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"Paga o que deves" é uma expressão bem portuguesa que talvez possa traduzir o significado da mensagem que o secretário-geral da NATO, Mark Rutte, enviou a Donald Trump. E não, não era um reto ao presidente dos Estados Unidos, mas antes a certeza do líder da Aliança Atlântica de que iria entrar na Cimeira dos Aliados com o acordo para aumentar o investimento em defesa de 2% para 5% nos próximos 10 anos, com a Europa a pagar em grande e rasgados elogios também a Donald Trump pela intervenção no Irão. É a primeira carta lançada neste Fora do Baralho Extra com a Susana Peralta e com o Jorge Fernandes. Jorge, traz aqui um naipe novo, estás a inovar. Carta de palhaço para Mark Rutte.

Sim, carta de palhaço, porque eu acho que as figuras que Mark Rutte fez são figuras de palhaço, verdadeiramente. Há vários motivos que me levam a dizer isto. Em primeiro lugar, Mark Rutte, não sei se se esquece, claro, que os Estados Unidos são o parceiro principal desta organização, mas os Estados Unidos são um aliado no meio de 32 países. Enquanto representante, secretário-geral da NATO, naturalmente que os Estados Unidos têm um peso, não vale a pena negar. Aquela mensagem a Trump, no fundo, é a mensagem de: "Conseguimos garantir que lhes vamos extorquir dinheiro e que vamos cumprir os objetivos". Já para nem falar do estilo absolutamente bojolador. Aquele estilo de Trump, que é um estilo absolutamente inenarrável e que toda a gente conhece. Enfim, não vale a pena estarmos aqui a elaborar mais sobre isto. Aliás, aquele elogio sobre o Irão e todas aquelas coisas que Trump disse sobre o Irão, aparentemente, segundo o que sabemos hoje por documentos que estão a sair cá para fora, basicamente, os ataques que Trump ordenou e os riscos políticos e militares que Trump ordenou terão causado, eventualmente, uma diminuição no avanço iraniano de meses. A ideia de que houve uma destruição, que aquilo foi um grande sucesso, aparentemente, segundo os próprios documentos americanos e das análises que eles conduziram depois do ataque, aquilo foi um flop. Para todos os efeitos, foi um flop. Sob esse ponto de vista, terá agradado a Trump, ao seu ego, mas do ponto de vista prático, não adiantou nada. Agora, relativamente à questão de fundo, que nos traz aqui de alguma maneira, a questão da NATO. Em primeiro lugar, não houve rigorosamente nenhum tipo de análise séria, nenhum tipo de análise pensada, ponderada, com relatórios feitos por especialistas, pessoas que realmente percebem disto para justificar a ideia de que é necessário um investimento de 5%. Não há nada. Os 5% foi uma altura, depois da vitória eleitoral em novembro, que Trump a dada altura diz numa conferência de imprensa "5%". Podia ter dito 4%, podia ter dito 7%, podia ter dito 8%. Foi o que calhou naquele dia.

E não há nenhum país que invista, que esteja lá perto dos 5%.

Nem os próprios Estados Unidos, de resto, investem 3,5%, ou o que seja. Tipicamente numa organização desta envergadura, esperar-se-ia que os políticos tomassem decisões alicerçadas em documentos preparados por pessoas, no fundo, avalizadas para isto, técnicos, pessoas que estudaram estas matérias, especialistas militares, especialistas de logística e de economia, e também naturalmente considerar aquilo que são as condições socioeconômicas dos países, porque a ideia de que é possível, e isto aqui traz-me ao segundo ponto, gastar 5% é uma ficção total. Digamos que nenhum país europeu pode aumentar o seu gasto em defesa para 5%, sem fazer cortes muito substanciais em matérias políticas, sociais, que são absolutamente fundamentais para manter a coesão social. E depois isto leva-me ao derradeiro ponto sobre isto. Os eleitores têm que ser ouvidos. Eu acho que esta decisão é de tal monta que os eleitores, a dada altura, têm que dar o seu aval e dizer: "Realmente nós estamos de acordo em retirar dinheiro, muitos milhares de milhões de euros de gastos noutras rúbricas para a NATO e para o investimento em defesa". E sejamos claros, este dinheiro é entregue diretamente num subsídio aos Estados Unidos, porque o investimento em defesa, no fundo, o vendedor de produtos de defesa são os Estados Unidos. Isto, no fundo, é quase uma extorsão que Donald Trump está a tentar fazer aos países europeus. E espanta-me que os países europeus estão de tal maneira tolhidos pelo medo, sem estratégia, que simplesmente cedem, assinam documentos que nunca serão cumpridos, felizmente. Mas que não têm qualquer sentido.

