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Sr. Primeiro Ministro, Dr. Luís Montenegro, Sr. Ministro da Defesa Nacional e Presidente do CDS, Rutu Melo, caros membros do Governo que aqui estão, é difícil não ter ou não reconhecer um amigo junto de vós. Sr. Secretário-Geral de Partido, caros membros da delegação do PPE na legislatura anterior que aqui estão presentes, caro Presidente do PPM, claro está, eu não me ia esquecer. E caro Dr. Francisco Balsemão, é uma enorme surpresa tê-lo aqui, uma enorme honra, um enorme privilégio. Eu há uns meses dei uma entrevista onde dizia que nunca iria pra política, porque me comovo facilmente. Sou uma pessoa sentimental, sou uma pessoa que gosta de pessoas. E, portanto, neste momento estou a tentar encontrar as palavras certas por ter aqui diante de mim e diante de nós, junto de nós, a apoiar esta candidatura. Não encontro as palavras certas. E sendo que as palavras costumavam ser a minha profissão, acabo por fazer um pouco má figura. Mas não encontro as palavras. Antes de ir à intervenção sobre o programa e agradecer a vocês todos, caras conhecidas e as caras menos conhecidas que aqui estão, aos meus amigos, à minha família que aqui está presente, aos senhores jornalistas, ao lado de quem estive até há muito pouco tempo. Mas antes disso, e em tributo à presença do doutor Balsemão, se calhar tenho que contar uma história que não está aqui no discurso e se calhar não vai correr bem, mas eu vou contá-la na mesma. Em 1975, 76, logo a seguir ao 25 de abril, um jovem casal de 18 anos casou e teve uma filha. Essa filha era a minha mãe. Esse jovem casal tinha um quiosque, vendiam jornais. E o meu avô era militante do PPD/PSD. E a dada altura quis mudar de vida, porque era uma pessoa com uma grande dinâmica, ainda hoje é, e decidiu que queria aprender línguas e conhecer a Europa. E então ele ofereceu-se num anúncio de emprego, mas era ele a oferecer-se, não era ele a responder ao anúncio. Foi ele que colocou o anúncio a oferecer-se pra ir trabalhar numa agência de viagens e colocou esse anúncio no Expresso, que era o jornal que ele lia e ainda lê hoje. E desde então, começou a trabalhar em agências de viagens, em agências de turismo, onde terminou sua carreira, hoje em dia está naturalmente reformado. Mas tudo isso aconteceu por causa de um anúncio publicado no jornal do doutor Balsemão, no Expresso, em 1975. Portanto, não me esqueço disso e o meu avô também nunca mais se esqueceu, porque comprou sempre o Expresso a partir daí. Portanto, é com grande sentimento que o vejo aqui, doutor, e pra minha família esse é certamente um momento que não esqueceremos. Muito obrigado.
Uma parte improvisada do discurso também pela presença de Francisco Pinto Balsemão, militante número um do PSD.
Por tudo que fez pela Europa em Portugal, por tudo que fez pela liberdade de imprensa e, sobretudo, obrigado por uma coisa que me ensinou nos meses em que tive a sorte de estar mais junto de si, que foi que nunca devemos desistir do futuro. O senhor doutor é fundador da nossa democracia e cada vez que nos cruzávamos, falávamos da inteligência artificial. Acho que isso é prova de como o senhor doutor é uma inspiração diária pra todos nós jovens, que nunca devemos desistir do futuro e que nunca devemos deixar que nos digam que o futuro não é suficientemente bom ou interessante pra nos dedicarmos a ele. Muito obrigado, senhor doutor.
Sebastião Melo que antes de aceitar este desafio, era colaborador do Expresso e também da SIC.
