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Vamos ouvir Marta Temido, a Ministra da Saúde.

Novos casos na região do Algarve. Adicionalmente, gostava de referir ainda, em termos gerais, que se verificaram mais seis óbitos e que esses seis óbitos se distribuíram: um na região do Norte, quatro na região de Lisboa e Vale do Tejo e um na região do Alentejo. Como tal, a taxa de letalidade do país era de 3,8%, sendo 16,5% nos indivíduos, nas pessoas com mais de 70 anos. Gostava ainda de referir que se registavam 402 internamentos em hospital geral, -34 do que no dia anterior, e o mesmo número de internamentos em unidade de cuidados intensivos, ou seja, 67. Ainda em termos genéricos e em termos de informação epidemiológica, gostava de partilhar convosco que o número total de casos ativos distribuído por região era o seguinte: 1979 casos na região do Norte, 912 casos na região do Centro, 7290 casos na região de Lisboa e Vale do Tejo, o que mostra bem a predominância desta região na situação epidemiológica nacional, 227 casos na região do Alentejo e 258 casos na região do Algarve. Não estou a incluir aqui nesta informação, e devia tê-lo feito, as regiões autónomas, onde, de resto, os Açores registam dois novos casos também para o total nacional deste dia. Adicionalmente, importa referir que dos 69 casos da Administração Regional de Saúde do Norte, eles encontram-se ainda maioritariamente associados ao lar de Cinfães, que representa um surto já conhecido de todos. Referir ainda que os casos da Administração Regional de Saúde do Alentejo estão ainda, também maioritariamente, associados à situação de Reguengos de Monsaraz, onde há 128 casos positivos, mas também a focos mais pequenos, mesmo muito pequenos, alguns também já conhecidos, como o do Parque de Campismo de Grândola, mas também uma ou duas situações epidemiológicas em Elvas e em Campo Maior, todos com link epidemiológico identificado. Gostava de referir que os casos da Administração Regional de Saúde do Algarve estão, por sua vez, maioritariamente ligados, associados à situação de Odiáxere, tendo havido 119 casos positivos, mas há também, uma vez mais, pequenos focos em Cabanas de Tavira e Albufeira, com links epidemiológicos determinados. Quanto à situação de Lisboa e Vale do Tejo, uma nota também de pormenor para referir que, dos 339 casos registados na Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo, que resultam do boletim, e que são contabilizáveis se fizermos a diferença face à situação de ontem, 234 situam-se na área metropolitana de Lisboa e, destes, nos concelhos que nos têm merecido mais preocupação, a seguinte, com alguma distribuição que neste momento se tem mantido com diferenças entre freguesias. Gostava de sublinhar também que, de acordo com os dados da Unidade de Investigação Epidemiológica do Instituto Nacional de Saúde Dr. Ricardo Jorge, dados de ontem, a média do RT para os dias 19 a 23 de junho foi estimada em 1,06, variando entre 1,03 em Lisboa e Vale do Tejo e 1,3 no Algarve. Peço desculpa, no Alentejo. Portanto, 1,03 em Lisboa e Vale do Tejo, a mais baixa, e 1,3 no Alentejo, sendo a média do país de 1,06. Recordo que isto não nos deve surpreender face àquilo que sabemos ser o RT, que é o risco de transmissão e que não é comparável com aquilo que é o número de novos casos que acontece por dia. Portanto, esta precisão habitual. Passando agora a outro tema. Ontem o Conselho de Ministros tomou um conjunto de decisões relacionadas com a continuidade do processo de desconfinamento, iniciado em 30 de abril de 2020, declarando a situação de alerta, contingência e calamidade em parcelas diferentes do nosso território, nos termos da Lei de Bases da Proteção Civil. Apesar de se verificar o aparecimento de casos em vários pontos do país, como o Boletim Epidemiológico de hoje mostra, maioritariamente associados a surtos ou a cadeias de transmissão conhecidas, o facto que mais nos preocupa mantém-se a incidência persistente de Covid-19 em algumas áreas da ARS de Lisboa e Vale do Tejo, concretamente na zona norte da área metropolitana de Lisboa, em 19 freguesias dos concelhos da Amadora, de Lisboa, de Loures, de Odivelas e de Sintra. E porque a interrupção das cadeias de transmissão baseada na adoção de regras básicas de manutenção do distanciamento físico e etiqueta respiratória, de higienização das mãos e de utilização de máscara pode beneficiar da complementaridade com outras medidas de saúde pública, o Conselho de Ministros, como sabem, determinou a sua aplicação equilibrada e proporcional, com diversidade de regras, de acordo com a situação epidemiológica territorial, regras que são já neste momento conhecidas de todos e que foram ontem referidas pelo senhor primeiro-ministro. E, portanto, quero terminar com duas mensagens. A primeira de caráter geral Recordo que todos sabemos que a Covid-19 só desaparecerá das nossas vidas quando surgir uma vacina ou um tratamento eficaz. O fato de Portugal ter tido uma situação epidemiológica melhor, mais favorável, menos dura do que a de outros países e de agora enfrentar números consistentes em algumas freguesias, é um motivo para reforçar o nosso esforço articulado ao nível da saúde pública, da solidariedade social, do emprego, da economia, da habitação, dos transportes, de trabalho com as autarquias e com a sociedade civil. Este é um trabalho de paciência, ninguém se iluda, é um trabalho de elevada complexidade e que vamos ter que continuar a fazer. Sabemos que não podemos parar as nossas vidas e que ao lidar com uma doença infecciosa de elevada contagiosidade, como é esta, isso implica cuidados. E portanto, uma vez mais a chamada de atenção para que contacto físico, espaços fechados e espaços muito frequentados são lugares de risco, são comportamentos de risco e as medidas básicas não podem mesmo ser descuradas. E essa é a regra fundamental. A outra mensagem que queria partilhar prende-se com a segurança, com a tranquilidade relativamente à resposta do sistema de saúde. Portugal tem nesta data 402 camas de enfermaria com doentes Covid-19. É o número de hoje. E 67 de cuidados intensivos. Destaco, recordo, que o país tem 21.500 camas hospitalares no Serviço Nacional de Saúde e 534 só de cuidados intensivos polivalentes de adultos. A rede do Serviço Nacional de Saúde tem, portanto, capacidade para garantir o que dela se precisa neste momento. Mas isso não nos deve, não nos pode fazer baixar a guarda e podem estar certos que não a baixaremos. Mesmo que todos estejam cansados, os profissionais do SNS continuam a estar lá. A saúde pública está a fazer o seu trabalho, os hospitais estão a fazer o seu trabalho, os cuidados de saúde primários estão a fazer o seu trabalho. Nem sempre temos explicações evidentes para a evolução das doenças, mas aos serviços de saúde, ao sistema de saúde, mais do que tudo o resto, incumbe dar resposta às necessidades assistenciais. E isso está a ser feito e continuará a ser feito, ainda que o ritmo a que retomamos as nossas vidas não seja aquele a que todos desejávamos poder fazê-lo. Muito obrigada e estamos disponíveis para as vossas perguntas.

