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Abrimos agora espaço na Rádio Observador para uma conversa com Pedro Dinis, é o diretor municipal de Mobilidade da Câmara de Lisboa. Bom dia, bem-vindo às manhãs 360.

Bom dia. Muito obrigado.

Muito obrigada por se juntar a nós. Estamos em direto do Terreiro do Paço, numa emissão especial para assinalar mais uma Semana Europeia da Mobilidade. Pedro Dinis, vemos mais gente a utilizar as trotinetes, as bicicletas, mas de um ano para o outro, há, de facto, alterações significativas no comportamento dos cidadãos? Ou seja, há números que mostrem que esta semana, de facto, produz efeitos?

Sim, gradualmente tem havido alterações significativas no comportamento dos utilizadores. Naturalmente que é um processo que é contínuo, não se consegue ver de um ano para o outro. Vai havendo aqui pequenas alterações e oscilações, mas esta semana é fundamentalmente importante para ter o seu papel de alertar e tentar promover e sensibilizar todos nós, a população em si, que efetivamente tem que haver uma alteração comportamental do modo como nos movemos na cidade. A mobilidade é vida. Sem vida, não há mobilidade. E as cidades vivem exatamente da mobilidade que conseguem ter a todos os níveis enquanto todas as redes. Este dia, e nomeadamente esta semana, que este ano faz 23 anos, começou no início deste milênio, é muito importante para conseguir permitir e ajudar a visibilizar outras formas de nos podermos deslocar de uma forma mais ativa. Sim, há alterações de comportamento. Gradualmente, temos vindo a assistir uma transferência modal, ou seja, as pessoas deixam de utilizar para todas as suas deslocações um determinado transporte.

Mais o carro, não é?

E o carro. O carro é o transporte. E os dados que temos atuais, nós estamos a trabalhar ao nível da área metropolitana e na cidade também. Diariamente, a nossa cidade, e a mobilidade é um laboratório vivo, estamos sempre a trabalhar com números e sempre a perceber o que conseguimos fazer efetivamente para poder haver aqui algumas alterações de comportamento relativamente à forma como nos movemos. Mas é fundamental existirem estes períodos, estas paragens em que podemos ajudar.

E Pedro Dinis fala em comportamento, e é bom, de facto, vermos quem deixa o carro em casa e opta, por exemplo, pela bicicleta, mas nem tudo corre bem, porque de um lado temos os condutores dos carros que não sabem ainda conviver com as bicicletas e depois dão-se os acidentes, alguns deles bem trágicos. Por outro, os ciclistas que tanto andam na estrada como fazem uso das passadeiras e passeios como se estivessem a pé. Portanto, ainda há aqui um grande caminho a percorrer para que tudo flua sem percalços.

É verdade. Existe a necessidade de haver um trabalho que todos nós temos as várias formas de nos mover.

Temos a nossa responsabilidade também.

Temos a responsabilidade como peão, temos a responsabilidade como ciclista, temos a responsabilidade como automobilista. Cada uma dessas formas de nós nos movimentarmos, temos que agir sempre da mesma forma. Ainda ontem, quando estava a trabalhar, estava a ir para o trabalho.

Como é que vai para o trabalho?

Varia.

O trabalho que é aqui na Câmara.

É aqui na Câmara, mas não é aqui, é no Cederplan. Varia, utilizo a bicicleta, utilizo o carro elétrico, utilizo a pé, que é uma questão fundamental aqui que queríamos cada vez mais que houvesse esta alteração de comportamento. De alguma forma, é o voltar ao passado. De alguma forma, é o conseguir mostrar e transmitir à nossa população e todas as pessoas, ao nível europeu, que o andar a pé é fundamental.

Mas se calhar, para isso também faltam mais zonas pedonais no centro da cidade.

Para isso faltam, nomeadamente, várias cidades, e eu falo por Lisboa, conseguirmos melhorar a nossa infraestrutura pedonal. A mobilidade pedonal tem que dar resposta ao tráfego pedonal. As ruas têm diferentes tipos de carga, têm diferentes tipos de ocupação. É importante, sim, a cidade adaptar-se, é importante a cidade tornar-se inclusiva para todos, ter um pavimento confortável, ter passadeiras acessíveis e, essencialmente, dotar a cidade desta infraestrutura, melhorar a infraestrutura da cidade para conseguirmos promover mais andar a pé. Mas em alguns sítios onde existem, por exemplo, se nós vivermos a 500 metros de uma escola, e estamos agora nesta Semana da Mobilidade, coincide com o regresso às aulas e estamos a ter aqui um papel de campanha de sensibilização para mostrar a todas as pessoas que é importante utilizar outro tipo de meios para chegar à escola. É sempre um caos em todas as proximidades escolares, porque os pais, eu também sou pai, vão de carro até à escola com as crianças, muitas vezes podiam ir a pé. Distâncias inferiores a 10 minutos a pé, podiam ir a pé. É isso que tentamos sensibilizar ano após ano.