E então ao discurso. É mesmo com uma enorme alegria, como já puderam ver, que estou aqui hoje, neste Dia da Europa, que hoje acontece aqui em Portugal. E é com uma enorme vontade que aqui estamos, todos os membros da lista, a quem agradeço a presença, porque vêm de todas as partes do país. Agradeço estarem aqui na apresentação do nosso programa. É com enorme vontade que nós estamos aqui hoje, no Centro Cultural de Belém, que já foi a sede de muitas coisas, inclusivamente de uma presidência portuguesa da União Europeia, pra darmos este segundo passo da nossa candidatura ao Parlamento Europeu, à apresentação do nosso programa, do nosso manifesto eleitoral. Ele apresenta-se com uma ideia clara de um futuro em comum. Nós queremos, viram agora no vídeo, trazer o melhor da Europa pra Portugal e queremos procurar o melhor pra Portugal na Europa. Pra o fazermos, pra o conseguirmos, estamos convencidos que precisamos de uma voz que oiça, mas que também se faça ouvir. De uma voz que seja pela mudança, não pelo valor da mudança em si, mas pelo que ela procura melhorar na vida concreta das pessoas. Essa é a nossa mensagem, essa é a mensagem da AD. Uma voz que defenda a democracia na Europa sem hesitações, sem contemplações, sem medos. Uma voz que represente futuro, mas que não esqueça nenhuma lição do passado, nem do mais antigo, nem do mais recente. Uma voz que consiga um Portugal forte na Europa e uma Europa forte no mundo. Essa voz só será possível convosco. Essa voz só existirá se também for vossa. Essa voz só valerá a pena, só será ouvida e capaz de ouvir, se estiver ao vosso lado, de vocês que estão aqui conosco, se for feita em vosso nome, se levar à Europa as aspirações, as ambições e a esperança de um Portugal melhor, porque é esse Portugal que nós queremos. É nessa Europa que nós acreditamos. Um Portugal que não quer voltar pra trás e uma Europa que sabe que tem que olhar em frente, de cabeça erguida. Caro Carlos Moedas, este é um apoio que tem pra mim todo o significado, desde as nossas raízes alentejanas em comum, ao fato dos nossos dois pais terem partilhado a mesma profissão, foram os dois jornalistas, à forma desprendida, livre e humana de olhar a política que o Carlos Moedas tem e que ainda agora nos mostrou na sua intervenção. Mas, sobretudo, porque em 2021, nas últimas eleições locais O Carlos Moedas nos deu um exemplo de que não devemos fugir ao risco quando ele nos chama a servir. Um grande exemplo. Obrigado, Carlos.
O agradecimento agora a Carlos Moedas, o Sebastião Gal que apresentou o livro recentemente lançado pelo autarca.
O teu apoio tem para mim também todo o significado, apesar de não nos conhecermos há 10 anos, como é o caso do presidente da Câmara de Lisboa, mas por outra razão. Quando te ouvi no Parlamento há dias, a olhar a liberdade como algo que é contínuo e inacabado, pensei mesmo que era essa vontade de não desistirmos daquilo que é melhor, de lutar por aquilo que está certo, que nós precisávamos levar nesta candidatura. Quando tu disseste que não deve haver uma fronteira, um muro entre a política e o povo, eu tive a certeza que era essa coragem que nós queremos ao nosso lado, é essa coragem que nós queremos representar. A coragem de não dividir o país entre eles e os outros. A coragem de olhar a política como a atividade nobre daqueles que servem e não daqueles que se procuram servir. Nós, amigos e amigas, não temos medo da palavra política, porque nós fazemos política pelas políticas, pelas pessoas, pela esperança de um futuro melhor. Nós não temos medo de nos dizer políticos e de nos dedicar à política, porque nós sabemos que o fazemos pelo melhor, pelo país, pela Europa, por uma boa causa. Por isso, obrigado, Ana Gabriela, por estares aqui conosco e por seres a nossa mandatária da juventude.
Será a mandatária para a juventude e fez, como o Sebastião Gal referia, o discurso do 25 de Abril do PSD no Parlamento.
