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Edição das 10. Miguel, começamos este jornal com um sinal de esperança. Há um ensaio clínico de um tratamento contra o cancro desenvolvido pela Johnson & Johnson, que apresenta resultados sem precedentes.

É essa a expressão usada por alguns médicos contactados pelo jornal The Guardian. O tratamento consiste numa injeção tripla com a capacidade para, nalguns casos, erradicar por completo tumores. É o que demonstram os estudos internacionais realizados em 11 países e que vão ser apresentados hoje em Chicago, na mais importante conferência mundial sobre o cancro. O The Guardian partilha o testemunho de um dos participantes no ensaio clínico. Uma história que nos é agora contada pelo jornalista Hugo Fortunato de Oliveira.

Carl Walsh tem 56 anos. Em maio de 2024 recebeu o diagnóstico: tinha cancro da língua. A quimioterapia e a imunoterapia revelaram-se ineficazes no tratamento da doença. Foi aí que lhe apresentaram um tratamento experimental. Conta que antes tinha dores, inchaço e dificuldades para comer e falar. Agora, no 17° ciclo de tratamento, diz ter uma vida normal. Ao todo, em mais de 10 países, foram 102 os doentes que integraram o estudo clínico. Todos com cancros avançados na cabeça e no pescoço, que resistiram às terapêuticas convencionais. Em mais de um terço dos casos, os tumores reduziram em poucas semanas. Quinze dos doentes viram mesmo os tumores deixar de ser visíveis nas avaliações clínicas. O tratamento é administrado a cada três semanas através de uma injeção subcutânea, o que o torna mais rápido e prático para os pacientes e muito mais fácil de administrar. Combate o cancro de três formas: bloqueia proteínas que ajudam o tumor a crescer e a resistir ao tratamento e reforça o sistema imunitário para lutar contra a doença. A injeção mostrou resultados semelhantes em doentes com cancro do pulmão e está agora a ser testada em cerca de 60 ensaios clínicos para vários outros tipos de tumores. Além do pulmonar, está a ser também estudada para tratar o cancro do cérebro, do estômago e do cólon e reto.

Um sinal de esperança na luta contra o cancro. Trabalho do jornalista Hugo Fortunato de Oliveira sobre os resultados deste ensaio clínico. Resultados que são apresentados este domingo na maior conferência mundial sobre o cancro, que decorre em Chicago.

Miguel, Israel continua a alargar as operações terrestres no sul do Líbano. Nas últimas horas, reivindicou a tomada do castelo de Beaufort.

É um importante ponto estratégico. O castelo, construído pelos cruzados, fica situado no cimo de uma formação rochosa e, segundo Tel Aviv, é usado pelo Hezbollah para o lançamento de ataques na direção da Galileia, no norte de Israel. Por diferentes publicações circulam fotografias da bandeira israelita cravada na fortaleza, que fica a cerca de 15 km da fronteira. Entretanto, as IDF, o exército israelita, dá conta, em comunicado, que estão em curso operações militares perto de Nabatieh, um importante reduto do Hezbollah no sul do Líbano. A Al Jazeera refere que os militares estão a cercar a cidade, antecipa a possibilidade de um ataque. Ontem, o primeiro-ministro libanês alertou para a perigosa e sem precedentes escalada do conflito no sul do território.

Miguel, ainda no Médio Oriente, o presidente dos Estados Unidos quer mudanças no novo acordo com o Irão. Alterações que englobam, sobretudo, o programa nuclear.

Sim, o programa nuclear, mas também o estreito de Ormuz. A posição mais rígida dos Estados Unidos exige ao Irão o compromisso de não desenvolver uma arma nuclear. De resto, uma exigência que tem acompanhado estas negociações. São ainda pedidas novas concessões a propósito da entrega das reservas de urânio enriquecido por parte do regime iraniano. De acordo com o portal Axios, o presidente norte-americano também quer mudanças relativamente aos termos da negociação sobre o estreito de Ormuz. Trump insiste que o Irão não pode cobrar portagens pela passagem de navios no estreito de Ormuz.

Em França, mais de 400 pessoas foram detidas em todo o país numa noite de tumultos.

