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Vivemos há um ano em pandemia. É muito tempo. Os dias tornaram-se diferentes. As manhãs têm menos azáfama, as pessoas não vão aos locais de trabalho. O teletrabalho passou a fazer parte dos dias de muitos portugueses e a reinventarem-se no mundo das relações laborais. As angústias de quem já não tem trabalho, o sofrimento de quem ficou doente e o desgosto pelos que partiram cedo demais, vítimas de COVID-19. É muito duro passar por tudo isto, mas não podemos desistir. Uma pandemia é, por definição, a negação, à partida, de previsibilidades, de seguranças e de confianças sociais e que tem já um elevadíssimo custo humano, social e económico, a que todos temos de responder. A resposta ao COVID-19 em Portugal será tanto mais eficaz quanto mais capazes formos de criar uma cadeia de confiança. Os profissionais de saúde têm sido um exemplo de competência, disponibilidade e empenho. Temos sabido todos, com raras exceções, equilibrar a dicotomia entre liberdade e responsabilidade. Não confundimos o isolamento como medida preventiva e como resposta conjuntural a um fenômeno epidêmico, com qualquer forma de legitimação da xenofobia e da desconfiança. Os responsáveis políticos de todo o mundo, mesmo aqueles que radicalizam o protecionismo, devem compreender que qualquer resposta, para ser estrutural e globalmente efetiva, tem que assentar na cooperação, na partilha científica e técnica de dados e estratégias. A trajetória epidemiológica de Portugal tem sido marcada pelo contraciclo em relação a outros países, por motivos de ordem diversa, ligados à nossa própria especificidade e contexto. Já fomos dos piores. Hoje somos dos melhores. Srãs e Srs. Deputados, mas ignorar deliberadamente este facto para assumir uma atitude de bloqueio, tendo em vista a visibilidade política, é inútil, é perigoso, mas é, sobretudo, algo que os portugueses não merecem e que não deixarão de registar. Srãs e Srs. Deputados, vamos hoje aprovar o 14º estado de emergência, porque precisamos dele. Porque constatamos pela experiência de vários países, a começar pelo nosso, que uma pandemia exige planos nacionais com rigorosa articulação de vários níveis de serviço e de complementaridade de diversas intervenções, onde a defesa sanitária das fronteiras assume uma importância central. Aprovamos a renovação do estado de emergência porque a nossa liberdade individual teve, imperiosamente, de ceder à liberdade coletiva e porque o direito à saúde é hoje o primeiro dos direitos. E, sobretudo, porque desde o início da pandemia, os responsáveis pela sua gestão cumpriram a primeira regra da comunicação de crise: usaram transparência, abertura e honestidade. Nós, deputados e demais decisores, não podemos passar sem a intuição e o conhecimento dos cientistas que estão a tornar o futuro possível. Sabemos por eles que as medidas têm de ser evolutivas e adaptadas à situação epidemiológica. Sabemos que, apesar da incerteza, temos capacidade instalada para testar, para vacinar e que caminhamos para a imunidade de grupo que tanto nos tem custado. Srãs e Srs. Deputados, para já, só temos de saudar a maturidade do povo português e das suas instituições. Srãs e Srs. Deputados, Sr. Presidente, a verdade não se inventa e nós confiamos.

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