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Portugueses, acabei de decretar o estado de emergência.

Faleceu um doente que tinha a doença Covid-19.

Esta pandemia ainda não atingiu o seu pico. Começaram a trabalhar na linha SNS 24 mais 112 enfermeiros.

Vamos ver como vai ser o desfecho.

E vamos vencer.

O que são os testes serológicos e para que servem? São perguntas que hoje fazemos no dia em que o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, começou a realizar estes testes. A Direção-Geral da Saúde dá ok para a sessão solene do 25 de Abril no Parlamento. Lá fora, em Munique, está cancelada a Oktoberfest.

Esta é uma luta pela nossa própria sobrevivência.

"La priorité absolue pour notre nation sera notre santé." "La victoria depende de cada uno de nosotros."

Test, test, test.

"If you are sick or not feeling well, stay home."

Há, nesta altura, um outro perigo à espreita: o da não vacinação das crianças por receio desta pandemia.

Ainda que atravessemos um período e um momento difícil, os pais não devem adiar a vacinação dos seus filhos sob pena de Portugal enfrentar um surto de outras doenças infecciosas evitáveis e com consequências potencialmente graves mais tarde. O Serviço Nacional de Saúde está preparado para responder. Este é um momento de responsabilidade e não de retrocesso nas nossas conquistas coletivas.

Garantia do secretário de Estado António Sales, na conferência de imprensa diária das autoridades de saúde. Quanto à sessão solene do 25 de Abril no Parlamento, está tudo ok.

O próprio Parlamento tomou todas as medidas necessárias e suficientes para cumprir as regras que estão estabelecidas para eventos deste tipo, com grande satisfação de todas as partes envolvidas, sobretudo com grande mérito do Parlamento e do seu plano de contingência e dos seus serviços próprios, vai ser possível, com dignidade, assinalar, comemorar uma data tão importante para o nosso país como é o 25 de Abril, cumprindo regras, volto a dizer, de controle de infecção e servindo também de exemplo para os nossos concidadãos.

Graça Freitas, a diretora-geral da Saúde numa altura em que em Portugal o número de doentes recuperados já é superior ao de vítimas mortais. Nos Estados Unidos e através do Twitter, o presidente Donald Trump anuncia que vai suspender a entrada de imigrantes no país como medida de combate a este coronavírus. Entretanto, na próxima semana poderá ser aliviado o confinamento obrigatório para as crianças espanholas que têm menos de 12 anos, poderão finalmente ser autorizadas a sair de casa. Até o final desta semana, a Itália vai apresentar um plano de alívio das medidas de confinamento obrigatório. Os números da Itália continuam a descer. A Grécia deverá também aliviar as medidas de restrição em breve. Na segunda-feira reabre de forma gradual o setor da justiça e também dos registos. Algumas lojas pequenas na Grécia vão poder reabrir. Os gregos registam 116 mortos e apenas 2245 casos confirmados, segundo os números oficiais. O número de mortos a nível global ultrapassou, entretanto, a fasquia dos 170 mil. A Organização Mundial de Saúde diz ter provas de que este coronavírus teve origem nos morcegos e não resulta de uma manipulação ou mesmo de uma fabricação do vírus em laboratório. Já a seguir conversamos com a editora de sociedade do Observador, Sara Antunes de Oliveira, sobre os testes serológicos. O Presidente da República revelou hoje que não está imunizado.

Marcelo Rebelo de Sousa já fez os testes sorológicos e numa entrevista à Antena 1, o presidente revela que não está imune ao coronavírus.

Um teste dos novos que chegaram de imunidade. E posso lhe dizer que não estou imunizado, porque não tive nenhum contacto com nenhum portador-

Ou seja, corre o risco de ser infectado.

O que é uma ironia, porque se havia pessoa que contactava de próximo com os portugueses nas semanas anteriores, era eu.

Alô.

Olá, Sara. Bem-vinda, Sara Antunes de Oliveira.

Olá, tudo bem?

