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Olá, bem-vindos ao "Isto Não Passa na Rádio". Em semana de antecipação pra cerimônia das Estrelas Michelin em Portugal e Espanha, vamos oferecer um menu musical e, como tal, começamos com um coquetel, as piña coladas que Rupert Holmes fala nesta "Piña Colada Song", porque isto não passa na rádio. Sejam bem-vindos a mais um "Isto Não Passa na Rádio". Eu sou o Nelson Ferreira, comigo está o Diogo Lopes e o Gonçalo Correia. Bem-vindos, amigos.

Ora viva.

Ora viva. Bem-vindos.

E bom apetite. Estamos dedicados a um menu que foi essencialmente preparado aqui pelo Diogo Lopes. É dele também a primeira escolha deste programa, "Escape", de "A Pina Colada Song".

É verdade, temos aqui esta música que é um verdadeiro hino ali dos anos 70, 80. Possivelmente um ótimo caso para ilustrar aquilo que muitas vezes costumo dizer um one hit wonder, tendo em conta que este Rupert Holmes, nunca mais se ouviu falar dele depois deste grande sucesso. Apesar desta canção ter um pormenor caricato, um record até, que ela foi lançada pela primeira vez em 1979 e imediatamente atingiu a primeira posição nos tops dos Estados Unidos, mas depois ela voltou a ser reeditada em 1980, e voltou a conquistar o primeiro lugar dos tops. Ou seja, ela até hoje continua a ser a única música, na história da música do mundo inteiro, a atingir a primeira posição em duas décadas diferentes, por muito que tenha havido só um ano de intervalo entre as duas.

Pina não oxidou, pina colada não oxidou.

É verdade, continuou fresquinha. Assim, no modo geral, a canção conta uma história engraçada, que se tiverem paciência, voltem a ouvir e tentem perceber um pouco melhor, porque é basicamente a história de um rapaz que tem uma vida aborrecida com a sua namorada, então decide olhar pros classificados do jornal. Acho que isto é um bom exemplo pra vermos o datado, se calhar, que já está desta música. Hoje em dia seria uma coisa talvez tipo Tinder ou algo que o valha. Mas ele tenta ir à procura de alguma coisa que possa parecer interessante e vê um anúncio de uma mulher misteriosa que procura um homem que gosta de piña coladas, lá está, de grandes passeios à chuva.

Parece um critério como outro qualquer.

Por que não, não é?

Por que não? Claro que sim. Principalmente se casados, de boas famílias, goste de piñas coladas.

Pronto, eu pelo menos acho sempre que piña coladas é sinônimo de diversão, por isso, se calhar, era só isso que a senhora procurava.

A mim faz lembrar filmes com o Tom Cruise.

Exato.

Aquele imaginário Miami Vice. Aliás, esta música tem sim um bocado essa vibe.

Miami ali a caminho das Bahamas, talvez. Muito bem, seguimos neste "Isto Não Passa na Rádio" para o que poderia ser uma entrada no nosso menu.

Começamos pela entrada.

Já que tivemos um aperitivo, não encontramos nenhuma música a dizer cerveja com martini ou Favaios, por isso escolhemos piña colada.

Ou Couvert também.

Ou Couvert. Mas nesta segunda escolha entramos pelo menu adentro e falamos de "Rock Lobster", dos B-52's. Esta música foi lançada em 1979. Faz parte do primeiro disco dos B-52's. Eu gosto deles ainda hoje. Acho que são uma banda completamente intemporal, que resolveu reunir-se no final do ano passado para uma tour de celebração dos 40 anos do grupo.

Eles não vieram cá.

E ainda bem. Que me lembre, não.

Estou a fazer confusão.

Se ainda existir Remember Cascais, talvez.

Pois. Ou Vilar de Mouros. Isto tem ar de ser.

2008, talvez.

2008 a banda ou o ano?

Não, a discoteca.