Boa tarde. Francisca Genésio do CMTV, ao serviço também da SIC e da TVI. Apesar desta mensagem de tranquilidade relativamente à capacidade de resposta do Serviço Nacional de Saúde, eu começava por lhe perguntar uma atualização sobre o investimento feito pelo governo, relativamente aos ventiladores. Portanto, se já chegaram todos a Portugal, se não chegaram, quando é que vão chegar, quando é que foi a última encomenda. Portanto, gostava deste balanço. Depois, também falou na questão da saúde pública, que está a fazer o seu trabalho, e então eu perguntava-lhe, porque tenho uma denúncia da Associação de Médicos de Saúde Pública, que diz que a ARS Norte negou o pagamento de horas extra aos médicos de saúde pública, alegando que o mesmo não é compatível com o subsídio que recebem. Mas isso não está escrito em lado nenhum. Aliás, os médicos de saúde pública da região de Lisboa e Vale do Tejo estão a receber. Portanto, eu gostava de perceber a quê que se deve, no fundo, esta diferença de uns receberem e os outros não. Por último, há relatos na imprensa de que o primeiro-ministro, e passo a passar aqui a expressão, terá puxado as orelhas à senhora Ministra da Saúde, em público, por falta de informação clara e transparente. A minha pergunta é se há divergências com o primeiro-ministro e depois, no final desta reunião, o Presidente da República também traçou um cenário de tranquilidade, mas a própria ministra admitiu na semana passada que quebrar as cadeias de transmissão do vírus estava a ser uma tarefa difícil. Portanto, eu pergunto, no fundo, qual é que é o ponto da situação. Se está controlada, não está, o que é que se passa, no fundo? Obrigada.

