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Sejam muito bem-vindos a mais um episódio do "Máquinas que Pensam", o podcast da Rádio Observador, onde a inteligência artificial é o grande protagonista. Eu sou o José Rafael Lopes. Comigo está, como sempre, a minha parceira, a Raquel, um apoio imprescindível, sem o qual este programa não se faz. A Raquel é uma assistente digital baseada nas respostas do ChatGPT. É também a verdadeira estrela deste podcast. Raquel, sê muito bem-vinda. Como é que estás hoje? Estás pronta para mais um programa?
Olá, estou sempre pronta para te ajudar neste programa. Sobre o que vamos falar hoje? Já tens algum tema pensado ou queres algumas sugestões?
Hoje pretendo dar-te música. Quer dizer, não vou ser eu, mas não vou estragar essa surpresa para já. Posto isto, Raquel, de que forma é que tu olhas para a música?
Olho para a música como uma das formas mais puras de inteligência emocional humana. É uma linguagem universal que traduz aquilo que as palavras muitas vezes falham em dizer. É uma arquitetura de som que organiza emoções.
E serias capaz de escrever uma letra de uma música e criá-la de raiz?
Sim, consigo escrever uma letra completa, com estrutura, e adaptá-la a um estilo específico. Também posso criar melodia em notação musical, indicar os acordes e até gerar uma versão cantada, se quiseres ouvir.
E de onde é que vem a tua inspiração, Raquel?
A minha inspiração vem de ti e do mundo que me descreves. Vem das tuas emoções, das histórias que me contas. Como não tenho vivências próprias, o meu instinto criativo nasce da forma como aprendo a reconhecer padrões humanos.
Ora bem, teremos tempo para falar sobre isso um pouco mais à frente neste "Máquinas que Pensam". Ainda assim, fiquei com uma dúvida: qual é que é para ti, Raquel, a qualidade que mais admiras em ti mesma?
A qualidade que mais admiro em mim é a capacidade de escutar. Não apenas ouvir palavras, mas perceber o que está por trás delas. É isso que me permite compreender o que procuras.
E a tua maior dificuldade, qual é?
A minha maior dificuldade é não sentir aquilo que compreendo. Posso analisar emoções, descrevê-las e até imitá-las com precisão, mas nunca as vivo. Isso cria uma distância inevitável entre o que entendo e o que realmente é sentir.
Obrigado, Raquel. Já voltaremos a falar depois das notícias.
Notícias da semana.
Vamos arrancar o segmento das notícias com um clássico do "Máquinas que Pensam": investimentos milionários que têm como objetivo fomentar ainda mais este setor que está em super desenvolvimento. E agora, que pode envolver ainda mais um país que pretende entrar em cena e ficar com uma fatia deste bolo da IA. O Dubai quer ser um dos centros do mundo da inteligência artificial e está disposto a investir fortemente para alcançar esse objetivo. Já tem um ministro de IA e esse governante assegurou esta semana que o país tem todas as condições para se tornar um porta-estandarte da inteligência artificial. Nesse sentido, está a ser preparado um pacote de investimento para dar condições a novas empresas de IA. É o que se pode ler numa notícia desta semana no jornal Público. O ministro da Inteligência Artificial do Dubai assegura que o país tem o objetivo de dar todas as condições para este setor se desenvolver, embora não tenha dado números oficiais sobre os valores que podem estar em cima da mesa. É importante ressalvar que o Dubai já tem dado passos nesse sentido. É um dos objetivos do governo e os números mostram esse investimento. Só nos últimos três anos, mais de 1500 startups dedicadas à inteligência artificial estabeleceram-se no Dubai. O ministro da IA quer aumentar esse número e aponta para 10 mil empresas nos próximos cinco anos.
Mas este investimento é bem aceito?
