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Notícias. A edição é da Carla Jorge Carvalho. André Ventura tem o voto marcado para esta hora. É um momento que vamos acompanhar aqui em direto na Rádio Observador, mas, para já, Carla, destaque para o apelo ao voto deixado por António José Seguro. O candidato apoiado pelo PS destaca que cada voto conta e deixa uma palavra de solidariedade para as vítimas do mau tempo.
O voto que decide o futuro de Portugal, são as palavras de António José Seguro, que foi o primeiro candidato a votar nesta segunda volta das presidenciais. Foi na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro, nas Caldas da Rainha. Seguro apela ao voto e destaca as vítimas afetadas pelo mau tempo dos últimos dias.
Expressar também solidariedade para com todas as famílias que estão, neste momento, numa parte substancial do nosso país, a passar por momentos de dificuldade. Eu espero que esta abertura de tempo permita que as pessoas venham votar. Este é o momento em que o povo é soberano, em que cada voto conta e decide mesmo o futuro do nosso país. Nós estamos a eleger o presidente da República para os próximos cinco anos. É uma decisão muito importante e o meu apelo a cada portuguesa e a cada português é que venham votar.
O apelo de António José Seguro, momentos depois de ele próprio ter votado nas Caldas da Rainha, na Escola Secundária Rafael Bordalo Pinheiro. O candidato apoiado pelo Partido Socialista diz também que vai, a seguir, almoçar com a família e depois vai acompanhar a noite eleitoral no Centro Cultural das Caldas da Rainha.
Destaque também, a esta hora, para um ex-candidato, Henrique Gouveia e Melo, que vota a esta hora na FCSH, em Lisboa.
É um momento que também contamos acompanhar em direto aqui na Rádio Observador. Henrique Gouveia e Melo vai votar na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, no centro de Lisboa, o candidato que não passou à segunda volta e que, de resto, desde o dia da primeira volta das eleições, pouco tem dito, pouco tem afirmado relativamente àquilo que pretende fazer, quer com os seus votos, quer também no apelo àqueles que o apoiaram.
Já lá vamos, perceber se Henrique Gouveia e Melo já chegou à Nova FCSH, aqui em Lisboa. Mas, para já, Carla, seguimos com as declarações de Aníbal Cavaco Silva, que apela à união dos portugueses no momento difícil que o país enfrenta.
O antigo presidente da República, que também já votou em Lisboa, Cavaco Silva, acredita que o próximo chefe de Estado vai fazer tudo para unir os portugueses.
O que é fundamental é que todos se unam e possam remar no mesmo sentido de ajudar todos aqueles que são atingidos. Não é apenas a distinção dos equipamentos, das casas, é o sofrimento das pessoas. E o que eu peço é que neste momento haja união. O Presidente da República é uma figura de união e deve continuar a ser uma figura de união. Eu estou convencido que o novo presidente fará todos os possíveis para unir os portugueses.
O Presidente da República é uma figura de união, ideia sublinhada esta manhã por Aníbal Cavaco Silva, depois de ter votado em Lisboa. O antigo presidente da República deixa ainda um apelo ao voto. Espera que os portugueses afetados pelo mau tempo encontrem, ainda assim, a força para ir votar.
Destaque também para Leiria, um dos distritos mais afetados pelo mau tempo nestas últimas semanas. Houve a necessidade de alterar o local de voto em algumas freguesias por causa dos efeitos da tempestade Cristina.
Um deles na União de Freguesias de Marrazes e Barosa. O repórter Luís Soares está na Escola Básica José Matoso, onde, Luís, também aqui a afluência é grande.