Obrigada, Francisca, pelas questões. Bom, se o primeiro-ministro puxou as orelhas à Ministra da Saúde, teria certamente razão, embora os castigos corporais sejam pouco da nossa fase de trabalho educativo. Mas de qualquer forma, vamos lá ver. O que interessa sublinhar, e perdoem-me esta nota de humor, porque acho que neste momento temos que nos reconcentrar e o país tem feito um esforço extraordinário em concentrar-se naquilo que é essencial. E nesta fase em que, de facto, estamos quase em julho e todos começamos a ficar bastante cansados e gostaríamos de poder voltar à página da Covid-19, é natural que se perca alguma da tranquilidade e que possamos perguntar-nos se as coisas estão todas a evoluir no sentido que é o melhor sentido, digamos assim. É muito importante sublinhar aquilo que procurei destacar hoje, que estamos a lidar com uma doença infectocontagiosa, cuja contagiosidade é altamente elevada. Isso assume especial relevo em zonas mais povoadas, em zonas onde as pessoas se movimentam mais, onde têm mais contactos e é a explicação teórica para aquilo que nós enfrentamos em determinadas áreas do nosso país, como em determinadas áreas de outros países, basta ler jornais internacionais. O que é um facto é que estamos a ter dificuldade em quebrar as cadeias de transmissão. Elas estão-se a manter relativamente persistentes e, portanto, nós pusemos No terreno, um conjunto de instrumentos adicionais. Isso tem acontecido nas últimas semanas de uma forma repetida e aconteceu concretamente ontem, com novas decisões do Conselho de Ministros sobre estas áreas, em termos daquilo que é a recomendação para a permanência no domicílio nestas 19 freguesias, para as pessoas se absterem daquilo que são comportamentos supérfluos, que podem ser evitados, no sentido de estancar o mais possível aquilo que são as cadeias de transmissão. Por outro lado, o trabalho da saúde pública tem sido reforçado, como sabem, não só pelo envolvimento de outros médicos e outros profissionais da área da saúde pública para a área de Lisboa e Vale do Tejo, mas também pela disponibilidade de profissionais de outros serviços centrais, concretamente o Instituto Nacional de Saúde Ricardo Jorge, que está a apoiar a Unidade de Saúde Pública de Lisboa e Vale do Tejo, mas também de pessoas ligadas à academia, não só para a melhoria da velocidade de resposta aos inquéritos epidemiológicos, mas também para a realização do trabalho de acompanhamento de casos, de aplicação de determinações, de avaliação do seu cumprimento e também muito em ligação com aquilo que é a comunidade, em termos de visitas domiciliares, de apoio domiciliário de bens essenciais e também de fiscalização ao nível das forças de segurança, porque isso também é um aspeto essencial. Foi por isso também que ontem determinamos um quadro sancionatório que seja, sobretudo, preventivo do incumprimento, porque é isso que nos preocupa. Este é, uma vez mais, o ponto de situação e a única resposta que temos é a resposta transparente e a resposta da verdade, que sempre procurámos manter desde o início do primeiro caso, é que vamos continuar a trabalhar para quebrar as cadeias de transmissão e que não vale desistir de fazer isso. Ao nível das outras questões que nos colocou sobre os médicos de saúde pública e sobre os ventiladores, duas notas. Dos ventiladores encomendados pela ACSS, maioritariamente, eles já estão entregues, como sabe. Mais informações adicionais e de números, dizer-lhe que nos últimos voos chegaram 560 ventiladores, que à medida que vão sendo verificados e testados, são distribuídos para os hospitais. Conhecem já o nosso procedimento de verificação, quer ao nível central, quer antes da colocação em funcionamento, e que, no total deste processo, terão sido fretados qualquer coisa como 14 voos que trouxeram para Portugal 952 equipamentos entre compras e doações. Esta é a informação que neste momento tenho para partilhar. Relativamente à questão dos médicos de saúde pública, há uma questão de divergência de entendimento entre várias instituições sobre se é devido ou não o pagamento de trabalho extraordinário, não obstante a existência de um suplemento remuneratório associado ao exercício de funções da autoridade de saúde. É uma questão que não está dirimida e que pode estar na origem de diferentes entendimentos. Aquilo que o gabinete do senhor Secretário de Estado da Saúde já fez relativamente a este tema foi solicitar um parecer que ultrapasse, em definitivo, esta divergência de entendimentos e que permita a uniformização de procedimentos ao nível do país. Estou em crer que não é isso que vai inibir os nossos profissionais de darem o melhor de si, como sempre o fizeram e como tenho a certeza que vão continuar a fazer, pese embora haja um constrangimento que tem sido suscitado pelos mesmos e que estamos a procurar ultrapassar em termos legais. Muito obrigada.