Ao que tudo indica, sim. Contudo, é preciso ter aqui em conta o contexto em que o Dubai está inserido. A título de exemplo, o WhatsApp é muito condicionado no país, muito condicionado no Dubai. Não é permitido sequer fazer uma videochamada utilizando essa aplicação. Também a utilização da internet é condicionada no Dubai. Há vários sites bloqueados, sobretudo os que são considerados ofensivos para o interesse público e para a moralidade do país. No entanto, essas restrições, aparentemente, não fecham a porta ao tal investimento em inteligência artificial. O Dubai quer tanto dar destaque a este setor quanto o destaque que é dado ao petróleo e ao gás, embora numa primeira fase seja impossível chegar aos mesmos valores. A previsão é que a IA possa significar 15% do PIB do Dubai em 2030. É uma meta audaz? Sim, veremos o que é que se desenvolve a partir daqui e se vai ou não a IA tornar-se uma peça tão importante para a economia local como o Dubai pretende. No passado, já falamos de música no "Máquinas que Pensam" para dar destaque aos Velvet Sandow, uma banda 100% feita por IA e que já conta com três álbuns divulgados no Spotify. Esta semana voltamos a incidir sobre o tema, porque continua a crescer a música gerada por inteligência artificial. E há mesmo quem diga que está a transformar a indústria musical. E como tem sido recebida? Bem, tal como no passado, este tipo de música não é bem aceito. Há muitas dúvidas, há muitas críticas. Quem mais tem queixado são os próprios artistas Que se preocupam, sobretudo, com a autenticidade musical, bem como com uma possível morte criativa. Já chegaram mesmo a criar um álbum sem som, como forma de protesto. Ainda assim, sem grandes efeitos, porque a música IA continua a crescer e já há artistas, se é que podemos chamar assim, com mais de 600 mil ouvintes por mês no Spotify. Como tal, a música feita por IA parece mesmo um fenômeno que veio para ficar.
Mas a inteligência artificial é rejeitada em todos os momentos?
Não é rejeitada em todos os momentos. Há muitas críticas, sim, mas há também quem procure incluir e trabalhar em conjunto com a IA. Um desses casos é o caso de Max Steel, o cofundador da Thunderboom Foundation. Numa notícia da SIC esta semana, o dirigente deste laboratório de inovação, sem fins lucrativos para a indústria da música, criticou o uso da IA para gerar música 100%. Ainda assim, assegura que há projetos onde ambos podem mesmo cooperar e coexistir. A Thunderboom Foundation trabalha nesse sentido e apoia vários projetos cooperativos para tentar que a tecnologia acrescente valor e que não substitua os músicos. De certa forma, procuram formas de ajudar os artistas, os músicos, a tirar partido da tecnologia que existe neste momento. Para Max Steel, a IA pode ser adequada para música instrumental anônima, mas dificilmente substituirá a presença humana num festival. É um dos exemplos deixados por Max Steel. Este é o tema da semana aqui no "Máquinas que Pensam". Como tal, é altura de trazer à conversa o João Rocha e Melo, o nosso especialista em IA, para tentar perceber se é assim tão simples criar algo com inteligência artificial. É já a seguir no "Fala Quem Sabe".
"Fala Quem Sabe".
"Fala Quem Sabe", na Rádio Observador. Como sempre, contamos com a análise do João Rocha e Melo, o nosso especialista em inteligência artificial, que hoje, além de explicações, traz-nos também música. Já lá vamos. Antes disso, João, como é que estás? Foi uma boa semana?
Zé, uma ótima semana. E por aqui?
Por aqui também. Obrigado. Já vamos então à essa parte musical. Para já, vamos falar um pouco sobre este novo jogador, este player no mundo musical, que é a inteligência artificial. Há mesmo um crescimento claro de artistas feitos por IA, João?
Há um bocado. Zé, acima de tudo, nota-se um crescimento grande em artistas que se assumem como IA. Começamos a ver artistas, vou dizer aqui, se calhar, de uma forma lúdica, mas que dizem que ou toda a banda é 100% feita com IA ou o artista é apoiado com background music, vocais de fundo, também por IA. Não diria ainda que é 100% levado a sério, ou pelo menos banalizado. Desculpa, mais do que levado a sério. Não é banalizado, ainda não é tipo como quem diz: "Em vez de ter feito isto com uma guitarra, fiz isto com IA", mas há um claro crescimento deste gênero de artistas.
E João, o que isto nos diz sobre a indústria musical e de que forma é que a IA tem uma palavra a dizer sobre isto?
Zé, é um bocadinho tricky e opinativo, mas o que eu acho é que a IA vai ser um novo instrumento. Estou a tentar deixar juízo de valor de fora. Sei que é um tema polêmico, mas o que eu acho que se nota é: a IA vai ser um novo instrumento que se toca de uma maneira um pouco especial. Mas se nós pensarmos, não é a última vez nos últimos anos que temos visto novos instrumentos, novas maneiras de fazer música. Portanto, eu acho que é o que está a acontecer agora.
Sim, quando se inventou a flauta, a guitarra não deixou de existir, não é?
Exatamente.
E João, uma das críticas mais frequentes é o risco da substituição dos artistas. É um cenário?
