Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.
Fazemos Ideias Feitas. Junta-se à tarde em direto o Alberto Gonçalves. Alberto, boa tarde.
Olá, boa tarde.
Olá, boa tarde, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto escolheu para tema do Ideias Feitas a morte de Vasco Pulido Valente.
Sim, soube há pouco, como toda a gente soube, é uma notícia triste. Eu gostaria de começar por dizer que o Vasco Pulido Valente, aquilo que toda a gente diz e que toda a gente sabe, era doutorado em História, foi historiador, foi colunista, foi político ocasionalmente, mas sobretudo o que eu acho que ele foi, para mim, o maior escritor em língua portuguesa das últimas largas décadas. Ele disse várias vezes que achava que a história era um gênero literário e ninguém como ele na nossa língua contribuiu para erguer a historiografia, o trabalho do historiador a um gênero, a literatura. Devo também acrescentar e aproveitar para agradecer. Tive a oportunidade de agradecer isso pessoalmente, a contribuição que ele deu para a minha vida em matéria profissional, porque se eu escrevo crônicas e comparadas com as dele, pobrezinhas das minhas, é graças ao Vasco Pulido Valente, que eu comecei a ler por altura no início do Independente. Descobri, no fundo, não descobri a existência do gênero crônica, mas descobri que a crônica podia chegar àquelas alturas.
Inspirou-se, Alberto?
Muito. Claro que o que eu produzo é uma pálida cópia do original, não diria cópia, mas no início talvez fosse mesmo. Não chego aos calcanhares daquilo que ele fazia. O Vasco escrevia prodigiosamente e conheci-o no Independente, depois li-o posteriormente no Público, no Diário de Notícias e no Observador, etc. E voltei atrás, tinha voltado entretanto atrás para ler o que ele tinha escrito desde o início na revista O Tempo e o Modo e na tarde, naquelas colaborações que ele teve no Expresso, etc. E é interessante notar que em 50 e tal anos de escrita, a qualidade e a arte da prosa está lá sempre presente. Eu tive a oportunidade de conhecer o Vasco e as pessoas que não o conheceram diretamente têm uma ideia, talvez enganadora, da personalidade dele. O Vasco era uma pessoa de uma cordialidade imensa e de uma enorme simpatia, ou pelo menos para mim foi, e não teria sido só para mim, com certeza. O que ele não tinha era muita paciência para os vícios, para os hábitos e para a pequenez do país.
E fazia questão de o dizer, não é?
Fazia questão de o dizer e com uma frontalidade, com uma franqueza, gosto mais da palavra, que não é muito habitual entre nós e as pessoas tomam isso por arrogância. Eu nunca achei, não é que o Vasco fosse uma pessoa exatamente modesta, mas nunca achei que fosse uma pessoa arrogante no sentido de que aquilo que ele dizia ou a atitude dele era ilegítima. Ele tinha motivos para dizer o que dizia e motivos para ser como era. Tinha amplos motivos. É muito frequente dizermos que o país ficou mais pobre quando morre alguém, às vezes pessoas que nem sei quem são. O país ficou mais pobre, a cultura ficou mais pobre, etc. Este é um caso real de que a cultura portuguesa ficou mesmo mais pobre. Não é uma morte absolutamente inesperada. A saúde do Vasco já não era boa há uns tempos, mas é um dia triste para a cultura portuguesa.
Obrigado, Alberto Gonçalves. Hoje o Alberto Gonçalves a escolher para tema deste Ideias Feitas, a morte, a assinalar a morte de Vasco Pulido Valente e como ouvimos também o Alberto Gonçalves, de alguma forma a admitir que também se inspirou em Vasco Pulido Valente. Não diria que seja uma pálida cópia, como disse o Alberto Gonçalves, mas conseguimos ver aqui alguns pontos de contacto entre um e outro. Obrigado, Alberto Gonçalves. Até para a semana.
Obrigada por ter ouvido este podcast. Se gostou, pode subscrevê-lo, pode partilhá-lo e também pode ouvir a Rádio Observador online em 98.7 em Lisboa e em 98.4 no Porto