O que é que pode explicar então, Susana Peralta, que Mark Rutte tenha este tipo de declarações, dizer que é uma ação extraordinária e que a Europa tem que pagar o que deve. O que leva o secretário-geral da NATO a querer que haja este subsídio aos Estados Unidos, como diz aqui o Jorge. E já agora, olhando aqui para os números, a meta dos 5% divide-se, na verdade, entre 3,5% para o investimento propriamente dito em defesa e 1,5% para infraestruturas ligadas ao setor. Pode ser difícil de cumprir, a não ser com um custo social que dificilmente os governos estarão dispostos a suportar.

Vamos por partes. Eu acho que a mensagem de Rutte é uma mensagem completamente subserviente, acho que o Jorge já disse o essencial, e eu acho que se explica por uma enorme desorientação. Ou seja, infelizmente, a Europa, não só no contexto de uma possível estratégia europeia de defesa, como no contexto do seu papel dentro da Aliança Atlântica, anda completamente desorientada e vão se dizendo assim estas coisas, porque, de facto, não há um guião unificado para se falar. O que não quer dizer que o Mark Rutte não tenha características pessoais que o levam a ser lambe botas, mas se houvessem posições mais claras e mais concertadas, ele pelo menos não tinha a via aberta para fazer de palhaço, como o Jorge disse. Relativamente aos custos deste investimento, como é evidente que mesmo que haja exceções do ponto de vista das regras das finanças públicas da União Europeia para este tipo, para estes investimentos em defesa, não vale a pena nunca esquecer que a dívida são impostos futuros. Às vezes a dívida são impostos presentes, pela razão seguinte: se houver um excesso de endividamento, isso pode levar a um aumento da taxa de juro, que também impacta logo no ano a seguir no orçamento ou naquele ano, porque depois é preciso pagar os juros da dívida que já existe. A dívida é uma negociação permanente. O governo, isto é, o instituto que gera dívida pública, está permanentemente a emitir dívida para pagar dívida e pode também ser, na verdade, refazer-se nos impostos presentes. Eu acho que é bom, por exemplo, 1,5% em infraestruturas, em certos países, certamente em Portugal, faz imensa falta. E eu acho que até é bom haver uma exceção às regras europeias para este investimento que podemos chamar de defesa e se conseguimos realmente ter uma ferrovia e ter infraestruturas de metro, por exemplo, a sério, não sei se é esta invenção maluca dos metrobus ou sei lá o quê, nas nossas áreas metropolitanas, tudo isso é fora de série. Agora, é evidente que isso vai ter custos e depois há os 3,5% em defesa propriamente dita, para comprar armamento, etc. Não há maneira de isto não ter um custo nas restantes despesas do Estado. Não há magia, não há árvore das patacas. Ou nós cobramos mais impostos ou temos de cobrar noutras coisas e 5% é um montante muito substancial do PIB. Parece-me que em alguma altura vai ter de começar a ser necessário falar a sério aos contribuintes e também ouvir a opinião deles sobre isto. E é por isso que eu acho que a União Europeia, coletivamente, tem de ter uma estratégia concertada de defesa. Já agora, uma estratégia concertada também te permite obter os mesmos objetivos, porventura com menos gastos, porque há aqui muitas sinergias a explorar, e tem que obviamente, certamente gastar mais do que gasta atualmente. E é verdade que é uma vergonha nós nunca termos contribuído para a NATO o que deveríamos contribuir.

Nessa parte, já agora, Mark Rutte acaba por ter razão que o fardo dos Estados Unidos em garantir a defesa da área transatlântica, havia aqui um fardo e que ele diz que vai mudar hoje com esta cimeira. Tem razão nisso? Era um ajuste necessário aqui?

Eu acho que esse ajuste era necessário por uma questão de cumprir os nossos tratados internacionais. Eu acho que havia aqui um ajuste e acho que obviamente até esta atitude da Mark Rutte é também o resultado de um certo deixar andar da parte de muitos países europeus relativamente a essas questões da NATO. Agora, os Estados Unidos, nós já aqui discutimos isso várias vezes no Fora do Baralho, os Estados Unidos são os maiores ganhadores da ordem mundial que foi estabelecida, não só pelas vendas que fazem de armamento, atenção, mas também por todo um quadro de relativa paz e deste multilateralismo e do sistema de comércio internacional. Não é nada claro que os Estados Unidos tivessem a fazer isto que andaram a fazer por serem bons samaritanos também. É outra razão, já agora, pela qual aquela mensagem do Mark Rutte é verdadeiramente impensável. E já agora, uma última coisa, Mark Rutte até pode pensar aquilo e até pode dizer aquilo ao Trump em privado, ao ouvido, em segredinho de melhor amigo. Agora, ou ele queria que nós soubéssemos que ele escreveu aquilo, ou então é uma pessoa extremamente incompetente e incapaz para o trabalho que está a fazer, porque é evidente que tu mandas uma mensagem daquelas ao Donald Trump e que a probabilidade de ela estar passado poucos minutos a circular nas redes sociais é gigantesca. Ele será assim tão ingênuo? É que se ele é assim tão ingênuo, então se calhar também é mais uma razão para não ser a pessoa certa para estar à frente dos destinos da Aliança Atlântica, neste momento tão crítico e tão catastrófico da nossa história.

Averiguarmos o que sai desta cimeira. Nós estamos a gravar esta edição. A Europa, apesar de poder haver aqui um acordo, nós percebemos que, por exemplo, Espanha está contra este aumento nestes moldes. Jorge, no limite, a Europa depois pode ver-se obrigada a ponderar a permanência na NATO.

Não, eu acho que aquilo que a Susana disse é absolutamente correto. A ideia que os Estados Unidos alguma vez vão sair da NATO, pelo menos no contexto atual, não tem qualquer sentido. Podemos fazer aqui uma analogia entre os Estados Unidos na NATO e a Alemanha no euro. O grande ganhador da NATO e da estrutura que a NATO montou e da ordem internacional do pós-guerra foram os Estados Unidos. A ideia que Trump passa que os Estados Unidos são losers e fizeram maus negócios, é completamente mentira. Os Estados Unidos têm uma posição privilegiadíssima. O dólar é a moeda refúgio, continua a ser a moeda refúgio do mundo. A dívida americana, dado o seu montante, se o dólar não fosse o refúgio que é e as pessoas estivessem dispostas a pagar para guardar dinheiro em dólares, a dívida americana era insustentável. As finanças públicas americanas colapsariam de um momento para o outro, porque a dívida é de tal maneira elevada que se eles pagassem juros de mercado, digamos assim, não era sustentável. O Trump pinta um mundo que não é o mundo real. Ele vê o mundo de uma maneira absurda. Eu já disse isto aqui uma vez, até causou alguma celeuma. Ele vê o mundo Tal como um construtor civil vê um pedaço de terra em que as coisas são uma coisa