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Vamos às notas da crónica do outro jogo do grupo D, a Turquia com os Estados Unidos. Sempre atento a esta partida esteve o jornalista Martim Madeira. Martim, como é que correu esta partida?
Foi um jogo extraordinário. Não se esperava um jogo tão bom de uma partida que não interessava para nada. Os Estados Unidos já estavam qualificados no primeiro lugar, a Turquia já estava eliminada. Este jogo não interessava para nada, esperava-se que a Turquia concedesse a vitória aos Estados Unidos facilmente e o que aconteceu foi exatamente o contrário. A Turquia ganhou por 3 x 2 e deu luta aos Estados Unidos. Os Estados Unidos começaram por marcar mais cedo, o Austin Trusty marcou um bom gol ao aparecer ao segundo poste num canto e depois a Turquia respondeu rapidamente com Arda Güler. Entretanto, a Turquia respondeu outra vez e fez o 2 x 1 ainda antes do final da primeira parte. Depois, no início da segunda parte, os Estados Unidos voltam a entrar bem, voltam a estar por cima e marca Berhalter e já aos 90 mais oito, uma jogada que não se percebeu bem o que aconteceu, e a Turquia acabou por marcar o gol da vitória e conseguiu a primeira vitória neste mundial, para uma equipa que não estava a marcar gols e não estava a ter eficácia. De facto, a Turquia teve um bom jogo, foi um grande jogo e os Estados Unidos também fez um grande jogo, esteve por cima a maior parte do tempo, mas a Turquia acabou por sair com a vitória.
Vamos então às notas desta crónica. Começamos pela pérola. Quem é que foi para ti o melhor, Martim?
O melhor em campo foi justamente uma pérola já do futebol mundial, um jovem jogador que vai ter um futuro brilhante garantidamente. Arda Güler foi para mim esta pérola. Ele marcou um gol logo aos 10 minutos, depois teve um jogo espetacular, sempre a entrar entre linhas, a fazer grandes passes. Os dribles que ele faz são extraordinários, mesmo no último gol, ele vai buscar a bola mesmo junto à zona de canto e parece que não vai sair dali. Entretanto, faz uma viragem, faz um túnel em Pulisic, dá a bola ao colega, o colega cruza e depois acaba tudo por resultar no gol. Mesmo no segundo gol da Turquia, é ele que também mete o passe a descobrir o lateral esquerdo, que depois faz a assistência para Yılmaz. Portanto, Arda Güler, de facto, fez um jogo extraordinário.
E quanto ao joker, o que foi improvável para ti neste jogo?
Foi Berhalter, o médio dos Vancouver Whitecaps acabou por fazer um jogo extraordinário. Berhalter normalmente não é titular nesta equipa dos Estados Unidos e entrou e fez logo a assistência ao início, num bater de canto para Trusty, que marcou aos três minutos, e depois acaba por marcar um golaço logo ao início da segunda parte, faz um remate de longe, fez um golaço e depois esteve muito bem durante o jogo, mesmo com um amarelo esteve excelente, sempre composto e fez uma grande partida.
E agora temos a sentença, o que é que fica deste jogo?
Fica que os Estados Unidos passaram em primeiro lugar, tiveram uma exibição nesta fase de grupos quase excelente, se não fosse esta derrota com a Turquia, mas de resto tiveram uma grande exibição. Já a Turquia é uma desilusão autêntica. Não se percebe como é que isto aconteceu neste mundial, com uma equipa tão boa e sendo claramente a melhor equipa do grupo em termos de jogadores, não se percebe como é que esta Turquia é eliminada deste grupo e é uma pena serem eliminados com uma geração tão boa.
E fechamos com a mentira, o que deveria ter acontecido, mas não aconteceu, Martim?
É uma questão muito grande, que é: onde é que estava esta eficácia da Turquia nos primeiros jogos? Porque a Turquia, como eu disse, no primeiro jogo fez 23 remates, não marcou nenhum. No segundo jogo, fez 32 remates, não marcou nenhum. E agora neste jogo faz sete remates e marca três gols. Portanto, onde é que estava a eficácia da Turquia, que durante todos os jogos jogou bem, teve sempre 80% de posse de bola, 79% de posse de bola, vários remates, 32, 23, nunca marcou e neste jogo, que foi inferior aos Estados Unidos, os Estados Unidos jogou melhor do que a Turquia, teve mais remates do que a Turquia e a Turquia marca quando tem menos remates. Não se percebe onde é que estava esta falta de sorte da Turquia. Têm que ir buscar um talismã, têm que fazer qualquer coisa, chamar a bruxa, não sei. Se calhar o mau-olhado está sobre eles. Se calhar a minha avó pode fazer ali com azeite um mau-olhado e resolve a situação da Turquia, porque, de facto, não se compreende como é que esta Turquia é eliminada deste mundial.
E o jornalista Martim Madeira com a crónica do jogo Turquia-Estados Unidos do grupo D.