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Four. Command engine start. Two, one. Ignition. Demos partida. Neste momento está ligado o motor. Está tudo a funcionar normalmente. Demos partida neste momento, cá está. Lá vai ele. Podemos ver que nesta fase inicial não há nada de especial, portanto, está tudo a funcionar bem. É interessante ver o aumento da velocidade neste momento, que se verifica ali, vemos que ele está a cumprir o que estava previsto.
Portanto, já vai com 350 milhas por hora. Ora, isto em quilómetros, José Augusto?
Isto em quilómetros, pois, boa pergunta, que eu agora tinha que estar a converter.
Mas será seguramente a mais de 500 km/h.
Sim. E uma milha são 1600 metros, portanto, tem sim. E portanto, o max Q é quando ele atinge já a velocidade supersónica. Lá vai ele. E, portanto, cerca dos dois minutos, irá fazer depois a separação entre o lançador New Shepard e a cápsula propriamente dita. Estamos a cerca de 40 e poucos segundos disso acontecer.
Esta aqui é a fase de maior risco de todo este processo ou há ainda um risco mais elevado?
Sim, tem algum risco, porque se aqui houver um problema qualquer com o lançador, a cápsula teria que acionar o sistema de emergência para se separar do lançador e, portanto, haver a separação antes do previsto. Obviamente que é sempre uma fase que é um pouco melindrosa, mas para já está tudo a correr bem. Como vocês podem ver, já estamos muito perto dos dois minutos e por volta dos dois minutos, segundo o que está previsto, ele irá fazer a separação. Eles agora, neste momento, estão já a ter uma aceleração razoável. É previsto mais ou menos 3G nesta altura, que é três vezes o peso do nosso corpo. Ok, passou os dois minutos neste momento e deve estar prestes a fazer a separação.
Estão a cerca de 145 mil pés, embora o valor vá subindo segundo a segundo.
Sim, e vai continuar, exatamente. Ele irá subir, já agora, para vos dar uma ideia, ele irá subir até cerca de 340 mil pés, portanto, ainda falta um pouco. Nós estamos agora a ver imagens de uma câmera que está agarrada ao próprio lançador.
Portanto, já não estamos a ver imagens só captadas a partir da Terra, mas já imagens diretamente da nave.
Diretamente do lançador. Sim. E vocês depois vão ver que através desta câmera também vai ser possível ver a separação. E nesse aspecto vai ser interessante assistirmos, ele vai ficando para trás o lançador, quando isso acontecer, e a cápsula segue viagem até atingir a linha de Kármán.
Víamos há pouco uma espécie de um cone de vento formado pela nave. O que era isso, José Augusto?
Sim, é a passagem pela atmosfera. À velocidade que ele vai, estamos a falar de velocidades que já estão elevadas. À velocidade que ele vai, a passagem pela atmosfera faz um efeito no próprio ar. Bastante interessante.
Portanto, diria que já está cumprida quase a totalidade da viagem. E aqui chegam os primeiros sons. Vamos ouvir.
Holy good God. Oh, wow!
Euforia na cápsula da New Shepard por parte de Jeff Bezos e dos outros tripulantes, diz Miguel.
As imagens do interior, pelo aquilo que pude ler, só estarão disponíveis depois da aterragem, portanto, só vamos ter acesso a essas imagens assim que Jeff Bezos e os restantes passageiros chegarem novamente à Terra.
O que significa que vamos continuar a ver um pequenino ponto branco num imenso céu azul.
Entretanto, vamos com quatro minutos, estamos praticamente a meio de tudo.
A separação, reparem que a separação já aconteceu há pouco. Nós vemos neste momento nas imagens a cápsula sozinha e o lançador separado. Reparem que a cápsula atingiu os 350 mil pés, portanto, atingiu já mil metros de altitude. Neste momento ela já estará a perder altitude, exatamente, já está a descer.
Exato.
As imagens só estamos a apanhar debaixo da Terra, mas vê-se claramente a cápsula na parte de cima já separada desde há pouco. E o lançador já a descer no fundo, a voltar novamente à Terra. Mas eles neste momento já deram a volta, já atingiram a linha de Kármán, já deram a volta e já estão de regresso. A própria cápsula também já está a perder altitude e já está de regresso.
