Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora o Geração V, teu programa de comentário político da Rádio Observador, feito em parceria com o Voto, que hoje volta ao seu formato habitual. Convidámos os 11 candidatos presidenciais e tivemos a honra de receber nas últimas seis semanas Luís Marques Mendes, João Cotrim Figueiredo, Catarina Martins, António José Seguro, Jorge Pinto e Manuel João Vieira, que podem ver ou rever, e aproveito para agradecer a honra de terem vindo ao nosso programa. Eu sou o Vasco Galhardo e hoje para comentar tudo sobre esta campanha e sobre as últimas ações de Donald Trump na geopolítica, temos a Joana Marques Braz, o Henrique Costa Santos e o Tomás Duarte. Olá aos três. O Henrique é a segunda vez que vem ao nosso programa. Bem-vindo de volta.

Olá.

E o Tomás é-

Gosto tanto de nós teres voltado.

Vai ser ainda melhor desta vez.

E o Tomás é a primeira vez. Bem-vindo ao Geração V.

Obrigado pelo convite.

Gostamos muito de ter cá. Quer dizer, eu não sei ainda muito bem a tua cor política, portanto, não sei se gostamos muito de ter cá. Estou a brincar.

No fim do programa é que consegues inferir.

Estou a brincar.

Muito bem, nós estivemos seis semanas sem comentar a campanha, por isso tenho a certeza que os meus comentadores têm muito a dizer sobre isto. Joana, começamos por ti, o que é que tens achado da campanha e qual a maior surpresa para ti e a maior desilusão?

Uma surpresa, claro. Acho que começámos aqui o ano de 2026 com uma ascensão do Seguro. Mas há muita coisa para dizer da campanha e eu acho que isto é mais interessante se nós depois começarmos a tornar-nos dinâmicos e conversarmos aqui, porque acho que as opiniões das várias pessoas também se alimentam.

Claro que sim.

Mas eu queria começar por falar das sondagens, porque isto às tantas já é uma roleta russa.

Há muitas e para todos os gostos.

É, quer dizer, o mesmo candidato já esteve primeiro, quarto, terceiro. Há ali cinco pessoas e portanto acho que a única coisa que podemos inferir a este ponto é que será um dos cinco.

Verdade.

Portanto, António José Seguro, Luís Marques Mendes, Gouveia e Melo, Cotrim ou André Ventura. Será um destes cinco.

Mas acho que nunca tivemos uma eleição tão renhida.

Sim, é muito renhida e eu acho que isso também pode ser produtivo em democracia. Acho que também pode ser um sintoma, se calhar, de uma fragmentação que está cada vez mais a existir e também dos próprios candidatos que nós temos. Eu queria começar por dizer isto, que é: as sondagens, eu estive muito atenta ao debate a 11, naquelas duas horas e meia de debate, que eu gostava imenso de perceber qual foi a percentagem da população que viu duas horas e meia daquele debate.

Concentrada.

Concentrada, exato, sem sinal, exatamente. E o que eu achei interessante foi a maneira como António José Seguro começa estas eleições atrás. Aliás, sei lá, há um mês atrás já se dizia: "Bom, a esquerda não vai ter lugar na segunda volta". E como há uma sondagem que o coloca em primeiro lugar, foi muito notório que os outros candidatos reagiram a essa sondagem.

Contra ele.

Sim, ou seja, as várias rondas no debate, os ataques iam sempre para António José Seguro. E eu acho que isso inevitavelmente o ajudou numa vitória do debate. Na minha opinião, ele venceu o debate. Não é tão óbvio quando são a dois, porque depois acho que há pontos positivos nuns e noutros. Acho que António José Seguro, mantendo sempre aquela sua posição institucional, que é a dele próprio desde o início da campanha, acho que conseguiu, por quê? Porque como o atacaram, e depois como houve aquela altercação entre Luís Marques Mendes e o Gouveia e Melo das ordinarices, etc, desceu muito o nível. E aí, mesmo aí, António José Seguro-

E a atitude destrutiva, acho que com grande prejuízo para ambos.

Para ambos, é verdade.

Para ambos. E depois, porque como António José Seguro consegue apanhar e dizer: "Bom, eu estou aqui para elevar o debate". Ele mesmo aí consegue tirar ganhos políticos, porque depois de repente parece que é o adulto da sala. E portanto, não estou a dizer que é, estou a dizer é que da maneira como aconteceu o debate, porque não acho que ele seja o único adulto da sala. Aliás, apesar de existirem pessoas com as quais eu não concordo ideologicamente, acho que nós temos alguns bons candidatos. Agora, o que eu acho é que as sondagens têm tido muito impacto e têm algum impacto, e eu sou um bocadinho cética. Ou seja, eu acho que as sondagens são importantes para nós irmos também ouvindo as pessoas e percebendo o que está a acontecer e qual é o impacto que cada campanha está a ter. E as sondagens são feitas com amostras representativas, portanto as sondagens são feitas de uma maneira séria, são reguladas, é escrutinado. Mas acho sinceramente que neste momento as sondagens com esta balançação toda que está a acontecer, balançar no sentido em que os candidatos sobem e descem, sobem e descem.

Não ajuda nada, é isso.