E que se seguiram aos festejos da vitória do Paris Saint-Germain, que ganhou a Liga dos Campeões ontem ao Arsenal, segundo a televisão francesa, que cita o Ministério do Interior de França. Só em Paris foram quase 300 as detenções durante a última noite. A polícia afirma que foram mobilizados 22 mil agentes para as ruas ainda antes da festa, 8 mil para a região metropolitana de Paris. O ministro do Interior francês dá conta de ferimentos em sete agentes, um dos quais com bastante gravidade. Há ainda relatos de danos em estabelecimentos comerciais em Paris, resultado dos desacatos.

Os bombeiros que passam mais tempo no terreno a combater incêndios têm um risco maior de doenças cardiovasculares e da bexiga.

É isso que conclui uma investigação divulgada hoje pela Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, que destaca o risco acrescido de danos no ADN dos bombeiros que passam mais tempo no terreno. O estudo contou com mais de meia centena de bombeiros da região Norte do país, 80% dos quais homens, idade média de 35 anos e com cerca de 16 anos de tempo médio de serviço. Em 2021 e 2023, foram avaliados em dois momentos, antes e depois da época de incêndios. A investigação conclui que após a intervenção no combate aos fogos, alguns bombeiros apresentavam alterações nos biomarcadores de inflamação sistémica, que aumentam os riscos de doenças cardiovasculares e da bexiga para quem está no terreno.

Luís Montenegro foi reeleito presidente do PSD. Avança assim, Miguel, para um terceiro mandato.

O presidente social-democrata e chefe de governo alcançou mais de 94,8% dos votos nas eleições diretas. Era candidato único num ato eleitoral marcado pela abstenção. De acordo com os dados divulgados pelo Conselho Nacional de Jurisdição do PSD, a abstenção contou os 73%. Votaram 15 mil militantes de um universo de mais de 56 mil. Luís Montenegro agradeceu a reeleição. Foi através das redes sociais. Falou numa adesão expressiva, apesar dos valores da abstenção que aqui dei conta. O presidente social-democrata defende que o PSD é o maior partido português com responsabilidades acrescidas perante os portugueses.

Estamos focados em não defraudar as expectativas que foram criadas sobre nós. Sabemos que as pessoas, os portugueses, nos confiaram a responsabilidade de olhar pelo seu presente e pelo seu futuro. E é isso que estamos a fazer. Portugal é hoje um país que é um exemplo na Europa e é uma referência no mundo. Ao nível da estabilidade económica, da estabilidade financeira, da estabilidade social.

Luís Montenegro, depois da reeleição como presidente do PSD, avança para um terceiro mandato.

E são agora 10h07, já a seguir há gabinete de guerra, mas antes, Miguel, temos ainda outras notícias em destaque a esta hora.

Dois vereadores do Partido Socialista na Câmara Municipal de Lisboa que foram constituídos arguidos no âmbito da operação Emergente. Sérgio Cintra e Carla Madeira. É uma notícia avançada pelo Observador. Em declarações ao Observador, precisamente, Sérgio Cintra manifesta disponibilidade para colaborar com as autoridades na investigação. Já Carla Madeira foi questionada várias vezes pelo Observador, não respondeu. Nenhum pretende, no entanto, suspender as funções que desempenham na Câmara Municipal de Lisboa, pese embora terem sido constituídos arguidos. As últimas pedaladas percorrem hoje os derradeiros quilómetros da Volta à Itália em bicicleta, 130 km, com partida em Roma e chegada a Roma. Portugal volta a ter um corredor nos 10 primeiros. Nos últimos anos foi João Almeida a terminar no top 10. Na edição deste ano, é Afonso Eulálio, da Bahrain, que eleva mais alto o ciclismo português. Está na sexta posição à partida para esta última tirada, com uma vantagem de perto de três minutos para o décimo classificado. No topo da geral, o dinamarquês Jonas Vingegaard confirma esta tarde a vitória na edição 2026 do Giro. O tenista português Jaime Faria foi eliminado na terceira ronda de Roland-Garros. Perdeu com o norte-americano Frances Tiafoe em cinco sets, após uma longa batalha de quatro horas. Jaime Faria, número dois do ranking nacional de ténis, podia ter sido o primeiro português a atingir os oitavos de final em Roland-Garros. E assim, não há mais portugueses no segundo Grand Slam da temporada de ténis.

Miguel Vieira com o Jornal das 10.