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10:01. Volodymyr Zelensky avisa que a ameaça da Rússia não está a diminuir. No discurso desta manhã no Parlamento Europeu, o presidente ucraniano pediu mais sanções contra Moscovo e uma data concreta para a Ucrânia aderir à União Europeia. Discursou por videoconferência na sessão extraordinária do Parlamento Europeu, uma vez que está hoje em Kiev com António Costa e com Ursula von der Leyen. Perante os eurodeputados, o presidente ucraniano não esqueceu o apoio dos 27 contra a agressão russa. Diz que os Estados-membros estiveram ao lado da Ucrânia desde a primeira hora, mas pede mais, principalmente sanções.

Temos que estar juntos, juntos com a América. E sabemos que não é uma tarefa fácil manter a união e a cooperação transatlântica nas atuais circunstâncias. Cada um de vocês percebe que a guerra enche os bolsos de Putin. Por isso, não deve haver nenhum lugar no mundo livre para petróleo russo, para bancos russos ou para nenhum criminoso da guerra russo. Chegou o tempo de banir todos os participantes na agressão russa de toda a Europa.

Volodymyr Zelensky a pedir também que se mantenha uma boa relação com os Estados Unidos. Ainda hoje, Donald Trump vai fazer o seu discurso do Estado da Nação. O presidente da Ucrânia pede também que seja estabelecida uma data concreta para a entrada no grupo dos 27.

É importante para nós receber uma data concreta para nos juntarmos à União Europeia. Não é apenas um desejo, é um claro conhecimento sobre a forma como Putin vai agir. Se não houver data, se não houver essa garantia, ele vai encontrar uma forma de bloquear a Ucrânia ao dividir-vos, ao dividir a Europa. Temos que nos proteger disso.

Ainda assim, sobram avisos. O presidente ucraniano defende que a ameaça russa não se tornou mais pequena com o passar dos anos e defende que esta não é a primeira vez que Kiev se vê obrigada a lutar contra Moscovo. Antes discursou Roberta Metsola, presidente do Parlamento Europeu, anunciou um novo empréstimo de €90.000 milhões para as defesas ucranianas. Os quatro anos da guerra na Ucrânia estiveram em análise no Explicador desta manhã. PSD, Chega e PCP têm posições diferentes sobre a forma como se deve chegar à paz. Começamos com a posição social-democrata. O eurodeputado Paulo Cunha defende que esta guerra não é só importante para defender a Ucrânia, está em causa todo o continente europeu e por isso a Europa tem que se defender da Rússia.

Sabemos que o apoio à Ucrânia e aos ucranianos é o apoio à Europa, é o apoio ao modelo civilizacional que nós adoptámos, ao modelo ocidental que nós vivemos e que é secular, e que nós não aceitamos qualquer tipo de ingerência, porque o que está em causa da parte da Rússia é mais do que uma guerra, é uma ingerência num estilo de vida, num modo de vida que é tipicamente europeu. Nós não devemos aceitar isso e devemos usar todos os meios que estiverem ao nosso alcance, incluindo os militares, para o combater.

Já o eurodeputado do Chega, Tiago Moreira de Sá, vinca a ideia de que um eventual acordo não pode agradar apenas a um dos lados. Diz que é preciso apoiar os esforços da administração Trump para a paz.

Os Estados Unidos, neste momento, estão a liderar um processo de negociações de paz que têm que ser apoiadas, se quer precisar alguma chance à paz. Embora eu também concorde, isso depende muito depois de que paz é essa, porque não pode ser uma paz de Munique, não pode ser uma paz em que uma das partes cede tudo e claudica. Tem que ser uma paz que tem sido chamada paz pela força, uma paz que é capaz de impor dissuasão.

No Explicador, escutamos também o eurodeputado do PCP, João Oliveira, que uma vez mais deixa duras críticas à postura da União Europeia.

Quer a Ucrânia, quer os ucranianos, são considerados como carne para canhão de uma estratégia de confrontação que a União Europeia quer levar por diante. Esta escalada da guerra, esta insistência em prolongar a guerra por parte da União Europeia, com toda esta retórica e esta propaganda que vamos ouvindo, é verdadeiramente, neste momento, uma ameaça fortíssima ao futuro de todos os povos do continente europeu. Não é só de ucranianos e de russos, é todos os povos do continente europeu.

