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É meia-noite. As notícias com Carlos Pedro. Jornal da meia-noite na Rádio Observador, a começar com o debate para as eleições presidenciais entre João Cotrim Figueiredo e António Filipe. Em destaque, esteve o papel do Estado na saúde, com o candidato apoiado pela Iniciativa Liberal a dizer que o SNS funciona mal. Cotrim Figueiredo diz que este é o período da história em que mais cresceram os privados. Para isso contribuiu, diz, o mau funcionamento do Serviço Nacional de Saúde, um problema que, de acordo com o candidato, só se resolve ao alinhar os interesses de todos.

É o período da história da existência do SNS em que mais cresceram os privados na saúde. Quando o SNS funciona mal, são os privados que mais ganham. Portanto, eu digo que é irresponsável não atacar este problema na base. E seja qual for a solução, eu, enquanto presidente da República, uma coisa perguntaria mil vezes: estamos a criar um sistema que alinha os interesses dos doentes com os interesses dos profissionais de saúde, com os interesses dos prestadores de saúde, hospitais e clínicas, laboratórios e centros de saúde, alinha ou não? Porque enquanto isso não acontecer, os problemas que temos estado a verificar, infelizmente, dia após dia, vão continuar a aparecer.

A saúde marcou mesmo uma batalha ideológica entre os dois candidatos. António Filipe salienta os problemas no setor, diz que é o resultado das políticas neoliberais dos últimos anos. O candidato apoiado pelo PCP defende um investimento claro do governo no SNS.

É preciso que haja um investimento claro por parte do Estado naquilo que é o seu dever, que é fortalecer o SNS, dando condições aos profissionais de saúde para que trabalhem no Serviço Nacional de Saúde e que os portugueses tenham uma garantia de que, independentemente da sua capacidade económica, tenham um apoio garantido no acesso à saúde. Porque o que se passa hoje é que as pessoas veem-se obrigadas a ter seguros de saúde, mas depois se o plafond do seguro é atingido no hospital privado, lá vão para o SNS. Eu creio que temos que afastar estas políticas neoliberais na área da saúde.

Mas onde é que está neoliberal?

Ainda neste debate, esteve em destaque a reforma laboral. António Filipe foi o primeiro a falar sobre o tema para dizer que o pacote proposto pelo governo está a transformar serviços mínimos em máximos na greve. O comunista defende a paralisação do próximo mês.

Nenhum trabalhador faz greve por desporto ou com grande alegria. Os trabalhadores, quando fazem greve, é porque sentem que os seus direitos estão ameaçados e têm que os defender. A greve é uma legítima defesa dos trabalhadores. Ninguém recebe o salário mínimo porque quer e se conseguisse arranjar um emprego onde lhe pagassem melhor, certamente que o aceitaria. Não aceita porque não há. Ou seja, porque, de facto, estamos a fazer uma política de baixos salários. Toda a gente defende a existência de serviços mínimos, os trabalhadores são os primeiros a assegurá-los.

Mas isso é uma das alterações deste pacote laboral.

São os primeiros a assegurá-los.

Há alguma coisa nestas 100 medidas.

O que o pacote laboral quer é transformar os serviços mínimos em serviços máximos para eliminar qualquer efeito das greves.

Não vê lá escrito.

Do outro lado, João Cotrim Figueiredo acusa a CGTP de alinhar com o PCP. Confessa ainda que não está de acordo com alguns pontos do anteprojeto do executivo de Luís Montenegro.

Tem sido prática da CGTP alinhar-se sistematicamente com as posições do PCP. Isso é conhecido, não estou a dizer novidades nenhumas para ninguém. Mas isso, para mim, não retira a legitimidade da greve. Retira a respeitabilidade com que se olha para a decisão. As questões do código laboral que vão, na minha opinião, contra o que devia ser uma política de natalidade, os períodos de amamentação das mães que estão a fazer, a recusa de trabalho noturno ou fim de semana das pessoas que têm filhos com idade inferior a 12 anos, tudo isso acho excessivo, porque é um contrassenso. Quer dizer, parece que o Estado não sabe que aqui há um problema de natalidade e estamos a fazer este tipo de resoluções. Portanto, há coisas nesta lei que eu não estou de acordo. Quando eu digo que promulgava, é nesse sentido abstrato.