Até porque são 19 mesas de voto nesta escola básica. Não era aqui que era suposto decorrer a votação, era na sede do agrupamento, que é ali mais para trás, mas que ficou com alguns locais destruídos por causa da passagem da tempestade. Então essas 19 mesas passaram para esta Escola Básica José Matoso, Marrazes, Leiria. Sendo que é certo, é um espaço diferente e, portanto, a perceção das pessoas que aqui estão dentro é um bocadinho diferente daquela que seria no outro local onde é habitual votar, apesar de perceberem que há aqui uma grande concentração de pessoas, porque o local de voto é menor, é um local em que as pessoas dispersam menos, parece eventualmente que até está mais gente, mas não é possível fazer bem esse termo de comparação, porque os locais de voto são diferentes, mas há muita gente aqui a entrar e a sair para votar e para exercer o seu direito de voto. Eu interrompia aqui esta conversa, muito boa tarde, em direto para a Rádio Observador. Já votou ou ainda não?
Não, vou votar agora.
E faz diferença a mudança do local de voto?
Não, desde que a gente tenha força de vontade. Normalmente não é muito longe, fica perto.
Como é que vê o facto de não terem sido adiadas as votações, apesar do que se passou aqui na região?
Bem, eu não sei, eu não percebo de leis. Se a lei não permite, bem, em relação à situação, podia ter sido adiado, mas eu penso que as pessoas tiram sempre um pouquinho para vir votar.
Muito obrigado. Aqui a opinião de um senhor que ainda vai agora votar aqui na Escola Básica José Matoso, em Marrazes, Leiria, que, como disse, tem aqui alguma afluência, com muita gente a entrar e sair, famílias com crianças. Também há aqui algumas banquinhas de vendas aqui à entrada com alguns produtos até regionais. E, portanto, quem vier aqui a esta escola poderá também ter aqui à saída ou à entrada, comprar alguns amendoins, frutos secos, também alguns produtos aqui da região.
A reportagem do Luís Soares, que está a acompanhar a votação desta segunda volta das presidenciais em Leiria. Apesar de ser um dos distritos mais afetados pelo mau tempo, o que o Luís Soares tem registado ao longo da manhã é que tem havido muita afluência, mesmo com alterações de mesas de voto, há muita gente a votar no Conselho de Leiria.
E precisamente em Leiria. Logo ao início da manhã, o presidente da Câmara Municipal alertou que esta segunda volta das presidenciais pode ter uma das maiores abstenções de sempre.
Gonçalo Lopes prevê, de facto, uma abstenção histórica elevada face aos efeitos do mau tempo no distrito.
Hoje é possivelmente uma das eleições onde irá existir uma das maiores abstenções de sempre. Acho que se compreende. Uns porque não tiveram informação, outros porque têm outro nível de preocupações, e por isso, se há uma abstenção que pode ser compreendida é a de Leiria e de todos os territórios afetados. No entanto, há muita gente que sempre votou na vida e mesmo com dificuldades, hoje vai querer manifestar aquilo que é a sua visão para o futuro. E o que interessa hoje é o início também de um novo futuro.
Palavras de Gonçalo Lopes, o presidente da Câmara de Leiria, momentos após ter votado na escola Francisco Rodrigues Lobo, a dizer que esperava uma abstenção elevada no distrito, o que a reportagem do Observador tem visto, tem sido, de facto, o contrário, muita afluência. De recordar, no entanto, que os efeitos do mau tempo fazem com que muitas localidades estejam ainda, por exemplo, sem energia. Uma situação que levou, de resto, três municípios a adiar por uma semana a votação, Alcácer do Sal, Golegã e Arruda dos Vinhos. Já nos concelhos de Santarém, Leiria, Rio Maior e Cartaxo, registam-se adiamentos apenas em algumas freguesias. No Conselho de Leiria, apenas uma freguesia não está hoje a votar. Os eleitores destas localidades vão poder fazê-lo no próximo domingo, no dia 15.
E seguimos com outro ex-candidato, João Cotrim Figueiredo, que também apela ao voto, mesmo durante o momento difícil que o país enfrenta.
O ex-candidato, que foi apoiado pela Iniciativa Liberal na primeira volta das presidenciais, destaca hoje a importância de ir às urnas e deixa uma palavra especial para as populações afetadas pelo mau tempo.