Os destaques do Explicador desta manhã com os eurodeputados do PCP, Chega e PSD. Diferentes opiniões sobre os quatro anos de guerra na Ucrânia. Marcelo Rebelo de Sousa garante que o apoio de Portugal à Ucrânia continua inabalável, quatro anos depois do início da invasão russa. Espera que 2026 seja o ano que traga um fim justo a este conflito. O presidente assegura que Portugal continua, assim como a União Europeia, a apoiar de forma política, militar e financeira à Ucrânia. Um apoio que vai continuar a ser prestado pelo tempo que for necessário. É o que escreve Marcelo Rebelo de Sousa numa nota publicada no site da presidência. O chefe de Estado promete também apoiar a adesão da Ucrânia à União Europeia e manter os esforços internacionais para pressionar a Rússia. Marcelo elogia a coragem admirável do povo ucraniano e espera que 2026 traga um fim justo à guerra, com base num acordo inspirado no direito internacional. O governo também sublinha que Portugal está ao lado da Ucrânia desde o início da guerra. Tal como Marcelo, o Executivo espera que este ano seja possível alcançar um acordo para acabar com o conflito. Uma mensagem transmitida pelo ministro dos Negócios Estrangeiros na rede social X. Paulo Rangel fala em quatro anos de sofrimento para todo o povo da Ucrânia, militares e civis. Lembra que Portugal tem uma grande comunidade ucraniana e que está ao lado de Kiev desde o início da guerra, com apoio humanitário, financeiro e militar. Paulo Rangel diz que acredita no futuro europeu da Ucrânia e espera que este ano seja possível um acordo de paz sustentável, duradouro e justo. Em Kiev, há voluntários que continuam a trabalhar todos os dias na linha da frente e avisam que há quem comece a perder a esperança depois de quatro anos de guerra. São várias as associações de voluntários de países europeus que estão na Ucrânia a ajudar os civis afetados. É o caso da associação polaca Polish Humanitarian Action, que trabalha em Kiev e em Kharkiv, cidades onde ainda se nota o impacto da guerra. O João Gama falou com uma voluntária que confessa que tem medo que a Europa comece a esquecer a Ucrânia.

Na Ucrânia desde 2014 e em Kiev desde a semana passada, Elena Kraevska descreve um país que enfrenta dificuldades bem além da linha da frente e que se chegam a sentir na capital.

A diferença é palpável. No ano passado, havia mais esperança na cara das pessoas. Estavam menos cansadas desta situação, mas nos últimos meses, sem eletricidade, sem água quente ou potável, sem aquecimento em tantos prédios, isso realmente afetou a confiança das pessoas.

O inverno e as temperaturas baixas que se fazem sentir em Kiev, dificuldades acentuadas pelos ataques russos contra as estruturas energéticas do país. Já em Kharkiv, o cenário é diferente e resume-se numa palavra: destruição.

Em Kharkiv há mais prédios destruídos do que havia no ano passado por bombardeamentos. Praticamente um em cada dois, um em cada três. Podemos ver que é uma cidade na linha da frente.

Elena Kraevska é a porta-voz da Polish Humanitarian Action, uma associação que trabalha em vários pontos da Ucrânia, que ajuda populações que ainda precisam de tudo.

Ajudamos muitas pessoas com ajuda psicológica, porque todos aqui vivem traumas depois de quatro anos. Nós estamos especialmente a apoiar crianças, professores e pais, porque é horrível passar a infância e ser um pai, especialmente um pai recente, durante a guerra.

E que estão cansadas, quatro anos depois do início da guerra. Os ucranianos querem continuar a ser lembrados, até porque dizem que não são feitos de ferro.

As pessoas querem paz, querem tranquilidade, querem olhar para o céu e não ter medo. Querem viajar para a União e ir a Lisboa, por exemplo. As pessoas estão cansadas. Todos aplaudem os ucranianos por serem invencíveis, mas não é verdade. Dizer isso diminui a dor e o sofrimento que estas pessoas estão a sentir. Pedem-nos que não digamos isso, porque estão aqui a sobreviver, a tentar sobreviver como sociedade.

Elena Kraevska está na Ucrânia para continuar, e não apenas até o fim da guerra, até porque se a guerra acabasse amanhã, lembra que ainda há um país para reconstruir.

João Gama, que falou com uma das muitas voluntárias em Kiev. Ainda ontem à noite voltaram a ser ouvidas explosões na capital ucraniana. Nas últimas semanas, os ataques russos deixaram milhares de edifícios sem aquecimento em pleno inverno. Mudamos de tema. Luís Montenegro já apresentou o programa PTRR a Marcelo Rebelo de Sousa, é o que faz saber o Presidente da República. A Marcelo Rebelo de Sousa explica que foi ontem auscultado pelo Primeiro-Ministro sobre a proposta de criação do programa, é o que indica uma curta nota publicada há pouco no site da presidência. Marcelo não deu mais detalhes. O PTRR, o plano do governo para ajudar a recuperar as zonas afetadas pelas tempestades, também vai estar em cima da mesa do encontro de hoje entre o Primeiro-Ministro e António José Seguro. O Presidente da República eleito vai receber Luís Montenegro no Palácio Nacional de Queluz, onde está a trabalhar até tomar posse às 16h. Carla, no Porto, a primeira fase do Metrobus arranca já esta semana. Liga a Casa da Música à Praça do Império. E é precisamente para lá que vamos agora, ao encontro da jornalista do Observador, Maria Rego. Maria, bom dia. A obra teve várias complicações, atrasos, mas na próxima hora realiza finalmente a primeira viagem que vais poder acompanhar.

