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Sr.ª Presidente, Sr.as e Srs. Deputados, Sr. Deputado José Luís Carneiro. Portugal tem uma tradição muito saudável e salutar de, em matérias de política externa, ter um largo consenso naquilo que é representação política do povo português presente nesta Câmara. É uma posição que assenta no respeito pelo direito internacional, pela Carta das Nações Unidas, pelo papel de Portugal no mundo, e eu diria mesmo por aquilo que são quase nove séculos de história, nos quais fomos sempre construtores de pontes, de convergência entre as nações, entre os povos. Por isso, Sr. Deputado, não ficará admirado que nesta, como noutras ocasiões, o Estado português seja um Estado que defende a via diplomática e negocial para garantir a paz internacional, sendo que, dentro do contexto de paz, nós naturalmente com os nossos aliados, temos uma relação que muitas vezes é cravada na solidariedade e na necessidade de termos ações dissuasoras de poderes que são, depois, suscetíveis de intervenções desproporcionadas, como o Sr. Deputado aqui evidenciou. Quero, portanto, dizer, Sr. Deputado José Luís Carneiro, que tendo havido uma ação militar dos Estados Unidos da América, Portugal não acompanhou, não subscreveu e não esteve envolvido nessa ação militar. O que não quer dizer que não esteja a acompanhar desde a primeira hora, no contexto das nossas relações com os nossos parceiros na União Europeia, no contexto das nossas relações com os nossos parceiros da NATO e também no contexto das nossas relações com todos os parceiros na região onde esta operação foi desencadeada. Por isso, Sr. Deputado José Luís Carneiro, em função destes princípios e deste alinhamento, é preciso também dizer que entre um conflito onde estão envolvidos um aliado e um parceiro de Portugal, membro da NATO, e com o qual temos uma relação bilateral muito extensa, incluindo no plano da segurança e da defesa. Face a um outro país envolvido, que como o Sr. Deputado aqui disse, num trecho da sua intervenção mais enfático, noutro não tanto, mas é, apesar de tudo, um país que viola de forma reiterada o direito internacional. Que tem em curso um programa nuclear, que tem em curso um programa de armamento com mísseis balísticos de longo alcance. Nesse contexto, que não haja dúvidas que Portugal tem objetivamente uma relação muito mais próxima com o nosso aliado, os Estados Unidos da América. Quero dizer isto de forma clara e inequívoca, Sr. Deputado. Dito isto, perante um conflito, o Governo português obviamente que fez a sua análise e fez também a sua interação em toda esta tripla dimensão: União Europeia, NATO, parceiros na zona do Golfo. Dizer-lhe que a prioridade de Portugal, a primeira prioridade, aquela que é o motivo da nossa intervenção mais imediata, é a proteção e a segurança dos portugueses que residem ou se encontram naquela região. E, portanto, reforçamos os nossos esforços de contacto e de recolha de informação e temos já em curso operações de repatriamento, que estão neste momento a decorrer e que naturalmente têm contornos que não podem ser totalmente publicitados, precisamente em razão da segurança. Depois também dizer-lhe que convocámos uma reunião extraordinária do gabinete coordenador de segurança para reforçar as medidas de segurança interna, nomeadamente o que tem a ver com o reforço da segurança de infraestruturas críticas, de aeroportos, de portos, de embaixadas. E também fizemos uma reunião interministerial para analisar o impacto econômico-financeiro e antecipar alguns riscos e mesmo algumas medidas que se impõem nesta ocasião. O Sr. Deputado não questionou, mas eu quero aproveitar para, dentro desta orientação que foi dada a vários membros do Governo para não desvalorizarem os efeitos que este conflito possa ter na nossa dinâmica económica, estamos em condições de dizer que um desses efeitos pode vir a ser o aumento do preço dos combustíveis e, caso se verifique uma subida de preço da gasolina e do gasóleo superiores a 10 cêntimos face ao valor desta semana, o Governo vai introduzir um desconto extraordinário e temporário do ISP para compensar o adicional de receita do IVA, devolvendo todo esse adicional às portuguesas e aos portugueses e às empresas. Portanto, Sr. Deputado, face à sua questão, este é o posicionamento do Governo de Portugal e é o posicionamento que nós queremos ver reiterado também dos restantes órgãos de soberania, nomeadamente da Assembleia da República.