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As notícias com André Maia.
Bom dia. O governo definiu um novo teto para aumentos salariais nas empresas públicas. São 5%. A porcentagem tem em conta todas as componentes remuneratórias, como as atualizações salariais, as progressões e ainda as promoções. A notícia é avançada pelo jornal "Público", que teve acesso a um despacho enviado às empresas públicas. O governo define o teto de 5% para estes aumentos, mas quanto aos salários propriamente ditos, o despacho prevê que o aumento salarial por trabalhador deva ter preferência o valor de 3%. Relembro que a partir de amanhã, de 2024, também o salário mínimo aumenta para €820. Os doentes urgentes têm de esperar 14 horas para serem atendidos no Hospital Amadora-Sintra. É neste momento a situação mais grave em termos de espera em todo o país, de acordo com o portal do SNS. Os doentes urgentes correspondem à pulseira amarela, sendo que os tempos presentes no site referem-se ao tempo médio de espera para atendimento nas últimas duas horas. A seguir aparece o Hospital de São Bernardo, em Setúbal, com mais de 12 horas de espera. O Hospital de São Teotónio, em Viseu, e o de Santo António, no Porto, aparecem a seguir na lista com mais de nove horas de espera para atendimentos de doentes urgentes. Em Santa Maria e também no Hospital Beatriz Ângelo, dois dos hospitais com mais constrangimentos nos últimos dias, o tempo de espera está normalizado com duas horas de tempo médio. São números deste último dia. Mais de 190 centros de saúde vão estar hoje a funcionar em horário complementar. O objetivo é diminuir a pressão sobre os serviços de urgência. O modelo é semelhante ao que foi aplicado no fim de semana de Natal. De acordo com o calendário divulgado pelo Ministério da Saúde, vão estar abertos hoje 193 centros de saúde. Já no primeiro dia de 2024, no dia de amanhã, vão estar operacionais mais de 180 unidades. O ministro da Saúde anunciou na última sexta-feira o reforço dos centros de saúde com horário alargado no fim de semana e no dia de Ano Novo. Manuel Pizarro relembra o pedido: antes de se dirigirem a uma urgência hospitalar, os portugueses devem optar pela linha SNS 24 ou contactar o 112 em caso de emergência. Perante estas dificuldades, o secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos considera que faltou planeamento na preparação do fim do ano. Alguns dos centros de saúde que deviam ter funcionado ontem em horário alargado estiveram com constrangimentos. É o caso do Centro de Saúde de Sete Rios, onde os cinco médicos que estavam em escala fizeram greve, ou seja, o centro de saúde teve as portas abertas, mas só prestou cuidados de enfermagem. O presidente do Sindicato Independente dos Médicos, Jorge Roque Dacunha, aponta o dedo ao Ministério da Saúde e à direção executiva do SNS.
Esperamos que seja uma lição para que no próximo inverno, quando ocorrerem situações que nós já sabemos que irão ocorrer mais cedo do que tarde, enfim, não ocorrerão todos os anos, mas irão ocorrer com muita frequência, haja um planeamento já estabelecido, devidamente testado e oleado.
Corações de Jorge Roque Dacunha, à Rádio Observador, o presidente do Sindicato Independente dos Médicos culpa a falta de planeamento do Executivo e do Serviço Nacional de Saúde. Ainda assim, nem tudo são más notícias. Até o mês de novembro, o SNS fez mais cirurgias programadas do que em todo o ano de 2022. Os dados são do portal do Serviço Nacional de Saúde, avançados pelo jornal Público. Nos primeiros 11 meses de 2023, foram feitas mais de 660 mil cirurgias programadas. No total, são quase mais 5 mil do que em todo o ano de 2022. Esse ano tinha tido o número mais elevado de cirurgias desde 2013, por isso espera-se que o recorde seja novamente batido. Ainda assim, o aumento é também explicado pelo número de doentes inscritos na lista de espera. Subiu em 10% desde o início do ano. Para analisar estes números, junta-se a nós Xavier Barreto, é presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, a quem agradeço desde já a disponibilidade para estar conosco. Obrigado, Xavier Barreto, por se juntar aqui à Rádio Observador neste último dia do ano. Pergunto: este aumento do número de cirurgias é mesmo positivo ou é induzido pelo aumento de doentes inscritos, na sua opinião?
