Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Salve. Ora viva, Alberto Gonçalves. Mais uma edição de "Ideias Feitas" e hoje o Alberto Gonçalves quer falar sobre a posse de Marcelo Rebelo de Sousa, mais um mandato como presidente da República, mas em particular sobre Cavaco Silva, antigo presidente, nessa tomada de posse, o antigo chefe de Estado que assistiu à tomada de posse, mas que acabou, ao que tudo indica, por não se deslocar ao salão nobre para a sessão de cumprimentos ao atual chefe de Estado.

Pois, e foi bastante criticado por isso, mais ou menos pelas pessoas do costume, as pessoas que condenam ou criticam tudo o que o professor Cavaco Silva faz. E mais uma vez foi criticado porque se entendeu que o facto de ele não ter ido à sessão de cumprimentos se deveu a um mero acinte. Recusou-se cumprimentar aquelas pessoas. Eu poderia dizer que acho que, apesar de tudo, o professor Cavaco, pelo que fez na política e pelo que estas pessoas em questão fizeram, eu até conseguiria perceber que ele não quisesse convívio demasiado estreito com as pessoas em causa. Mas isso sou eu a dizer e obviamente não foi nada disso que aconteceu. Outra hipótese é que o professor Cavaco, e também acho que não foi essa que aconteceu, teria achado errado que numa altura em que estamos neste estado de confinamento mais ou menos interminável, e que mesmo os partidos ainda hoje vieram dizer que é preciso sair disto com muita cautela e muita calma, etc., mesmo que daqui a pouco não há caso nenhum de Covid em Portugal e continuamos com muitas cautelas. Mas num período em que as pessoas estão impedidas de estudar, de trabalhar, de jantar fora, de se divertir, de passear, etc., seria normal que o professor Cavaco não tivesse achado muita piada a todo aquele cerimonial de ontem, que envolveu umas honras militares e os cumprimentos e dezenas de repórteres em cima do Presidente da República, o Presidente da República com o nariz fora da máscara, mostrando toda a importância que ele dá à questão da Covid.

O Presidente da República que até disse no Bairro do Cerco que tentava fugir das pessoas, mas que não conseguia fugir da comunicação social.