Cara Lídia Pereira, também já nos conhecíamos há uns anos e eu, mesmo que à distância geográfica e não só, tenho que dizer que não houve um dia em que eu não sentisse um grande orgulho, um profundo orgulho pelo modo como tu defendeste os jovens europeus nestes últimos cinco anos. Como tu te empenhaste a fundo todos os dias e como ninguém naquele Parlamento, na nossa geração, para trazer a sustentabilidade à economia e ao ambiente, sem que um e o outro não se anulassem na necessidade que ambos têm de mudar, de evoluir, de se reformar. Muito obrigado, Lídia, por teres aceitado coordenar e ser a porta-voz do nosso programa. É uma grande honra para mim. Obrigado, Lídia. Caro Paulo Rangel. Esta é uma candidatura que herda mesmo, em primeira mão, um patrimônio que é seu. Foi o de ter garantido que quando se ouvia a palavra Europa em Portugal, toda gente sabia de quem era a voz que tinha proferido a palavra Europa. Era a sua voz. É a sua voz. Foi a sua voz em 2009 contra um governo que não levou Portugal a bom porto. Foi a sua voz em 2014, como um primeiro sinal de esperança para o país, depois de um resgate financeiro que todos sabemos que foi duríssimo. E foi a sua voz em 2019, contra um primeiro-ministro que se ameaçou demitir duas semanas antes das eleições europeias, como se elas não existissem, como se não servissem para nada. Foi a sua voz, Paulo Rangel. Foi a voz do Paulo Rangel, ou foi com a voz do Paulo Rangel, que a palavra Europa tocou não uma, não duas, mas três vezes na consciência cívica dos portugueses. É também graças a si, num jeito de tributo, que aqui nos apresentamos com este programa. Porque também nós, como Paulo Rangel antes de nós e como Paulo Rangel conosco, vamos procurar que a Europa se abra ao mundo antes que o mundo se feche à Europa, em favor do Estado de Direito na Hungria, na Polônia e em Malta, em defesa dos direitos humanos na Venezuela, em Cabo Delgado, antes de todos, e na Bósnia. Meu caro Paulo Rangel, é com gratidão hoje, aqui, que carregaremos essa chama de liberdade que durante 15 anos o Paulo manteve acesa no Parlamento Europeu. Obrigado, Paulo.
Paulo Rangel, foi o cabeça de lista do PSD nas últimas três eleições europeias, agora também com grandes responsabilidades na diplomacia.
Os pais fundadores, não da democracia, mas da Europa enquanto construção, disse um dia que a União Europeia foi o sonho de poucos para se tornar a esperança de muitos. Hoje em dia ela é o imperativo de todos nós. Na transição digital, que queremos disruptiva, mas atenta aos mais velhos. Na transição energética, que queremos sustentável, mas atenta aos desafios geopolíticos e sem deixar ninguém, do ponto de vista social, para trás. Nós queremos mesmo, atenção, nós queremos mesmo, num mundo em guerra, ser um continente de paz, num planeta que polui, ser uma Europa verde, numa democracia, quando estiver em risco, nós escolhemos continuar democratas. Nós vamos mesmo trabalhar para conseguir isso: uma Europa que cresce, que protege, que cuida e que cumpre. Caros amigos, os muros da Europa são conhecidos e alguns deles já antigos. Há e houve sempre um muro que separa aqueles que acreditam daqueles que preferem não acreditar. Um muro que separa aqueles que preferem a paz, àqueles que defendem, mesmo que dissimuladamente, a guerra. Um muro entre os que preferem destruir e os que ambicionam, de fato, construir alguma coisa que faça qualquer coisa pela vida das pessoas. Mas há também um muro mais recente, mais perigoso e talvez até mais invisível. Um novo muro, se quisermos pôr as coisas assim. É o muro que divide os