Não, é mesmo positivo. Bom dia, antes de mais. Naturalmente que é um aumento da lista de espera, é um aumento da procura. Infelizmente, a procura tem sido maior do que a nossa capacidade de responder a essa procura e por isso a espera tem aumentado, mas ainda assim é um aumento muito significativo da atividade, é um aumento significativo do número de cirurgias, que para quem trabalha nos hospitais não é propriamente surpreendente. Não começou este ano, começou há já alguns anos, tem vindo a aumentar de forma progressiva e resulta de um esforço enorme das equipas, dos hospitais, dos seus médicos, dos seus enfermeiros, de toda a estrutura hospitalar. Portanto, eu diria que é um número muito positivo. Se reparar, de facto, o Serviço Nacional de Saúde tem estado com sucessivas crises em várias áreas, mas principalmente nas áreas de serviço de urgência. Mesmo esta greve, esta recusa, não é greve, esta recusa dos médicos em se disponibilizar mais do que 154 horas, tem afetado essencialmente o serviço de urgência, porque é onde essas horas eram realizadas. Eram realizadas, de facto, nos serviços de urgência e tem afetado muito menos a atividade programada, onde se inclui também a atividade cirúrgica.
E Xavier Barreto, há pouco falava do aumento da procura e que é um aumento que não acontece só neste último ano de 2023, mas que tem acontecido nos últimos anos. Consegue o Xavier Barreto e também a comunidade médica perceber o porquê deste aumento da procura nos últimos anos?
A nossa população está mais envelhecida, tem mais patologia. Há patologia que está crescendo, isso é absolutamente claro e notório. A patologia oncológica, por exemplo Tem vindo a crescer pelo envelhecimento da população, mas também porque a nossa capacidade de diagnosticar é cada vez maior. Portanto, há mais rastreios, há mais diagnóstico, há mais doentes para tratar. Isto é absolutamente claro. Obviamente que no contexto da Unidade Local de Saúde, terá que ser feito também um trabalho de integração entre cuidados de saúde primários e cuidados hospitalares para perceber, de facto, se todos os doentes estão a ser referenciados para consulta hospitalar e depois para cirurgia, no timing indicado. Agora um exemplo concreto para que isto fique mais claro para quem nos está a ouvir. Alguém que tem uma pedra no rim, litíase renal, aquilo que geralmente se conhece por pedra no rim, pode ser mais ou menos grave em função, por exemplo, do tamanho da pedra ou da sua localização dentro do rim, de se dá ou não dá sintomas ao doente. Portanto, há vários aspetos que podem ser considerados. E esse doente pode ser logo indicado para cirurgia ou pode até manter-se nos cuidados primários durante mais tempo, fazer um conjunto de outras medidas farmacológicas e não farmacológicas e não ser logo indicado para a cirurgia. Este tipo de integração, este tipo de articulação entre os cuidados primários e os cuidados hospitalares, existe muito pouco, praticamente não existe. Quando o médico dos cuidados primários conclui que um doente é de âmbito hospitalar ou pode vir no futuro a precisar de algum tipo de intervenção hospitalar, referencia para o hospital. Isto tem que acabar. Nós temos que ter percursos integrados, consensualizados entre os cuidados primários e os cuidados hospitalares, garantindo que os doentes são, de facto, priorizados e são referenciados para cirurgia só no momento em que é absolutamente imprescindível.
E nesse sentido, Xavier Barreto, e para finalizarmos, com a situação atual do SNS, com todos os constrangimentos que conhecemos, acredita que é possível mantermos este ritmo de cirurgias realizadas no próximo ano, em 2024?
Acredito que será difícil, que será muito exigente, mas acredito que temos que fazer. Temos que fazer, todos nós do Serviço Nacional de Saúde, os médicos, enfermeiros, administradores hospitalares, todo o Serviço Nacional de Saúde tem que continuar a trabalhar para ter estes resultados, porque é isto que a população espera de nós e é para isto que as pessoas pagam impostos. Portanto, depende de nós, obviamente, e tudo faremos para conseguir manter este tipo de resultados.
Xavier Barreto, agradeço muito a disponibilidade para ter estado conosco aqui no Jornal das 10 da Rádio Observador. Um bom ano também para si, um feliz 2024.
Muito obrigado.