Ele, se quisesse fugir das pessoas e da comunicação social, não tinha ido ao Bairro do Cerco, não tinha feito aquela visita, por exemplo, ao Porto e ter estendido a visita em particular ao Bairro do Cerco. Se ele não queria estar com a comunicação social, não teria feito uma cerimônia física, teria feito uma cerimônia de tomada de posse virtual. Ou seja, o senhor Presidente da República, como sempre diz uma coisa e faz outra, ou como muitas vezes acontece. Fica o registro. Agora, eu acho, sinceramente, que o professor Cavaco não saiu da cerimônia por nada que tenha a ver com isto, embora, lá está, acho que teria todo o direito de o fazer e seria uma medida que eu aplaudiria. O professor Cavaco, é preciso ver, gostemos ou não da personagem, e há coisas na personagem que eu gosto e há coisas que eu não gosto, o professor Cavaco, o que sempre mostrou na sua carreira política, que foi longa e que é só a pessoa que mais eleições ganhou em Portugal, eleições nacionais. O que ele sempre mostrou, o que é mais essencial ao caráter político dele enquanto político, é o respeito pelas instituições. O professor Cavaco tem um respeito absolutamente escrupuloso pelas instituições. Eu diria que demasiado em muitas circunstâncias, o que nem sempre foi positivo, se calhar, para o país. Mas a verdade é que esse respeito institucional ninguém o pode negar. E não acredito, não me passa pela cabeça que o professor Cavaco tenha saído antes da sessão de cumprimentos para expressar qualquer espécie de atitude, a título de uma espécie de minimanifesto contra qualquer coisa que o estava a desagradar, por muito que, pelo que se sabe, ele não simpatize com as pessoas em questão, e particularmente com o professor Marcelo, não me parece que tenham uma relação fabulosa, mas isso é outro assunto. Não acho, de todo, que o professor Cavaco fizesse isso, que fosse uma demonstração pessoal da sua opinião sobre o professor Marcelo, sobre a realização da cerimônia em tempos de confinamento a que o próprio presidente nos obriga, etc. Acho que, sinceramente, parece que há uma pessoa muito próxima do professor Cavaco, não quero entrar em pormenores, nunca entro por esses caminhos, mas parece que há uma pessoa doente, muito próxima do professor Cavaco. É natural que tenha sido qualquer coisa ligada a isso, é natural que tenha sido qualquer coisa ligada a outra pessoa próxima ou outro assunto particular qualquer que tenha feito a justificação que foi dada, foi que ele teve que se ausentar para ir pra casa. É natural, pode se ter sentido mal. Há uma série de possibilidades que podem ter acontecido e acredito que é nessas possibilidades que se encontra a verdade. Algo estará aí a verdade. Agora, o professor Cavaco, como sempre, suscitou as críticas do costume. Basta lhe tossir ou comer bolo rei, por exemplo, que é logo atacado por todos os lados. Hoje vivemos numa época em que os nossos estadistas, os nossos líderes, podem fazer toda a espécie de coisas, podem ver-se envolvidos em toda a espécie de situações que estão imunes a qualquer crítica. O professor Cavaco sempre teve uma vida política em que a crítica aparecia fácil, vinha com facilidade. Portanto, é natural que tenham aparecido, pelo que eu soube, eu não vi, felizmente não vi, mas acho que até o diretor de informação da RTP veio condená-lo por aquela atitude e não sei o quê. E depois muitas figuras menos conhecidas e anônimos pelas redes sociais vieram dizer que o céu é o limite para o homem, por aquilo que o homem fez ontem. Eu acredito que o professor Cavaco tenha tenha realmente tido alguma coisa de importante que o fizesse ausentar dali. Agora, este ódio todo mostra uma coisa, e esta facilidade com que o professor Cavaco deixa as pessoas exasperadas e empolgadíssimas por poder atacá-lo por mais absurdo que seja o pretexto, isto mostra o peso que ele teve e o peso que ele ainda tem na vida política portuguesa. Ele aqui há pouco tempo declarou que Portugal vive uma democracia amordaçada, por acaso uma opinião com a qual concordo embora eu carregue mais no amordaçada e menos na democracia, mas por acaso concordo, não é isso que está em causa. E essas pequenas palavras, houve alguém que escreveu ou que disse, já não me lembro quem e peço desculpa, que o professor Cavaco em umas declarações de curtos minutos, fez mais pela oposição do que fez, por exemplo, o doutor Rio nestes anos que já está à frente do PSD. E é verdade. O doutor Rio não tem absolutamente nada, além de parecer não querer ter expressão enquanto opositor do governo, mesmo quando às vezes tenta ter alguma voz nessa matéria, ninguém lhe liga absolutamente nada. O professor Cavaco diz uma frase e a frase é ouvida e o impacto que essa frase causa e o impacto que o professor Cavaco tem é proporcional à dimensão destas críticas e destas fúrias que ele suscita. E isso é curioso, é apenas um factóide digno de registo, não é nada que vá alterar nada em especial, mas é engraçado ver como a esquerda, e não só a esquerda, até alguns nichos da direita, que reagem à flor da pele sempre que o professor Cavaco está em jogo. É sinal também que ele não é comparável a estas pessoas. Estas pessoas que o criticam e estes estadistas que temos hoje em dia, é sinal que aquele homem, com todas as suas virtudes, com todos os seus defeitos, apesar de tudo, vale bastante mais do que aquilo que infelizmente temos hoje.

Obrigado, Alberto Gonçalves. Hoje o Ideias feitas à boleia dessa tomada de posse por parte de Marcelo Rebelo de Sousa, presidente da República para mais um mandato em Belém, mas em particular a propósito também dessas críticas que foram surgindo depois de o antigo presidente da República, Cavaco Silva, que marcou presença nessa posse, não ter assistido a essa sessão de cumprimentos ao atual chefe de Estado. Entretanto, como disse o Alberto Gonçalves, o antigo presidente da República já deu conta através de uma fonte oficial do gabinete, que teve imensa honra de estar na cerimônia, mas que teve de regressar a casa logo que terminou essa cerimônia da posse de Marcelo Rebelo de Sousa.

Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto