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Jornal das 6, com Miguel Piteiro Dias, Luís Montenegro desvaloriza a greve geral e diz que a adesão foi baixa.

O primeiro-ministro volta a frisar que não coloca em causa o direito à greve, mas também sublinha que é preciso conciliar todos os direitos, incluindo o de quem quer trabalhar. Um pedido que já tinha deixado ontem à margem de uma conferência do Jornal de Notícias. A acompanhar a declaração de Luís Montenegro esta tarde, no Palacete de São Bento, depois de uma reunião do Conselho de Ministros, esteve a jornalista Marta Caramelo Nobre. Marta, boa tarde. O primeiro-ministro tem dados de que a adesão à greve foi reduzida?

Precisamente, Miguel, o primeiro-ministro acaba mesmo por falar até mais dos principais efeitos da greve, que como disseste, segundo afirma, não teve grande adesão e que o principal efeito acabou por ser sentido pelos portugueses. No balanço que faz desta paralisação, que é já a segunda em menos de um ano, Luís Montenegro fala sobretudo nos constrangimentos causados às famílias, com impactos nas escolas, nos serviços de saúde e nas deslocações dos portugueses, e reforça que a esmagadora maioria dos portugueses não fez greve.

Estão a trabalhar nos seus locais de trabalho, a grande maioria, estão a trabalhar à distância aqueles que têm funções conciliáveis com o teletrabalho e, de uma forma geral, o setor privado não teve grande perturbação. É toda a informação que nos é carregada por variadíssimas entidades, confederações empresariais, empresas propriamente ditas, que nos transmitiram os índices de adesão e que são, eu diria, muito reduzidos, não quero estar a adjetivar, mas são muito reduzidos. E na administração pública, onde em média a taxa de adesão andará nos 23%.

O primeiro-ministro diz também que a greve não trouxe grandes novidades para o debate público e, nesse sentido, sugere uma reflexão aos sindicatos sobre as consequências e efeitos da greve.

Apenas me parece, como cidadão, como português e como primeiro-ministro, que todos temos uma responsabilidade e a responsabilidade também integra aquilo que são as consequências dos nossos atos. A consequência desta greve, no final deste dia, parece-me que passou apenas por prejudicar a vida de muita gente, porque as posições políticas que queriam ser transmitidas já eram conhecidas, já eram afirmadas por estas estruturas há bastante tempo.

Já numa breve nota sobre o pacote laboral, Luís Montenegro relembra que o governo está disponível para negociar alterações à proposta apresentada ao Parlamento. E Miguel, o primeiro-ministro admite mesmo mudanças em alguns pontos do diploma para procurar tecer entendimentos com outras forças políticas.

A jornalista Marta Caramelo Nobre no Palacete de São Bento, onde Luís Montenegro falou há pouco aos jornalistas para um balanço também desta greve geral, a dizer que teve uma adesão reduzida durante o dia de hoje.

E o secretário-geral da CGTP, claro, aponta dados no sentido inverso e diz que a participação foi bastante significativa.

Diz até que está a ter uma adesão semelhante à greve geral do passado dezembro, mas Tiago Oliveira também frisa que não há números globais. O líder da Intersindical fez apenas referência a alguns setores e empresas e, sobretudo, ao setor da saúde.

Hospitalização privada. Impactos significativos nos Lusíadas, Amadora e Lisboa, no Hospital CUF em Sintra, no Hospital Luz em Lisboa. Setor do têxtil e calçado. Empresa Mabera, 99% de adesão, Tearfil, 95% de adesão.

Os números adiantados por Tiago Oliveira, que foram, claro, acompanhados de críticas dirigidas ao governo por insistir neste pacote laboral. André Ventura diz que o Chega vai tratar de pôr fim à reforma da Lei do Trabalho no Parlamento. O presidente do Chega reagiu à greve geral na Assembleia da República. Diz que não são precisas mais paralisações porque agora compete aos deputados pôr fim à iniciativa do governo.

Eu quero dizer ao país que nós vamos resolver este assunto, que agora foi marcado já definitivamente a discussão e o agendamento desta proposta laboral. E eu quero tranquilizar todos, todos os que estão em casa, todos os que decidiram fazer greve, os que decidiram não fazer greve, mas uma ampla maioria do país que sabe que esta é uma má reforma laboral, que é uma má proposta laboral e que se ela continuar nestes termos, não é preciso mais rua nenhuma, não é preciso mais greves nenhumas. Esta lei laboral será derrotada onde tem que ser derrotada, que é no Parlamento. Se houver outras mudanças, outras alterações, outra lei laboral, o Parlamento também, mais uma vez, cá estará.

O presidente do Chega, numa declaração aos jornalistas nos Passos Perdidos da Assembleia da República.

E a poucos metros, no desfile da CGTP, os líderes dos partidos à esquerda criticavam a ministra do Trabalho.

O secretário-geral comunista Paulo Raimundo diz que Maria do Rosário Palma Ramalho se tornou a melhor funcionária dos patrões.

Há 10 meses a esta parte que anda a ser a funcionária do mês das confederações patronais. E veio com uma linha de argumentação sobre a dimensão da greve, o impacto da greve, de quem vive no seu próprio mundo e ilude-se com a sua própria propaganda. Pronto, isso vai argumentar nas mãos, porque é compreensível. Não pode ser de outra maneira, é incompreensível e aceitável que os trabalhadores não possam aceitar este pacote laboral, porque isto ainda fragiliza mais as suas vidas, aumenta a precariedade, aperta-lhes os salários, desregula ainda mais os horários de trabalho, quer introduzir o despedimento sem justa causa. Ora, algum trabalhador pode aceitar uma coisa destas?