Acho que não, e com a falta de, às vezes, alguma literacia política da maior parte da população, porque isso não é um investimento no sistema de educação, e eu acho que as sondagens estão a ter um grande peso e que até o final, eu nunca vou cansar de frisar que na campanha legislativa do reeleito António Costa, dois ou três dias antes da eleição que António Costa saiu com maioria absoluta, eles estavam em empate técnico na sondagem.

Da famosa sondagem.

Da famosa sondagem. Porque depois nós sabemos que há voto útil, ainda para mais quando temos uma esquerda que tem estado a fazer todo esse jogo sobre o voto útil. Portanto, acho que devíamos ter muita cautela às sondagens e a minha recomendação para as pessoas que nos ouvem é que quando abrem um artigo de sondagens, vão ver quantas pessoas foram inquiridas.

Boa dica.

Ainda que as sondagens, por exemplo, a sondagem que deu António José Seguro em primeiro teve 608 pessoas. Claro que estas 608 pessoas têm uma amostra representativa, portanto há padrões para estas sondagens serem sérias, atenção. Agora, acho é que as pessoas deviam estar um bocadinho atentas a isto para que as sondagens de repente não se tornem uma arma política e tenham este impacto tão grande.

Vais votar António José Seguro, então?

Ainda não sei, ainda não decidi. Verdadeiramente, ainda não decidi.

Então não vais estar antecipada, vais estar dia 18.

Vou votar dia 18, sim.

Ainda tens mais uma semana para pensar.

Não, mas sim, estou. Não sei ainda muito bem, estou aqui ainda indecisa.

Tomás, concordas com a análise da Joana?

Sim, eu acho que é indiscutível que temos uma eleição e uma campanha bastante mais aberta e mais concorrida, e isso obviamente resulta de fragmentação, como a Joana referiu, mas também do fato de não termos um favorito óbvio. E isso traz-nos uma diversidade grande de perfis. É um sinal de dinâmica democrática e também de interesse destas 11 pessoas pela instituição da Presidência da República. Temos cidadãos interessados em ser o nosso chefe de Estado, acho que isso é de saudar. E esta maior competição obviamente implica uma campanha mais acesa. Há menos tempo de antena por pessoa, isso leva a que a disputa seja mais dia a dia, voto a voto, mais na rua, força campanhas mais intensas, mais próximas das pessoas e, portanto, é um contraste claro com outras campanhas de outras eleições, desde logo com a última de 2021. Tínhamos Marcelo a partir com uma vantagem muito elevada, encarou a campanha até quase como uma formalidade, uma coisa que eu não aprecio particularmente.

Gastou 22 na campanha, não foi?

Ordeneava-se 25 mil euros.

Sim, ele nem cartaz teve na primeira campanha também.

Teve um custo muito baixo de campanha, como se fazer campanha e informar os cidadãos fosse um desperdício, um custo perdido.

Mas ele estava a ser recandidatar-se.

Claro que sim.

Um primeiro mandato já por si só é uma campanha. Uma campanha no sentido em que já está a informar as pessoas do que ele é, quem ele é.

O ponto aqui é que é importante a campanha como ponto de contacto, ponto de auscultação e acima de tudo para dar a conhecer os candidatos e as suas ideias. Eu acho fundamentalmente que as campanhas eleitorais têm dois objetivos, ou pelo menos vejo dessa forma. Um primeiro objetivo do candidato se dar a conhecer, o candidato mostrar o seu percurso, o seu caráter, as pessoas conhecerem sua maturidade para diversos temas, também a sua capacidade de decisão. Portanto, no fundo, responder à pergunta quem é esta pessoa, quem é este profissional, quem é este perfil. Mas também um segundo objetivo, que eu acho que nesta campanha, pelo menos para mim, tem faltado muito, que é conhecer o modelo de presidência que o candidato quer exercer. O que nós devemos esperar? Acho que temos um foco muito grande na dimensão biográfica e às vezes até quase perverso. Eu confesso que as discussões muito detalhadas, os comentários e as publicações sobre os rendimentos e o estado da situação patrimonial dos candidatos. Acho que é demais, acho que é um bocadinho voyeurismo e quase promiscuidade. Acho que é importante que isso seja fiscalizado, que existam organismos que controlem esse tipo de coisas, mas que as pessoas deviam procurar esclarecer sobre como cada candidato pretende usar os poderes constitucionais de Presidente da República, que tipo de liderança pretende imprimir à função.

Tanto que dizem que isto é umas eleições legislativas, quase.

Exatamente. Eu vejo os candidatos no dia a dia a responder sobre a ação do governo, numa lógica de como é que faríamos nós.

Eu acho que mais do que legislativas, e muitas das vezes essa é a crítica dos próprios candidatos, que dizem: "Olhe, mas está-me a fazer esta pergunta, isto não é uma legislativa." Acho que os próprios candidatos também se afastam muito disso. Eu acho que é uma campanha onde estamos a ter muitos comentadores. Se há uma pergunta que é será que eles vão ser igual ao Marcelo, no sentido em que vão estar sempre a comentar, acontece qualquer coisa e eles vêm comentar. Aconteceu a situação da saúde e do INEM e do debate quinzenal ontem.

Os jornalistas perguntam também.