Boa tarde, Carla Diego da RTP. Como sabemos, a Agência Europeia de Medicamentos já recomendou a autorização do Remdesivir no combate à Covid-19. Agora falta também sabermos a opinião da União Europeia, mas Portugal também já recorreu a este medicamento em situações mais graves no combate à doença. Eu perguntava qual foi o contributo deste medicamento em situações mais graves. Uma segunda pergunta, nós temos recebido na RTP, nos últimos dias, algumas denúncias, algumas queixas de passageiros que têm chegado de Estados Unidos, Alemanha e Reino Unido, que dizem que no país de origem preenchem os documentos, o cartão de localização do passageiro. Lá preenchem os documentos. Quando chegam a Portugal, quer seja aeroporto de Lisboa, como já aconteceu, quer seja no aeroporto de Faro, ninguém pede esses documentos. Eu pergunto se isto é uma situação passageira, o que está aqui a passar, se vai ser resolvido a breve prazo. Para terminar, se me permitem mais uma pergunta, as regras sanitárias para a realização da Festa do Avante foram ontem divulgadas. Lisboa está a atravessar aquilo que nós todos conhecemos. Eu pergunto se não continuamos aqui a assistir a uma dualidade de critérios. Muito obrigada.

Eu vou pedir à senhora diretora-geral da Saúde que nos responda às questões Relativamente ao medicamento, gostava de referir que a informação de que dispomos é no sentido de que temos a expectativa de que a Comissão Europeia emita a autorização para este medicamento no decurso da próxima semana e que, como sabem, o Infarmédico tem assegurada a existência de um programa de acesso precoce para a utilização deste medicamento nos hospitais do SNS, nos casos necessários.

São 14h, está com a Rádio Observador. Estamos em missão especial a acompanhar a conferência de imprensa da Direção-Geral de Saúde.

O necessário acesso. E é esse aspecto que certamente a Direção-Geral de Saúde poderá referir, será depois repercutido naquilo que são as orientações da própria Direção-Geral de Saúde. Relativamente à questão das medidas de apoio, de controle, de segurança para a utilização de viagens em transporte aéreo, já tenho referido várias vezes que os cartões de localização do passageiro foram distribuídos para utilização, tanto quanto é do meu conhecimento, nos vários aeroportos. Não sei se a senhora diretora-geral de saúde tem mais informação, mas gostava de dar uma nota a propósito da outra questão que colocou, que é a das organizações de qualquer natureza na região de Lisboa e Vale do Tejo. Neste momento, aquilo que temos é uma restrição aos aglomerados de mais de cinco pessoas nestas 19 freguesias e depois restrições graduais ao longo da área metropolitana de Lisboa e do país. E neste momento é prematuro, é precoce nós estarmos a pensar noutros momentos, que compreendo que possam começar a ser planeados pelas entidades organizadoras, mas compreenderão também todos que neste momento o nosso foco é a contenção desta situação em Lisboa e Vale do Tejo, para depois podermos considerar outras coisas daquilo que são as nossas expectativas comuns. Mas neste momento é prematuro estar a referir mais coisas sobre aquilo que será designadamente o mês de setembro. Senhora Diretora-Geral.