Daqui a quanto tempo, José Augusto, é que se irão abrir os paraquedas para acomodar a aterragem?
Exatamente. O que está previsto é ela, ao fim de nove minutos, irá abrir os paraquedas. Ainda vai demorar um bocadinho até ela fazer a abertura.
José Augusto, estava a dizer que já deram a volta. Isto dá tempo para tirar uma fotografiazinha lá em cima, andem por aí.
Dá. Ali Fang disse que levava um postal e que depois queria tirar uma fotografia com o postal ao lado dela.
É que se não era de ter malgasto.
Exatamente. Cá está, finalmente temos imagens do lançador, que também está a descer, de facto. Mas é interessante, agora vemos de terra os dois veículos separados, vamos assim dizer. Mas claramente o lançador a regressar e a cápsula também a regressar.
Exato. E essa contagem da altitude também já vai diminuindo. Estamos agora nos 350, não é? Há pouquíssimos minutos estávamos a 300 e tal.
Como eu dizia há bocadinho, a cápsula iria até aos 348 mil, 349 mil pés de altitude, que corresponde aos 106 mil metros, e depois começava a dar a volta e a descer. Agora, claramente nas imagens, é interessante vermos o próprio lançador New Shepard, que está a descer cada vez mais neste momento, e ele está cada vez mais visível na câmera que está cá embaixo. Como eu estava a falar há pouco, ele depois, quando chegar já próximo da superfície, vai ligar o motor dele e vai aterrar normalmente cá embaixo. É um lançador recuperável, e irá fazer, se tudo correr bem, esperemos que não haja nenhuma falha, mas se tudo correr bem, irá voltar em segurança à Terra. É muito interessante já vê-lo a descer agora.
Já com mais nitidez, apesar de haver algumas falhas, o que me leva à pergunta: como é que é feita a comunicação entre Terra e uma nave espacial?
A comunicação é feita via rádio, a esse nível existe dentro da cápsula o que permite essa comunicação. Cá está, o lançador agora, o New Shepard, está cada vez mais próximo da superfície. Já se vê. Ligou agora, passou as nuvens e está com o motor de descida ligado neste momento. Lá vem ele e tudo indica que vai fazer uma aterragem segura. Já tem as perninhas abertas. E cá está ele de regresso. Muito interessante aqui o regresso, um lançador recuperável e reutilizável, e aterrou direitinho cá embaixo. É verdade.
Incrivel. Aqui está uma imagem que quase pertence ao domínio da ficção científica.
É verdade, estes lançadores agora são uma novidade na exploração espacial. Cá está, temos imagens agora muito próximas dele. Ele já desligou o motor foguete e voltou, de facto, sem qualquer problema, cá está ele de regresso. E mesmo em cheio no alvo, vocês podem ver marcado no chão o sítio da aterragem, ele pousou mesmo no sítio previsto. Neste momento vemos a cápsula. Ela ainda não tem os pára-quedas abertos, de facto, continua a descer. E ela daqui a um minuto irá abrir os pára-quedas. E ela aí, quando abrir os pára-quedas, vocês vão ver que a velocidade irá diminuir de forma significativa. Haverá uma travagem mais brusca quando eles abrirem.
Aí está, José Augusto. Agora sim, aos oito minutos de voo.
Sim, temos mais meio minuto, ela provavelmente aos nove irá abrir. Abriu um bocadinho antes. Acabou de abrir.
Acabou de abrir o pára-quedas, o que significa que a qualquer instante irá aterrar na superfície terrestre, cumprindo, de resto, todo o plano estabelecido.
