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Matt Kufte, muito bem-vindo a esta emissão da Rádio Observador. Estamos a acompanhar, a pari-passu, as eleições nos Estados Unidos. Há pouco fazíamos aqui referência a esta tendência com o Partido Republicano precisamente a liderar em alguns estados considerados absolutamente decisivos para o desfecho desta eleição. O caso da Geórgia, o caso da Carolina do Norte e o caso também da Pensilvânia, onde o Partido Democrata liderou durante largas horas, mas nos últimos minutos Trump passou para a frente. Pergunto-lhe, bem-vindo, boa noite, se são bons indicadores na perspectiva do Partido Republicano.

Sim, acho que é um bom sinal até agora, mas a grande questão é que ainda não está a votar neste momento, porque é muito normal nos Estados Unidos que as zonas rurais votam ou os seus votos são contados mais cedo durante a noite e é bem possível que ainda há muitos votos nas grandes cidades, como Filadélfia, que ainda não estão contados. Por isso eu acho que é um bom sinal, mas se calhar é demasiado cedo para dizer se é realmente uma boa coisa.

Matt Kufte, é para si, de alguma forma, uma surpresa este melhor desempenho do Partido Republicano e de Donald Trump nestas eleições?

É uma boa pergunta. Acho que, na verdade, eu estou um pouco chocado, porque sinceramente eu sempre pensava que havia mais votos para Kamala Harris, pessoalmente. Mas sim, é um bom sinal. O que eu li é que até agora o Trump tem o melhor reports de ganhar Carolina do Norte e Geórgia, e eu pensava que era muito bem unido, mas parece que ele tem, por o momento, uma vantagem nesses estados.

O que é que o faz votar no Partido Republicano? Há algum receio, particularmente aqui na Europa, sobre aquilo que possam ser as consequências de uma eventual vitória de Donald Trump nas eleições. O que é que o faz, a si, votar em Donald Trump e no Partido Republicano?

O Donald Trump é um candidato que tem muitos falhas de caráter. Isto é claro. Sinceramente, eu não concordo com muitas de suas propostas. Mas dito isto, a grande questão nos Estados Unidos é a imigração ilegal, também a economia, e para muitos americanos esses são os temas mais importantes neste momento. E eu acho que por esta razão, há muitos americanos que votam por Donald Trump neste momento.

Perguntava-lhe também, Matt Kufte, se de facto concorda com esta ideia de que houve uma viragem à direita nos últimos anos nos Estados Unidos e a que é que se fica a dever essa viragem?

Sim, isso é verdade. Eu li esta semana, não me lembro exatamente as cifras, mas havia mais pessoas que dizem: "Sim, eu sou republicano que democrata". E isso, na minha maneira de pensar, é muito relacionado com a inflação e a situação económica. Como em Portugal, havia imensa inflação nos últimos anos nos Estados Unidos e o resultado é muitas pessoas terem uma menor qualidade de vida do que tinha durante o período de Trump. Muitas pessoas neste momento estão a pensar como era a sua vida há quatro anos atrás e por isso estão a votar mais para os republicanos.

As questões económicas motivarem esta viragem mais à direita?

Sim, é isso.

Matt Kufte, estamos quase de saída. Vai acompanhar durante o resto desta noite eleitoral o desenvolvimento das eleições norte-americanas?

Sim. Esta noite acho que eu vou ficar a ver os resultados durante toda a noite. Para os americanos é uma coisa importante e acho que é uma noite que quase ninguém nos Estados Unidos vai dormir. Pelo menos não vai dormir muito bem.

Matt Kufte, muito obrigado pela sua presença nesta emissão especial da Rádio Observador