Neste dia, para além de apelar, obviamente, ao voto, que é sempre um direito que se deve exercer sob pena de se perder, é relembrar as pessoas que estão em situação realmente difícil num dia destes, que podem não ter tido onde dormir, podem ter tido os seus bens destruídos. É uma palavra para eles também, mas que mesmo com essas dificuldades hoje, não se esqueçam que a democracia tem que ser cultivada, os direitos exercidos e, portanto, tentem vir votar, porque é importante para todos.
O apelo deixado por João Cotrim Figueiredo esta manhã, depois de ter votado numa escola em Lisboa.
O secretário-geral do PCP também votou esta manhã e destaca a importância de ir às urnas nestas eleições presidenciais.
Paulo Raimundo pede aos portugueses para irem votar, mesmo que as condições não sejam as melhores.
A democracia tem destas coisas. Nós temos que estar nas piores e nas melhores condições e, portanto, acho que era bom que cada um assumisse também esta responsabilidade que tem, não desvalorizando a dimensão do problema, mas não perdesse esta oportunidade para poder votar.
Então não vê nenhum impedimento, principalmente nas zonas mais afetadas, que as pessoas se desloquem e que os votos, neste caso, venham a ser contabilizados já mais tarde?
Olha, é assim, nós o que sabemos é que as situações onde é completamente impossível votar, os presidentes de câmara decidiram que não havia condições para votar. E são casos pontuais que sabemos e foram transpostas para o próximo domingo. Mesmo freguesias em concreto onde isso se torne impossível, também o mesmo procedimento. É normal. Estranho seria se não tivessem sido adiadas, nesse caso em concreto. E, portanto, foram adiadas. Contaremos os votos hoje e, se for necessário, esperaremos pelos votos no próximo domingo. Também não há nenhuma pressa. É o caso para dizer qual é a pressa.
Não há nenhuma pressa, diz o secretário-geral do PCP depois de ter votado esta manhã em Alhos Vedros, dizendo e lembrando que é importante o voto, mesmo quando as condições não são as mais indicadas.
Nuno Melo pede aos eleitores que saiam de casa. O ministro da Defesa afirma que esta não é uma eleição menor.
O líder do CDS e ministro do governo AD votou esta manhã no Porto. Nuno Melo apela à população para que saia de casa para ir votar e reforça a importância deste ato eleitoral, desta segunda volta das presidenciais.
Aquilo que eu acho relevante fazer neste momento é um apelo ao voto para que as pessoas tenham plena noção que esta não é uma eleição menor, saiam de casa e vão votar. Parece-me, é totalmente intuitivo o que estou a dizer, que em relação à primeira volta, o fluxo aparentemente é menor. Não sei se assim será, porventura no fim do dia poderá até resultar o contrário. Mas seja como seja, este apelo eu acho que deve ser um esforço permanente de quem preza a democracia e quer que a democracia se manifeste através do voto na escolha dos representantes do povo.
O apelo deixado aos jornalistas por parte de Nuno Melo, declarações captadas pela Sic Notícias. Já sobre o mau tempo que tem afetado o país nas últimas semanas, Nuno Melo diz acreditar que é precisamente nos momentos mais difíceis que se vê a importância de um chefe de Estado no terreno. Adianta ainda que neste momento estão cerca de 3 mil militares empenhados na ajuda às populações mais afetadas.
O presidente da Assembleia da República também já votou esta manhã e diz concordar com Marcelo Rebelo de Sousa. Estas eleições são um ato de resistência.
José Aguiar Branco votou há pouco no Porto, sublinhou a mensagem de ontem à noite do Presidente da República, que disse que votar é um ato de resistência, especialmente na situação de calamidade em que vários conselhos do país se encontram. O presidente da Assembleia da República diz tratar-se de uma questão de respeito pelas populações afetadas pelo mau tempo
Concordo com o Sr. Presidente da República e acho que até por respeito por todas essas pessoas, exercer hoje o direito ao voto, essas pessoas só poderão fazer noutro momento, devemos fazê-lo com todo o nosso empenho, com todo o nosso respeito e solidariedade também. A democracia é importante, a dignidade das pessoas é também a dignidade do exercício do direito ao voto e não é a partir de Lisboa que se adiam eleições.
