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As Sr.as e os Srs. Deputados. Sr. Primeiro-Ministro, nós ao longo deste debate já ouvimos...
A interromper o discurso por causa dos apartes que surgem, quer da bancada do PSD, quer da Iniciativa Liberal, não tanto do Chega desta vez, porque Maria Moria Lopes e Mariana Leitão estão perdidos de riso na primeira fila da bancada dos liberais.
Obrigada, Sr. Presidente, eu compreendo que o Sr. Deputado não tenha resistido ao humor. Acho que nenhum de nós resistiu a esse momento. Mas voltando àquilo que nos traz ao debate, Sr. Primeiro-Ministro, nós já ouvimos aqui ao longo do dia falar de vários problemas do país, da saúde, da habitação. Há uma reforma, até no ímpeto reformista que o Sr. Primeiro-Ministro falou em matéria económica e financeira, que eu hoje não posso deixar de lhe referir e que começa por dentro do seu próprio governo, em particular no Ministério da Agricultura. É que o Sr. Primeiro-Ministro, neste momento, tem um problema grave dentro do Ministério da Agricultura, que é o seu secretário de Estado, João Moura. E falo não apenas dos recentes casos que vieram ao conhecimento público das alegadas ligações a offshores, dos negócios da herdade do próprio, relacionados com aquilo que também tem a ver com o negócio dos cavalos, mas sim o exercício de influências também no mundo equestre. Mas falo de uma outra dimensão. É que enquanto o país ardia, enquanto era preciso uma estratégia verde pra floresta, pra agricultura de sustentabilidade e de resiliência, enquanto era preciso apoios para o bem-estar e proteção animal, não sabemos onde é que o Sr. Secretário de Estado estava para estar ao lado destes setores que cabem na sua tutela e que estão diretamente na sua dependência. Mas uma coisa eu sei, Sr. Primeiro-Ministro, eu sei onde é que estava o Sr. Secretário de Estado, que é onde não deveria de estar, que era ao lado de pessoas que, nomeadamente numa homenagem à tauromaquia, não neste caso ao lado do Sr. Deputado Paulo Núncio, mas infelizmente ao lado de pessoas, numa homenagem a pessoas que cometeram ilegalidades no nosso país, como deixar morrer cães à fome, como foi o caso do cavaleiro João Moura, do seu filho João Moura Júnior, que fazia práticas ilegais de corridas de cães atiçados contra touros. E o Sr. Secretário de Estado achou que uma entidade que tinha o dever de fiscalizar era o lugar onde ele deveria de estar, num claro conflito de interesses. E, portanto, eu pergunto-lhe quando é que vai mandar o secretário de Estado pra reforma, pra devolver a dignidade à tutela do Ministério da Agricultura que deveria de existir, porque até o Sr. Ministro da Agricultura já foge do Sr. Secretário de Estado nas esferas da agricultura. E, portanto, eu pergunto, Sr. Primeiro-Ministro, foi pra isto que mudou a tutela do bem-estar animal?
Muito obrigado. José Manuel Fernandes, Ministro da Agricultura, e aqui acenando que não com a cabeça e I há pouco aquele momento de riso que provocou a interrupção da intervenção de Inês de Sousa Real era mesmo sobre a tentativa de pega de Paulo Núncio, é, que foi depois também referida por Inês de Sousa Real. Vamos à resposta de Luís Montenegro.
Que a Sra. Deputada tenha desperdiçado a oportunidade de intervir neste debate em que o primeiro-ministro se apresenta ao Parlamento para poder dar as respostas que são devidas sobre a atividade do Governo e tenha, no fundo, utilizado todo o tempo disponível para fazer um ataque pessoal, personalizado, na base de insinuações. E sinceramente, Sr. Deputada, isso não merece resposta, porque não tem resposta. A resposta que tem é que era importante que nós, independentemente das regras de escrutínio e de fiscalização da ação política, nos concentrássemos em resolver os problemas das pessoas. O que eu lhe posso dizer, portanto, é que, em resposta à sua dissertação e ao seu ataque pessoal a um membro do Governo, o Governo continua a valorizar a agricultura portuguesa, a pecuária portuguesa, a fazer desse um setor estratégico pra nós podermos ter mais autonomia alimentar. Continua focado em poder conciliar a cultura portuguesa, o aproveitamento do território com a sua utilização para fins agrícolas, para fins pecuários, para fins florestais, para fins turísticos. Continua focado em dar desenvolvimento, em dar rendimento e continua também focado em garantir o bem-estar animal, que é efetivamente uma responsabilidade de que nós não sacudimos em termos de intervenção. Portanto, Sr.ª Deputada, nós estamos a fazer o nosso trabalho para valorizar a agricultura portuguesa, para valorizar todas as atividades conexas com a agricultura portuguesa e também para valorizar o bem-estar animal. Lamento que a Sra. Deputada não tenha aproveitado o seu tempo pra se dedicar a estas matérias.