E também é verdade que os jornalistas perguntam, mas eu acho que os candidatos presidenciais têm estado a ser, e ganhamos de repente 11 comentadores. Não, por que não? Oito comentadores.

Sim, é uma tentação que deve ser difícil de resistir por parte dos candidatos. É também função deles procurar esclarecer.

Dizes que tinham pouco tempo e eu acho que por acaso não estão com pouco tempo nenhum de antena, acho que estão com muita.

Não diria pouco tempo, diria o foco nos assuntos mais do dia a dia e menos qual é que é o tipo de magistratura que pretendem ter na função. Acho que isso também é responsabilidade deles procurar esclarecer-nos sobre o que é que vão fazer relativamente ao veto político, quando é que vão usar, quando é que pensam usar, que assuntos é que são mais propícios, menos propícios. Qual é que é a orientação em matéria de política externa, como é que vão olhar para a representação do Estado, do país.

Isso eles também já disseram. O cargo de Presidente da República também tem um fim na quantidade de perguntas que nós podemos tentar sondar para o que eles vão fazer.

Sim, é verdade. Eu somente não considero esclarecido em detalhe sobre a ação governativa que cada um dos candidatos vai ter relativamente, designadamente acerca de várias matérias que são importantes.

Estás indeciso então ainda?

Não estou inteiramente indeciso, mas confesso que tem sido das eleições em que me tenho visto a fazer maiores reflexão sobre em quem é que vou votar.

Muito bem. Henrique, o que terás a dizer desta campanha? De novo, ou se concordas ou se não concordas com o que eles disseram.

Sim, eu concordo com os dois pontos, na medida em que acredito que tudo indica que os resultados vão fazer lembrar uma daquelas provas de natação em que as pessoas ganham por milésimos. Batem o recorde por milésimos de segundo e o segundo, que fica em segundo, não está muito longe de ter ganho.

E um terceiro que pode quase passar e não passa por pouco, é isso?

Sim, exatamente. E contigo, na medida em que, de facto, faz-me também um pouco de confusão que haja uma insistência tão grande na biografia dos candidatos presidenciais. Acho que há muito uma tendência para o infotainment cada vez mais, em que nós estamos sempre a saber o que é que o candidato faria numa situação hipotética ou se gosta de jogar PlayStation, que tipo de fruta na salada de frutas seria.

Eu vi um artigo que tinha os modelos de carro de cada candidato. É uma informação que eu não quero ter para escolher o candidato, porque não tem qualquer relevância e utilidade para eu definir.

Claro, podes te identificar porque um ia andar e o outro não.

Exatamente, eu gosto mais daquele modelo do que do outro, mas na verdade isso não deve influenciar a minha decisão.

Mas isso também é a política que tem estado, não é só em Portugal. Isso é a própria quando entramos.

É geral. Apesar de eu achar que é um pouco infantilizador, e nós estamos aqui num programa de comentário jovem, e eu acho que há sempre uma tentativa de tentar chegar aos jovens.

O Hugo Trigo tem estado a ser mestre nisso. Até o Pinho já fez reflexões.

Mas estás com vergonha alheia de alguém?

Não, eu estou com algum cringe.

De quem?

De várias pessoas. Não é nisso que quero frisar aqui. Especially quando o Marques Mendes teve aquela grande proposta para a juventude, que foi incluir um jovem no Conselho de Estado, que imagina-se sempre aquele jovem a chegar de skate. Que é aquela ideia do eterno jovem como nós todos somos eternamente.

Se calhar é um jovem de 45 anos.

Ainda está na cabeça, vocês sabem.

Com os fones e a aparecer de skate no Conselho de Estado.

Mas não achaste uma boa medida?

Eu acho que é engraçada, é uma ideia engraçada. Ou seja, prefiro que aconteça do que não aconteça. Agora, dizer que se está a falar para os jovens e falar para os jovens ser isso, é muito estranho. E mais uma vez, da perspectiva de pessoas que estão no início da sua carreira, digamos assim, temos uma ordem mundial basicamente a colapsar. Temos um momento de enorme incerteza e ansiedade há muito tempo. E assistir aos debates das presidenciais neste contexto foi um pouco desinteressante. Senti que tirando os momentos, muitos casos em que foram buscar os chavões da inteligência artificial ou da economia digital, de uma forma completamente espúria e sem deixarem muito claro o que entendiam por isso, a maior parte das conversas disseram pouco a quem está mergulhado nesta incerteza e a tentar perceber como é que vai arranjar casa. Apesar de não serem umas legislativas, era interessante vermos candidatos presidenciais a justificar, por exemplo, o seu apoio ou não ao novo pacote laboral, com a inteligência artificial ou com a economia digital, que são estes dois grandes chavões, que no fundo são aqui um bocado uns Godzillas, que nunca ouvimos nenhum propriamente a explicar. E aí eu acho que o jornalismo também falha em não parar o debate ou parar a entrevista e perguntar: "Vamos então ouvir o que é que o senhor doutor tem a dizer."

Por acaso eu creio que o Jorge Pinto disse alguma coisa sobre isso, mas lá está, não terá sido assim uma coisa tão a fundo.