José Pedro Aguiar Branco defende que a lei é muito clara em relação às eleições e diz que confia nos autarcas para pedir ou não o adiamento do ato eleitoral.
E Carla, voltamos a Leiria. É um dos distritos mais afetados pelo mau tempo nestas últimas semanas. Está por lá o Luís Soares.
E precisamente até de acordo com aquilo que ia dizendo o presidente da Assembleia da República, cabe aos autarcas avaliar se há ou não condições para a realização do ato eleitoral. Em Leiria, decidiu-se que sim. Luís Soares está numa das freguesias de Marrazes e Barosa, para perceber exatamente como é que a população está a conseguir, apesar das dificuldades, decidir se é ou não importante ir votar no dia de hoje.
E a conclusão a que se chega, Carla, é que, de facto, a população considera que é mesmo importante vir votar, apesar de considerarem que há alguns constrangimentos, nomeadamente em zonas que possam ser mais rurais, menos urbanas, aqui do concelho de Leiria. Recordo que há apenas uma freguesia de Leiria em que a votação foi adiada para a próxima semana. Nas restantes freguesias, tudo decorre com normalidade, à exceção do fato de ter sido alterado o local de voto em algumas das freguesias. Por exemplo, e como estive logo de manhã, na Escola Secundária Francisco Rodrigues Lobo, é um local alternativo de voto, porque a escola D. Dinis, que fica a cerca de trezentos metros, teve graves danos provocados pela tempestade de há mais de dez dias e por isso, e já como tinha acontecido, de resto, também no voto antecipado da semana passada, a votação decorre nessa escola secundária e como verifiquei logo às primeiras horas do dia, com bastante afluência, com muita gente a entrar e a sair dessa escola secundária, com bastante afluência dentro daquilo que é o normal. Também aqui nesta escola básica José Matoso, é um local alternativo, porque o local habitual é a sede de agrupamento, que é um pouco mais recuado, mas também devido a alguns danos provocados pela tempestade, não foi possível realizar ali o ato eleitoral, sendo que as dezenove mesas estão aqui concentradas nesta escola básica, que é um pouco mais pequena do que a sede de agrupamento, em que as pessoas dispersavam um pouco mais. Aqui estão um pouco mais concentradas e por isso é possível ver muita gente a entrar e a sair desta escola, mas não é possível fazer propriamente uma comparação direta, uma vez que o espaço é diferente e não é possível comparar diretamente se há mais ou menos afluência. Mas tanto quanto é possível perceber e por aquilo que também me vão dizendo aqui as pessoas que vão entrando e saindo, aparentemente, tudo decorre com normalidade, com uma afluência mais ou menos normal, idêntica àquela que tem sido em outros atos eleitorais, apesar de ser difícil fazer essa comparação a nível espacial, porque, de facto, o local é bastante diferente. E, sobretudo, é essa a questão que aqui mais se faz sentir nesta região de Leiria, é a alteração de muitos locais de voto, porque muitas escolas ficaram danificadas por causa da tempestade Kristen e por isso houve essa necessidade de alterar muitos dos locais de voto. Assim sendo, esta votação continua com muita gente a entrar e a sair, nomeadamente esta escola básica José Matoso, em Marrazes, com muita gente também a votar. Chegam aqui à porta, veem qual é exatamente a sua mesa de voto através do nome que está aqui na lista logo aqui à entrada, percebem exatamente qual é a mesa e entram, vão à mesa e voltam a sair. É possível verificar e ver algumas pequenas filas nas entradas para essas mesas. Nada de muito grande, mas há sempre muita gente aqui a entrar e a sair e aquilo que me vão dizendo é, de facto, isso, que é importante vir votar, é importante exercer este direito, mesmo que possa haver algumas dúvidas