Alguns dos destaques deste que foi o décimo debate de 28 este domingo com João Cotrim de Figueiredo e António Filipe. O próximo é já esta segunda-feira às 21h, frente a frente na RTP, vão estar o candidato apoiado pelo PS, António José Seguro, e o candidato apoiado pelo Livre, Jorge Pinto. Mudamos de tema, o secretário de Estado das Comunidades Portuguesas revela que o governo não recebeu qualquer pedido de ajuda vindo da Venezuela. Emídio Sousa dá conta de um ambiente de tranquilidade. Um domingo normal, foi assim que o secretário de Estado descreveu o momento vivido na Venezuela, um dia depois de Donald Trump pedir que se considere totalmente fechado o espaço aéreo em torno do país. Em entrevista à CNN Portugal, Emídio Sousa garante que tem contactado com várias pessoas da Venezuela e até agora tudo calmo junto da comunidade portuguesa.

As pessoas estão extremamente tranquilas. Há uma vida perfeitamente normal dentro das pessoas e das comunidades. Não há uma preocupação com a situação que se vive até mais do exterior e as pessoas com quem eu conversei, tenho muitos amigos na Venezuela, já de experiências anteriores, é que as pessoas estão calmas. Há uma relativa preocupação relativamente ao cancelamento dos voos por parte da TAP, mas que a vida decorre normalmente. As pessoas hoje, que é domingo, foram à missa, conviveram, fizeram a sua vida normal.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, à CNN Portugal, diz ainda que é difícil prever quando será retomada a normalidade na Venezuela. Entretanto, o governo de Nicolás Maduro acusou os Estados Unidos de estarem a tentar apoderar-se das reservas petrolíferas venezuelanas e de utilizarem as alegações de narcotráfico como pretexto para isso. É um escalar de tensões que não vê fim. Os Estados Unidos ofereceram ao presidente Nicolás Maduro a opção de ir para a Rússia ou para outro país. Uma informação revelada pelo senador norte-americano Marc Raim Mullin, do Partido Republicano. Em declarações à CNN, Mullin diz que foi dada a possibilidade de fugir da Venezuela ao atual líder Nicolás Maduro. O republicano lembrou ainda a eleição presidencial do ano passado, um ato eleitoral que desencadeou protestos no país e que foram fortemente reprimidos e levaram a centenas de detenções. Mullin diz que o povo venezuelano manifestou aí, nesse ato eleitoral, a vontade de ter um novo líder. Já ontem, outro senador republicano, Lindsey Graham, considerou aberta a possibilidade de haver uma mudança de regime na Venezuela. Entretanto, esta noite, Trump deu conta de uma conversa ao telefone com Nicolás Maduro. Ainda assim, a bordo do avião presidencial, não quis adiantar qualquer detalhe, diz só que os avisos sobre o espaço aéreo venezuelano não significam que um ataque esteja iminente. Olhamos agora para a guerra na Ucrânia. Donald Trump acredita que há boas hipóteses de um acordo entre Kiev e Moscovo. O presidente norte-americano olha com otimismo e esperança para um possível entendimento entre Rússia e Ucrânia que venha a colocar um ponto final no conflito. São declarações que surgem depois de um encontro de negociações de paz entre uma delegação norte-americana e outra ucraniana na Flórida este domingo. A bordo do avião presidencial, Trump acredita que os dois países querem terminar com a guerra. Antes disso, Zelensky também comentou o encontro entre norte-americanos e ucranianos. O presidente da Ucrânia recorreu à rede social X para agradecer aos Estados Unidos e prometer trabalho até ao fim do conflito. Zelensky fala em conversas construtivas com Washington. Conversas estas que decorrem, diz Zelensky, com o objetivo de garantir a soberania e o interesse da Ucrânia. Em Israel, centenas de pessoas protestaram este domingo em frente à residência do presidente israelita, depois de um pedido de perdão feito pelo primeiro-ministro Benjamin Netanyahu, um pedido formal feito pelo chefe do governo de Israel que, acontecendo, travará o julgamento em que é acusado de fraude, abuso de confiança e aceitação de suborno. A oposição afirma que este pedido de Netanyahu confirma que o primeiro-ministro de Israel deveria ser alvo de impeachment. Na manifestação foram vistos vários cartazes escritos com a frase: "Só os culpados pedem perdão". Voltamos atenções para o desporto. O Futebol Clube do Porto venceu esta noite o Estoril no Dragão por 1 x 0 e segue na liderança isolada do campeonato. Triunfo suado da equipa de Francesco Farioli. Os dragões até se adiantaram no marcador bastante cedo, aos oito minutos. William Gomes aproveitou um erro na construção da equipa estorilista e atirou a contar. Foi o único gol da partida. No final do encontro, Farioli enalteceu o triunfo portista, mas não esqueceu a réplica adversária. O italiano deixou elogios ao Estoril.