E talvez tenha a ver com uma questão etária, não é? Ou seja, o Jorge Pinto, desse ponto de vista, era diferente dos outros candidatos que tinham. Estavam a falar de um lugar da sua carreira que foi consolidada, no fundo, num mundo que já não existe, ou num mundo que está a transformar em acelerada mutação. E tive pena de não haver mais desenvolvidos, não haver mais esse incentivo de percebermos então, de facto, se estão a utilizar estes chavões enquanto justificação para grandes transformações nas leis laborais e por aí fora, que não tenha havido tempo para percebermos, afinal de contas, de que maneira cada um dos candidatos vê essas realidades e de que maneira acha que o país se deve preparar para isso.

Mas novamente, isso é legislativas, não é? Ou seja, se vamos por aqui, então é novamente, claro que há aqui a majestade da influência, que foi a grande expressão, a expressão mais popular do último mês, mês e meio, de todos eles. Qualquer pergunta acaba aí para a majestade da influência. Vamos à majestade da influência. Mas podiam ir muito mais além daqui. Quer dizer, nos poderes do presidente não têm grande hipótese de poderem vetar ou não a proposta da reforma laboral, mas depois não podem dizer: "Olha, ponha esta medida aqui sobre inteligência artificial." O presidente da República não pode fazer isto, não é a sua postura.

Não pode fazer de forma direta, Joana, mas eu diria que tem capacidade de ouvir os vários atores, tem capacidade de mobilizar.

Mas isso é o que eu estou a tentar dizer, no sentido em que isso é o que eles têm feito. O que estes candidatos têm feito é: têm abordado todos os temas da governação, dizendo que eles, não se candidatando para o cargo de primeiro-ministro, não estando numa legislativa que poderiam para formar governo, o que eles vão fazer é, através da majestade da influência, vão colocar os agentes em conversa. Quer dizer, de um modo geral, os planos deles são estes. Os planos são: "Bem, vou trazer aqui as pessoas para conversarem sobre este assunto e resolver este assunto." Mas também é por essa razão que muitas pessoas os acusam de estarem a fazer umas legislativas em vez de umas presidenciais. Estás a perceber?

Claro. Atenção, eu queria só explicar que quando eu disse isto, eu estava a referir-me aos candidatos que de facto tentaram dirigir-se aos jovens. E senti que muitas vezes esses chavões eram utilizados de uma forma altamente superficial. E tive pena de que não houve alguém que lhes dissesse: "Ok, então olha, já que fala disso, se não quiser ser só a tal pessoa que convida aqui o jovem de skate." Nós ficamos a saber todas aquelas futilidades sobre a biografia dos candidatos, já que chegamos aí, ao menos podíamos ter aqui uma compreensão do que é a sua visão para os próximos 50 anos. Já que viveram nos últimos 50 ou 60.

O Jorge Pinto não, mas sim.

Podiam já agora...

E o David Ventura também não, que o David Ventura também não tem 50 anos.

Pois, mas pronto.

Eu agora queria 30 segundos de cada para ouvir a vossa opinião sobre um candidato que é relativamente novo, que nós não sabíamos como é que era em campanha, o Gouveia e Melo, e que há dois anos todos acreditávamos que ia ser presidente da República. Joana, o que é que tens achado da campanha?

Do Gouveia e Melo, especificamente?

Sim. O que é que tens achado? Está se a sair bem?

Mas porquê o Gouveia e Melo?

É por ser uma pessoa que não estamos habituados a ver em campanha. Achas que ele melhorou, piorou?

Não, olha, o que eu tenho a dizer sobre o Gouveia e Melo da última semana, até achei muito interessante que tenha sido precisamente o Gouveia e Melo que tenha desamparado Luís Marques Mendes, porque ao fazer-lhe aquela pergunta relativamente às empresas que tem, e Luís Marques Mendes, que é uma pessoa que tem tantos anos disto, não ter conseguido dar uma resposta à altura. E é interessante que isso tenha acontecido precisamente com o Gouveia e Melo, que tem sido uma pessoa que em campanha nem sempre nota-se. Nota-se que ele não é habitué.

Tomás, do Gouveia e Melo, tens algo a dizer?

Sim, eu acho que o Gouveia e Melo nos traz aqui uma conclusão, que nós ouvimos as pessoas muito saturadas dos políticos, das pessoas que têm um longo historial na política, partidário, a nível de governo ou na assembleia, e queremos outras pessoas, queremos pessoas novas. Mas depois quando vemos Gouveia e Melo, que é alguém que vem de fora, um outsider na política, depois ficamos surpreendidos ou desconfortáveis com alguma inabilidade para navegar um pouco estas discussões e para ter um discurso coerente e uma posição mais presidenciável em alguns aspetos.

Diria que nos deve fazer refletir se afinal as pessoas que têm uma longa experiência em política são ou não pessoas com valor e que podem trazer à discussão e ao espaço democrático o que precisamos.

Muito bem, Henrique, algo a dizer sobre o Gabriel?

Vou ser rápido, na medida em que eu gostava de não comentar demasiado candidatos individualmente.

Claro.

Eu acho esta candidatura contra natura e se fosse amigo do almirante

Dizias para ele desistir

Já lhe tinha dito para ele desistir.

Muito bem.