sobre essa necessidade ou não de ter adiado ou não as eleições. Por um lado, há assim uma divisão. Há quem pense que, de facto, a eleição devia ter sido adiada. Há outros que pensam que não é necessário, uma vez que há condições para a realizar dentro daquilo que é as possibilidades destas zonas em que, de facto, há condições para que isso aconteça. Outro constrangimento que também acontece, mas aí mais nas zonas mais rurais, pode ser a falha de comunicações. Eu tenho andado aqui pelo concelho e também já fui até Pombal e é ainda possível perceber muitas dificuldades de comunicações móveis, nomeadamente nessas zonas de transição, digamos assim, entre os grandes aglomerados populacionais. E, portanto, é essa também uma das dificuldades para fazer chegar a informação a toda a gente das alterações das mesas de voto. Isso será certamente mais difícil nas zonas mais rurais, menos nas zonas mais urbanas, porque essas já têm acesso à comunicação. Mas naturalmente que se houver alguma mudança nas mesas de voto, nas zonas mais rurais, em que as comunicações ainda estão menos estáveis nesta altura, possivelmente haverá pessoas que poderão não ter essa informação e não perceber exatamente onde é que é o seu local de voto, se esse local tiver sido alterado. Esse é também outro dos constrangimentos, mas o facto é que há aqui alguma informação que vai circulando, o boca a boca e também a informação que é colocada nos locais anteriores e é colocado também essa informação do novo local de voto para que quem lá vá possa saber onde é que é o novo local de voto, como é o caso aqui em Marrazes.
E por isso, Luís Soares, a comunidade vai se organizando, vai passando a palavra e o que vais registando ao longo da manhã é que há muita gente a votar na região de Leiria. Ora, nesta altura a CNN está a falar com o porta-voz do LIVRE.
Já lá vamos, Carla, até porque há bocadinho dávamos conta da chegada de André Ventura à Escola Básica do Parque das Nações e, ao que parece, já exerceu o direito de voto Vamos tentar o contato com o nosso repórter, o Miguel Gato.
Miguel Gato, André Ventura já está pronto para poder falar aos jornalistas. Já saiu da zona da escola no Parque das Nações, em Lisboa, onde vota, e agora prepara-se exatamente para isso, para prestar as declarações.
Sim, Carla, faz-se agora um compasso de espera para as declarações do candidato apoiado pelo Chega. André Ventura prepara-se para falar aos jornalistas. Foi um processo rápido, exerceu o direito de voto diria em dois minutos. Não havia fila aqui na escola do Parque das Nações e neste momento faz-se então um compasso de espera. Vai falar agora André Ventura.
Votou de uma forma muito rápida. Está tranquilo, ansioso?
Muito tranquilo. Há sempre alguma ansiedade nestes dias de eleições. Estou muito tranquilo. Votamos rapidamente. Hoje é dia de se fazer a democracia e de fazer a democracia acontecer. Já votei, já cumpri esse dever. Espero que consigam por todo o país, que as circunstâncias estão muito difíceis, todos cumprir esse dever. No fundo, expressar a vontade de quem é que querem para o futuro e que tipo de país é que querem. É isso que está em decisão hoje, é isso que está em escolha hoje. E não é uma coisa de somenos, é uma coisa muito importante. Que tipo de país é que queremos? Se o queremos manter no rumo que tem tido, se queremos outro, é uma escolha. Os portugueses hoje terão que escolher.
Continua a achar que a eleição devia ser adiada?
Sim, eu não quero hoje alongar muito nisso, porque estamos em dia de votação. Já disse o que tinha a dizer. Acho que é um desrespeito enviar as pessoas e mandar as pessoas votar num dia como o de hoje, sobretudo tendo em conta o que aconteceu até ontem, nas últimas 24 horas.
Mas pode ter influência na abstenção.