que querem a mudança apenas para a proclamarem e os que pensam a mudança porque a querem fazer e colocar ao serviço das pessoas. Esse é o muro dos dias de hoje. E eu quero deixar aqui claro: a nossa candidatura apoia e compromete-se com as transições que preparam a Europa para o futuro, mas não deixará a Europa desprotegida, nem mais pobre, nem mais isolada em nome de nenhum ideal A verdadeira transição no digital e na energia só é sustentável se for feita, concebida e mantida no espaço europeu. A transição para ser transição tem que ser nossa. Na economia, a imposição de regras, de burocracias, de investimentos em infraestruturas, se for desproporcional, se não for racional, se não for com pés e cabeça, vai levar a dois caminhos, ambos maus e ambos derrotas para todos nós. O primeiro caminho, a primeira possibilidade, que nós não queremos, que nós combateremos, seria a de concentrar a tecnologia verde, que desejamos, nos países mais ricos, que nós não somos, porque são esses países que têm mais capacidade de investimento nessa tecnologia e de cumprir com as imposições, se forem excessivas. O outro caminho era, em vez de concentrar a transição verde nos países mais ricos, fazer o oposto. Era levar os investimentos de que a Europa precisa para crescer, e nós também precisamos aqui em Portugal, para fora do espaço europeu, onde há menos regras, mas seria o mesmo planeta a ser poluído. Nenhum dos dois caminhos é uma solução. Essa também é uma mensagem da nossa candidatura e do nosso programa que aqui apresentamos. Sem equilíbrio, sem moderação, sem ter as pessoas e as desigualdades entre Estados-membros e entre cidadãos em conta, é impossível cumprir a transição verde sem acontecerem duas coisas que não interessam a um país como o nosso, que é: ou perdemos investimento para outros Estados-membros mais ricos, ou perdemos investimento para fora da União Europeia e o planeta continua a ser poluído, mas fora das nossas fronteiras. Nós rejeitamos ambas. Nós queremos investir em Portugal, queremos fazer a transição verde em Portugal e queremos proteger as atividades econômicas portuguesas ao lado da transição, não apesar da transição e não contra a transição.
Agora na parte mais programática e com um tema que tem grande interesse, sobretudo entre os mais jovens.
É nessa noção, muito presente, muito concreta, de realismo e bom senso, que nós queremos levar à Europa e que queremos devolver à política, porque a política também precisa disso. Na agricultura, na inovação, na inteligência artificial, aos olhos do doutor Balsamão, na defesa e no Estado Social, aos olhos de todos os portugueses e todos os europeus. Vou dar exemplo concreto. No Pacto Europeu de Migração e Asilo, que foi aprovado há pouco tempo, nós aplaudimos e contribuímos para o seu sucesso na nossa família política, no PPE. Contribuímos para ele no seu debate, na sua construção e para a sua aprovação. Mas nós queremos mais. Nós queremos mais, fruto do nosso bom senso e do nosso realismo. Nós queremos, por exemplo, reforçar os mecanismos de imigração legal neste pacto, porque é assim que garantimos, é assim que temos a certeza que a imigração ilegal diminui e que a imigração não fica entregue à redes de tráfico humano. Só criando os mecanismos certos para a imigração legal, democratizando-a, fortalecendo-a e regulando-a, é que garantimos que combatemos realmente a imigração ilegal. É impossível combater a imigração ilegal sem uma imigração legal que seja levada a sério. E nós vamos levá-la a sério.
Também a não fugir ao tema da imigração, já referido por Carlos Moedas.