A discoteca, ok. Para o Estoril, não é?

Penso que sim.

Essa é do Autódromo do Estoril?

Creio que sim. Só conheço de lenda, mas daquilo que eu ouvi sobre o espaço, parece-me que poderia ser um belo momento nostálgico.

Eu sei de fonte segura que ele ainda funciona, salvo erro. Não sei se é sempre, mas volta e não volta, ainda acontece lá qualquer coisa.

A última vez que lá fui estava lá a Dora.

Olha.

Ok.

E não é a exploradora.

"Rock Lobster" dos B-52's nesta espécie de menu. Isto não passa na rádio e já falamos um bocadinho sobre esta canção, que há aqui alguns pormenores muito engraçados e até que envolvem John Lennon. Já fiquem para conhecer. É absolutamente intemporal esta canção dos B-52's, "Rock Lobster", escolha para o Isto Não Passa Na Rádio minha, de Nélson Ferreira. Olá, tudo bem? Esta canção, a própria letra dela faz uma série de brincadeiras com animais marinhos mais ou menos imaginários, alguns verdadeiros, outros nem tanto. There goes a dogfish, chased by a catfish, in flew a sea robin, watch out for that piranha. There goes a narwhal, here comes a bikini whale.

É bom falares nesse pormenor, ou seja, que há aqui a enumeração de várias espécies marítimas, porque parece-me que vamos ter de saltar o prato de peixe directamente para o de carne, por isso este já fica assim com pé nos dois lados, na entrada do marisco e no prato de peixe, que normalmente é sempre antes da carne.

Há aqui uma história engraçada ainda a propósito de "Rock Lobster". Na primavera de 1980, o John Lennon, que tinha já os Beatles em pausa há vários anos, andava a fazer umas experiências também com o filho dele, ainda muito pequeno, quase recém-nascido, mas ele estava um pouco afastado da música em nome próprio e decidiu regressar quando ouviu a "Rock Lobster" dos B-52's e disse: "Bem, eu tenho que acordar a minha mulher, bora fazer música outra vez juntos". E foram para o estúdio e foi aí que nasceu o álbum "Double Fantasy" do John Lennon. Mas ele disse numa entrevista que foi por escutar a "Rock Lobster" que decidiu regressar ao activo para esse "Double Fantasy". E agora seguimos para uma sugestão do Gonçalo Correia. Para onde é que vamos? Para a carne, não é?

Para a carne. Já fomos aos sabores mais requintados da lagosta.

Não que carne não possa ser.

Exatamente.

Não, mas é porque neste caso é uma coisa-

Um filet mignon.

Não é isso que vamos degustar agora de seguida. Vamos degustar um prato chamado Pork and Beans. Portanto, como o nome indica, é um prato à base de carne de porco e feijão.

Bem bom.

Bem bom, é verdade. Esta canção tem este nome, o nome deste prato, Pork and Beans, é de um guitarrista. Ele toca guitarra, toca banjo, toca várias coisas, mas ele chama-se Jake Churchus Fussell.

Muitos X nos nomes.

É verdade. E ele tem três discos, lançou um inclusivamente este ano, um disco bastante recomendável chamado "Out of Sight". Esta canção é do primeiro disco homónimo dele, que foi produzido e teve a tocar também um guitarrista que esteve cá em Portugal muito recentemente, William Tyler. Nas gravações do disco tiveram também músicos que tocaram com Bonnie Prince Billy, com os Silver Jews, com Ray Charles e Bill Monroe.

Uau! A fina flor.

A fina flor. É uma coisa muito americana, muito pastoral, rural também. É uma canção que não tem grande significado. Ele diz que a mãe dele está a cozinhar pork and beans, carne de porco e feijão, na cozinha, mas eu gosto bastante da canção e decidi trazer aqui para o prato de carne.

Quem nunca se sentiu inspirado com uma feijoada?

Sim. Eu, dia sim, dia não.

