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Olá a todos e sejam muito bem-vindos. Hoje vamos falar sobre um tema que faz parte da vida de todos nós, mas ao qual nem sempre damos a atenção que merece: a amizade. O estudo da Super Bock, "A Amizade em Portugal: como é, o que é que mudou?", debruçou-se sobre a amizade em Portugal, analisando a sua evolução e o impacto que essa transformação tem na nossa vida. Para conversar conosco sobre estes insights e sobre a nova campanha da marca, recebemos Bruno Albuquerque, diretor de marketing, cervejas e patrocínios do Super Bock Group. Bruno, seja muito bem-vindo à Rádio Observador. Começo por lhe perguntar: por que decidiu a Super Bock realizar este estudo?

A amizade está no centro daquilo que a Super Bock defende há muito tempo. E promover este estudo é, para nós, uma forma de assumir, de forma séria, um compromisso que já vem de trás. Este propósito está sempre presente na forma como nós atuamos, mas também na nossa vontade de ir um pouco mais a fundo e usar a marca como facilitadora de conversas, porque nós acreditamos que a amizade tem um papel único na vida das pessoas. É através dos amigos que nós celebramos conquistas, ultrapassamos momentos difíceis, criamos vínculos e as memórias mais marcantes da nossa vida. E é isso que ao longo dos anos nós temos procurado materializar através de estimular contextos onde as pessoas se possam encontrar, estar juntas. Nós fazemos através da música, dos festivais, do futebol, das festas populares, dos momentos de convívio. E é precisamente essa convicção que nasce o primeiro estudo em 2015, e nós sentimos que 10 anos depois, houve muita coisa que mudou, surgiram novas formas de comunicar, o ritmo de vida está aceleradíssimo, passamos a estar permanentemente ligados e sentimos que era o momento de voltar a ouvir as pessoas e perceber em que estado é que está a amizade agora em 2026.

E falava precisamente disso, Bruno, o ritmo de vida atual que temos neste momento é sempre a correr, o tempo parece sempre muito escasso. Este estudo acaba por trazer aqui um alerta muito claro: a amizade é essencial pra nossa vida, mesmo em qualquer idade. Eu acabei por ficar surpreendido com um dado. A qualidade das amizades chega a ter um impacto três vezes maior no nosso bem-estar do que a quantidade de amigos que temos. O que define, afinal, segundo este estudo, esta qualidade, que também é um dado bastante importante?

Sim, esse é um dado muito interessante, e nós, de alguma forma, já tínhamos, intuitivamente, algumas pistas daquilo que nós vamos conhecendo da nossa presença neste universo da amizade. Mas este estudo torna isso muito claro, que é, de facto, muito mais do que o número de ligações, do número de amigos. A qualidade das amizades é fundamental. E nós percebemos, através deste estudo, que quando falamos de qualidade, estamos a falar da profundidade e do significado que as relações têm. O estudo mostra que pra maioria das pessoas, um bom amigo, e é isto que significa qualidade das amizades, é, acima de tudo, a presença, é alguém que está lá. Não é necessariamente alguém que tem que ter um papel interventivo na resolução, é alguém que está presente, é alguém em quem nós podemos confiar e que sentimos que aquela presença significa podermos contar com a pessoa quando mais precisamos, sem julgamentos, simplesmente confiando e estando lá. Portanto, esta ideia da presença é muito importante, é o critério mais crítico pra definir aquilo que é a qualidade das amizades. Isso é o que cria confiança, que é a base das relações de amizade, e implica aqui uma reciprocidade. Pelo apoio, pela capacidade de partilhar, quer bons momentos, quer momentos mais difíceis. E é isso, no fundo, o bem-estar não se mede pela quantidade, mas sim em relações. E nesta lógica de relações, algo muito interessante também é a intensidade dos momentos. Todos nós temos aquela sensação, muitas vezes com amigos, que às vezes até podemos estar em determinados períodos da vida, menos vezes com os amigos, mas se tivermos previamente criado memórias que são intensas, que são profundas, essas amizades não se desvanecem, ainda que as tenhamos que alimentar. E nesse âmbito, a presença física é muito importante.

Claro, e falamos dessa questão da presença. Essa conclusão também nos salta à vista e parece-me bastante interessante falar sobre isso, porque o estudo indica que o convívio presencial é cada vez menos frequente entre os jovens, apesar dos seus benefícios e daquilo que o Bruno também foi explicando agora mesmo. O que mudou nestas dinâmicas dos mais jovens, especialmente se compararmos até com o passado recente ou até com os dados de um estudo que a Super Bock também realizou em 2015?

Sim, o que nos chamou mais a atenção Foi que os jovens continuam a valorizar muito a amizade, mas encontram-se menos vezes presencialmente do que há 10 anos. Ou seja, a vontade de estar com os amigos continua lá, mas o que mudou foi a frequência com que isso acontece. Isso tem muito a ver com o contexto. Vivemos numa época em que temos cada vez mais formas de comunicar, mas isso não significa necessariamente mais tempo juntos.

E estamos sempre ligados, não é? Mesmo estando à distância.

