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As notícias com Miguel Viterbo Dias.
Boa noite. Na primeira missa do Galo, enquanto papa, Leão XIV criticou a economia, que vê as pessoas como uma mercadoria. Na Basílica de São Pedro, o papa criticou a forma como a economia atual está organizada.
"Sim, mentre una economia distorta induce a trattare gli uomini come merce, Dio si fa simile a noi, rivelando l'infinita dignità di ogni persona. Mentre l'uomo vuole diventare Dio per dominare sul prossimo, Dio vuole diventare uomo per liberarci da ogni schiavitù. Ci basterà questo amore per cambiare la nostra storia?"
O Papa Leão XIV diz que enquanto a economia distorcida levar a tratar os homens como mercadoria, Deus torna-se semelhante a nós, revelando a infinita dignidade de cada pessoa, terminando com esta pergunta retórica: "Será este amor suficiente para mudar a nossa história?" A esta missa assistiram 6 mil pessoas no interior da Basílica de São Pedro, no Vaticano, a que se somaram outras 5 mil no exterior. Já o Patriarca de Lisboa pede a defesa da dignidade de todas as pessoas, independentemente da origem. Na mensagem de Natal, Dom Rui Valério avisa que nenhuma pessoa é um número e que todos têm que ter acesso a condições que permitam uma vida digna.
Acede-se pela fresta do presépio à consciência do valor inalienável de cada ser humano. Ninguém é um número, um produto ou um recurso descartável. Cada pessoa é única, portadora de uma dignidade que nenhuma circunstância pode apagar. Independentemente da língua que fale, da terra de onde venha ou da história que traga consigo, cada rosto merece respeito, reconhecimento e a possibilidade de construir uma vida digna para si e para a sua família.
Dom Rui Valério, que pede a defesa da paz no mundo nesta altura, que é sempre de renovada esperança.
O Natal recorda-nos ainda que a paz é possível. Uma paz que não nasce da força, mas da transformação dos corações. Uma paz sonhada pelos profetas e desejada por todos os povos. É com esta luz que o nosso pensamento se dirige, de forma especial, a todos os lugares marcados pela guerra, pela violência e pelo medo.
O Patriarca de Lisboa, Rui Valério, na mensagem natal deste ano. Na saúde, cinco serviços de urgências vão estar fechados no dia de Natal. As urgências de obstetrícia e ginecologia dos hospitais de Portimão, Setúbal, Vila Franca de Xira e Santarém vão estar encerradas esta quinta-feira, dia 25. Já a do Hospital Amadora-Sintra só aceita casos referenciados pelo INEM e a de Braga também só aceita casos referenciados, embora aqui já pela linha SNS 24. No que toca aos tempos de espera na região de Lisboa, o Hospital de Santa Maria é o que enfrenta mais dificuldades. Atualmente, é preciso esperar 8h40min até ser visto por um médico pela primeira vez. 11 distritos do país vão estar debaixo de aviso amarelo por causa do frio. O aviso está em vigor a partir da meia-noite de dia 26 até a manhã de dia 27, sexta-feira e sábado, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera. Distritos como Viseu e Porto, também Guarda, Vila Real e ainda Aveiro, Coimbra e Braga estão debaixo de aviso amarelo. A Direção Geral da Saúde alertou ontem para os cuidados a ter por causa do frio, lembrando que a descida das temperaturas aumenta o risco de agravamento de doenças crônicas e pedindo à população que se proteja. A DGS recomenda que os cidadãos evitem mudanças bruscas de temperatura, se vistam por camadas e protejam as extremidades com gorro e luvas. Agora, sim, na política nacional, os desejos de Natal da Iniciativa Liberal, que pedem uma redução de impostos a sério e casas a preços acessíveis. Foi isso que deixou como prioridades a presidente do partido, Mariana Leitão, num vídeo publicado nas redes sociais.
Este Natal, aquilo que nós queremos dar aos portugueses, aquilo que nós desejamos para todos os portugueses, é que haja, de fato, uma redução de impostos a sério, para que as pessoas sintam o seu bolso mais cheio, para que consigam comprar as coisas que querem e gastar o seu dinheiro onde bem entenderem. Continuaremos também a apresentar propostas sérias, que realmente funcionam e que fazem a diferença na vida das pessoas e também, obviamente, fazem a diferença no país, para que o país se torne um país melhor, mais próspero, com mais crescimento econômico. Depois, queremos casas que as pessoas realmente possam comprar e, portanto, acabar com este flagelo social que é o preço das casas.