Ouvimos aqui, agora mesmo, uma declaração de Marcelo Rebelo de Sousa de 8 de abril. Afinal de contas, Sara, o que é isto? O que são os testes serológicos?

Apesar do nome estranho, na verdade, é só uma análise ao sangue que permite detectar uma coisa que se chama imunoglobulina G. Isso são anticorpos específicos que o nosso corpo produz quando está em contacto com determinado vírus ou bactéria, invasores, e que é produzido especificamente no momento em que o corpo do doente começa a vencer a batalha contra ele.

E qual é o grau de fiabilidade destes testes?

Há vários testes no mercado. Algumas pessoas com quem já falámos sobre o assunto dizem que os menos fiáveis provavelmente são aqueles que se chamam os testes de sabonete, em que se pica só o dedo pra uma recolha muito pequena de sangue, mas que há outro já com uma fiabilidade superior a 90%. Esta questão da fiabilidade que eu estou a falar tem a ver com a contagem dos anticorpos, que é o que esse teste vai fazer. Para isso, esses testes que já existem são fiáveis. Coisa diferente é se eles já determinam a imunidade de uma pessoa.

Essa é uma questão central, não é? Porque ainda não se consegue afirmar com um elevadíssimo grau de certeza e com base nesses testes, se as pessoas ficam imunes e por quanto tempo.

Eu diria que neste momento, com nenhum grau de certeza, porque não basta nós fazermos um teste a um sangue e percebermos que estão lá estes anticorpos, esta imunoglobulina G. É preciso que eles existam numa determinada quantidade para se saber que a partir dali a pessoa está protegida. O problema é precisamente esse: a quantidade necessária para estarmos protegidos contra o novo coronavírus. Isto é demasiado novo para que se saiba isso já. E, portanto, enquanto não for determinado o nível, o número de anticorpos a partir do qual a pessoa está imune, nós podemos fazer testes que nos dizem que nós temos, vamos imaginar, não será esta unidade de contagem, mas 100, 200, 300. Mas enquanto nós não soubermos a partir de quantos é que estamos imunes, é absolutamente irrelevante estarmos a fazer esse teste, se o único objetivo é perceber se estamos imunes ou não. Fiz-me entender? Não é fácil.

Perfeitamente. Esta é uma questão central numa altura em que muitos países já estão a aliviar as medidas de confinamento, as medidas de restrição. Portugal também já está a pensar nisso, ainda não sabemos bem qual é que vai ser o nosso plano, mas há vários países a dar passos concretos na questão de quase um atestado de imunidade. É, por exemplo, o caso do Chile, que decidiu avançar esta semana com o cartão do imune. Esta designação é minha, não é oficial. Oficialmente é o cartão Covid. A Alemanha está a ponderar estes certificados de imunidade. O que te pergunto, Sara, é se vamos assistir aqui a um novo mundo em que vamos ter de um lado os imunes e do outro os não imunes.

Olha, eu há umas duas semanas, talvez, falava com o Germano de Sousa, que é um especialista em patologia clínica e que é dono de um dos maiores laboratórios de análises no país, precisamente por causa destes testes, porque, como já ouvimos, o Presidente da República também o fez. E ele era frontalmente contra estes certificados de imunidade. Por quê? Porque sim, voltamos ao mesmo. Nós podemos fazer uma série de testes e perceber que as pessoas que tiveram a doença desenvolveram os anticorpos. Podemos até fazer testes a pessoas a quem não foi diagnosticada e perceber que afinal eles também estiveram doentes, mas não se aperceberam, não tiveram sintomas. Mas voltaremos sempre a esta questão. Enquanto não for determinado o nível a partir do qual nós estamos imunes, quantos anticorpos são necessários para que estejamos imunes, é indiferente estarmos a fazer essa contagem, repito, apenas para determinar se estamos imunes ou não. Até porque depois se levanta uma outra questão. Nós sabemos que há vacinas que nós tomamos uma vez na vida inteira, há vacinas que nós temos que tomar de 10 em 10 anos ou de cinco em cinco anos. Isto por quê? Porque se percebeu para aquelas doenças que o nível de imunidade estava num determinado número de anticorpos, mas que com o passar do tempo, o número de anticorpos daquela pessoa exposta à vacina, que também é o que provoca nas pessoas, provoca a produção de anticorpos, começava a baixar. E, portanto, era preciso ir reforçando o contacto com esse vírus enfraquecido dentro da vacina para que o nível de anticorpos se fosse mantendo. O que significa que nós podemos agora até chegar a um número do nível de anticorpos necessário para estarmos imunes, mas o trabalho terá que continuar a ser feito para percebermos depois naquela pessoa, se um teste feito um mês, seis meses, um ano, dois anos depois, se os anticorpos vão baixando e se é preciso ir fazendo reforços da vacina ou se bastará uma única vacina para que ficamos imunes para a vida toda. Portanto, são dúvidas a mais para haver já certificados de imunidade e cartões de livre-trânsito para Covid, que são, para mim, da minha perspectiva, muito prematuros.