O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, diz que o pacote laboral está mais perto de ser rejeitado do que implementado. Isto no dia em que soube que a discussão do pacote laboral começa dia 18, na Assembleia da República, uma data que para José Manuel Pureza, coordenador do Bloco de Esquerda, é uma provocação.

Este é um dia muito importante. É um dia em que se tem que definitivamente atirar o pacote laboral para o caixote do lixoMas não deixo de registar também a provocação, porque é uma provocação feita pelo governo de, a mata cavalos, marcar a discussão e a votação na generalidade desta proposta de agressão ao mundo de trabalho para daqui a duas semanas. O governo sabe que foi derrotado na sua proposta no âmbito da concertação social pelos sindicatos.

Coordenador do Bloco de Esquerda em declarações aos jornalistas no Rossio, de onde partiu o desfile até à Assembleia da República. A esta hora, as milhares de pessoas já desmobilizaram. Restam apenas largas dezenas de manifestantes em frente à escadaria do Palácio de São Bento.

E no plano internacional, Portugal foi eleito para o Conselho de Segurança das Nações Unidas como membro não permanente.

Eleito à primeira volta, é um dos cinco membros não permanentes nos anos de 2027 e 2028. Regressa assim a um dos principais órgãos da ONU. O primeiro-ministro Luís Montenegro elogiou o trabalho diplomático feito ao longo dos anos para alcançar este lugar.

Esta vocação universalista de Portugal foi, em nosso entendimento, crucial para o sucesso desta campanha. Portanto, agora cabe-nos a responsabilidade de, em 2027 e em 2028, estarmos na mesa do Conselho de Segurança das Nações Unidas e aí podermos contribuir para as decisões que são hoje mais do que nunca reclamadas para assegurar a paz e a segurança internacional.

Luís Montenegro numa declaração aos jornalistas. Antes disso, o Ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, deu conta, em Nova Iorque, de uma vitória histórica para Portugal.

O Presidente da República também já se congratulou com o que chama de conquista.

Que enaltece o povo português, vinca António José Seguro, que diz que a votação é o reconhecimento de Portugal enquanto país credível, de confiança e com respeito na comunidade internacional. O chefe de Estado refere ainda Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa como duas figuras importantes no percurso que culminou nesta eleição e termina com o desejo de que a presença de Portugal no Conselho de Segurança contribua para um mundo mais pacífico.

E há outras notícias a marcar a tarde desta quarta-feira, 3 de junho.

A Seleção Nacional está concentrada na Cidade do Futebol. Nélson Semedo foi o porta-voz da equipa das Quinas, diz que este vai ser um mundial especial por ter Portugal e Cabo Verde apurados. Na Cidade do Futebol, por esta hora, os jogadores fazem mais um treino com vista à preparação do Campeonato do Mundo. Antes disso, o lateral direito português diz que a quantidade de laterais na lista de convocados apenas reforça a competitividade dentro do grupo. A acompanhar esta conferência de imprensa esteve o jornalista João Lourenço. João, o que mais disse Nélson Semedo?

Acima de tudo, apontou baterias para o foco da seleção portuguesa na fase final do Campeonato do Mundo, ou seja, diz que a equipa das Quinas tem que ir jogo a jogo, mas sempre com o foco no jogo derradeiro da prova.

Acho que temos que encarar o mundial jogo a jogo, fazer o nosso caminho jogo a jogo, sabendo que há uma luz ao fundo do túnel, que é onde nós queremos chegar, mas traçar o nosso caminho devagar, ao tempo que tem de ser. Acho que, para já, temos que pensar só no primeiro jogo e a partir daí ir vendo o que se pode fazer. Obviamente, temos uma grande equipa, somos Portugal.

Neste treino, dos 23 convocados, apenas não constam os quatro atletas pertencentes ao Paris Saint-Germain, os quatro vencedores da última edição da Liga dos Campeões. E a partir de hoje, aqui na Cidade do Futebol, em Oeiras, os jogadores que vão estar nesse Campeonato do Mundo de Futebol vão pernoitar aqui nas instalações da Federação Portuguesa de Futebol. Neste momento, não há qualquer tipo de lesão nestes 23 convocados, por isso os treinos vão prosseguir, já com olhos para essa partida de preparação frente ao Chile no próximo sábado.

Jornalista João Lourenço, na Cidade do Futebol, em Oeiras, a acompanhar este treino da Seleção Nacional. Benjamin Netanyahu assume discordâncias táticas com Donald Trump. Ainda assim, diz que os Estados Unidos e Israel estão preparados para retomar a ofensiva militar contra o Irão. Netanyahu falou à CNBC, diz que apesar dessas discordâncias táticas com o presidente norte-americano, Donald Trump é o melhor amigo que Israel alguma vez teve e destaca que mantém boa relação com o presidente norte-americano.

E já no fim da manifestação, em frente ao Parlamento, houve aqui há instantes uns empurrões entre os agentes da PSP e algumas dezenas largas de pessoas que se mantêm à frente do Parlamento. Um cordão policial com poucos homens da PSP tenta desimpedir a estrada em frente ao Parlamento. Parece tudo agora um pouco mais sereno. Já não se veem elementos da CGTP nesta concentração em frente ao Parlamento em dia de greve geral. Já voltamos mais daqui a instantes para o "E o Vencedor É".