Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Para. As notícias com João Lourenço.

Muito boa noite. Demitiu-se a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral considera já não ter condições para assumir o cargo. Foi pouco depois das nove da noite que uma nota no site da presidência fazia saber desta interrupção do mandato da ministra. Foram pouco mais de oito meses debaixo de críticas da oposição, que terminam agora numa altura em que o país está a braço com uma crise. Matilde Malva Sabino.

Maria Lúcia Amaral era provedora da Justiça quando, em junho do ano passado, foi a escolhida por Luís Montenegro, num cargo que é esperado que lide com situações de crise, Maria Lúcia Amaral enfrentou duas provas de ferro. Primeiro, os incêndios durante o verão de 2025 e agora a destruição provocada pela depressão Christine. É acusada de ficar em silêncio em momentos complexos. Uma ministra com dificuldades em responder aos jornalistas, como ocorreu, por exemplo, em julho, quando esperou quatro dias para prestar explicações sobre o incêndio em Ponte da Barca. Mas não ficou por aqui. A capacidade de comunicação continuou a ser alvo de fortes críticas. Em agosto, numa conferência de imprensa de apenas cinco minutos, recusou-se a responder a perguntas.

E uma vez mais, em nome de todos, um muito obrigado.

Senhora Ministra, podemos fazer umas perguntas, se possível?

Vamos, senhor Marral.

E ficou por aqui. Há duas semanas de tempestade Christine, primeiro a ministra apareceu na sombra de Luís Montenegro e depois na de Marcelo Rebelo de Sousa. Pelo meio, tentou justificar-se.

Há muito trabalho que se faz em contexto de invisibilidade.

No gabinete?

No gabinete.

E sobre o que falhou, não sabe, disse três dias depois.

Não sei o que é que falhou. Não lhe posso dizer exatamente o que é que falhou, porque o sistema é complexo e as entidades coordenadoras do sistema de proteção civil têm tido todo o cuidado de garantir a colaboração entre todos.

Dificuldades de comunicação que marcam a saída da ministra Maria Lúcia Amaral, oito meses depois de assumir a pasta da Administração Interna.

Jornalista Matilde Malva Sabino, com alguns dos momentos deste percurso de menos de um ano de Maria Lúcia Amaral, enquanto ministra da Administração Interna, sai do cargo para ser substituída de forma temporária por Luís Montenegro. E o presidente da República diz que entende esta decisão tomada num contexto particularmente difícil e com o país a lidar com as trágicas consequências do mau tempo das últimas semanas. Aos jornalistas em Lisboa e esta noite Marcelo Rebelo de Sousa diz que a decisão é para respeitar.

Não vou dizer mais do que isto. Quem tomou a decisão, tomou a decisão, ponderou as circunstâncias, entendeu que não tinha condições pessoais e políticas. É uma situação complexa, esta que vivemos nestas últimas semanas e, portanto, perante isso há que respeitar essa vontade da senhora ministra e o senhor primeiro-ministro compreendeu isso, transmitiu. Eu compreendi, aceitei e agora amanhã veremos.

Amanhã se verá, é a frase de Marcelo Rebelo de Sousa, a recusar alongar-se em mais considerações sobre a saída de Maria Lúcia Amaral. E os partidos da oposição ao governo também começaram a reagir a esta saída. João Luís Carneiro acredita que a demissão da ministra demonstra a falha do governo na resposta à emergência criada pelas tempestades. O secretário-geral do PS atribuiu responsabilidades principalmente ao primeiro-ministro.

É evidente que a demissão da ministra da Administração Interna é a prova de que o governo falhou na resposta a esta emergência, a esta tempestade.

Espera pedir justificações ao governo amanhã?

Vou mostrar ao primeiro-ministro que ele não pode alienar as suas próprias responsabilidades. O primeiro e mais importante responsável da proteção civil no país é o primeiro-ministro. Nunca tomei decisões, nem deixei de as tomar quando era ministro, sem falar com o primeiro-ministro. E portanto, é natural e é um imperativo que decorre da lei, que o primeiro-ministro assuma as suas responsabilidades.

João Luís Carneiro, na sede do Partido Socialista em Lisboa, antes da reunião da Comissão Política do partido. O líder socialista, que também é ex-ministro da Administração Interna, considera que o governo tem um problema na resposta às crises. Recorda a gestão do apagão e dos incêndios durante este verão de 2025. Já o líder do CHEGA considera que esta é a prova da incapacidade do executivo para gerir adversidades. Foi uma publicação na rede social X que reagiu André Ventura, o presidente do CHEGA, que diz que esta decisão prova que Luís Montenegro vai perdendo o controle do executivo passo a passo da saúde à administração interna. Ventura termina a mensagem a questionar quanto mais tempo vai demorar até serem resolvidos os outros erros de casting deste governo. E aqui na Rádio Observador ouvimos outras reações, também de forças partidárias. Começamos com Mário Amorim Lopes, da Iniciativa Liberal, a lembrar que o partido já tinha alertado para a falta de capacidade da ministra. O deputado diz que Maria Lúcia Amaral não tinha a capacidade de comunicação, nem o espírito de liderança que se exige a quem segura a pasta da Administração Interna.

Foi uma grande jurista, com reconhecido mérito e fez um bom trabalho como provedora da Justiça, mas não tinha as competências que são necessárias para ser um ministro, sobretudo desta pasta, que é uma pasta muito exigente, que obriga a uma grande capacidade de decisão, uma grande capacidade de liderança, de coordenação de meios e também de comunicação.

Ficam as declarações de Mário Amorim Lopes. Já Paulo Muacho, deputado do LIVRE, questiona a gestão do timing da saída de Maria Lúcia Amaral do cargo do Ministério da Administração Interna. Olhamos agora para o mau tempo, até porque o aumento do caudal do rio Mondego vai obrigar a retirada de mais de 3500 pessoas em Coimbra, Soure e Montemor-o-Velho. A Proteção Civil indica que vai colocar em prática o princípio da precaução. Em declarações esta noite à CNN Portugal, o comandante sub-regional da Proteção Civil de Coimbra, Carlos Luís Tavares, indica a principal preocupação das autoridades.

3000 em Coimbra, cerca de 500 no município de Soure e cerca de 80 no município de Montemor-o-Velho. Falando aqui na margem esquerda, partindo do princípio que o galgamento ou a rotura do dique pode acontecer à esquerda. Nós não sabemos onde vai acontecer. Como dissemos sempre do início, não há risco zero e, como tal, é uma situação que temos vindo a precaver. Tem sido bem gerida esta cheia, mas efetivamente estamos a atingir limites e, como tal, não queremos perder ninguém, queremos salvar vidas.

Já em entrevista à RTP Notícias, a presidente da autarquia de Coimbra, Ana Abrunhosa, avisa para os riscos de rebentamento do dique do rio Mondego.

Se houver rebentamento de um dique, não dou estimativas, porque o que está aqui mesmo em causa, o rio Mondego é um rio empazado, é uma obra hidráulica e neste momento há a probabilidade de haver rutura nessa obra hidráulica e nós não sabemos onde. Se houver um rebentamento, é como uma bomba.

Ana Abrunhosa, que está no terreno em conjunto com outros autarcas de juntas de freguesia do Conselho de Coimbra, a retirar pessoas devido a esse risco de inundações graves do rio Mondego. O Comando Sub-Regional de Proteção Civil de Coimbra revela também que um lar já foi evacuado e que os 34 utentes desta instituição vão pernoitar no Pavilhão Municipal Dr. Mário Mexia. Tudo dito neste noticiário da 01:00. Informação na Rádio Observador regressa às 02:00.