E estaríamos numa situação bastante diferente, porque era interessante ver para onde é que aqueles votos iam.

Verdade.

Mas faço-se tanto apelo que outras candidaturas desistam.

Fica aqui o apelo.

O Gabriel nunca.

O Gabriel nunca ninguém fez.

Mudar aqui o cenário político das eleições.

Muito bem, está feita a primeira parte do "Geração V". Vamos agora para um curto intervalo e já voltamos para a segunda parte do nosso programa. Até já. Estamos de volta para a segunda parte do "Geração V". Passando agora às recomendações. Tomás, começamos hoje por ti. O que é que vais recomendar aos nossos ouvintes e espectadores?

Eu gostava de recomendar um livro que li em 2025 e que gostei muito. É um livro de um escritor angolano chamado Pepetela, chama-se "Yaka", não sei se conhecem. O Pepetela é um escritor que fala muito sobre a história colonial e de descolonização de Angola e a visão europeia sobre África no século XX. E este é um romance com uma escrita muito interessante, à maneira de Pepetela, e que de facto marcou-me muito e, portanto, recomendo a todos. É uma ótima leitura.

Muito bem, obrigado, Tomás. Henrique?

Eu vi ontem um concerto muito bonito num barzinho chamado Limbo, do Bruno Pernadas, com o João Sousa na bateria e o Francisco Nogueira no contrabaixo. O Bruno Pernadas lançou recentemente dois temas, portanto, podem já ouvir e sei que ele tem um álbum para breve. Portanto, é essa a minha recomendação.

Muito bem, obrigado, Henrique. Joana?

A minha recomendação é um livro que se chama "Que Voz é Esta?"

No YouTube estão a ver. Momento Marcelo da Joana.

"Que Voz é Esta?", vamos embora. Este livro foi feito por duas jornalistas, que são a Helena Bento e a Joana Pereira Bastos, que têm um podcast que se chama também "Que Voz é Esta?" no Expresso. É uma dupla recomendação, mas já tinha recomendado este podcast aqui.

É verdade.

Este livro reúne algumas histórias que já estiveram naquele.

Uma compilação dos episódios?

Não é dos episódios, porque foi feito de uma outra maneira. Ou seja, foram agarrar nas histórias, algumas delas que estiveram no podcast, e fizeram este livro, que eu acho que está muito bem feito. Um dos capítulos, eu já tinha dado ao podcast no Expresso, é sobre a doença que eu tive, também já falei aqui. Eu tive uma perturbação obsessiva compulsiva e já ando nesta vida de comunicar doença mental já há algum tempo e acho mesmo que este livro é das coisas mais maravilhosas. Ou seja, conheço-as, mas não somos particularmente amigas. Acho mesmo que o rigor que elas tiveram a fazer este livro em que conseguiram combinar a emoção, mas ao mesmo tempo a verdade científica, e acho que é não só informativo, mas também toca as pessoas e usa uma linguagem que é mesmo indicada para falar sobre doença mental.

Muito bem. Agora tens outra nota?

Tenho outra nota. Eu gostava muito de partilhar aqui, antes que me vá embora, que este vai ser o meu último episódio no "Geração V". Soubemos agora que é o episódio 75.

É verdade.

Acho que é assim mesmo em redondo.

Um ano e meio disto, mais de um ano e meio.

Um ano e meio disto, sim, senhor. Muito obrigada pelos parabéns. E queria dizer que gostei muito de fazer o "Geração V". Aprendi muito a fazer o "Geração V", dei também muito de mim ao "Geração V" e gostei mesmo muito de o fazer com a Catarina, com o Bernardo, com o Gonçalo, contigo. Acho que conseguimos construir aqui um programa que na minha opinião é muito interessante, mas quer dizer pouco e muito. Há pessoas que não vão gostar, certeza absoluta.

Somos suspeitos.

Somos suspeitos, como é óbvio. E queria dar uma nota de que acho que a mudança faz parte da vida e é na mudança que nós também crescemos. Quem acompanha o "Geração V" também já vai apanhando que eu tenho muitas profissões, apesar de aqui no meu oráculo aparecer jurista.

É verdade.

Tenho muitas profissões.

Chamam Joana de Barbie profissões.

Exato. E vão surgindo projetos e chega a um ponto em que também temos que dar atenção a outros projetos. Para terminar, o Pepetela tinha uma frase muito interessante. Sou mesmo escardalha. Vou citar Pepetela na saída. O Pepetela tinha uma frase que dizia que na vida a única coisa que nós temos é tempo de vida. E o nosso dia não tem 25 horas, por muito que eu gostasse que tivesse. Nós ao longo da nossa vida vamos trocando o nosso tempo pelas coisas que nos vão parecendo sempre as indicadas para nós. E com muita pena minha, mas a vida tem que ir para outros projetos também e desejo tudo o que há de melhor para o "Geração V". Foi um programa que eu gostei muito de dar início aqui com esta equipa, mas terá outras andanças.

Sim, e obviamente que agradeço muito à Joana este último ano e meio e vais continuar por aí. As pessoas vão poder continuar a ouvir-te noutros fóruns.

Sim, é isso, lá está. É os projetos novos que andam por aí e podem ver na RTP Notícias. Eu o que ia fazer? Não devia fazer isto, não era me interessar.