Bom dia, foi uma espera de muito tempo, mas finalmente vai começar a funcionar. O Metrobus vai arrancar já esta semana, no sábado, e faz essa ligação entre a Casa da Música e a Praça do Império, onde me encontro neste momento. Porque, Carla, como dizias, na próxima hora, a comunicação social vai fazer este trajeto a bordo do Metrobus. Por cá, vemos já muita gente e tivemos a indicação, e conseguimos ver agora também, que vai existir uma primeira viagem para pessoas ligadas ao executivo e à Metro do Porto. E depois, sim, a comunicação social vai também fazer a viagem. Toda esta obra foi feita em torno de muita polêmica, isto porque a primeira fase do Metrobus está já concluída desde o verão de 2024, sendo que as obras da segunda fase foram suspensas pela nova administração do Metro do Porto em outubro e só recomeçaram já um mês depois. Entre autocarros a hidrogénio com portas do lado errado, complicações no contorno da Rotunda da Boa Vista e mudanças de executivos, foram vários os contratempos que atrasaram, e muito, o funcionamento desta obra. Foi um investimento de €76 milhões, financiados pelo plano de resiliência e que procuram ligar em poucos minutos Casa da Música, Praça do Império e numa segunda fase, até à Anémona. Esta segunda fase ainda não está concluída, deverá estar pronta em agosto e com a garantia de que haverá mais espaços verdes. Quanto à questão de que falava, da Boa Vista, neste momento, ao que tudo indica, o Metrobus deverá juntar-se aos restantes carros para poder fazer essa travessia e não em via própria, como seria suposto, mas o presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte, abriu a hipótese de se poder alargar o corredor central. Ainda não há uma visão clara nesse sentido. Ainda assim, Carla, na próxima hora, como dizias, vamos poder confirmar e averiguar de que forma vai funcionar o Metrobus.

Maria Rego, contamos contigo para que nos contes como vai decorrer essa primeira viagem do Metrobus. A operação arranca formalmente no sábado, agora está a cumprir aquela fase de adaptação e de ajuste ao serviço. São 10h13. Já aqui o Contracorrente. Sou a Ant скарла, que outras notícias marcam esta manhã de terça-feira. As primeiras urgências regionais vão abrir no próximo mês. A data é avançada pela ministra da Saúde, que está numa audição na Comissão Parlamentar de Saúde a esta hora, na Assembleia da República. Ana Paula Martins diz que as primeiras urgências regionais serão na área da obstetrícia, vão funcionar na Península de Setúbal, estão centralizadas no Hospital Garcia de Orta, na Unidade Local de Saúde de Vila Franca de Xira e também na ULS Beatriz Ângelo. Depois da passagem das tempestades, o Politécnico de Leiria estima prejuízos de €6 milhões. Em declarações à Agência Lusa, o presidente da instituição diz que este valor ainda pode aumentar, além de danos significativos no campus. A obra da nova residência de estudantes, que está em curso, também foi afetada pela passagem da depressão Cristina. Rui Costa acredita na palavra de Prestianni e garante que nunca teria um jogador racista no plantel do Benfica. Diz também que o jogador argentino não é racista. Declarações do presidente do Benfica há pouco aos jornalistas no aeroporto, antes de partir para Madrid, onde o Benfica joga amanhã com o Real, na segunda mão da eliminatória a contar para a Liga dos Campeões. Segredos, juramentos e iniciações secretas. O penúltimo episódio do podcast Plus The Observador retrata a forma como várias mulheres portuguesas se submeteram a um guru que usou o yoga para conseguir seguidores. Os segredos da seita do yoga é o resultado de uma investigação jornalística que recolheu o testemunho de várias mulheres. Acusa uma escola de yoga em Lisboa, ter sido o ponto de partida para uma seita internacional. Elas eram levadas a fazer um ritual de iniciação com o guru, que está hoje preso e a aguardar julgamento por suspeitas de exploração sexual e tráfico humano.

Precisa falar sobre o que aconteceu em Paris. Pede ajuda a uma professora, conta-lhe o que fez e como se sentiu. E a professora diz-lhe que se alguém errou, só pode ter sido ela, nunca o guru. Se calhar fiz alguma coisa de errado ou se calhar algo do teu. É uma das características mais comuns das seitas, explica António Madeline. Quem comete a falha é sempre levado a crer que o problema está nele.

A pessoa, quando falha ou quando tem dúvidas, quando tem questões ou quando começa a questionar o que anda aqui a fazer, por que eu estou a fazer isto? É ensinado dentro do grupo que o problema nunca é do líder, nunca é do grupo. A culpa é sempre da pessoa. A pessoa é que é fraca, a pessoa é que não tem o nível de espiritualidade, ou de iluminação, ou de evolução que deveria ter.

É um excerto do penúltimo episódio do podcast Plus, Os Segredos da Seita do Yoga. Esta é uma série narrada pela atriz Daniela Ruah, com banda sonora original de Benjamim. A investigação e os guiões são das jornalistas Mariana Marques Tiago e Tânia Prarinha.