Mariana Leitão, a presidenta da Iniciativa Liberal, com os desejos de Natal, a deixar farpas ao governo no que toca à falta de ambição na descida de impostos. André Ventura pede a suspensão da decisão do tribunal que determinou a remoção dos cartazes sobre a etnia cigana. O advogado que representa o candidato presidencial e líder do CHEGA apresentou um requerimento para suspender a decisão do tribunal até que o recurso seja entregue junto das instâncias superiores. O candidato invoca o direito à liberdade de expressão. No início da semana, o tribunal condenou o CHEGA a retirar todos os cartazes da campanha presidencial com a frase "Os ciganos têm de cumprir a lei", estipulando um prazo de 24h para que tal aconteça, a partir do qual teria que ser paga uma multa. André Ventura não retirou os cartazes, informando que iria pedir recurso da decisão. Presidente do CHEGA, que pede uma evocação dos valores cristãos na época do Natal, numa mensagem publicada nas redes sociais, fala em valores invertidos na sociedade atual.
Neste Natal, gostava também que fôssemos claros e firmes em assumir os nossos valores e a nossa cultura. Natal é luz, mas são também os nossos valores cristãos, são também a base da nossa civilização, são também a base da forma como vivemos, como gostamos de nos integrar, como gostamos de ver as nossas famílias e a nossa celebração.
Natal é assumir os valores cristãos de Portugal e da Europa. E eu gostava que neste Natal também fizéssemos esse caminho.
André Ventura, o candidato presidencial que elegeu a habitação e a segurança como dois dos temas prioritários. Luís Marques Mendes deixou um conselho aos adversários na corrida a Belém. O candidato apoiado pelo PSD esteve em Braga, onde participou na tradicional Festa do Bananeiro e foi questionado sobre quem é que gostaria de defrontar na segunda volta, mas fugiu à resposta com um conselho.
Um presidente da República não tem que dizer tudo o que pensa, mas deve pensar em tudo o que diz. É aquilo que alguns dos meus adversários não fazem, não pensam em tudo o que dizem. E, portanto, eu, jogando com estas duas frases, devo dizer que tenho isso na minha cabeça, mas não posso transmitir em público.
Quem é que precisa de pensar mais antes de falar em concreto?
Vários dos meus adversários. Eu acho que eles deviam seguir esta máxima.
Luís Marques Mendes, em declarações aos jornalistas em Braga, no balanço do mandato de Marcelo Rebelo de Sousa. Marques Mendes diz que o atual presidente é um exemplo de proximidade aos portugueses, mas adianta que se for eleito, vai abandonar a tradição da ginja no Barreiro para aderir à do bananeiro em Braga. No Barreiro, o Presidente da República criticou a demora do Parlamento para eleger os conselheiros de Estado. Marcelo Rebelo de Sousa está à espera, há meio ano, que sejam eleitos os cinco membros do Conselho de Estado escolhidos pela Assembleia da República. E era com estas figuras que o presidente queria analisar a situação na Ucrânia.
A Ucrânia é um tema fundamental na nossa vida. Não parece sensato, quando se estão a tomar decisões fundamentais sobre a Ucrânia e não são discutidas em Conselho de Estado. Quer dizer, a posição da Europa em termos de apoio financeiro à Ucrânia, que compromete os Estados para o futuro, um empenhamento militar ou não, português, numa hipótese de cessar-fogo no futuro. Não é muito natural que o Presidente da República saia de funções sem que o Conselho de Estado, com a composição que tem, não possa apreciar essa matéria.
O lamento do presidente, que neste dia de véspera de Natal almoçou no Barreiro e cumpriu a tradição de beber uma ginjinha, apesar das limitações de saúde. Marcelo Rebelo de Sousa, que fez um balanço do mandato para apontar 2023 como um ano particularmente difícil a seguir à pandemia.
Acho que os piores anos foram a pandemia para todos nós. Quer dizer, o grande problema que eu tive nestes 10 anos foi dois anos de pandemia. 2023 foi diferente. Aí foi um problema de uma tempestade perfeita, porque aconteceu que no dia 7 de novembro o primeiro-ministro pediu a demissão. Portanto, abre-se um período que vai ser muito longo até às eleições. Portanto, há uma crise política e, ao mesmo tempo, existe um ataque muito forte, ou pelo menos não sei se é ataque, mas um ambiente muito pesado sobre o presidente da República. Em 2023, eu cheguei aqui e só se falava das gêmeas.
Já fez as pazes com o seu filho, senhor presidente?
No momento oportuno, isso acontecerá.
Marcelo Rebelo de Sousa, que acrescentou ainda que os debates presidenciais foram esclarecedores para os portugueses. O rei de Espanha alerta para os perigos dos extremismos e avisa que a convivência é uma construção frágil. Na tradicional mensagem de Natal, o rei Felipe VI focou-se nos perigos da desinformação, no crescimento dos populismos e de políticas extremadas. O rei avisa todos os atores políticos que a convivência em sociedade é uma construção que tem que merecer o empenho de todos.
Mas a convivência não é um legado imprecedero. Não basta tê-la recebido. É uma construção frágil. Por essa razão, todos devemos fazer do cuidado da convivência o nosso trabalho diário. E para isso, precisamos de confiança.
Felipe VI, na mensagem de Natal, em que pede responsabilidade ao poder político para que seja um exemplo para os cidadãos. As notícias regressam à 00h30 à antena da Rádio Observador. Até lá, feliz Natal.