E hoje estamos a falar destes testes serológicos, porque o Hospital de Santa Maria começou a fazer precisamente estes testes. No fundo, qual é o objetivo principal do Hospital de Santa Maria, Sara?

Eu acho que este anúncio baralhou um pouquinho a ideia, fez com que algumas pessoas pensassem que o Santa Maria ia não só começar a testar toda a população, como já determinar a imunidade das pessoas. E o diretor clínico do Santa Maria explicou aqui mesmo na Rádio Observador, que não é essa a ideia. Eles querem, por um lado, fazer esses testes à sua própria comunidade, seja de médicos, enfermeiros, auxiliares, mas também dos seus doentes que estão a tratar, a partir do momento em que eles comecem a recuperar e comecem a produzir anticorpos. Mas isso servirá, sobretudo, para dar mais informação até à comunidade científica e definir o nível protetor dos anticorpos contra a Covid. Porque, por exemplo, o que eles querem tentar perceber é uma coisa que começa a ser vista noutros países, que é: tivemos aqui um doente, testamos, ele tem anticorpos. Num número determinado qualquer, vamos imaginar 100. E percebemos, depois, que ele foi infetado de novo com Covid. Portanto, podemos já eliminar: 100 não chega. E, portanto, estes testes não vão ainda dizer quem está imune ou quem não está, por todas as razões que nós já explicamos, mas podem ser determinantes para ajudar a determinar o nível protetor. Porque se eles perceberem que têm casos destes, de pessoas que já tinham anticorpos, mas voltaram a ser infetados, isso já permite perceber que o nível de anticorpos detetado naquela pessoa não é suficiente. Portanto, eu acho que nesta altura vai ajudar a compreender a doença, mais do que, por exemplo, ajudar a começar a aliviar determinadas medidas ou ajudar a decidir afinal quem está imune ou quem não está.

Com base nestes resultados. Só para resumir, Sara, quem é que poderá ou quem é que vai fazer estes testes, por exemplo, no Santa Maria?

No Santa Maria, pelo que nós percebemos das explicações do diretor clínico, serão doentes que estiveram lá internados ou que foram lá diagnosticados com a Covid-19. Serão também profissionais de saúde, pessoal da comunidade do Santa Maria, porque a ideia é mais fazer um contributo para a ciência e para fazer um estudo interno do que propriamente determinar a sua imunidade. O que significa também para quem estiver a colocar essa questão, não só não é suposto eu, que não me insiro dentro desse grupo de pessoas que vão ser testadas, chegar ao Santa Maria ou a qualquer outra unidade do Serviço Nacional de Saúde e pedir para ser testada, porque isso não só não vai acontecer como seria inútil por aquilo que já explicámos, como mesmo as pessoas que podem recorrer a laboratórios privados para fazer esse teste, e alguns laboratórios estão a fazer em circunstâncias muito específicas, doentes muito específicos, também serve apenas para determinar se eles tiveram contato com a doença, se os anticorpos estão lá. Continuará sempre a ser inútil para definir se a pessoa está ou não está imune. No limite, como o Presidente da República poderá só dizer que a pessoa não está, porque não foram encontrados anticorpos. E, portanto, é inútil para nos dar uma sensação de segurança ou uma certeza de segurança, porque neste momento isso não é possível dizer.