Por acaso almocei hoje.

A sério?

A sério.

Ainda não se nota. "Pork and Beans", Jake Churchers, Church's? Dizes Church's?

Eu acho que é Church's, porque é como a Church.

Ok.

A personagem do Rodrigo Santoro na 300.

Jake Fussell. Podemos ir, podemos eliminar.

É, Jake Fussell é mais fácil. Obrigado, Gonçalo.

Eliminamos o nome do meio.

Exato.

Jake Fussell, "Pork and Beans", sugestão do Gonçalo Correia para o Isto Não Passa na Rádio, onde estamos a tentar fazer aqui um menu musical. Estou a gostar muito desta "Pork and Beans", sugestão do Gonçalo Correia. Jake Fussell, belíssima canção. Esta também é uma canção que neste programa seria sempre atribuída a ti.

Sim, é verdade. É claramente a minha cara.

Isto tem dedo de Gonçalo Correia.

É americana até à raiz, até ao osso. Neste caso, o osso da carne de porco.

E ia-te chamando Gonçalo Lopes. Tende a ver pelo menos uma vez por programa que te chamamos Gonçalo Lopes.

Seguimos neste Isto Não Passa na Rádio, onde estamos aqui a montar um menu. Já passamos por Pina Colada, também por Lobster, agora estamos com Pork and Beans e temos alguns acompanhamentos.

É verdade, estava aqui a faltar um acompanhamento. Eu vou só fazer um pequeno reminder de que hoje estamos a fazer este menu musical, porque estamos na semana imediatamente antes da revelação das estrelas Michelin para Portugal. Por isso achámos apropriado encaixar isto aqui e brincar um bocadinho também com este tema, que tem pano para mangas. Ao longo deste menu já tivemos os cocktails, já fomos às entradas e ao prato de carne, mas contudo falta sempre um acompanhamento, ajuda sempre a compor. E por isso eu trago aqui "Potato Salad", de Tyler, the Creator e A$AP Rocky. É uma música relativamente recente e uma combinação, ao que tudo indica, esporádica, porque a música, como eu dizia, é muito recente, por isso ainda não se sabe se é um avanço, se é um single, também nenhum dos dois foi-

Mas com esta malta também é difícil adivinhar a quantidade de músicas que eles lançam por semana.

Pois, é verdade, eles são superprolíficos, é verdade. Por isso isto pode muito bem ter sido só uma brincadeira que eles decidiram fazer. Aliás, o videoclipe é gravado em Paris, por isso na volta, ainda por cima eles são os dois muito ligados ao mundo da moda. Na volta cruzaram-se num desfile e disseram: "Olha, fixe, era a fazer uma música sobre salada de batata". E o outro: "Era mesmo isso que eu estava a pensar". E seguiram daí. Deixo a música para vocês ouvirem, para irmos assim para o intervalo bem relaxados, porque acho que vale a pena, porque isto de comer à pressa faz mal à saúde.

I fill them with comb blouses. Y'all cop kush, my nigga, I cop houses and fill them with some Leo Dicap and some Cole Sprouses, nigga. Where we? Rocky, ASAP, Gothboy. Where we at, nigga? In Paris.

Fuck clothes, I cop pieces. Couple thots with me and them hoes is like divas. Got my Vans on but they look like sneakers. Lift a couple packs, Baseguard in the speakers. Base all in the speakers. In the field like baseball. Play ball, face wall when polices come. I don't rock Chanel, I rock Channel. Hell no, this ain't a purse, it's a satchel. Blessings at you. Nah, I ain't sneeze, but if niggas want steam or smoke, bet I match you. Got a bullet with your name on the barrel. If hollows don't clip, you get knit like it's cat food. That dude, when I die, they gotta make a statue. Bad attitude, this ain't a purse, it's a satchel. Go to any nigga with money up in my bracket. Then I think about the state of rap and all the freshmans in the classes. All the super seniors mumbling and rambling. Mumbling and rapping, mumble rapping. I find it hard to find actual talent. I find it hard to find an actual challenge. I'm like Shabazz palaces, last as in hit. Elaborate, rap labs, labyrinth. Words to Kodaks, blacks, Lazarus. Call drops on the album skips.

