que poderá ser uma longa contagem no Arizona. Porque estados como o Arizona, por exemplo, onde neste momento a corrida está relativamente próxima, podem ter de fazer a contagem de todos os votos que foram por correio. Muitos desses votos por correio entraram hoje nas caixas de correio, portanto, podem demorar dias até chegar e depois serem contabilizados. Há essa possibilidade, mas neste momento, sem dúvida nenhuma-
Sendo que a expectativa é que o voto por correspondência, que não dê a vantagem que tradicionalmente dá ao Partido Democrata e aos candidatos democratas. Houve mais republicanos este ano a recorrer a esse método de votação.
Houve um esforço muito grande feito pelo Partido Republicano de consciencializar os republicanos a votarem o mais cedo possível. Fosse nas urnas, nas assembleias de voto, nos estados que o permitiram fazer antes do dia das eleições, fosse por correio. Apesar de Donald Trump basicamente ter passado a mensagem oposta. Mas isto surtiu claramente um efeito, porque, como disse, tivemos muitos mais republicanos a aderir a este método do voto antecipado, seja por correio ou em pessoa, do que na última eleição.
Permita-me, Daniela, só deixar aqui uma informação praticamente de última hora, mas acabo de confirmar este número: Donald Trump já tem mais votos em número, 63 milhões, do que teve na eleição anterior, a eleição de 2016 em que venceu. Mas interromper também porque nesta altura, Miguel Oliveira, temos oportunidade de-
Sim, Cedric Richmond, da candidatura de Kamala Harris, faz a primeira declaração. Vamos escutar a boleia da CNN Internacional.
Ainda há estados onde os votos não foram contados. Vamos continuar a lutar para garantir que todos os votos contam. Não vão ouvir da voz da vice-presidente esta noite. Ela vai estar aqui amanhã para se dirigir aos apoiantes, para se dirigir à nação. Obrigado. Força Harris, um agradecimento, sem que haja aqui uma assunção da derrota do Partido Democrata e de Kamala Harris. Olhando aqui para esta declaração que acabámos de escutar neste momento, Daniela Melo, é algum sinal de sintoma de derrota no Partido Democrata?
É um sinal de ver a realidade como ela está espelhada para o resto do mundo, ou seja, que realmente ainda há uma possibilidade para Kamala Harris poder dar a volta esta noite, mas essa possibilidade é menos provável, porque Donald Trump tem realmente muitos caminhos para a vitória. O que eu ia salientar, e acho que esta mensagem também ajuda a reforçar esse ponto, é que as sondagens estiveram muito acertadas. Tivemos uma corrida tão renhida como parecia realmente que tínhamos e que teríamos, mas Donald Trump conseguiu superar as expectativas. Por quê? Embora, como eu dizia, as sondagens acertaram, basicamente, no quão renhidas seriam estas eleições. Ele conseguiu subir as suas margens de voto em todo o país. É isso que estamos a ver. Até nos estados democratas, ele está a conseguir subir a margem do seu voto. E por isso é que Kamala Harris, neste momento, se encontra na posição que se encontra. Ela contava com umas margens mais a seu favor em alguns desses estados. Por exemplo, ela contava Com um voto feminino que fosse tão superior a seu favor que pudesse depois colmatar alguns problemas que tivesse com o voto árabe ou com o voto branco da classe operária. E isso não se manifestou. O que vimos realmente é que a aposta nas mulheres, no voto feminino e na questão do aborto como agente mobilizador, parece não ter funcionado como Kamala Harris e como a sua campanha pensavam que funcionaria.
Houve uma estratégia errada por parte da campanha democrata?
Sim, as estratégias são sempre umas apostas, não é? Foi essa a aposta e o que estamos a ver é que essa aposta basicamente falhou. Eu, por exemplo, comecei a prestar aqui atenção aos números que temos das sondagens à saída da boca das urnas e há aqui a possibilidade dessa aposta na questão do aborto, na questão dos direitos reprodutivos, no apoio feminino, de ter tido um backlash, de ter tido um efeito que não foi previsto pela campanha de Harris. E por que eu digo isto? Porque se formos olhar para as sondagens à boca das urnas, vemos que Donald Trump ganhou o voto de 61% dos protestantes evangélicos. Se olharmos só para os evangélicos, então é acima de 80%. E 56% do voto católico. Uma das leituras possíveis é que este é um voto de reação. Que ela acabou por perder este eleitorado e não vemos as diferenças que ela esperava ver, por exemplo, nos jovens, nas pessoas que estão a votar pela primeira vez.
Nós tínhamos lido esse dado, que os jovens até estariam a votar mais em Donald Trump do que em Kamala Harris. Esse dado foi dado pelo Associated Press durante a madrugada.