É um trabalho de todos, na verdade. Da responsabilidade de todos.

É um trabalho de todos nós. Como um ciclista, é um trabalho, sim, do automobilista ter cuidado com o ciclista, mas o ciclista também.

Também, exatamente.

Eu já vi automobilistas, de forma bastante grave, ultrapassarem o sinal encarnado, com consequências, mas o ciclista também passa, mas o peão também passa. Ainda hoje, quando vinha para cá, estava a atravessar uma passadeira, estava sinal verde para o carro, eu andei, do outro lado, estava sinal encarnado para o peão e era um casal idoso a passar a passadeira com sinal encarnado. Também nós temos que ter, como peões, a responsabilidade de garantir que todos os sistemas funcionem bem. Para isso, sim, o nosso comportamento em cada um dos meios, quando nos deslocamos, é fundamental para garantir que não haja acidentes.

A Semana da Mobilidade só termina no domingo, no Dia Europeu Sem Carros. Até lá, há várias atividades a decorrer. O Pedro Dinis, como diretor municipal da Mobilidade, quer deixar alguma sugestão ou convite a quem estiver por Lisboa por estes dias?

Sim, claro que sim. Nós este ano desafiamos as juntas de freguesia a lançar vários programas. Para podermos chegar às pessoas. Em vez de termos um grande evento só, temos mais de 20 eventos espalhados pela cidade. Há uns interessantíssimos e que também procurámos Mais uma vez promover e mostrar que existem várias formas de nos deslocarmos. Há um muito interessante que tem a ver com o transporte ferroviário, que é o Dia Aberto das Oficinas da CP. Acho bastante interessante, até para os mais pequenos verem, mas não só os mais pequenos poderem ver também. Temos várias conferências que são importantes. Temos uma conferência sobre exatamente aquilo que eu estava a referir do andar a pé, e como é fundamental. Temos várias formas de uma ação que fazemos sistematicamente, e esta semana mais, que tem a ver com mobilidade escolar, tem a ver com pequenas intervenções que são feitas em frente às escolas num determinado dia. É o programa Meste na Tua Cidade, que mostra aos pais que podemos ter um espaço público seguro. O que fazemos é retirar a circulação nessas escolas. Este ano vamos fazer na escola EB de Santo Amaro, no Jardim do Alto de Santo Amaro.

Sim, em Oeiras.

Em Lisboa, tudo é em Lisboa.

É Lisboa? Pensei que era Santo Amaro, remete sempre para Oeiras. Mas sim, é só o seu coração.

É só Lisboa.

Não vamos distorcer.

Não vamos aqui criar qualquer tipo de problema com os nossos colegas de Oeiras. E a escola Professor Manuel Sérgio também.

E Pedro Dinis, onde é que se podem ver todas essas atividades?

No site.

No site da Câmara?

Sim, nas nossas redes sociais estamos a divulgar. Este próprio sítio onde hoje estamos vai ter uma exposição. Tivemos aqui ontem o lançamento dos autocarros, que estão aqui atrás de nós, que é a frota elétrica, que é uma aposta importante da Câmara Municipal com a Carris, que é o nosso operador, que é dotar a cidade não só de infraestrutura, mas também dos meios. Ou seja, de termos autocarros com zero emissões, que possam deslocar as pessoas. O que está exatamente atrás de si é o que promove até as carreiras de bairro, que é muito ligado àquela população que só se desloca no próprio bairro. Tanto crianças, que é o que nós queremos captar pra rede. Temos um trabalho contínuo com as juntas de freguesia, chama-se Programa Amarelo, tem a ver com este autocarro. Permite ao pai, dos alunos do primeiro ciclo, deixar o seu filho ou sua filha numa paragem. Temos um monitor dentro do autocarro normal, que é este, e que o leva até a sua escola em segurança. Para também aqui termos um papel cívico, de educação e de permitir aos mais novos, como disse logo no início, há um comportamento que é necessário alterar e que é contínuo. E temos que começar a trabalhar, e estamos a trabalhar desde o início, para conseguir dar alguma autonomia às crianças e que possam ser depois adolescentes que utilizem o transporte público e adultos que utilizem o transporte público responsavelmente.

Pedro Dinis, muito obrigada por ter estado conosco no Manhãs 360. Agosto foi nosso. Muito obrigada, um bom dia.

Muito obrigado. Bom dia e boa emissão.

Obrigada.