No Instagram da Joana também, que é muito ativo, e noutros fóruns.

E no que virá agora.

Muito bem, passamos agora para o nosso segundo tema da semana, os acontecimentos no mundo. Joana, para quem não sabe o que se passou, queres tentar explicar um bocadinho o que aconteceu na Venezuela?

Sim, e por acaso interessante, eu sou professora e tive uma aluna a perguntar-me exatamente isso na quarta-feira.

O que é que disseste? Tenta replicar.

Eu não posso repetir o que eu disse porque foi há algum tempo. Ela precisava aqui de algum background até de direito internacional. O que aconteceu na Venezuela: a Venezuela vivia um regime liderado por Maduro. O regime de Maduro era uma ditadura, vou dizer isso assim abertamente. Eu acho que aqui na Venezuela, agora tem havido alguma ocupação sobre isto, que é: "As pessoas de esquerda não criticam Maduro, porque ele era de esquerda, porque era um regime comunista". Eu acho que não tem a ver com o fato de ser um regime comunista, até poder ser fascista. Era uma ditadura e uma ditadura não é OK, e os crimes que acontecem normalmente em uma ditadura também não são OKs. No entanto, o que aconteceu? Donald Trump já andava há uns meses com alguma pressão relativamente à Venezuela. Começou por dizer que era relativamente à droga, que a Venezuela era responsável pela entrada da droga na América. Depois foi-se a perceber que afinal a Venezuela não produzia propriamente muita quantidade de droga, quem produzia era a Colômbia, mas a Venezuela era um país de trânsito. Entretanto, Donald Trump, agora mais recentemente, decidiu que o grande problema da Venezuela era o Maduro, o ditador. Tendo em conta, não nos podemos esquecer que Donald Trump até recebeu um ditador na sua Casa Branca há pouco tempo, acompanhado também pelo Ronaldo. E relativamente à droga, Donald Trump também já ilibou uma pessoa que estava presa precisamente por vender droga. Muito bem. O que acontece? Donald Trump, nesta tentativa de mediatização, de narrativa midiática de eu quero ir tirar o ditador de lá porque eu quero salvar os venezuelanos, vai e sequestra Maduro, leva para os Estados Unidos da América para ser julgado, que já está a começar a ser julgado. E portanto, sequestrou um dirigente de um país que é soberano, que é a Venezuela.

E a sua mulher.

E a sua mulher. E destruiu uma série de coisas pelo caminho. Já havia 100 mortos confirmados. O que a seguir acontece? A seguir, Donald Trump diz que quer tomar a Groenlândia. E portanto, agora estamos aqui neste ponto em que ele quer tomar a Groenlândia.

A nova agora é que ele vai oferecer $100 mil a cada habitante.

Pois, eu acho interessante porque ele já disse-

Já $200 mil, que eles são dois.

Ele já disse que quer tomar a Groenlândia, agora já diz que quer adquirir a Groenlândia, a nível de pagamento, mas nunca recusa o esforço militar. Ele continua a lembrar que poderá estar em cima da mesa o esforço militar. E o que eu acho mais do que o que aconteceu à Venezuela é o que aconteceu ao mundo e ao direito internacional, porque a partir do momento em que há um país que se intromete na política interna de outro país, desconsiderando completamente o fato desse país ser soberano, e a seguir vira-se para a Groenlândia, que faz parte da NATO. Neste momento, o que nós vivemos é uma profunda alteração naquilo que seria a ordem internacional. Porque o direito internacional não é uma coisa que tenha sempre existido, foi muito reforçado no século passado. Eu acho que duas guerras mundiais que aconteceram no século XX nos demonstram a importância que é nós termos leis, neste caso não é leis, são tratados e convenções internacionais para os países poderem dialogar uns com os outros diplomaticamente, para não atarmos todos às bombas uns aos outros. E neste momento, aquilo que está a acontecer é que Trump está a abrir muitos precedentes na violação do direito internacional e vamos lá ver como é que os agentes políticos, os outros, reagem em relação a isso. A União Europeia já fez uma declaração conjunta dos vários países para tentar defender a Groenlândia, que Portugal só assinou depois, não foi um dos primeiros a assinar.

Pois, Portugal não estava lá nos primeiros.

Não, não estava nos primeiros, mas depois assinou. Mas tal como Portugal, outros países da União Europeia também fizeram isso. Aliás, aqui não é só União Europeia, porque Inglaterra também assinou, portanto é Europa. Mas aqui agora devemos perceber então quais vão ser as próximas ações da União Europeia, que verdadeiramente se vê aqui um bocadinho agarrada pelo rabo, porque militarmente nós dependemos muito dos Estados Unidos da América por via da NATO. O que acontece se Trump realmente for para cima da Groenlândia? Nota que o Senado já aprovou aqui algumas decisões para tentar travar Donald Trump. Dentro da própria América já está a haver uma tentativa de travagem daquilo que Donald Trump está a fazer.

Tomás, eu sei que tens opiniões um bocadinho diferentes, se calhar, da Joana, com relação a isso.