Obrigado, Sara. A Sara Antunes de Oliveira.

Obrigada!

A editora de sociedade do Observador, sempre com esclarecimentos úteis, nada inúteis.

Tem dias.

Neste explicador especial Coronavírus. Já a seguir, fact-check. É um dos assuntos do momento: a polêmica sobre a sessão solene do 25 de abril no Parlamento, sobretudo o número de convidados. Já vimos que a Direção-Geral da Saúde já deu ok para a cerimônia. Polêmica que é também terreno fértil para notícias falsas e imprecisões que contaminam a discussão pública. No Facebook, surgiu um post que mostra Marcelo Rebelo de Sousa e Eduardo Ferro Rodrigues sorridentes, lado a lado. Na legenda está escrito: "Vergonha. Comemorações solenes do 25 de abril na Assembleia da República vão juntar 100 funcionários, 300 convidados, 100 jornalistas e, claro, o serviço de catering para comes e bebes". Vamos então a factos. Sim, a sessão solene agendada para as 10h da manhã de sábado, 25 de abril. Não, não são 500 pessoas. Segundo os dados mais recentes, no máximo, estarão no Hemiciclo 65 deputados, e não 77, como tinha ficado estipulado em conferência de líderes. Quanto aos convidados, os convites, esses, já foram enviados, mas não será divulgada a lista oficial dos convites. Fonte do gabinete do presidente da Assembleia da República diz apenas ao Observador que serão à volta de 30 ou 40. Ou seja, ao todo, vão estar no Parlamento menos pessoas do que as 130 inicialmente previstas e muito menos do que as 700 de há um ano. A decisão não foi unânime entre deputados, nem na sociedade portuguesa, com milhões de pessoas em casa em confinamento social em tempos de estado de emergência. Esta sessão será transmitida em direto pelo canal Parlamento, o que faz com que muitos jornalistas, por exemplo, optem provavelmente por ficar na redação ou mesmo em casa a acompanhar esta sessão. Quanto aos comes e bebes, também não há. Depois dos discursos, cada um vai à sua vida. Não há honras militares, nem visitas aos corredores, nem São Bento de portas abertas. Conclusão: os números apresentados no post são falsos e também não há festa com comes e bebes no Parlamento. Vem então o crime de falso. E em Munique também não há, neste caso, mais bebes do que comes. A Oktoberfest foi cancelada, não há cerveja, nem milhares de pessoas muito juntas a beber e a agitar compassadamente canecas de cerveja enquanto vão cantando melodias como esta. O chefe do governo da Baviera fez o anúncio oficial ao lado do presidente da Câmara Municipal de Munique. Markus Söder a explicar que sem vacina e em tempos que pedem cautela, todo o cuidado é pouco e até 31 de agosto estão proibidos eventos que impliquem grandes ajuntamentos. Este ano não haverá o grande festival da cerveja em Munique, entre o final de setembro e o início de outubro. A Oktoberfest atrai milhares e milhares de pessoas à Baviera todos os anos. A receita do ano passado, em termos financeiros, foi superior a 1200 milhões de euros, mas não é a primeira vez que esta festa é cancelada em 210 anos de história. Já aconteceu durante surtos epidêmicos no século XIX e também durante as duas grandes guerras. A tenda que está montada nesta altura em Munique está apenas a servir para fazer testes e não para beber cerveja, agitar a caneca e cantar "Ein Prosit", qualquer coisa como "brindemos à alegria, brindemos à tranquilidade". A sonorização é da Beatriz Martelo Garcia. Eu sou o Ricardo Conceição.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode inscrevê-lo, pode compartilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto.