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Este é o Gabinete de Guerra, um podcast da Rádio Observador, em que olhamos para as mais recentes notícias da guerra na Ucrânia. Bruno Cardoso Reis, uma delegação do Hamas e também o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano foram a Moscovo esta semana. Não há aqui coincidências?
Não há. Aliás, mesmo na questão dos reféns, o Hamas já veio dizer que não reconhece outras nacionalidades. Para eles são todos judeus e israelitas e portanto, vamos ser claros, estão em risco de morte, não é de execução sumária como aconteceu com muitos outros a 7 de outubro, mas que vão abrir um pouco uma exceção em relação, e estou a citar o porta-voz do Hamas, "aos nossos amigos russos". Tendo em conta as especiais relações que há com a Rússia, que eventualmente israelitas que também tenham nacionalidade russa, que estão entre os reféns, poderão ser tratados de forma diferenciada. Portanto, sim, acho que é evidente esta proximidade, esta convergência, que passa muito também pelo Irão. O Irão é o principal patrocinador, o principal apoio, tem sido das poucas vozes a nível internacional que tem de forma clara, aberta, sem qualquer equívoco, apoiado as ações do Hamas, inclusive as de 7 de outubro. É muito clara também na sua total hostilidade a Israel. E obviamente nós sabemos que uma das consequências da invasão russa da Ucrânia foi uma aproximação, uma parceria crescente até ao nível de fornecimento de armamento entre o Irão e a Rússia e, portanto, este triângulo completa-se e faz aqui algum sentido. A Rússia tem todo o interesse em haver mais caos, mais violência, tudo o que seja distrair a atenção da continuação da agressão russa na Ucrânia serve os interesses russos.
Bruno, vamos a uma última questão, para a qual te pedia uma resposta breve e que tem a ver com o Conselho Europeu, que segundo António Costa, teve uma conclusão inequívoca, que é preciso continuar a apoiar a Ucrânia, mas nem todos têm o mesmo sentimento. Eslováquia e Hungria discordam da ajuda a Kiev. Na hora da verdade de aprovar o orçamento para o próximo ano e que seria suposto apoiar a Ucrânia com 50 mil milhões de euros, pode vir ainda mais ao de cima a fadiga da guerra de que falavas ontem?
Eu acho que também temos de ver as coisas em perspetiva. Houve realmente uma eleição na Eslováquia que deu esse resultado negativo para a Ucrânia, mas é um país pequeno, é um país que tem metade da população de Portugal, metade do peso de Portugal nas instituições europeias, um país que depende muito de subsídios e do orçamento europeu, portanto, tem aqui uma margem de manobra reduzida, mesmo unida em coligação com a Hungria de Orbán, que tem sido o habitual mau aluno nesta questão. Mas, por exemplo, na Polónia, as eleições deram um resultado que foi reforçar ainda mais aqueles setores polacos que são favoráveis a um grande apoio à Ucrânia. E a Polónia é de longe o país mais importante do leste europeu em termos de população, dimensão da economia, de peso nas instituições europeias. Portanto, acho que quando chegar à altura decisiva, isto vai ser usado pela Hungria e pela Eslováquia, tem já sido usado pela Hungria, aliás, para tentar extrair um pouco mais de concessões, de mais apoios, mais subsídios. Não creio que vão ao ponto de vetar ou criar aqui um problema, um bloqueio insolúvel. Acho que o que é fundamental é que a grande maioria dos Estados europeus, apesar de já ter passado mais de um ano deste conflito, continuam determinados a continuar a apoiar a Ucrânia, porque consideram que isso corresponde não só aos valores europeus, mas também aos interesses, à necessidade de defender a Europa de um vizinho muito perigoso, muito agressivo como a Rússia, que se não for travado na Ucrânia, pode sentir-se incentivado a novas agressões noutras regiões vizinhas da Europa ou até inclusive em Estados que já fazem parte da União Europeia, como os países bálticos ou a Finlândia.
O Gabinete de Guerra é um podcast da Rádio Observador, vai para o ar de segunda a sexta, depois do noticiário das 9h30 da manhã, tem nova edição depois da síntese das 16h30 e está sempre disponível em podcast. Eu sou a Vanessa Cruz.