Pelo engenheiro Carlos Moedas, nós estamos comprometidos e bem cientes da necessidade de aumentar as capacidades de financiamento do orçamento europeu e propomos mais. Propomos aqui o alargamento da Força Operacional Rápida Europeia, que já existe, como sabem, para um novo mecanismo europeu que também inclua médicos e enfermeiros militares, que sejam capazes de socorrer soldados que defendam a Europa e que sejam capazes também de atuar em campos de refugiados onde isso seja necessário e possível. Nós, em Portugal, não nos esquecemos do que fizeram por nós e é por isso que queremos fazer pelos outros. Se nós tivemos bombeiros espanhóis empenhados no combate aos incêndios no nosso país em 2017, se nós tivemos médicos alemães empenhados no combate à pandemia quando ela cá esteve, é com orgulho que nós, portugueses, nós, europeus, ajudaremos a salvar vidas e a defender vidas dentro e fora do nosso continente. No futuro, e é de futuro que estamos aqui a tratar, e é do futuro que nós vamos tratar na Europa, no futuro, nós temos ao mesmo tempo que desafiar o impossível e ao mesmo tempo que fazer o melhor dentro do possível. Esse é um futuro que nós queremos e esse é um futuro para o qual nós queremos estar preparados. Olhando para trás, foi assim na pandemia, quando emitimos dívida em conjunto e adquirimos vacinas em conjunto, quando ninguém acreditava que isso algum dia aconteceria. Foi assim também na resposta à bárbara invasão da Ucrânia, com pacotes de apoio financeiro e sanções aprovados em sucessão e com unanimidade no Conselho Europeu. E será assim em toda e qualquer crise que teremos de preparar antes que surja. A Europa foi sempre mais forte depois das crises. Agora é o tempo de a Europa estar forte antes das crises chegarem. Será assim no espaço e na inovação espacial, de que eu já falei, que já representa, para termos uma ideia, 230 mil empregos na União Europeia. Eu recebi alguns galhardetes, algumas críticas por ter falado do espaço e das nossas ambições. Em Portugal, nós temos uma Agência Europeia do Espaço. Na Europa, há 230 mil empregos que já advêm da indústria de inovação e pesquisa espacial. Portanto, se existem 230 mil empregos na Europa com este setor, por que nós aqui em Portugal temos que ter medo e rir de algo que também pode ser nosso, de algo que também podemos construir em conjunto? Só para sorrirmos um cadinho diante da maldade alheia. A pesquisa espacial, a indústria do espaço na Europa já vale, por via indireta, 10% do PIB. Se parte desses 10% for crescimento econômico português, por que não? Se parte desses 10% forem empregos para jovens portugueses, por que não? Se parte desses 10% ajudarem a elevar os salários em Portugal, a comprar casas em Portugal, a ter acesso a cuidados de saúde e a uma boa escola em Portugal, por que não? Por que não devemos olhar para o céu e estarmos constantemente a olhar para os nossos pés? Para quê? Por quê?
A responder aqui a críticas que recebeu depois de, no primeiro discurso, ter referido o sonho de ir a Marte, que a Europa deve liderar.
Voltando a áreas mais terrenas e talvez, por enquanto, pelo menos, mais concretas, também é com esta noção de realismo, bom senso e vontade que vamos olhar para a habitação. Nós sabemos, e essa é a posição da nossa família política, que a habitação é uma competência nacional dos Estados. E também sabemos quem é que falhou em executar o PRR a tempo de dar resposta a essa crise de habitação ao ritmo que deveria. Nós também sabemos. E não esquecemos.
O ataque ao PS aqui a fazer ouvir aos anos muito bem, do fundo da sala.
Apesar de não movermos a nossa pressão pra executar o PRR, independentemente de quem esteja no governo, portanto, a exigência que eu vi na oposição à execução do PRR é a exigência que eu vejo todos os dias que este governo coloca a si próprio na execução do PRR, em particular na habitação. Nós, apesar de na Europa mantermos essa posição, e também termos os pés bem assentes na Terra, de que é uma competência nacional dos Estados, nós queremos fazer um pouco mais. Nós queremos procurar na Europa regras a flexibilizar para em devido tempo respondermos à crise habitacional, que se vive em todo o continente, não é só em Portugal. Como é que o vamos fazer? Desde o lançamento de projetos piloto ao incentivo à criação de mecanismos que venham animar o mercado, porque a crise da habitação também se responde com a ajuda do mercado. É um erro procurar soluções só de um lado ou só do outro. Mas quero aqui deixar claro, e é um compromisso que é pra minha geração, mas não só, porque a crise habitacional afeta todas as gerações, todos os estratos sociais, todas as regiões, é transversal na sociedade portuguesa e europeia. E simbolicamente, mas com vista a colocar em prática soluções que venham resolver esta crise, quero anunciar aqui que nós defenderemos o direito à habitação e a elevação do direito à habitação na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia. Nós vamos mesmo universalizar este direito. É um direito que já integra a Carta Social Europeia para os mais desfavorecidos, e nós comprometemos aqui hoje com o eleitorado português e com os cidadãos europeus a universalizar este direito na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, porque sabemos que ele merece dignidade própria e uma atenção política especial. Nós vamos dá-la.
Uma das bandeiras deste programa, inscrever o direito à habitação na Constituição Europeia, chamemos de assim.
Continuando a apresentar aqui parte, e apenas parte, do nosso programa, que nós defenderemos algo sem precedente. Nós defenderemos a criação de um cartão único europeu, a que sugeriremos chamar o Plus 65 ou Plus Sixty-Five, consoante a língua que preferirem, que dará acesso rápido e privilegiado a todos os cidadãos europeus com mais de 65 anos, em serviços públicos, nos aeroportos, em infraestruturas de transporte, por exemplo, em transportes públicos, em museus, espetáculos ou eventos desportivos. Porque nós sabemos, e nós queremos, que conosco, aqueles que cuidaram de nós, vão estar sempre em primeiro lugar. E é deles que nós vamos cuidar em conjunto.
Outra aposta deste programa, esta virada para os seniores, este cartão único europeu.
No nosso programa, além desta inovação a que chamaremos o Plus Sixty-Five, iremos ao mesmo tempo criar uma rede de apoio financeiro europeu a lares e comunidades envelhecidas. Nunca mais no século XXI, um cidadão europeu terá vergonha de ver lares na televisão. Nunca mais, e trabalharemos para isso durante estes cinco anos, teremos medo de colocar os nossos pais num lar, se assim tiver que ser. Nunca mais, se assim tiver que ser, quando formos visitar os nossos avós, os nossos bisavós, a nossa família mais envelhecida à sua terra, nunca mais, com a ajuda deste programa de apoio financeiro europeu, transversal aos estados membros, faremos tudo para encontrarmos aldeias com vida e não aldeias apenas com memória. Faremos tudo para encontrar aldeias com cuidados e não apenas aldeias com aflição. Faremos tudo para os mais velhos terem a dignidade daquilo que nos deram. Faremos tudo para devolver em educação, em atenção e faremos tudo para devolver em cuidado o que tivemos em carinho. Esse é o nosso compromisso com os mais velhos. É este sonho entre regiões, entre idades, entre histórias de vida, que nós vamos defender na Europa. É desse sonho que nasce o modo de vida europeu e é em nome desse modo de vida europeu, é em nome dessa Europa, é em nome desse sonho que nós nos apresentamos. Esse é o sonho que faz com que um mecânico possa ter uma filha que vai pilotar aviões. Esse é o sonho que faz com quem corta relva pra viver possa ter um filho que vai ser um futuro goleador. Esse é o sonho que faz com que o neto de um ardina possa vir a ser jornalista. Esse é o sonho que faz com que a filha de uma professora primária possa ser cientista. Esse é o sonho que faz do operário fabril um futuro gerente, um futuro gestor, um futuro empreendedor do seu próprio negócio. Esse é o sonho, esse é o nosso país. Essa é a nossa Europa, que vai da apanha da azeitona a alguém que quer agarrar a oportunidade, que vai de nunca desistir a querer sempre mais. Esse é o nosso sonho. Lutem conosco por ele. Acreditem conosco nesse sonho. Viva a Europa, viva Portugal e viva a liberdade!
O discurso de Sebastião Megalha na apresentação do manifesto eleitoral da Aliança Democrática, aqui com estas duas bandeiras. Com estas duas bandeiras, inscrever o direito à habitação na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia e também estes programas de apoio aos mais velhos, o cartão único pra mais de 65, com acesso a várias vantagens e ainda o financiamento europeu para lares e comunidades envelhecidas. São duas bandeiras que Sebastião Megalha escolheu aqui destacar, depois de uma referência também inicial a várias figuras do PSD que têm ajudado a construir esta candidatura. Falou muito de Paulo Rangel, também de Francisco Pinto Balsemão, que está aqui a marcar presença nesta apresentação, a par de Luís Montenegro, Nuno Melo e Gonçalo Câmara Pereira, os líderes dos três partidos que compõem esta coligação.