Estão a ver agora os principais. Estão a ver? Ela abriu primeiro uns pára-quedas secundários para travar um pouco e agora os três pára-quedas principais já estão abertos, muito perto dos nove minutos da viagem. E agora nós vemos que a velocidade, vocês podem ver aí, a velocidade de descida da cápsula reduziu de forma significativa. Ela está agora a cerca de 26 km/h, 25 km/h, e ela irá pousar já agora apenas a 1,5 km/h. Reparem na travagem que ela faz desde que começa a cair do espaço, e até tocar na superfície há uma travagem bastante significativa. Ela vai pousar suavemente na Terra. No fundo, é isso que vai acontecer.
Nós podemos dizer que a tecnologia utilizada aqui é mais avançada do que a da viagem da Virgin Galactic ou é apenas diferente?
É diferente, de facto, porque é como eu referi há pouco, enquanto que nós na Virgin temos um mini vaivém, que funciona como se fosse um avião e que volta dessa forma, aqui é uma cápsula tradicional, como nós vemos noutras viagens espaciais, e no fundo é a forma escolhida aqui pela Blue Origin para fazer este tipo de voos. Mas de facto são dois veículos diferentes. Aqui, já agora, estamos cada vez mais próximos da superfície. Estamos apenas agora a 400 pés de altura e vemos ali as janelas, que são bem grandes neste caso. Já os vemos lá dentro e estão muito próximos de chegar à superfície.
2 horas e 22 minutos em Portugal, 10 minutos e quatro segundos de voo. Jeff Bezos chega ao planeta Terra.
E pousaram agora. Um grande sucesso mais uma vez, neste caso, a Blue Origin também a conseguir aqui um grande sucesso com este voo. Embora, atenção, que a Blue Origin, esta cápsula em concreto e este tipo de veículos, já tinha sido experimentado várias vezes sem tripulações humanas lá dentro, nos últimos anos. Havia aqui uma experiência já acumulada ao longo dos anos, mas para este primeiro voo tripulado, é um grande sucesso. Mesmo o lançador que também estamos a ver agora ali, o New Shepard, também voltou em perfeitas condições e, portanto, tanto de um lado como de outro, podemos dizer que o sucesso é total, neste caso.
O que me leva à pergunta, José Augusto Matos. Há muita excentricidade em torno destas viagens e do chamado turismo espacial, mas para a ciência, para a astronomia, há algum contributo que pode ser dado por estas viagens?
Sim, porque nós, como já tínhamos falado outra vez, estas cápsulas, neste caso da Blue Origin, o mesmo vai acontecer com a nave da Virgin, podem transportar a bordo experiências científicas. Aliás, a cápsula da Blue Origin, já no passado, quando fez testes, voos de teste, no fundo, nos últimos anos, levou experiências científicas a bordo. E isto abre aqui uma porta muito interessante, como eu já tinha referido outra vez, que é, universidades, outras instituições, podem, obviamente, conceber uma experiência para ir dentro de uma cápsula destas, fazer um pequeno voo suborbital, mas que pode ser usado para fazer investigação científica. No fundo, e para ver como é que uma determinada experiência se comporta. E abre esta possibilidade a preços relativamente acessíveis, porque não estamos aqui a falar de voos orbitais, por exemplo, que são sempre mais caros. E neste caso, temos aqui uma nova porta que se abre e que permite que experiências científicas sejam levadas a bordo a um preço relativamente acessível. A grande novidade destes voos, tanto neste caso como o da Virgin, é o preço ser mais acessível para este tipo de viagens e de colocação de experiências.
Por falar em portas que se abrem, a cápsula já se encontra na superfície terrestre. Quando é que se vai abrir a cápsula, José Augusto, desta nave? E quando é que os tripulantes têm autorização para sair de dentro da cápsula?
Exato. Neste momento, como vocês podem ver, a cápsula está ali sozinha no meio do deserto e com certeza daqui a pouco iremos ver os veículos de apoio chegar ali àquele sítio para verificarem a cápsula e provavelmente abrirem já depois também a porta estanque que a cápsula tem.
Aí está, a porta aberta da cápsula da New Shepard. Eu acho que estão também a preparar aqui a chegada das câmeras.
Sim, já lá estão também as câmeras.
Para uma grande operação de comunicação.
Ó Jô, só lá falta a Rádio Observador, mas vai lá.
Um dia, quem sabe? Um dia.
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