Sim, exatamente. Desde os mais jovens, há muito mais formas de haver ligação, mas depois a dimensão presencial acaba por ficar, ou pelo menos o estudo demonstra que se reduziu. E isso é algo que nos chama a atenção, porque a interação presencial é essencial pra construção da tal qualidade que falávamos há pouco das amizades. Porque esta dimensão presencial é muito importante na questão da empatia, da regulação emocional, porque a presença física ajuda na leitura das expressões faciais, no ajuste emocional das relações, na questão do feedback, da reação e interpretação de feedback.

Às vezes um simples olhar já diz tudo, não é?

Isso, exatamente. Por acaso lembrava-me agora de uma campanha de Super Bock que nós tivemos precisamente sobre os amigos amigos, que era assim que nós dizíamos, e era muito à volta destas pequenas subtilezas que só aqueles amigos mais próximos nos compreendem e que muitas vezes um olhar é suficiente pra transmitir uma mensagem ou pra acusar a recepção de mensagens. E isso só é possível através da presença física, da importância do toque, da linguagem corporal. E isso é muito importante pra construção da identidade e da autoestima. A pertença a um grupo social real e que gera mais segurança emocional nas pessoas. E nunca foi tão fácil falar com os amigos, como dizias, João, mas talvez nunca tenha sido tão difícil encontrar tempo pra estar com eles. E é isto que nos chama a atenção e onde nós, aquilo que é o nosso âmbito de atuação e aquilo em que nós podemos ajudar, é tentarmos estimular e ajudar a criar contextos pra que realmente as pessoas se possam encontrar.

E, acima de tudo, ter tempo de qualidade. Bruno, é precisamente com base neste estudo que a Super Bock lança aqui uma questão muito direta na sua nova campanha: "há quantas rodadas não apareces?", que retrata grupos de amigos em momentos de convívio, onde a ausência de um elemento se faz ou fez sentir. Quer contar-nos como nasceu esta campanha?

Sim, esta campanha, "há quantas rodadas não apareces?", nasce de um destes principais insights do estudo e tem a ver com isto que estivemos a falar. Sabemos que a amizade continua a ser importante, mas que nos encontramos menos vezes. Então a pergunta passa a ser: o que é que nós podemos fazer pra contrariar essa tendência, pra estimular estes encontros? E todos nós temos aquele amigo ou aqueles amigos que andam desaparecidos, e às vezes esse amigo somos nós próprios.

Sim, é verdade.

Foi daí que nasceu a pergunta "há quantas rodadas não apareces?". Um trabalho que nós fizemos com base nestes insights, mas em ligação com os nossos parceiros de comunicação, com o escritório. E isto não é uma crítica, é um convite, é um estímulo, é um convite pra voltar a aparecer, pra voltar a estar presente e pra voltar a dar prioridade às pessoas que realmente importam, porque a amizade precisa de tempo, mas acima de tudo precisa de presença. E é aqui que nós posicionamos esta campanha, como no seguimento de muitas outras que nós já fizemos, onde tentamos sempre trazer um ângulo diferente, um ângulo ou de reflexão ou de ação, e queremos muito ajudar nesta causa, neste propósito.

Como é que tem sido o feedback?

O feedback tem sido muito positivo, porque nesta temática de campanhas, o que é importante não é tanto o lado comercial, sobretudo no caso de marcas que já estão muito estabelecidas. Obviamente que é também importante, mas aqui o nosso foco está em tocar as pessoas nas mentes, nos corações, porque fazer com que as pessoas sintam algo e que se identifiquem realmente com aquilo que ali está. E nós temos tido muitos exemplos disso. Este é mais um, porque as pessoas reconhecem a importância de estar com os amigos e lembram-se. Se nós conseguirmos simplesmente que alguém faça um telefonema ou que fique ali uma semente plantada pra estimular a contactar um amigo, nós já ficamos contentes e já cumprimos com o nosso objetivo. E é neste registo que temos andado. Usamos o nosso próprio produto pra facilitar. Nós tivemos uma campanha, por exemplo, que se baseava naqueles pequenos desentendimentos entre amigos, que também são normais, e usamos os nossos próprios rótulos pra pessoas. Dissemos "a cerveja que diz o que não sai", porque os rótulos tinham várias formas de pedir desculpa, e daí também usarmos os nossos próprios meios para estimular estas conversas. E como as pessoas, é sempre o nosso objetivo, se identificam, cada um se revê sempre de alguma forma numa outra situação que nós tentamos projetar, é normal que as pessoas adiram a estas campanhas, sintam alguma coisa e, de alguma forma, em alguns momentos, também gerar ação. Portanto, o feedback tem sido muito positivo.

Fica aqui um excelente mote para refletirmos sobre a forma como gerimos o nosso tempo e, sem dúvida, as nossas amizades e relações. Este estudo da Super Bock foi realizado pelo CIS e ISCTE. Deixa claro que mantermos amigos é, de facto, importante e imprescindível na vida de todos nós. O Bruno Albuquerque é diretor de marketing, cervejas e patrocínios do Super Bock Group. Muito obrigado por ter estado aqui conosco na Rádio Observador.

Obrigado, foi um prazer, João.

E entretanto, o desafio está lançado. Se neste momento nos está a ouvir no carro ou no trabalho, pense nisto: há quantas rodadas não aparece? Não espere por amanhã pra ligar àquele amigo que já não aparece há algum tempo.