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Estava aqui a retomar esta pergunta de como é que o Papa Francisco olhará para isto. Eu acho que o Papa Francisco, neste momento, na eternidade, deve estar a rir das nossas pomposidades. A comédia tem muito esta ideia de rir das nossas pomposidades, das nossas boas posturas, deve estar a rir daqueles cardeais, daquelas pessoas que estão ali, que estão muito de mãos postas. Acho que o Papa se deve ter rido imenso quando os cardeais entraram e ao invés de estarem todos ordenados, estavam ali todos desalinhados.

Se calhar foi para lhe agradar.

Sim, se calhar foi para agradar, mas a verdade é que o cristianismo tem muito esta gestão que é: as coisas começam mal. De forma desastrada. Jesus nasce de uma maneira um bocado desastrada, morre também de uma maneira um bocado desastrada. O Papa encontrou-se com humoristas uma vez, isso às vezes até foi visto como caricatural na imprensa portuguesa. Não é caricatural, vem mesmo da forma como o Papa e a Igreja entendem a comédia. Nós vemos as coisas a partir do seu raio-X e no funeral, por um lado, há esta dimensão solene, mas como dizia o Dinis Machado, há um lado mais cômico no meio disto tudo. Há o lado da nossa espécie de idolatria das pequenas coisinhas. É muito curioso.