Eu acho que aqui no ponto de partida fundamental, que é o direito internacional, eu estou 100% do lado da Joana. Acho que é a base mínima de previsibilidade, convivência entre Estados. Acho que é uma construção que levou muitos séculos a conseguir e da qual nos devemos orgulhar e, se calhar, uma construção que emergiu também das grandes guerras que tivemos e, portanto, honrá-la é também honrar todos aqueles que tombaram e todos os sacrifícios que essas guerras trouxeram.

Posso só dizer uma coisa de 30 segundos que não disse, que é: porque eu fui logo para o internacional e não referi uma coisa que realmente é o mais importante, que é, Donald Trump diz que vai para a Venezuela buscar o ditador e que é essa a razão, mas nós sabemos todos, e é uma coisa que agora podíamos estar aqui a tentar explicar a lógica toda do petróleo, mas a Venezuela é a maior reserva de petróleo que nós temos no mundo. E, portanto, verdadeiramente aquilo que Donald Trump quer-

Há questões sobre isso, é contestado porque resulta de-

Por causa do que eles realmente produzem

...report direto de reservas e, portanto, há algumas questões sobre isso, mas seguramente é um país rico em petróleo.

Mas ele já vai dizer que vai ficar ali.

Ele próprio disse abertamente.

O que ele quer é o petróleo.

Pelo menos não mente.

Ele diz que vai lá buscar o ditador, mas verdadeiramente isto foi uma ação para tentar quase colonizar, entre aspas, mas é um bocado isso, para tentar ficar com o petróleo da Venezuela.

Eu por acaso não concordo, mas já aí vou. Acho que continuando a concordar na parte em que concordo, acho que temos todos que refletir e pensar que num sistema mundial, numa ordem mundial sem regras, tudo vai tender para a lei do mais forte e nós também temos que nos lembrar que isso penaliza Estados médios, Estados pequenos e que somos um Estado pequeno e, portanto, é um tabuleiro de poderes que teve um equilíbrio até aqui que fica em causa. Por outro lado, acho que também temos nos últimos tempos pensado um pouco na Europa e vendo que a Europa tem estado um pouco com uma postura de bem comportada, às vezes até um pouco cínica, ingênua, muito focada no cumprimento, muito fundamentalista, no fundo, não só a nível bélico, mas também a nível ambiental, económico, financeiro, no tema das migrações. E esta atitude também, esta visão da Europa, este posicionamento da Europa também Temos agora mais consenso de que tem contribuído para criar um lastro no nosso crescimento, no avanço da Europa e são dois lados de uma moeda que temos que pesar, mas continuo a concordar que o direito internacional é uma base fundamental. Onde é que eu discordo? As razões de Trump. Eu acho que, em primeiro lugar, isto não é uma ação completamente imprecedente. Em 1989, George H.W. Bush também trouxe para os Estados Unidos o presidente Noriega do Panamá. Não é a primeira vez que temos um airlift de um chefe de Estado para ser julgado nos Estados Unidos ou até a perseguição a Saddam, mais recente.

E não foi por causa do petróleo, por causa das reservas naturais.

Aí talvez sim. No caso de Trump, eu não sei. Eu acho que nem o Trump às vezes sabe o que faz.

Mas o exemplo que trouxe é muito experiente, porque o exemplo que trouxeste é mesmo no passado, não é incomum os Estados Unidos da América, na tentativa de dizerem que queremos ir salvar um país que está tomado por um regime que nós não concordamos, rebentar com esse país para depois ficar com as reservas que lá estão.

E costuma correr bem. Agora com esta distância, já vemos que dá bons resultados.

Dá.

Eu acho que isso é verdade e não contesto, mas no caso de Trump específico não sei se concordo 100%. Eu acho que nem mesmo o Trump, às vezes, sabe o que o motiva. Tem um comportamento errático, muitas vezes, e até infantil. E acho que o Trump quer ficar para a história, quer fazer história. E eu sinto que muitas das suas ações, muitas das suas decisões, são as ações e decisões que ele entende como as mais grandes para tomar naquele momento específico e com uma fundamentação econômica que ele traz e que de alguma forma lhe serve de suporte, acho que dá mais gozo ao Trump ter ido buscar o Maduro, trazido o Maduro, publicado a fotografia de Maduro.

Tu achas que isso é mais importante para o Trump do que todos os milhões de dólares que ele vai fazer com aquele petróleo? É que ele não acha. Ele próprio disse.

Ele agora quer o Prêmio Nobel da Paz.

Exato. É uma pessoa que se move por ficar na história como ter feito um monte de coisas.

Estás a infantilizar bastante a pessoa que gere, provavelmente, a maior potência, uma das três maiores potências do mundo, acho eu.

Henrique, o que vai ser deste mundo com um homem tão imprevisível como Donald Trump?

Sim, eu estou a meio caminho, porque acho que, de facto, ele é um narcisista e que tem traços muito infantis, muitas vezes, mas não o infantilizo a ponto de achar que ele está a agir de uma forma completamente descontrolada. Aliás, basta ver que a maior parte das empresas que financiaram a sua campanha tiveram uma valorização brutal, exatamente porque estão a ser favorecidas pela sua presidência. E ele não está sozinho a tomar decisões e a escrever. Ele tem uma entourage de pessoas que têm um programa muito concreto, que não são infantis, que não são irracionais, e ele, entre todo o foguetório de medidas e parvoíces que diz, sabe muito bem onde é que quer ir. Isto é o que eu acho. Mas sobre Trump e sobre a ação Trump, interessa-me recentrar a perspectiva a partir daqui da Europa, Portugal. Nós estamos na Europa e nós temos interesses enquanto europeus. E há muito tempo que a ação de Trump deixa duas questões da nossa perspectiva europeia. A primeira é que a Europa errou ao deixar-se ficar nesta dependência brutal dos Estados Unidos, em toda a linha.

