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Está no ar o Jornal do Meio-Dia, com a edição do Miguel Videira. Miguel, começamos com a entrevista do Observador a Henrique Gouveia e Melo. O almirante considera que é óbvio que houve uma tentativa por parte do governo de bloquear a sua candidatura a Belém, com o intuito de proteger Luís Marques Mendes.

Diz Henrique Gouveia e Melo que o governo tentou amarrar a Marinha à chefia do Estado-Maior da Armada para impedir que avançasse com uma candidatura à Presidência da República.

Era uma impressão que eu tinha e continuo a ter.

Mas continua a ter a impressão de que não queriam esta candidatura presidencial.

Sim, é uma impressão minha, que é sempre subjetiva, como é evidente, mas era a minha impressão e transmiti essa impressão.

Ficou com a impressão de que o governo não queria, de facto, que esta candidatura avançasse. Não queria por quê? Para proteger Luís Marques Mendes?

Acho que isso, em termos políticos, é óbvio. Não é preciso ser um grande analista para se perceber nas diversas ações e comentários ao longo do tempo, até enquanto era chefe do Estado-Maior da Armada, que havia essa resistência à minha candidatura.

Nesta entrevista ao Observador, Henrique Gouveia e Melo admitiu também a possibilidade de, caso venha a ser eleito, fazer apenas um mandato.

Todos os presidentes tiveram um primeiro mandato melhor do que o segundo mandato. No segundo mandato, acho que passou para além do que seriam as suas funções normais enquanto presidente.

Isso quer dizer que o senhor só vai candidatar a um mandato?

Corre menos bem. Isso é uma análise que eu terei que fazer se for eleito.

Mas admite só fazer um mandato?

Sim, admito. Não estou a dizer que só quero fazer um mandato. Mas admito fazer um mandato. Depende da análise que terei que fazer na altura.

É uma possibilidade.

E nesta entrevista conduzida pelos jornalistas Miguel Pinheiro, Rui Pedro Antunes e Miguel Santos Carrapatoso, o candidato Henrique Gouveia e Melo abordou também a polêmica em torno das celebrações dos 50 anos da independência de Angola.

Com André Ventura a defender que Marcelo Rebelo de Sousa devia ter abandonado a cerimônia oficial quando o presidente angolano João Lourenço se referiu ao passado colonial português e à escravatura como motivos para o atraso de Angola e do continente africano. Henrique Gouveia e Melo faz reparos à forma como foram feitas estas referências, mas critica acima de tudo o que define como a falta de preparação do Estado português.

Olhe, o que eu teria feito era, através dos negócios estrangeiros, ter, antes de ir, feito um conjunto de reuniões e acertos que permitissem que a cerimônia fosse digna para ambos os lados. E isso não foi feito. Quem não se prepara, depois tem estes dissabores.

E a cerimônia não foi digna para Portugal?

Eu percebo o lado angolano e a parte histórica angolana, mas há coisas que têm a ver com bom senso, que têm a ver com urbanidade e que têm a ver com relações entre países. Devem ser ditas dentro do contexto histórico, mas com as palavras certas.

Gouveia e Melo diz que não teria saído da cerimônia, ao contrário do que defende André Ventura. Teria, no entanto, sido mais duro nas palavras que se seguiram. Isto em relação àquilo que disse Marcelo Rebelo de Sousa no final da cerimônia.

Há coisas que nós não podemos fazer em termos protocolares, mas de certeza que depois usaria todos os elementos e os meios diplomáticos.

Na parte da conversa com os jornalistas, teria sido mais duro?

Sim, seria diferente, seria mais duro. Eu usaria a diplomacia para fazer sentir que esse acordo não teria sido cumprido.

O reparo de Henrique Gouveia e Melo à atuação do atual presidente da República é Marcelo Rebelo de Sousa.

E houve ainda nesta entrevista um momento de irritação. Que momento, Miguel?

Quando se falou de maçonaria, Henrique Gouveia e Melo diz que há uma tentativa de o colar à maçonaria com o objetivo de o desgastar politicamente.

Desculpa, e qual é a minha relação com a maçonaria, que eu ainda não percebi?

Tem várias abordagens à maçonaria.

O que é que trouxe a maçonaria agora à conversa?

Porque falou em clubes fechados e a maçonaria é um dos exemplos apontados como um dos interesses obscuros do país.

E o que eu tenho a ver com isso? Eu não sou maçom. Portanto, eu não estou a perceber por que me está a perguntar isso.

Precisamente, eu estava a tentar perceber por que o incomoda tanto o tema. Sente que no início da sua candidatura, alguns elementos da maçonaria o tentaram condicionar?

Não, o que me incomoda o tema é que há uma tentativa de me colarem à maçonaria. E essa tentativa, para mim, tem um objetivo: é provocar-me desgaste.