Ayo, I'm the channel that you watch. I'm the ammo in the Glock. Weird nigga, full suit with the sandals and the socks, stop. And based on my neck, boy, you would think I hate glass homes way I'm handling the rocks. Who cast the first stone? Bitch, it's me, fuck you thought. Real grunge nigga, I ain't got a flannel as the top. And I'm picking up guitar still, nigga. Bum niggas wish they could make a garden shed. But they sleeping on me, man, like they arm is dead. I'm a wild nigga, boy, and you farmer bred. Born, you ain't animal, you all corn. Yo! K Shiz, what up, nigga?

Sejam então bem-vindos à segunda parte do Isto Não Passa na Rádio. Esta semana estamos a tentar fazer aqui um menu, também a propósito de uma celebração do que de melhor se faz na cozinha a nível mundial, não é, Dion?

É verdade. Vamos aqui falar, não tarda muito, daqui a uns dias, sobre a cerimónia de entrega das estrelas Michelin, referentes ao ano que aí vem. E foi um bocadinho a propósito disso que decidimos fazer aqui esta brincadeira, ainda por cima, ao longo deste dia, praticamente passa o dia, em que estivemos a pesquisar músicas que tivessem alguma coisa a ver com comida, descobrimos bastantes sugestões. Por isso, porque não apostar nisto?

Sim, eu queria perguntar-vos uma coisa, essa cerimónia, como é que é? De atribuição das estrelas Michelin.

Exatamente. É quando alguém sobe ao palco e diz: "Olha, os gajos que ganharam foram o Zé Manel, da tasca, o tio Alberto, da casa de pastel de não sei o quê".

Normalmente é da osteria não sei o quê.

Sim.

Ok, e não é da tasquinha. Infelizmente. Nas minhas estrelas Michelin seguramente estariam três ou quatro tascas. Isto para vos perguntar o que é que terá acontecido no mundo para que esta área da cozinha e dos chefs esteja agora a rivalizar com a cultura pop, com os rockstars de hoje em dia. Esta atribuição das estrelas Michelin serão os novos European Music Awards?

Quase. Não, eu acho que o que alguém acabou por descobrir é que o pessoal que trabalha nas cozinhas muitas vezes tem uma vida muito semelhante a qualquer rockstar ou coisa do gênero. Fala-se muito e é um bocado clichê esta expressão, mas a verdade é que é mesmo, porque são muitas horas, trabalhos muito cansativos e muito dados ao pormenor, que depois acaba por ser sempre um terreno fértil para pessoal mais avariado da cabeça, ultracriativo ao mesmo tempo. Por isso eu acho que eles basicamente são músicos ou membros de bandas.

São artistas.

Exatamente, são artistas, de certa forma. Por isso acho que a partir daí o interesse é natural, porque divergem totalmente do nosso dia a dia monótono e aborrecido, não sei como é o vosso. O meu não é, claro.

Eu acho que se come cada vez mais e cada vez há mais este culto de ir àquele sítio, provar aquele prato. Era uma coisa que eu acho que não acontecia tanto há alguns anos atrás.

Se calhar, porque como de repente começou a haver tantos restaurantes e muitos deles tão medíocres/maus, começou a ser preciso procurar um bocadinho mais para se encontrar coisas de facto interessantes e se calhar pode ter aparecido aí. Ou simplesmente decidimos valorizar pessoas que durante muitos anos faziam bons trabalhos, mas como era um bocado corriqueiro e acontecia em todo lado, ou nós não éramos tão informados como somos hoje, passamos a valorizar mais, que é o que eu quero acreditar que aconteceu.