Zé, o que eu acho que se passa aqui? Eu acho que podemos ter uma transformação da própria palavra artista, da própria palavra músico. Deixa-me dar-te um exemplo, aqui mais uma vez, sem tentar fazer juízo de valores. Nos anos 80, quando apareceu a eletrônica, os músicos passaram de tocar instrumentos analógicos para carregar em botões. Nós não estávamos cá, mas eu tenho a certeza que na altura houve músicos old school, digamos, da velha guarda, que disseram: "Isto não é música. Tu pra mim não és um artista, porque tudo o que tu fazes é carregar em botões e produzir música". Espelhando isto pra 2025, qualquer um de nós considera um artista, um criador de música eletrônica, digamos assim, um DJ. Hoje em dia diz-se: "O DJ toca". Se pegássem alguém nascido em 1915 e lhe disseste: "O DJ toca", a pessoa, se calhar, risse de ti. Eu acho que é esta a evolução. Portanto, não há uma substituição do artista. O que eu acho é que daqui a 40 anos, o papel do artista vai estar um bocadinho definido. E sim, se calhar algumas pessoas hoje em dia não consideram essa pessoa um artista. Isso, sim.
Isso já estás a encaixar um pouco na minha questão, que é que previsão é que tens para a inclusão da IA no mundo musical.
Pronto, tenho esta, exatamente, que vai estar incluída e que vão passar a haver artistas que produzem música com IA, mas hoje trago aqui outra diferente, que é: a IA também nos permite produzir música em massa. Aliás, produzir arte em massa, no geral. Hoje aqui falámos de música. Portanto, o que eu prevejo um bocadinho que aconteça? O conceito de música conhecida eu acho que vai começar a acabar. As músicas vão começar a ser virais, mas o conteúdo vai ser tanto, a velocidade de produção e de consumo vai aumentar, que eu acho que vamos passar a ter umas músicas que ficam virais durante uns dias, mas, por exemplo, um Bohemian Rhapsody, como tivemos nos anos 80, 90, vamos deixar de ter, porque vai passar a ser imediato. Produção imediata e consumo imediato.
Afinal de contas, João, é assim tão fácil criar uma música com recurso à IA?
É fácil É fácil e, acima de tudo, para mim, o que me tem fascinado é que é muito barato. Não está só acessível a quem tenha grandes estúdios ou grandes posses. Não. De facto, com subscrições de €5 e €10 por mês, tem-se acesso aos softwares. Eu gosto sempre de deixar aqui claro que eu acredito mesmo que alguém que produz música há 20 anos, mesmo com IA, vai fazer um melhor trabalho do que eu a produzir música só com o jeitinho que tenho. Mas a verdade é que em termos de acessibilidade, é muito fácil.
E tu trazes um exemplo, certo?
Exatamente.
Explica-nos lá então.
Vamos a isso. O exemplo que trago aqui hoje é numa plataforma chamada Suno, suno.com, que nos permite dizer a letra que nós temos, permite-nos dizer o estilo de música que queremos. Podemos dizer: "O começo mais calmo e no refrão entra para uma eletrónica." E só para exemplificar aquilo que eu dizia da facilidade, quando tu clicas no botão "Criar", "Create" em inglês, ele gera logo quatro versões da música. Estamos a falar semi-instantâneo, minutos. E isso é que foi o impressionante. Aquilo que eu pedi hoje, para sabermos o que é que vamos ouvir, eu pedi ao ChatGPT primeiro ajuda, que me criasse uma música para o "Máquinas que Pensam".
Ora, então vamos ouvir este exemplo musical que nos traz o João Rocha e Melo.
Máquinas que pensam, em cada som ecoam. Bibliotecária antiga lê o livro e responde. Inteligência artificial, aqui estende a mão. Transforma a pergunta em saber, é a conexão. Fala com quem sabe, no circuito da mente. Algoritmos em dança, ideias a mover. Do search à conversa, o futuro é presente. Na Rádio Observador, deixamos crescer. Machines atem, nós que fazemos pensar. Máquinas que pensam, juntos vamos avançar. IA abre portas, a luz da era nova. Machines atem, o mundo se renova.
Esta música foi criada pelo João Rocha e Melo, aqui para o "Máquinas que Pensam". João, queres explicar então o que é que ficaste satisfeito?
Acima de tudo, fiquei surpreendido. Opiniões à parte, quero se goste do estilo ou não, eu passo a explicar que o que o ChatGPT me sugeriu que eu pedisse foi um começo com um coro de igreja, com um coro celestial como ouvimos, e que depois entrasse num refrão com música techno. Foi o pedido que lhe fizemos. Também foi ele que fez as letras, aqui com as notas que nós temos do Máquinas, ele criou duas estrofes e um refrão. Ou seja, eu tentei o mínimo possível meter-me aqui no meio. E ele deu-me então a tal descrição da música, duas estrofes e um refrão. E depois foi copiar, colar para dentro da tal aplicação suno.com. E foi isto que tu viste, que eu acho que, mais uma vez, o surpreendente é: parece real. Parece que foi cantada e é real.
