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Isto é para a história. Isto é mesmo para a história.
Acha que em agosto já não está aqui para a próxima peregrinação?
Não sei. Vamos a ver, a gente vai tentando, mas se não der, a gente se vai. Olha, não se pode dizer nada.
Portanto, peregrinos, aqui em maio, costumam começar a chegar dia nove, dia 10?
Já vão sempre chegando. Uns vêm e depois vão-se embora e vêm outros, vêm cumprir as promessas.
O que é que vende mais? É as velinhas?
Vende-se velas, lenços, por exemplo. Amanhã vendi bastantes lenços para o adeus.
Para o adeus, claro. Então não lhe passou pela cabeça, por exemplo, começar a vender máscaras?
Não. Para isso tinham que ser certificadas também.
Pois.
E a gente não tem.
Não tem isso. Então agora, hoje ainda não vendeu nada?
Hoje ainda não vendi nada. Ontem não vim, no domingo estive aqui, não vendi nada. O que é que a gente está aqui a fazer? Mas pronto. Lá em casa também penso assim: "Se calhar, se lá tivesse..."
Ainda vende qualquer coisinha.
Está tudo fechado. Hoje é que está mesmo tudo fechado, não deixam passar para lá ninguém.
Fecharam a que hora? À hora de almoço, mais ou menos, ou ainda antes?
Antes do almoço.
Antes do almoço.
Antes do almoço. São ordens, têm que ser cumpridas.
Mas, por exemplo, quando viu aquilo lá no 1º de Maio, em Lisboa, aquela manifestação, acha que podiam ter feito aqui uma coisa parecida?
Exatamente. Evitavam ter fechado tudo. Assim havia controle. Haviam estado muita gente. Agora aguardam um bocadinho, há pessoas a sair, depois não entram, mas para encher isto também é preciso vir muita gente e as pessoas não vêm. Umas porque não podem, outras porque financeiramente não podem, e outras porque já não vêm, porque o pessoal não estava a contar vir.
Claro, assim nada.
Mesmo nada.
O seu plano, se não vender mais nada entretanto, fecha agora? Fecha por hoje?
Eu vou-me embora. Está aí o marido, é capaz de ficar mais um bocadinho, mas não vale a pena.
Acha que, pelo que tem visto nestes últimos dias, tem vindo aqui muita gente?
Não.
Tipo tentar espreitar?
Não. Acabei de dizer que estive aqui no domingo e no sábado, fiz zero.
Zero.
E estava aberto. As pessoas não vêm. Não sei, têm medo, também.
Tem estado muita polícia?
Ultimamente, é.
Mas não tem havido assim, quer dizer, está pacífico?
Sim, as pessoas compreendem. Têm que compreender, não deixam passar, não deixam passar. É as ordens que eles têm.
E não vai tentar espreitar a missa logo à noite? Ou vê em casa na televisão?
Vou na televisão, aqui não dá para ver. Nunca na minha vida vi isto assim. Há 60 anos, vou fazer 70, já tenho 70. Há 60 anos passados por mim, nunca vi isto. 60! Que já é bem-
Sessenta anos a viver aqui em Fátima. Nasceu aqui?
A cinco quilómetros.
Nasceu aqui a cinco quilómetros. E há 30 anos que vende aqui...
Há 30 anos que estou aqui na minha lojinha.
E o que é que vende mais aqui? É as velas ou é as esculturas nessa semana?
Se as pessoas vierem, levam sempre uma lembrancinha, nem que seja pouquinha, mas agora não vêm.
Hoje, já vendeu alguma coisa?
Nada, absolutamente nada. E ontem, nada. E os outros dias não tenho vindo.
É assim, com o santuário fechado, também ninguém pode ir ali queimar as velas.
Eu tenho uma empregada, que termina o contrato a 17 de março. E ela agora tem estado um ano com desemprego, não vale a pena vir para aqui ainda, mas é de acordo comigo. Foi a outra vez que eles fizeram. É assim. Se isto estivesse bom, estava tudo aberto. Agora não está, não vale a pena, não vem ninguém, ninguém, portas fechadas.
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