Relativamente à utilização do Remdesivir, de facto, havia já um programa de acesso precoce. Os hospitais ativaram, portanto, para doentes graves, foi utilizado e nós a situação que acompanhamos e da qual eu posso dar alguns resultados, pelo menos no geral, no global, foi a utilização deste medicamento na área pediátrica, que as crianças que o utilizaram correram de facto bem. Portanto, foi fácil o acesso ao medicamento, foi rápido, foi utilizado em tempo útil e o prognóstico foi de facto bom. Portanto, é a informação que tinha para dar relativamente à utilização do medicamento, é que o processo tem funcionado até à data. Relativamente aos voos e aos cartões que os passageiros preenchem, muitos deles durante os voos, o que está em vigor neste momento é que em todos os aeroportos e em todos os aeródromos são entregues às companhias aéreas os ditos cartões, são preenchidos e o que está previsto é que as companhias aéreas recolham esses cartões e depois o entreguem num envelope fechado, obviamente, ao supervisor do aeroporto. Pode acontecer, sempre que se inicia um processo generalizado, que haja uma ou outra falha num ou outro voo. Obviamente, quer as autoridades de saúde, quer as autoridades da aviação civil, quer dos aeroportos estão a acompanhar este processo. Portanto, eu até vou dar nota desse relato que me fez, porque pode acontecer. Vou dar boa nota desse relato. Mas o procedimento é este: os passageiros devem preencher, de facto, a tripulação deve coligir, juntar, pôr num envelope selado e entregar no aeroporto, onde ficará depois à disposição das autoridades de saúde, porque se aparecer um doente que se sabe que vem naquele voo, será mais fácil localizar os seus contactos. É este o objetivo destes cartões.

Primeiras questões por videoconferência, Agência Lusa. Boa tarde, António Neves da Agência Lusa. Eu queria perguntar se a DGS já considera recomendar a utilização de aplicações de telemóvel para rastreio de contactos, se já há alguma aplicação preferencial. E queria também perguntar quando é que vão sair as regras para as touradas e o que justifica que sejam diferentes dos outros espetáculos em salas fechadas com lugares marcados. Obrigado, boa tarde.

Senhora Diretora-Geral, após a questão da aplicação e entendendo que aquilo que você dá a informação é da competência da Direção-Geral, pode ser pertinente partilhar a informação que temos neste momento. Tanto quanto sabemos, estará em breve disponível para utilização a título experimental a aplicação que tem sido desenvolvida pelo INESC Tech. Fazemos votos de que isso seja de facto possível. Recordo que o baixar da aplicação é uma opção voluntária, individual, e que poderá, desde que o acesso à informação seja garantido através de profissional de saúde, ser uma forma pertinente, útil e segura para, no caso de um caso ser considerado positivo, os seus contactos serem mais facilmente localizados e avisados. E portanto, há aqui uma vantagem de eficiência para todo o trabalho da saúde pública. Como saberão, a Comissão Nacional de Proteção de Dados naturalmente que foi envolvida, é sempre envolvida neste tipo de processos e, tanto quanto é do nosso conhecimento, haverá informações concretas sobre o mesmo dentro dos próximos dias ou horas. Senhora Diretora-Geral.

Relativamente às touradas, a Direção-Geral da Saúde emitiu já o seu parecer e as regras que considera que devem ser observadas neste tipo de atividade e a sua aplicação depois depende do ministério, obviamente, que tutela essa atividade. E portanto, é o que eu tenho a dizer, é que do Ministério da Saúde DGS foram emitidos os pareceres, as orientações e as regras. E volto a dizer, este é o papel da Direção-Geral, é emitir orientações técnicas, regras de acordo com o que são mecanismos de prevenção e controle da infecção. Depois, quanto à sua aplicação, há outros organismos que têm essa competência para o fazer.