Concordam os três aqui.

Eles não sabem jogar Catan. Eles nunca jogaram Catan.

E a segunda é que há que aceitar acabar com a negação, porque acredito que nós temos ainda hoje na Europa, milhões de pessoas, já para não falar também de responsáveis políticos, milhões de pessoas em negação, ou seja, a fazer um malabarismo e um arte de contorcionismo, a tentar encontrar boas intenções ou intenções que não sejam antieuropeias na ação de Trump. A todo o custo, como vimos aqui, mesmo quando Donald Trump diz com todas as palavras: "Eu vou lá buscar o petróleo e só saio de lá quando eu quiser." Há uma criatividade na Europa de partidos e líderes, que depois têm milhões de pessoas com eles, a dizer que há uma boa intenção, ou seja, a tentar encontrar uma boa intenção, neste caso, para pôr fim a uma ditadura que, mais uma vez, é inquestionavelmente uma ditadura.

Foi o que o nosso primeiro-ministro disse, tu não querias dizer isso, foi?

Como?

O Luís Montenegro é que disse que ele tinha ido com uma boa intenção, não é?

Em parte.

Registou o papel dos Estados Unidos na transição democrática de Venezuela.

Portanto, pondo isso como o objetivo daquilo que-

Que é uma coisa muito embótica. Mesmo quando a América ainda não tinha um plano para a transição democrática, porque demorou uns dias a apresentar um plano para a transição democrática, mas na Europa já havia líderes a dizer que registaram a transição para uma democracia, quando o Trump ainda nem sequer tinha anunciado qual era a transição que ia fazer.

Sem dúvida.

Ele disse: "We are going to run the country." Portanto, como se só fosse para a governação do país.

E não tem de dizer sequer até quando, nem em que moldes. É tipo, nós vamos estar aqui.

Faço o que eu quiser.

Joana, temos um minuto e meio para falar do teu último tema, se quiseres.

Mas o Henrique termina. Não, bora. Vai.

Não, eu queria só dizer que em relação à ação de Trump, faz-me sempre pensar naquele teste do pato, que os ingleses usam muito, que é: se parece um pato, nada como um pato e grasna como um pato, à partida, é um pato. E Trump está contra a ordem internacional, está contra os interesses dos europeus, isso é inquestionável. Neste momento, ser pró-Trump é ser antieuropeu.

Pronto, e por aqui ficamos. A Joana vai matar-me.

Deixa-me só acabar para dizer que o Trump não se coibiu de, numa entrevista ao New York Times, dizer, e cito: "I don't need international law." Acho que isso responde a qualquer questão que eu pudesse.

Queria só dar aqui uma nota, um minuto, não é? Que está a acontecer uma coisa esta semana grave e eu acho que não tem sido amplamente falado na comunicação social, tem sido sim, "smi", que é o X tem uma plataforma que é o Grok, tem uma funcionalidade que é o Grok, de inteligência artificial, e começou a surgir aqui um movimento das pessoas, maioritariamente homens, e eu só não vou dizer que são só homens porque pode ter havido uma mulher, mas vamos lá ver, maioritariamente é mesmo grosso, maioritariamente homens, a comentarem fotografias de mulheres no Twitter e dizer: "Undress", ou seja, despe esta mulher. E esta ferramenta de inteligência artificial despe aquelas mulheres e publica aquela imagem. E começou com mulheres, mas foi para crianças.

Ainda não foi parado?

Ainda não foi parado. O que acontece é, a Inglaterra foi o país que mais pressão fez a Elon Musk, que é a pessoa que pode bloquear esta funcionalidade. Elon Musk esteve em silêncio durante dias. Neste momento, Elon Musk já veio bloquear, porque a Inglaterra ameaçou mesmo acabar com o Twitter no país. E Elon Musk foi bloquear esta funcionalidade, mas só para quem a usa como serviço gratuito. Portanto, quem tem esta funcionalidade como serviço pago pode continuar a despir mulheres e a despir crianças. Se o Elon Musk não conseguiu transformar isto numa técnica de marketing para tentar ter uma série de subscritores à conta de mulheres despidas e crianças despidas, eu não sei, mas o que mais me assusta é, novamente, a União Europeia não estar a fazer nada sobre este assunto.

Vamos ver se isso muda. O nosso tempo chegou ao fim. Um obrigado especial à Joana Marques Braz. Boa sorte com tudo. Estás a beber água, queres dizer alguma coisa?

Não, não estava à espera.

Desculpa. E obrigado ao Henrique Costa Santos e ao Tomás Duarte. O Geração V é uma parceria entre o Ovoto e a Rádio Observador. Eu sou o Vasco Galharde, muito obrigado por estares desse lado. Tudo a correr bem e até para a semana.