Bem, na nossa ementa ficamos mais ou menos nos acompanhamentos, porque há pouco fechamos a primeira parte com a "Potato Salad".

Exatamente.

Do Tyler, the Creator com o ASAP Rocky. E agora eu junto aqui um outro acompanhamento, puré, que é uma coisa que eu gosto muito. "Mashed Potato Time" é um tema de 1962 de Dee Dee Sharp.

Nelson e Dion.

Sim.

Com noz-moscada ou sem noz-moscada?

O quê?

Puré.

A vida no geral?

Não, o puré.

Porque não? Eu não fecho portas.

Não sei, já ouvi essa questão. Eu normalmente como sem.

Eu não sei se alguma vez comi com noz-moscada.

Se calhar já comeste e nem te apercebeste.

O meu palato não é assim tão apurado. Já o meu gosto musical é um bocadinho mais, quero eu acreditar que sim, não estou a garantir. Dee Dee Sharp, "It's Mashed Potato Time". Quando ouço esse tipo de música lembra-me sempre de senhoras com roles na cabeça. Não sei porquê.

Exatamente.

Dee Dee Sharp, "Mashed Potato Time", uma das canções para o "Isto Não Passa na Rádio" de hoje dedicado a um menu que estamos aqui a tentar montar. Já tivemos algumas entradas, estamos nos acompanhamentos e há aqui também um acompanhamento. Gonçalo, a tua próxima escolha, que poderia ser uma espécie de lava palato.

Um limpa palato, pode ser.

Sim, entre pratos.

Bem visto.

Para a pessoa não ficar também embruxada.

É verdade, porque estava aqui a faltar qualquer coisa de beber.

Sim.

O cocktail já lá vai.

Já comemos marisco, feijoada, batatas e puré e é preciso qualquer coisa aqui para ajudar a empurrar. E vamos a ginja, portanto vamos a "Cherry Wine". Escolhi esta bebida por uma razão, porque há uma canção com este nome, bastante boa, e isso justificava que este menu tivesse uma ginja aqui como limpa palatos. É uma canção do rapper americano Nas, que foi lançada em 2012, tem a particularidade de ter uma participação vocal da Amy Winehouse. A canção saiu em 2012, portanto ela já tinha morrido, saiu postumamente. É o último single a aparecer com gravações vocais dela, que tinham sido feitas com o intuito de serem editadas. Pelo menos havia essa certeza, porque a canção era para entrar no álbum do Nas, que estava a ser feito já há algum tempo. É uma canção interessante porque há aqui uma espécie de dicotomia. É uma canção quase de desencontro romântico e temos a Amy Winehouse, por um lado, a perguntar onde é que estará o homem que seria exatamente como eu, ouvi dizer que ele se andava a esconder num sítio onde eu não o encontro. Portanto, estou sozinha e já percebi que quando chegar a casa vou falar para o meu cherry wine, para a minha ginja. E por outro lado, o Nas logo a seguir, e durante a canção também, descreve um bocadinho a mulher ideal, que tem todo um conjunto de características, é uma espécie de perfeição que ele procura e depois acaba por dizer: "Bem, mas onde é que ela está, que eu ainda não a encontrei". Portanto, é uma canção de procura.

E de desencontro.

De desencontro e de refúgio também no álcool.

No cherry wine.

No cherry wine.

Uma coisa que a Amy Winehouse fazia com regularidade.

Não era só no cherry, era vários.

Aliás, é engraçado como a Amy Winehouse chegou a colaborar com nomes que à partida não seriam muito expectáveis. Este caso que vamos ouvir agora.

Eu não fazia a mínima ideia que ela tinha isto.

Ela tem também uma colaboração com o Mos Def ou Yasiin Bay. Foram amigos de quarto de hotel.

E depois com o Tony Bennett, uma cena assim.

Sim, isso foi um grande sonho.