Foi um dos temas abordados nesta entrevista ao programa Sob Escuta da Rádio Observador. Quanto a cenários de dissolução da Assembleia da República, o almirante sublinha que só utilizaria essa bomba atômica, assim definida, por falhas muito graves face às promessas feitas pelo governo.

E nesta entrevista houve também uma pergunta que ficou por esclarecer: quem financia a campanha de Gouveia e Melo?

O almirante, para já, não revela.

Não, não tenho que divulgar, porque isso faz parte da lei e nós cumprimos a lei. Só terei que divulgar se por acaso alguém pensar que eu não estou a cumprir a lei, mas isso tem que provar que eu não estou a cumprir a lei. E já agora, se está a falar de financiamentos, eu julgo que todos os candidatos que dizem que são independentes de partidos e estão a usar financiamentos, equipamentos e outras capacidades dos partidos, deviam refletir também sobre isso. E gostaria que vocês, a imprensa em geral

Também olhasse para isso.

É o que pede Henrique Gouveia e Melo, é um dos candidatos a Belém, entrevistado esta manhã aqui na Rádio Observador, no programa "Sob Escuta".

Estão a decorrer buscas relacionadas com a privatização da TAP. Há suspeitas de crimes como oferta e recebimento indevidos de vantagem, participação económica em negócio e burla qualificada.

As buscas estão a ser feitas por uma equipa do Ministério Público, apoiada por inspetores da Polícia Judiciária. O Grupo Barraqueiro, um dos grupos empresariais que esteve envolvido no processo de privatização da TAP em 2015, já confirmou que as instalações da empresa são um dos alvos das buscas do Ministério Público a suspeitas de crimes, precisamente nesse processo de privatização da companhia aérea portuguesa. As buscas passam por escritórios de advogados e incidem sobre os decisores envolvidos no negócio. É um tema que vamos continuar a explorar ao longo desta manhã, tarde, aqui na Rádio Observatório.

E numa altura em que a greve geral de 11 de dezembro se aproxima, o governo faz um recuo na reforma da lei laboral. O Executivo vai deixar cair a proposta que dificulta a recusa dos pais em trabalhar à noite e também ao fim de semana.

Era, de resto, uma das propostas mais criticadas pelas confederações sindicais. Em causa, uma regra que permite aos pais escolherem dentro de certos limites as horas de início do termo do trabalho, ou seja, uma flexibilização do horário dos trabalhadores e regras mais restritas para os trabalhadores que vivem com filhos menores de 12 anos ou filhos com problemas de saúde. O governo pretendia reverter esta regra para que, com livre arbítrio, pudesse fixar esses horários, mas agora volta atrás. É uma notícia avançada pelo Negócios. A greve geral convocada pela CGTP e pela UGT mantém-se para 11 de dezembro.

E o diretor-geral da Polícia Judiciária destaca o trabalho eficaz das autoridades portuguesas na captura de um dos principais líderes do Primeiro Comando da Capital. Ele é considerado pela Justiça brasileira um dos maiores traficantes internacionais de droga.

A PJ deteve Igor Zago, que vivia num condomínio de luxo em Cascais, depois de ter fugido do Brasil após uma condenação a 29 anos de prisão. A detenção foi confirmada este fim de semana pelo Jornal de Notícias e Correio da Manhã. Hoje, em declarações aos jornalistas, Luís Neves, diretor nacional da Polícia Judiciária, destaca a eficácia das autoridades nacionais no esforço de detenção deste traficante.

Conforme sucedeu no passado, com outros fenómenos de ameaça e de risco perante o território de organizações estrangeiras, a Polícia Judiciária esteve à altura para poder debelar essas ameaças. Estamos organizados, o fator cooperação internacional é muito relevante e, no caso concreto, ficamos muito satisfeitos por um trabalho da SAP que levou à captura de um dos elementos mais relevantes desta organização criminal.

Luís Neves garante ainda que nem as autoridades portuguesas, nem as autoridades brasileiras sabem quantas pessoas estão envolvidas neste grupo e explica que a demora na detenção de Igor Zago se fica a dever ao fato de, neste caso, a Polícia Federal brasileira não ter emitido o mandado internacional de eficácia internacional.

12h09, Miguel, que outras notícias marcam a atualidade a esta hora?

Os detidos por crimes sexuais este ano aumentaram. São já mais do que em todo o ano passado. É o que revela Luís Neves, que acabamos de ouvir, o diretor nacional da Polícia Judiciária. Em 2024, foram detidos 251 suspeitos. Até novembro deste ano, o número subiu e chegou já às 269 detenções. Armando Vara foi novamente detido pela PSP para cumprir dois anos e meio de pena de prisão em causas condenações em acúmulo jurídico nos processos Face Oculta e Operação Marquês. O ex-ministro foi levado para o Estabelecimento Prisional de Lisboa ontem à noite. A notícia foi avançada pelo Correio da Manhã, confirmada pelo Observador.

Ponto final no jornal do meio-dia, que teve edição do Miguel Videira.