de soma zero, ou é meu ou é teu, eu compro, tu vendes-me. É uma visão absolutamente básica do mundo e rudimentar. Ele não consegue entender a complexidade do mundo e a ideia de que a Europa, de alguma maneira, anda a extorquir os Estados Unidos. Não, os Estados Unidos estiveram na Europa e investiram dinheiro na Europa porque tinham um problema político e de Guerra Fria com a Rússia e a Europa, como era a fronteira territorial com a Rússia, foi o local onde os Estados Unidos decidiram investir. Aliás, antes de Trump, o que estava a acontecer, e Obama começou com isso, foi a ideia de fazer o que eles chamavam o pivô para o Pacífico, que era descentrar o investimento americano do ponto de vista militar da Europa e começar a focarem-se mais no Pacífico, porque se a Rússia era o perigo antigamente, agora é a China e há que investir num conjunto de países que são o equivalente funcional àquilo que a Europa era e foi muito tempo durante a Guerra Fria. E depois isto traz-me aqui outro ponto, que é um ponto absolutamente elementar, dizer: os Estados Unidos gastam $1 trilhão por ano em defesa. É verdade, mas os Estados Unidos querem, por exemplo, aqueles aviões com que eles atacaram o Irã, cada avião daqueles custou, a preços dos anos 90, 2000 milhões. Eles têm 20 aviões daqueles. Será que a Europa precisa ou quer ter aviões daqueles? Será que o nosso plano estratégico e a nossa ideia enquanto sociedade é termos aviões que consigam fazer aquelas coisas, que têm o valor que têm, certamente, e serão importantes, mas será que nós queremos gastar o dinheiro dos nossos contribuintes a policiar o mundo? Será que nós queremos ter uma frota nuclear no Pacífico e no Índico? Se calhar a Europa não precisa disso, porque não tem essa ambição de policiar o mundo. Se os Estados Unidos querem fazer isso, ótimo. É uma escolha. Eles depois podem ter indicadores sociais e indicadores que são absolutamente horríveis considerando a riqueza do país. São coisas horríveis. E qualquer pessoa que tenha vivido nos Estados Unidos sabe o quão deslaçada está a tessitura social dos Estados Unidos. Mas é uma escolha de economia política, é uma escolha eleitoral, de lobbies, etc. A Europa pode ter uma escolha diferente. E o que me preocupa nisso, e aquilo que a Susana estava a dizer de forma absolutamente correta, é a Europa está de tal maneira assustada com tudo isto e de tal maneira a olhar para todos os lados, que no fundo está disposta a tudo sem pensar duas vezes. E se calhar está na hora de parar e pensar para que direção é que nós queremos que a Europa caminhe. Será que queremos continuar dependentes dos Estados Unidos? Será que precisamos de estar dependentes dos Estados Unidos? Será que os custos já são maiores que os benefícios? Isto para mim são as perguntas corretas. É muito mais fácil dizer: "Bom, Sánchez é anti-americano", etc. Claro que há coisas dessas lá no meio, naquele processo de decisão, não há dúvida nenhuma. E há questões internas. Agora, assinar de cruz um documento, especialmente quando se sabe que aquilo não vai ser cumprido, mostra uma total irresponsabilidade política.