Espero que não tenha, mas foi um desrespeito para as pessoas. E eu acho que há momentos em que nós políticos temos que dizer aquilo que pensamos, mesmo que isso não seja o mais consensual neste momento ou não. Também não sei se é o que vai ter mais impacto a nível da participação ou não. Acho que foi um desrespeito, porque tornou portugueses de primeira uns, portugueses de segunda outros. E hoje, sinceramente, acho que há em muitas partes do país, se calhar não aqui onde eu estou agora, mas se calhar há muitas zonas e muitas partes do país que se sentem desrespeitadas e sentem-se portugueses de segunda. Acho que isso não era correto. A partir do momento em que os poderes públicos decidiram que era assim, então nós temos que cumprir aquilo que são as designações dos poderes públicos e então eu espero que as pessoas participem dentro do que puderem, para não deixarem o futuro na mão dos outros. É isso que espero que aconteça hoje, porque é isso que fazemos neste dia, é não deixar o futuro na mão dos outros. Hoje é um dia muito importante para o nosso futuro coletivo e espero que não deixem na mão de outros essa decisão.
Como é que vai ser o seu dia hoje?
Vai ser muito simples. Agora seguirei para casa, depois vou à Igreja de São Nicolau, à missa às 19h15. Daí partirei para a sede da campanha, onde acompanhamos a campanha como na primeira volta ao longo da noite e onde posso acompanhar os resultados com mais detalhe, também em articulação com os nossos dirigentes, com os autarcas, e também acompanhar ao mesmo tempo o que se passa no país para lá da política, visto que se espera também uma tarde que pode ser algo difícil, embora hoje não seja o dia mais difícil, acompanhar também com os autarcas e com os poderes públicos o que se está a passar em matéria de cheias, de inundações, dificuldades. Portanto, é isso que vou fazer durante a tarde e continuar a acompanhar o que está acontecendo no terreno.
Mais ou menos ansioso do que na primeira volta?
Não sei. Igualmente ansioso. A primeira volta é uma eleição, digamos assim, mais fragmentada, mais disputada, gera outro tipo de ansiedade. Esta agora é o tudo ou nada, é a disputa final a dois. Talvez gere, digamos assim, mais intensidade emocional, mas estou muito tranquilo mesmo pela campanha que foi feita, pelo que aconteceu em termos de trabalho político, o que aconteceu ao país. Não me arrependo nada de ter mudado completamente o que tínhamos previsto, ter focado a campanha na tragédia que estava a acontecer em Portugal, fazer uma coisa diferente. Independentemente do que aconteça hoje, acho que a democracia ganhou e fico muito feliz com isso. Espero que hoje à noite, seja quem for o vencedor, o país possa contar com alguém que leve o país para frente, que mobilize o país e que traga para discussão as grandes causas que o país tem que discutir sem medo, sem receio de nada, sem politicamente correto, com firmeza. Acho que independentemente de quem vença, hoje o país precisa de um presidente da República diferente e com capacidade de olhar o país para o futuro. É isso que espero que aconteça.
Que mensagem é que tem hoje em concreto para os moradores que não conseguem votar?
De muita solidariedade, de que fiz tudo para que isto não acontecesse, de se sentirem hoje um pouco mais desrespeitados, de se sentirem cidadãos um pouco de segunda, e de toda a solidariedade e lhes dar a garantia, como já tinha dado nas primeiras intervenções, de que as eleições acabam hoje, mas a nossa preocupação, e quando digo nossa estou a envolver certamente o meu adversário também, a nossa preocupação não acaba hoje. Portanto, eles podem estar confiantes de que os votos terminam hoje e na próxima semana, mas aquilo que aconteceu em muitas partes do país é uma tragédia e nós vamos continuar a lá estar. Eu vou continuar a lá estar, nós vamos continuar a acompanhar, nós vamos fazer com que ninguém se sinta desrespeitado, mais do que, na minha opinião, já foi hoje desrespeitado com tudo isto que está a acontecer.
Gerir estas tragédias como a dos últimos dias será um dos grandes desafios do próximo presidente?
