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Eu não ia começar por aqui, mas sou forçado a começar por aqui. Um partido que tem orgulho na sua história não apupa um ministro que tirou o país na bancarrota. Socialista! No Palácio de Cristal, os apupos estavam lá fora, não estavam cá dentro.

Estamos a ouvir Adolfo Mesquita Nunes.

E teve senadores, sim. É o Miguel Aleixo Correia, que é presidente do Senado, não sei quem é que ele apoia, não quero saber, mas 45 anos de história dão direito a senadores, dão direito à juventude popular, dão direito à classe média, dão direito a todas as idades. Ninguém aqui é mais livre do que ninguém. Ninguém aqui é mais jovem do que ninguém. Ninguém aqui tem mais direitos do que ninguém. Ninguém aqui é mais dirigente do que ninguém. E quem exerceu funções de Estado pelo CDS não é nem taxista, nem dirigista. Serviu o país! Serviu o país.

Adolfo Mesquita Nunes, com o tempo de intervenção iniciada.

Sim, quando se está na política, ouve-se tantas vezes coisas que não se gosta. Na vida, ouvimos tantas vezes coisas que não gostamos. Acreditem que eu, ao longo da minha vida, ouvi muitas vezes coisas que não gostei. E nem por isso apupei. Não gosto de ser chamado de direita cobarde, poeta de karaokê, direita de champanhe. Não gosto, porque quando estive a exercer funções de secretário de Estado do Turismo, a eliminar taxas e a trazer turistas pra Portugal, estava a servir também o CDS e o meu país. Não era a direita do champanhe. Quando confrontei a Mariana Mortágua com a superioridade moral do Bloco, com o Ricardo Robles, eu não era a direita envergonhada nem cobarde. Quando me candidatei à Covilhã, um sítio onde tínhamos sempre 2% ou menos, no tal eleitorado conservador que nunca vai aceitar uma pessoa como o Adolfo, 500% de crescimento, o melhor resultado nos últimos 40 anos. Direita cobarde? Que direita cobarde é esta? E como é que se pode unir o partido com o pressuposto de que eles são cobardes ou que são taxistas? E o argumento da idade, meus amigos, eu lamento imenso, mas é que eu não ouvi ninguém falar da idade. Ninguém. Eu comecei neste partido muito novo, exerci funções muito novo e Deus queira que eu possa cá estar mais velho, a parecer muito novo. O problema é apenas algo que é comum, normal, natural. Visões diferentes das coisas. Não é nem uma conspiração, nem uma teoria com jornalistas com quem nós andamos a telefonar e a combinar, é discordância, é o normal. E acreditem, o meu percurso neste partido foi muitas vezes feito em discordância, mas sempre em lealdade. Sempre. Defendi sempre o partido. Defendi sempre o Francisco nas entrevistas, que foram muitas. Muitas que nos tentaram colocar como dois partidos diferentes. Disse sempre e continuarei a dizer: somos do mesmo partido. E eu nunca me sentia mais neste partido, nunca. E não é hoje que vou passar a sentir. Aquilo que o partido precisa é, de facto, de união. Mas pra existir essa união, não podemos partir do pressuposto que há aqui metade que é taxista, encostada, dirigista e, sobretudo, o que é pior, cobarde. Como é que podemos dizer ao país que este partido tem gente cobarde? Termino, e porque não era esta a minha intervenção, não era isto. Eu vinha aqui falar de outras coisas. Termino esta intervenção dizendo só o seguinte: ao longo de todos estes anos, ouvi e não comentei nunca várias acusações. Há uma que me magoa e que acho injusta, que é a do relativismo moral. Eu acho que não posso dizer a ninguém, a ninguém, que a sua moral é relativa. Eu não tenho essa autoridade. Eu acho que todos nós, o nosso eleitorado, e sim, nunca invoquei esta qualidade, mas sim, nós, os católicos, prestamos contas a Deus, não aos dirigentes do CDS. Muito obrigado. João Almeida, conta com o meu apoio.

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