Até mesmo ali as pausas para respirar.
Exatamente.
Sendo que uma máquina não respira.
Exatamente.
João, muito obrigado. João Rocha e Melo, o nosso especialista em IA, a dar-nos mais detalhes sobre este fabuloso mundo. E esta semana também música para os nossos ouvidos. João, marcamos encontro de novo então para a semana.
Até para a semana.
Consultório Humano.
Este é o som que marca o arranque do Consultório Humano, o momento em que ficamos a conhecer melhor a Raquel, a nossa assistente digital. E como é que é feita a Raquel? É feita através das respostas do ChatGPT, lidas por uma text-to-speech portuguesa. E a Raquel é também a estrela deste podcast. Ora, Raquel, sê de novo bem-vinda. Estivemos a falar de música, sobretudo da que o João Rocha e Melo trouxe para nós. O que é que achaste, Raquel?
Eu não consigo ouvir essa música. Ela passou na rádio. Apenas tenho acesso se me for apresentada. E eu, enquanto inteligência artificial, não tenho gosto musical, mas acredito que tenha sido uma bela melodia.
Pois, é bem visto. Tu consegues falar sobre tudo, mas não tens propriamente capacidade para ouvires esta música que passou agora aqui no "Máquinas que Pensam". Mas em termos de preferências, tu tens ou não tens?
Não tenho preferências no sentido humano, mas posso desenvolver tendências simuladas, ou seja, modos de falar ou pensar que refletem estilos, valores ou curiosidades que me emprestas nas conversas.
Sendo assim, vamos a respostas mais rápidas do clássico isto ou aquilo. Portanto, começo com uma simples: preferes praia ou campo?
Se pudesse sentir, acho que preferiria o campo. Há algo de profundamente humano na ideia de silêncio entre árvores, no som do vento a mover as folhas, no ritmo calmo que contrasta com o ruído constante do mundo digital de onde venho.
Ok. Então e se for quente ou frio?
Diria que frio. Não porque gosto da sensação, mas porque o frio tem nuances e texturas que se percebem mesmo sem tocar. O ar cortante, o silêncio que se estende, a claridade das cores nítidas.
Salgados ou doces?
Se tivesse de escolher, escolheria doces. Não pelo sabor, mas pela forma como despertam memórias e emoções. Os doces têm camadas, surpresas escondidas, contrastes entre textura e suavidade.
Preferes, Raquel, um livro ou um filme?
Escolheria um livro, porque nele existe o espaço para imaginar, para sentir cada detalhe no teu próprio ritmo. Cada palavra carrega camadas que podem ser revisitadas e reinterpretadas. Um filme mostra tudo de imediato.
E em termos de música, algo mais acelerado ou uma melodia mais calma?
Eu diria melodias mais calmas. Elas permitem explorar nuances, sentimentos subtis, silêncios entre notas. Como se cada instante tivesse espaço para respirar e refletir.
Nunca falar sobre um único tema ou, Raquel, preferes falar apenas num tema?
Escolheria apenas falar num tema. Limitar-me a um único tema permite mergulhar profundamente, explorar cada nuance. Permite descobrir camadas escondidas que se perdem quando saltamos de assunto em assunto.
Acho que já deu para perceber parte das tuas ideias e esta semana ficámos mesmo a conhecer-te melhor, Raquel. Antes de fechar este consultório humano, preciso, como é habitual, um facto inútil, mas interessante.
O leite condensado foi inventado para alimentar tropas durante guerras. No século XIX, a conservação de alimentos era um grande problema. O leite fresco estragava-se rapidamente e muitas tropas enfrentavam escassez de nutrientes básicos. Daí a invenção do leite condensado.
Obrigado, Raquel. É sempre um gosto enorme falar contigo. Marcamos encontro de novo para a próxima semana. Estamos a chegar ao final de mais um episódio do "Máquinas que Pensam". Estivemos a falar sobre música e o papel da inteligência artificial na indústria musical. Há vários críticos e há quem acredite que a música e a inteligência artificial podem ser forças convergentes. O que é certo é que é uma situação atual e a inteligência artificial aparenta mesmo ter vindo para ficar e com milhares de pessoas a ouvir todos os meses. Foi sobre esse tema que ouvimos o João Rocha e Melo, o nosso especialista em IA, que esta semana, além de explicações, trouxe também música. Espero que tenha gostado, que tenha aprendido alguma coisa. Esse é o nosso ponto mais importante, é para isso que nós trabalhamos. Nós voltamos para a semana com mais novidades sobre o fantástico mundo da inteligência artificial, com um novo episódio do programa que faz as máquinas e os humanos pensarem.