E daí as perguntas que deixas no ar e falavas de escolhas. Há também escolhas aqui a nível nacional do governo português, a Susana e a tua carta é sobre isso, as mudanças à lei da nacionalidade. Já se conhecem agora com mais pormenor, também já foram tema aqui no "Fora do Brado", mas agora com os detalhes. Tu tinhas criticado as restrições ao reagrupamento familiar de imigrantes e olhando agora para o que já sabemos mais, a tua carta é de copas para esta ideia de distinguir os imigrantes altamente qualificados e os menos. Copas por quê?

Não, copas, porque o amor, aparentemente, para este governo, tem categorias. Há amor familiar, que é respeitado e consagrado pela lei, o direito ao respeito por esse amor familiar, e depois há outro que aparentemente vale menos. E como é evidente, eu estou a ser irônica, porque de facto o governo decidiu alterar, não vamos agora aqui entrar nos detalhes, temos tempo, penso eu, Joker, mas no fundo, estamos a falar de regras diferentes de reagrupamento familiar para os imigrantes que têm autorização de residência para investimento. Já agora, autorizações de residência para investimento são vistos gold. É certo que os vistos gold foram sendo alterados ao longo do tempo para terem um pendor menos imobiliário e mais baseado em investimento de outro tipo, designadamente a empresas, mas nunca nos podemos esquecer que os fundos de investimento imobiliário não são considerados para fins de vistos gold como vistos gold imobiliários. Portanto, as pessoas podem perfeitamente estar a ter estas autorizações de residência para investimento na mesma para investirem apenas no imobiliário, embora isso seja um detalhe, para as pessoas que são altamente qualificadas e para aqueles que têm blue card, porque enfim, isso também é apresentado quase como uma espécie de boa atenção, nós estamos a respeitar o blue card, como se nós pudéssemos agora ir contra as regras europeias relativamente ao blue card, mas seja como for. Nós o que temos aqui é uma categoria de imigrantes com direitos e uma categoria de imigrantes sem direitos, que são todos os outros, e obviamente que isto inclui as pessoas menos qualificadas que vêm para o nosso país, não só para fazer rodar setores absolutamente essenciais à nossa economia, muitos deles que alimentam o setor do turismo E vem para cá à procura de uma vida melhor e a querer trabalhar. É esta ideia de que nós podemos distinguir as regras de agrupamento familiar. Atenção, eu tenho uma opinião muito clara quanto a esta ideia de nós criarmos categorias de imigrantes e darmos mais facilmente autorizações de residência a uns do que a outros. Mesmo aí eu sou contra, mas essa choca muito menos. Eu percebo que de um ponto de vista ideológico e normativo, um governo possa ter uma opinião diferente da minha e dizer: "Não, nós queremos imigrantes assim e não queremos imigrantes assado". Muito bem. Agora, depois distinguir os direitos que se dá a esses imigrantes, uma vez no território nacional, e sobretudo quando se trata de coisas tão críticas e tão essenciais aos direitos humanos, como o reagrupamento familiar, isto é a pior cedência possível que se pode fazer à agenda da extrema-direita, porque é uma desumanização completa das pessoas mais pobres. E já agora, só mais uma coisa muito importante. Isso seria mau em todos os sentidos. Se nós estivéssemos a dizer que eram os menos qualificados que tinham direito a reagrupar a família mais depressa e que os mais qualificados não tinham, era sempre mau. Não podemos distinguir os direitos. O direito a viver junto da sua família próxima, do cônjuge e dos filhos, é um direito humano essencial, portanto, isto é uma pouca vergonha. Mas ainda por cima, quando está a atacar as pessoas de menores qualificações, que são aquelas que depois têm menos possibilidade de viajar de dois em dois meses, ou uma vez por mês, ou uma vez por semestre, ou até uma vez por ano, irem à sua terra ver a sua família. Nós estamos a atacar aqui os elos mais fracos e isto é grotesco, é abjeto esta alteração legislativa. E o que é incrível é que há esta ideia também de não se autorizar o reagrupamento do cônjuge quando ele já está em território nacional e autorizar apenas o reagrupamento dos menores. E depois é engraçado que diz o nosso ministro da Presidência, Leitão Amaro, que essa é a prioridade humanista. Eu gostava de saber qual é a prioridade humanista que permita filhos menores ficarem junto ou do pai ou da mãe, que têm autorização de residência porque têm emprego, e depois mandarem embora o cônjuge, a mãe dessas crianças ou o pai. Isto é tudo patético. E deixa-me só dizer mais uma coisa, eu percebo que havia atraso e eu até percebo que desde 2022 a AIMA tinha suspendido, ou pelo menos atrasado muito os processos de reagrupamento familiar. Também não é bom termos uma lei de iuris e depois ela ter outra aplicação de facto, tudo bem. Agora, a maneira de resolver isso é pôr mais recursos, aumentar ainda mais os recursos da AIMA, que foi algo que este governo fez e bem, mas devia fazer mais. Em vez de consagrar na lei um princípio profundamente errado e ainda por cima com esta distinção entre tipos de imigrantes, porque que eu saiba, quando havia atrasos, eram atrasos para todos. Espero eu, prefiro imaginar que assim fosse.

Ainda vamos ter de esperar pela redação final desta proposta do governo e também pelas negociações que hão de acontecer. O PS já deu sinais de que discorda também, tal como tu, Susana Peralta, de alguns dos pontos, incluindo este do reagrupamento familiar. A ver em que resultam estas mudanças. Meus caros, foi um gosto virar o estúdio da Rádio Observador uma mesa de jogo também à quarta-feira, nesta edição extra, com estes últimos meses de intensa crise política em Portugal e não só, no mundo também, como vimos. Vem aí a Silly Season, que é cada vez menos silly, também sabemos, mas guardamos a partir de agora as cartadas, as apostas, as reflexões dos nossos quatro ases para dois momentos da semana. Às sextas-feiras, no programa original, alargado, com a Susana Peralta, o Jorge Fernandes, o João Marques de Almeida e o Luís Aguiar-Conraria. E respondemos aos ouvintes ao fim de semana. Envie as suas perguntas, sempre até sexta-feira, para foradobaralho@observador.pt. Eu sou a Vanessa Cruz, vou estar ausente por uns dias, mas estará por cá a superjoker Inês André Figueiredo. Boa semana.