Acho que honestamente o Estoril foi uma das melhores equipas a jogar aqui, quer pela organização, quer pelas qualidades individuais. O jogo não foi fácil, mas acho que faz parte do caminho. Acho que tivemos oportunidades para capitalizar os resultados um pouco mais cedo, mas em geral o jogo foi exigente, como esperávamos, mas com certeza é um resultado importante que nos ajuda a avançar.

Do outro lado, Ian Catro lamentou o resultado. Ainda assim, o escocês mostrou-se satisfeito com a exibição do Estoril, que diz não saber jogar de outra forma.

Também na minha escolha para vir para Portugal trabalhar aqui, era tentar fazer algo diferente e principalmente este foi: não vamos jogar com medo. Isso nunca vamos fazer. Infelizmente, estamos no momento em que não temos os pontos que refletem a qualidade que nós temos, a qualidade do nosso trabalho, a qualidade dos jogadores.

Os elogios de Ian Catro à exibição destemida da equipa estorilista. Os azuis e brancos chegaram aos 34 pontos na tabela classificativa, mantêm-se como líderes isolados e na próxima jornada o Porto viaja até Tondela, é já no próximo domingo. Antes disso, a equipa de Farioli mede forças com o Vitória para os quartos de final da Taça da Liga durante esta próxima semana. O Sporting goleou o Estrela da Amadora por 4 x 0 e voltou a distanciar-se do rival Benfica na jornada anterior ao Derby de Lisboa. Jogo de sentido único em Alvaláde, os Leões já venciam por 3 x 0 aos 25 minutos, com gols de Eduardo Quaresma, Luís Suárez e Ivan Fresneda. Na segunda parte, Suárez bisou e confirmou a goleada verde e branca. O Sporting chegou aos 31 pontos na liga e leva nove vitórias nos últimos 10 jogos. Um momento positivo, diz Rui Borges, que ainda assim recusa classificar esta fase como a melhor da temporada.

O crescimento da equipa tem sido visível em todos os momentos do jogo. A equipa está cada vez mais bem preparada para aquilo que é a exigência, para aquilo que é a capacidade física também dos jogos, para aquilo que nós queremos, a intensidade que queremos meter nos jogos também. Por isso, é uma fase boa de confiança. Agora, essa confiança, às vezes em excesso, não é muito boa, por isso não gosto de falar dessa parte de melhor momento de confiança. Não, a equipa está acima de tudo ligada.

Do outro lado, o técnico João Nuno lamenta a entrada em falso da equipa tricolor, sobretudo na questão das bolas paradas.

A qualidade que o Sporting tem, chegamos aqui e aos 20 minutos estamos a perder dois de três gols de bola parada e um gol do Fresneda de cabeça. Estudamos muito o adversário, não me lembro, não sei se ele alguma vez fez um gol de cabeça. Revela o que nos faltou e no momento com a bola parada, fomos muito penalizados nessa entrada e não pudemos sofrer dois gols de bola parada.

As leituras dos técnicos João Nuno, do Estrela, e Rui Borges, do Sporting, no final deste Sporting 4, Estrela da Amadora 0. No outro jogo deste domingo, a contar para a liga, o Rio Ave recebeu e empatou com o Santa Clara a um gol. Kleiton marcou para os vila-condenses, Serginho empatou de pênalti para os açorianos. Lá por fora, destaque para o empate do Real Madrid em casa do Girona. Os merengues marcaram primeiro, ou melhor, marcaram um, sofreram outro e com isso entregaram a liderança da La Liga ao Barcelona. Em Itália há um novo líder, o Nápolis colou-se ao Milan na liderança da Série A. A equipa de Conte venceu em Roma, na capital italiana, triunfo por 1 x 0 com gol do ex-Benfica, David Nerz. Nápolis, que é o próximo adversário do Benfica na Liga dos Campeões. Destaque ainda para o Campeonato Francês, que é por esta hora liderado pelo Lens, a equipa francesa. Esta noite, o Lyon de Paulo Fonseca venceu por 3 x 0 o Nantes de Luís Castro. O português Mathis Carvalho foi titular no Lyon. Afonso Moreira saiu do banco já no segundo tempo e fez a assistência para o terceiro gol. Foi já assim este jornal da meia-noite. A informação regressa à Rádio Observador com a síntese da meia-noite e meia, já com o jornalista João Costa Campos.