Sim, sem dúvida. Não quero dar aqui hoje, no dia eleitoral, grande margem para debate político, mas sem dúvida, acho que sim. Acho que perante o que está a acontecer, estou certo que eu e o meu adversário, um de nós será hoje Presidente da República, quer eu, quer o doutor António José Seguro, estou convencido de que hoje colocaremos como primeira prioridade, digamos assim, no imediato, o acompanhamento à reconstrução dos sítios, o acompanhamento das pessoas e dar voz ao seu sofrimento. Acho que é a missão que todos temos hoje, independentemente de quem ganhe. Agora, para todos é importante, nestas circunstâncias, mesmo tendo tido a posição que tivemos, não deixem para os outros a decisão, tomem a decisão e decidam por vocês próprios.
Muito obrigado a todos. As declarações de André Ventura, que apela ao voto, diz que qualquer que seja o resultado, a democracia ganhou se as pessoas assim o fizerem, se votarem hoje. Também lamenta o fato de a eleição não ter sido adiada por causa das várias tempestades que atingiram o território português. Diz que há portugueses que foram hoje desrespeitados e que a eleição deveria ter sido adiada, pelo menos para o próximo dia 15. De resto, diz que está tranquilo, independentemente do resultado que tiver hoje. André Ventura diz que está tranquilo, expectante também pelo resultado, mas com esse apelo natural para que os portugueses vão hoje às urnas votar no próximo presidente da República.
O Miguel Gato a acompanhar as declarações de André Ventura depois de ter votado. António José Seguro foi o primeiro dos dois candidatos que hoje vão a votos a fazê-lo, nas Caldas da Rainha, pouco depois das 10h. Agora com André Ventura, estão fechadas as votações dos candidatos que logo à noite vão estar a acompanhar os resultados eleitorais.
Precisamente. E no Liceu Gil Vicente, porque cá em Lisboa já votou Rui Tavares.
E falou com a CNN Portugal. Vamos recuperar essas declarações, essa entrevista que Rui Tavares faz aos jornalistas depois de ter votado.
Só no quadro de um debate parlamentar é que se poderia ter desencadeado um eventual estado de emergência, agora independentemente de se ele seria justificado ou não, que permitisse, ao mesmo tempo que se cumpria com a lei, adiar o ato eleitoral. Não sendo assim, estamos a cumprir a lei. Os autarcas que assim o decidirem, que se sentirem que nos seus conselhos não há condições para tal, podem adiar o ato eleitoral. E também a prova é que apenas um número reduzido de autarquias achou que era necessário fazê-lo. Respeitamos completamente essa decisão. Isso já aconteceu no passado. Toda a gente, pelo menos que é da minha idade, se lembra do tempo em que havia às vezes boicotes eleitorais. A noite eleitoral fazia-se como normalmente e depois contavam-se os votos dos conselhos ou freguesias restantes. E só aí é que teríamos os resultados completos.
Temo que haja aqui um nível elevado de abstenção, como algumas pessoas têm temido, relativamente também face às últimas presidenciais. Ontem o Presidente da República fez um apelo forte para que isso não acontecesse. Como é que foram as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa?
Face às últimas presidenciais, não sei se teremos uma abstenção assim tão forte, porque as últimas presidenciais também foram atípicas, elas foram em pandemia. Mas face ao que é normal em eleições presidenciais, temo, claro, que haja um aumento da abstenção e é por isso que faço um apelo ao voto. Votem por vocês, mas desta vez votem também por aqueles que querem votar e não podem votar.
Há muitos portugueses que só vão conseguir. Rui Tavares também aqui a falar aos jornalistas. E a tônica é óbvia, o apelo que todos os líderes partidários têm feito para que os portugueses se desloquem hoje às urnas para votar nesta segunda volta das presidenciais.
E Carla, voltou a diminuir o número de pessoas sem eletricidade em Portugal continental.
É uma atualização feita pela E-Redes que dá conta agora de 76 mil clientes sem luz em todo o território continental, sendo que 66 mil estão na zona da Depressão Cristina. É o que indica esta atualização. Ontem à noite, o presidente da E-Redes dava conta de 167 mil clientes sem luz. Entretanto, o número desceu, são agora 76 mil clientes.
Fechamos desta forma a edição do meio-dia com a Carla Jorge Carvalho.