Xavier Barreto, que é presidente da Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares. Um bom ano para si. Esteve aqui a explicar-nos, a ajudar a analisar estes números, números positivos que chegaram numa altura conturbada do Serviço Nacional de Saúde. Até ao mês de novembro, o SNS fez mais cirurgias programadas do que em todo o ano de 2022. O Sporting venceu por 2 x 1 o Portimonense. Fecha 2023 como líder do campeonato. Golos só na segunda parte. Viktor Gyökeres abriu o marcador ao minuto 59, tem agora 11 gols na liga. Dez minutos depois, o Portimonense empatou pelo defesa Filipe Relvas, com Paulinho a marcar o gol decisivo ao minuto 80. Em conferência de imprensa, Rúben Amorim considerou que a equipa foi justa vencedora e admitiu: acredita num Sporting campeão, mas que vai ter de trabalhar muito.
Digamos que o Sporting neste momento tem uma pressão diferente, também tem uma experiência diferente, mas o campeonato é diferente. Eu acredito que nós, desde o primeiro dia, que nós podemos ser campeões. Agora não acredito é que porque aconteceu isto, da mesma forma, estávamos em primeiro, que tudo se vai desenrolar simplesmente estando cá. Ou seja, temos que trabalhar, não há campeonatos iguais, mas eu acredito no mesmo desfecho. Agora não acredito que vá ser igual.
Rúben Amorim, na conferência de imprensa. Já do lado do Portimonense, o treinador Paulo Sérgio admite que a equipa cometeu alguns erros perante um adversário difícil, mas os comentários mais duros foram para a arbitragem. O técnico algarvio queixa-se do lance anterior ao gol do Sporting e revela até uma confissão de culpa do árbitro Manuel Oliveira.
O lance que antecede o gol é claramente canto. Estamos a falar enquanto a jogada foi assistida. Estamos a falar com os assistentes. É pena que quatro pessoas no terreno e VAR não tenham visto. O Manuel já me confirmou que sabe que é canto, que errou e eu aceito o erro dele. Não é por aí, mas é pena. Fica esse lamento.
Paulo Sérgio no final do jogo. Com este resultado, o Sporting mantém a liderança do campeonato com 37 pontos. Tem mais um do que o Benfica, mais três do que o Futebol Clube do Porto. Olhando para o ano civil de 2023, em jeito de balanço, a tabela inverte-se. Em 2023, o Futebol Clube do Porto foi quem teve mais vitórias e pontos no campeonato. Foram 87 contra 86 do Benfica e 83 do Sporting. Depois do Jornal das 11, aqui na Rádio Observador, vamos rebobinar os melhores e piores momentos deste ano do desporto num "E o Campeão é..." especial. Augusto Inácio, João Castro, João Pinto, Luís Pinto Coelho e Gabriel Alves vão escolher os campeões e os despromovidos deste ano. Dezessete pessoas morreram nas estradas portuguesas nas últimas duas semanas. É o balanço da primeira fase da operação de Natal e Ano Novo da GNR e da PSP, apresentado ontem na Maia. No total, foram fiscalizados 84 mil condutores, num total de 5200 acidentes. As operações da GNR contabilizaram 15 mortes e 60 feridos. Já as contas da PSP são mais baixas, com duas vítimas mortais registadas e 20 feridos graves. Nota ainda para as mais de 19 mil contraordenações contabilizadas, mais de 950 por condução com excesso de álcool. E ainda é cedo em Portugal, mas já é 2024 no planeta Terra, pelo menos em algumas partes do mundo. Nas ilhas de Kiribati, já é meia-noite, é a primeira região do mundo a entrar no novo ano, isto por estar 14 horas à frente do tempo médio de Greenwich. Ainda assim, não foram planeados eventos importantes de celebração nesta região. Estas ilhas ocupam uma vasta área no Pacífico Equatorial, com cerca de 4 mil km de leste a oeste e mais de 2 mil km de norte a sul. Daqui a uma hora, Tonga, Samoa e partes da Nova Zelândia chegam também a 2024. Está por isso dado o mote para as celebrações de Ano Novo, um pouco por todo o mundo. Nós por cá ainda temos de esperar 14 horas, pouco menos de 14 horas, mas já sabe, faça a festa em segurança e sempre na companhia da Rádio Observador. As notícias regressam daqui a menos de meia hora, quando forem 10h30. Até lá, deixe-se ficar. Até já.