E depois também, por exemplo, há aquele bocado obscuro, não é muito obscuro, mas não é muito celebrado, pelo menos o álbum de ska da Amy Winehouse, o "The Sky EP", em que ela retoma uma sonoridade que é muito do final dos anos 70, início dos 80, dos Madness.

Não conheço Madness.

E a Amy Winehouse tem o "The Sky EP" dedicado a esse género. Por isso é uma cantora que também vai muito para além do seu próprio género musical. E aqui fica mais um exemplo. Escolha do Gonçalo Correia, "Cherry Wine", Nas com Amy Winehouse. Uma espécie de toque de Midas que a Amy Winehouse tem.

Sim, eu reparei que interrompemos aqui o Nas e não a Amy Winehouse.

É impossível.

É impossível, quando ela está a cantar.

Até porque o Nas ainda está vivo.

Sim.

E maltratou a Kelis, que eu gosto muito da Kelis. Eles não eram muito amigos e eu tomei as dores de Kelis nessa disputa.

Aceito.

É uma história para o termómetro das celebridades que acontece todas as manhãs na Rádio Observador.

Com Diogo Lopes e outros participantes de renome.

Algumas vezes com Diogo Lopes. Hoje foi o MBulíssimo, por exemplo.

Olha, muito obrigado. Gostaste do Joe Pesci?

Gostei do Joe Pesci. Já sabia que ele cantava, obviamente, e tinha lido essa notícia do seu regresso às edições. Ficamos com o "Cherry Wine", Nas e Amy Winehouse. Estamos no "Isto Não Passa na Rádio" dedicado a um menu servido aqui já com pina colada, com feijoada, com vários pratos, lobster, e agora estamos aqui com esta cherry wine. Estamos quase a fechar a nossa refeição, por isso vamos começar a entrar numa espécie de...

Vamos, um pijaminha.

Um pijaminha. Era esta a palavra que eu queria.

Era exatamente isso.

Nós percebemos que todos nós tínhamos várias músicas associadas a coisas doces, por isso decidimos fazer aqui o tal dito pijaminha.

Não somos nós, é o mundo da música que tem muitas canções.

Exato, que nos está a sugerir isso. E para começar agora este repasto mais doce, tenho uma sugestão de uma canção que se chama "Ladyfingers" e quem fez esta música foi Herb Alpert & the Tijuana Brass. Antes de falar um bocadinho mais sobre isto, eu gostava só de explicar que Ladyfingers são os palitos de la reine. Eu não sei se quem está a ouvir se lembra disto ou não. Não sei se vocês se lembram.

Claro, tiramisù é feito com palitos de la reine.

Obviamente. Eu não consigo perceber. Eu lembro-me de ser miúdo e comer palitos de la reine assim normalmente.

Com o açúcar nos dentes.

Exatamente, ótimo. Mas desapareceu. Eu nunca mais vi palitos de la reine à venda.

Mas há, não estás a ir aos supermercados certos.

Se calhar não estou a procurar bem.

Até porque o tiramisù ainda é feito com eles.

Pois, é verdade, se calhar só para o tiramisù.

Mas é uma pena que a popularidade esteja em desuso.

É verdade. É uma coisa que está a cair no esquecimento e eu vou assumir como missão para o futuro voltar a dignificar os palitos de la reine. Mas pronto, sem mais demoras, este Herb Alpert é um músico norte-americano muito dedicado ao jazz, como vamos poder ouvir, e trabalhava com várias bandas. Esta Tijuana Brass era uma delas, mas colaborou com uma série de outros grupos musicais. Mas a sua carreira não é muito extensa, mas de todos os álbuns que fez, este, pelo menos para mim, é um dos favoritos. O disco chama-se precisamente "Whipped Cream & Other Delights" e é totalmente dedicado a doces. Ou seja, isto quando foi lançado tinha o lado A e o lado B e ambos, cada um com seis músicas, todas elas são dedicadas a guloseimas.