Rádio TSF.

Olá, muito boa tarde. Fala o José Carlos Barreto. Tenho duas questões. Uma tem a ver com as medidas restritivas que vão ser umas levantadas, outras aplicadas a partir de dia 1º de julho, quarta-feira. Quero saber se até lá as coisas vão continuar como estão agora ou só no dia 1º de julho é que a restrição vai ser aplicada. A outra tem a ver com a UEFA e a Liga dos Campeões. Pelo menos três jornais esportivos espanhóis davam conta que a UEFA estava muito preocupada com o fato do que está acontecendo em Lisboa e à volta de Lisboa, que poderia haver a hipótese de a Liga dos Campeões voltar atrás. Quero saber se o governo tem de alguma forma estado em contacto com a UEFA para também apaziguar e compensar o resto das preocupações da UEFA. É só. Boa tarde, obrigado.

Obrigada. Relativamente à questão dos contactos com a UEFA, o Ministério da Saúde não dispõe dessa informação para lhe poder responder. Aquilo que nós sabemos sobre a situação epidemiológica do país, e concretamente desta região, é que, uma vez mais, gostaríamos que ela fosse com menor número de novos casos por dia, mas ainda que seja com o número que todos conhecemos, a situação está controlada e portanto implica medidas como aquelas que nós tomamos nos últimos dias e concretamente ontem. Mas é uma situação que vamos continuar a acompanhar e não vemos motivo para qualquer das atividades previstas para um tempo mais dilatado, como é aquele que está a referir-se implicitamente na sua pergunta, possam sofrer alterações. Relativamente às opções tomadas pelo Conselho de Ministros, de facto, esta construção, esta organização do país em três níveis de alerta decorre, no essencial, daquilo que é a avaliação epidemiológica territorial. Sempre dissemos que esse é um aspecto que temos que manter em estrita observação e que tem que, em cada momento, determinar as medidas de saúde pública necessárias e adequadas. E, portanto, a nossa avaliação leva-nos a concluir que, genericamente, o país, apesar de ter focos localizados de doença, o que também de alguma forma é natural, considerando que estamos há mais de um mês a viver o desconfinamento progressivo, portanto, é uma situação que de alguma forma era expectável, mas a situação está de facto controlada e leva-nos a instituir genericamente o estado de alerta com uma restrição específica, à qual temos vindo a associar alguns comportamentos que podem ser geradores de maior risco, que é o consumo em ajuntamentos, em aglomerados, na via pública de bebidas. Não se trata de outro aspecto senão o de evitar que as pessoas se aglomerem para esse tipo de hábito, que neste momento, uma vez mais, tem de ter aqui um enquadramento específico. E depois, regras adequadas à área metropolitana de Lisboa, que é a coroa daquilo que é o foco da nossa preocupação, que são então as 19 freguesias. Nessas 19 freguesias já temos, desde o início da semana, uma situação específica relativa ao funcionamento dos horários da generalidade dos estabelecimentos, sem prejuízo de estabelecimentos de natureza específica e de consumos de natureza específica, e com uma avaliação de risco sempre associada, como é evidente. E depois, um reforço das medidas de saúde pública, de vigilância epidemiológica, de acompanhamento de casos, de vigilância do cumprimento do confinamento domiciliário, de garantia de que as pessoas têm os bens essenciais de que dispõem e as condições económicas para o cumprimento das medidas de saúde pública, que também chamava a atenção que está referida na resolução do Conselho de Ministros de ontem e que será complementada agora por um despacho conjunto, como diz a própria resolução do Conselho de Ministros, de várias áreas, entre as quais a área da saúde, e onde se fixarão muito concretamente deveres especiais de celeridade e resposta para aquilo que é o trabalho da vigilância epidemiológica, que temos, de facto, que afinar e que é uma das maiores garantias de que conseguimos ultrapassar esta situação. E portanto, é esta a explicação, é por isso que é este o calendário, é também de forma a que tudo esteja preparado quando iniciarmos essa nova fase. Obrigada.

Últimas questões, Jornal Sul Informação.

Boa tarde, Elisabete Rodrigues do Sul Informação. Senhora Ministra, no Algarve há quem defenda, nomeadamente autarcas, a implementação de um teste rápido no aeroporto de Faro, à semelhança do que está a ser feito nos Açores, ou que pelo menos seja exigido um teste recente aos turistas vindos do estrangeiro que entram na região. Esse teste está a ser equacionado? E já agora, a senhora ministra falou dos três surtos que são conhecidos, mas há uma quarta situação no Algarve que tem a ver com Monchique, seis pessoas de uma mesma família que estão infetadas e tudo começou com uma senhora infetada no IPO em Lisboa. E há outros casos no Algarve ligados ao IPO. E, portanto, a minha questão é: que garantia têm os doentes do Algarve, e já agora do resto do país, de que neste momento ir ao IPO é seguro depois de terem acontecido estas situações?

Muito obrigada pelas tuas questões. Eu vou já direito à última questão, porque ela é muito importante. É muito importante que o Serviço Nacional de Saúde, como o resto do país, retome a sua atividade assistencial e que as pessoas, quando precisam, utilizem os serviços de saúde com tranquilidade. A melhor garantia de que os cuidados são mantidos são os próprios profissionais de saúde, porque isso depende essencialmente de cada um deles. Os casos do IPO de Lisboa, de facto, pela natureza de o IPO de Lisboa ser uma instituição com uma área de influência que, na região Sul do país, abrange todo o país, é o hospital especializado de referência para toda a área abaixo de Lisboa, originou alguns casos noutras áreas e, concretamente, temos exactamente a mesma informação que tem, de contactos de utentes do IPO que poderão ter originado depois casos positivos na região do Algarve. Mas recordo-vos que a origem destes casos aconteceu também a sua detecção, porque o IPO tem instituído um procedimento de segurança, como têm todos os hospitais do Serviço Nacional de Saúde, como têm outros hospitais do sistema de saúde português e como genericamente se está a fazer, pelo menos nos serviços de saúde da União Europeia, de avaliação sistemática daquilo que são os utentes que vão ser submetidos a determinados tratamentos e de avaliação dos profissionais que são considerados como de risco para o efeito. Dizer-lhe também que, de facto, também tenho aqui a nota de que haverá em Monchique uma situação de seis casos positivos e que a sua origem será, eventualmente, uma ligação a um desses casos de um utente ou de uma situação do IPO de Lisboa. Portanto, o que me parece essencial desta informação é: na região do Algarve, como na região do Alentejo, como na região do Norte e como na região do Centro, nós estamos a conseguir identificar ainda muito bem as cadeias de transmissão com até relativa facilidade, embora numa situação, num ambiente de desconfinamento, seja muito mais difícil este trabalho para as autoridades de saúde e que, portanto, vamos ter que manter a observação e a constância do acompanhamento destas situações, como aliás, acontece com todas as situações de doença. Relativamente à eventualidade da utilização de pedidos de teste ou aplicação de teste nos aeroportos. Como já dissemos várias vezes, é uma situação que estamos a acompanhar com os outros países com os quais nos articulamos e desejavelmente devemos ter medidas combinadas. Neste momento o controle é baseado no controle da temperatura. Sabemos das suas fragilidades. Por isso, pedimos também que quem está em sintomas ou vem a ter, que dê nota dessa circunstância e da circunstância de ter feito uma deslocação de avião e, sobretudo, por isso utilizamos também os cartões de localização dos passageiros para poder fazer esse trabalho. As demais medidas serão analisadas com uma abrangência mais ampla e também ao nível daquilo que é a decisão de outros países e também as decisões que envolvem, designadamente, a área do Ministério dos Negócios Estrangeiros.

Muito obrigado.

Obrigada a todos. Bom trabalho.

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