Exato. No fim da contagem, isso até pode acabar por mudar, obviamente, mas os números que eu tenho à boca das urnas são que cerca de 44% dos jovens votou em Donald Trump. Mesmo se o número foi superior do lado de Kamala Harris, aí é que está: aqui o importante eram as margens. Numa luta tão renhida, ela precisava de margens mais largas em vários destes setores. Por exemplo, o voto negro nos Estados Unidos esteve claramente ao lado de Kamala Harris. De todos os grupos, foi o que mais apoiou a candidata. Mas mesmo assim, temos uma descida de cerca de 10 pontos em relação ao apoio que esse mesmo segmento teve quando era Biden. 88% votou por Kamala Harris, mas Biden tinha conseguido quase 98%. Aí é que está, esta é uma história das margens. Ela não conseguiu realmente trazer e mobilizar tanto desse eleitorado como precisava pra marcar a diferença. E a mensagem de Donald Trump acabou por provar, mesmo que isto mude, mesmo que ela ganhe a Pensilvânia, Michigan e Wisconsin, há aqui uma lição forte sobre o tipo de mensagem que os republicanos passaram nestas questões e o tipo de efeito que isso acabou por ter no eleitorado. O eleitorado à direita reagiu realmente a este discurso sobre a cultura, sobre a mudança da cultura, sobre o ataque à família, sobre a mudança woke do Partido Democrata. Temos aqui indícios que apontam realmente para o sucesso desse tipo de campanha da parte de Donald Trump.
Um apelo ao lado mais conservador do eleitorado.
Exatamente.
Dar a conta que neste momento, só a informação de que há muita gente a aproximar-se do local onde Donald Trump, Palm Beach, passa esta noite eleitoral. Aguarda-se um discurso do candidato nos próximos minutos. Nós ouvimos há pouco que a candidatura de Kamala Harris anunciou que a candidata não vai falar durante a noite. Em Portugal, sim, já estamos a entrar no período matinal, mas nos Estados Unidos, nas principais cidades, principalmente na costa leste, são nesta altura praticamente meia-noite e meia, uma da manhã. Aproximamo-nos da uma da manhã nesta altura. E olhando para o posicionamento de Trump, prepara-se para falar nos próximos minutos. Nós em 2020 vimos um discurso também mais ou menos a esta hora de Donald Trump a anunciar de imediato vitória. Isso acabou por não acontecer. Desta vez, a fazer isso, vai estar mais confortável, Daniela Melo?
Sim, eu diria que sim. Neste momento, há realmente um zeitgeist que está a favor de Donald Trump. Ele parece imbatível esta noite, mas aí está, ainda é precoce. Ainda é muito precoce, porque eu vejo, por exemplo, que na Pensilvânia ainda falta cerca de 10% do voto, mas sobretudo em zonas como a Filadélfia, esburbs da Filadélfia, que pendem muito à esquerda. No Michigan ainda falta quase metade do voto e no Wisconsin também ainda falta cerca de 16% do voto e nos três estados esse voto está a entrar de áreas que são mais favoráveis aos democratas do que aos republicanos. Qualquer anúncio de vitória neste momento é sem dúvida precoce, mas até certo ponto expectável, dado o historial de Donald Trump.
É cedo para cantar vitória. O que falhou na campanha democrata? O fato de Kamala Harris ter assumido a candidatura democrata à Casa Branca demasiado tarde terá, de alguma forma, contribuído para este previsível desfecho eleitoral?
Com certeza, Kamala Harris teve muito pouco tempo para fazer tudo que outras campanhas fazem ao longo de praticamente dois anos. Portanto, de se apresentar ao eleitorado, de decidir quais seriam as suas medidas, as suas políticas e apresentá-las ao eleitorado. E depois houve também muitas outras diferenças nesta campanha, que foi realmente inédita. Por exemplo, só tivemos um debate entre os dois e quando esse debate correu relativamente bem a Kamala Harris e a Donald Trump, a sua campanha, de forma muito astuta, previu que outros debates poderiam ser negativos para o candidato. Portanto, recusou-se a ter outros candidatos. Isso retirou o protagonismo a Kamala Harris e retirou-lhe outras oportunidades de realmente se diferenciar deste candidato.
Para terminar, Daniela Malo.
Outra leitura possível é que ela não se conseguiu apresentar como realmente uma candidata de mudança a sério. Todas as suas medidas foram muito incrementalistas. Ela não se conseguiu descolar de Biden e esse pode ter sido um problema vital com este eleitorado.
Daniela Malo, muito obrigado por ter estado conosco nesta emissão especial. Em Portugal continental já se faz manhã. Ainda boa noite. A noite ainda vai ser longa, mas tudo aponta para uma vitória de Donald Trump. Para já, os resultados dão 230 delegados para Donald Trump, 246 se contarmos já com a projeção da CNN Internacional, que indica que Donald Trump vence na Geórgia. Kamala Harris soma para já 210 e, portanto, o número mágico é 270. Donald Trump está cada vez mais perto