Tangerine. Não é assim uma guloseima.

Pode ser. Ele não especifica se é caramelizado ou não.

Mas há canções neste disco, por exemplo, chamadas "A Taste of Honey", "Bittersweet Samba", "Lemon Tree", "Butterball", "Peanuts" e "Lollipops and Roses".

É um bocadinho de tudo. É muito divertido só ler aqui esta própria ementa do disco. E vamos ouvir uma sonoridade que roça ali muito uma certa mexicanidade. Acho que esta palavra não existe, mas vou cunhá-la agora aqui.

Existe agora. Existe a partir de agora.

E é um instrumental. Acho que é o primeiro instrumental que estamos a passar aqui no "Isto Não Passa na Rádio", por isso espero que seja uma estreia digna. Digam-me vocês depois, quando acabarmos de ouvir e eventualmente aí fora, quem nos estiver a ouvir depois, se não gostar, diga qualquer coisa.

Manda um e-mail.

Exato.

Nós estamos aqui. Se já não bastassem os palitos de La Reine para me cheirar a Natal, temos aqui uns sininhos, não é?

Por acaso é verdade. Está aí quase a comentar e enquadra.

Isto poderia ser perfeitamente um anúncio de palitos de La Reine para o próximo Natal, mas é uma canção de Herb Alpert com the Tijuana Brass. Escolha do Diogo Lopes neste Isto Não Passa na Rádio, dedicado a comidas e estamos aqui a tentar fazer um menu. Já estamos a entrar claramente na parte das sobremesas. Temos apenas um doce para terminar e é um Lollipop, das Chordettes. É uma canção bastante antiga, que teve bastantes versões e eu descobri também há dias. Se tu me explicaste que Lady Fingers são palitos de La Reine, eu explico-te o que são barbershop music.

Ok.

Música de barbearia.

Estou à espera.

Barbershop music é o que nós conhecemos como grupos vocais. Aqueles quatro tipos que cantam sem instrumentos.

Que fazem aquelas harmonias.

Exatamente.

Tipo Jersey Boys, por exemplo?

Tipo teatro vocal.

Sim. Aquela malta que está sempre com os fatos às riscas e com os chapéus de palha.

Vozes da Rádio também, não é? Também havia um coletivo português, Vozes da Rádio.

Que teve um pseudo comeback com algumas boyband dos anos 90. Porque aquela malta também no que toca a harmonia vocal estava muito por aí. Um fazia uma voz, outro fazia outra, fazia outra.

Os An5, por exemplo. Não faço a mínima ideia, mas pela tua explicação lembrei-me dos An5. Fechamos então este Isto Não Passa na Rádio com o nosso menu de hoje, dedicado também a essa atribuição das estrelas Michelin que vai acontecer durante os próximos dias. Sabes onde é?

Dia 20 de novembro. Não só sei como vou lá estar.

Onde é?

Vai ser em Sevilha. O ano passado foi em Lisboa. Vai rodando sempre, porque é a atribuição das estrelas de Portugal e de Espanha. Por isso vai sempre girando um bocadinho.

Vais à Isla Mágica?

Não, porque eu vou num dia e volto no mesmo. Eu acho que nem chego a ficar 24 horas no sítio. Isto de ser jornalista não é uma vida glamorosa, deixo já aqui à chega. Mas vou lá ver o que é que acontece.

Hashtag dureza.

Hashtag retratos do trabalho em Portugal.

E é com esta Lollipop, de Chordettes, que fechamos o Isto Não Passa na Rádio, dedicado a músicas e a este menu que tentamos aqui fazer para este programa desta semana. Comigo, Nelson Ferreira, também com Diogo Lopes e com Gonçalo Correia. Regressamos seguramente na próxima semana às voltas com um outro tema qualquer.

Esperamos que tenham tido um bom apetite também.

E bom apetite. Fica bem, amigos.

Só para fechar aqui a metáfora.

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