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O Miguel Cordeiro. Vamos às notícias na Rádio Observador, edição do meio-dia com o Miguel Cordeiro. Miguel, começamos este jornal com mais uma morte: um trabalhador da E-Redes morreu eletrocutado enquanto fazia uma reparação na rede elétrica na zona de Leiria.
Esta informação é confirmada à Rádio Observador pela Polícia de Segurança Pública. Foi dado um alerta por volta das 10h para dois homens eletrocutados na Rua da Cismaria, na zona industrial da Cova das Faias. A morte de um homem, 37 anos, foi declarada no local, onde estavam o INEM e os bombeiros. O outro trabalhador, de 40 anos, ficou ferido e foi transportado para o Hospital de Leiria. Este caso já foi comunicado pela polícia à Autoridade para as Condições do Trabalho e à Polícia Judiciária. O corpo da 15ª vítima mortal das tempestades vai ser transportado para o Instituto de Medicina Legal de Leiria. De acordo com a Agência Lusa, uma fonte oficial da E-Redes confirma que os dois homens eletrocutados são funcionários da empresa Canas, que presta serviços à E-Redes.
Num novo balanço feito às 8h, ainda há 56 mil clientes da E-Redes sem energia.
Leiria é o distrito mais afetado, 36 mil pessoas sem acesso à energia. Em Santarém, há 8 mil clientes sem eletricidade. Em Coimbra e em Castelo Branco, são 2 mil clientes ainda sem energia em cada um destes distritos.
É uma situação que mereceu críticas por parte do presidente da Câmara de Leiria, que acusa a empresa E-Redes de estar em silêncio perante a quantidade de pessoas ainda sem eletricidade. Gonçalo Lopes acusa também a empresa de falta de liderança.
Críticas deixadas perante o microfone da Rádio Observador.
E-Redes é um apagão de comunicação e naturalmente compreendo que estejam empenhados no trabalho operacional, mas existem pessoas que querem saber o que se passa e quando voltam a ter energia. E nesse aspecto, a E-Redes tem muito a explicar ao país. Há um silêncio por parte da E-Redes, há uma falta de liderança sobre este processo, clara, inequívoca.
A posição do presidente da Câmara Municipal de Leiria para hoje está agendada uma vigília solidária pelas pessoas que ainda estão sem energia, mais de 10 dias depois da tempestade Cristina, uma vigília que vai acontecer em Leiria. A Proteção Civil diz que a última noite foi mais calma e destaca, para já, uma melhoria nas zonas inundadas.
O Instituto Português do Mar e da Atmosfera admite uma melhoria do estado do tempo no final da tarde de amanhã, mas na quarta-feira a chuva vai voltar e os avisos meteorológicos também.
Apesar desta noite mais calma, sem ocorrências registradas pela Proteção Civil, a chuva vai voltar e mantém-se até quarta-feira. Isto é o que explica a meteorologista do Instituto Português do Mar e da Atmosfera, Alexandra Fonseca. Diz que apesar deste regresso da chuva, no final da tarde de amanhã, vai haver uma diminuição.
Às 18h espera-se uma melhoria no que diz respeito à precipitação. E depois, para quarta-feira, nova passagem de uma nova ondulação frontal, que nos trará também precipitação, ainda sem avisos emitidos, mas com certeza serão emitidos ainda na tarde de hoje. Para este dia de quarta-feira, a diferença para os anteriores será a intensificação do vento. Teremos rajadas nas terras altas e também, por vezes, com rajadas no litoral.
A meteorologista diz também que a previsão do vento vai resultar, no máximo, em avisos amarelos por parte do Instituto Português do Mar e da Atmosfera.
José Sócrates nomeou uma nova advogada, é a quarta desde o início da Operação Marquês.
Sara Moreira, advogada que vai assumir a defesa do antigo primeiro-ministro no caso em que é acusado de 22 crimes, incluindo três de corrupção. José Sócrates deu entrada de um requerimento no tribunal. Esse requerimento indica que mandatou uma nova advogada. O ex-primeiro-ministro relembra neste documento enviado à juíza Susana Seca, que a nova advogada vai pedir tempo ao tribunal, tempo para rever todo o processo. Sara Moreira é a quarta advogada nomeada por José Sócrates, para além dos advogados oficiosos nomeados pelo tribunal.
António José Seguro foi eleito presidente da República e esta tarde tem uma reunião com Marcelo Rebelo de Sousa em Belém. Esta manhã, aqui na Rádio Observador, escutamos reações de diferentes partidos sobre as presidenciais. O PSD acredita que vai conseguir construir um caminho de tranquilidade democrática com o novo presidente.
O social-democrata Alexandre Poço diz que a vitória de António José Seguro é muito expressiva, incluindo vários espectros políticos e, portanto, acredita que o novo presidente eleito vai conseguir construir pontes de convergência.
Eu antevejo que possamos ir a ter um período de cooperação, um período de normalidade, de tranquilidade democrática. António José Seguro teve um grande apoio, naturalmente, de diferentes espaços políticos, inclusive do nosso. Por exemplo, se olharmos para os últimos resultados eleitorais das legislativas de cá há menos de um ano, é fácil de antever que uma parte significativa dos votos que António José Seguro teve são oriundos de partidos que não são da sua área política.
João Torres, socialista, também esteve esta manhã na Rádio Observador e defende que a vitória de Seguro é apenas e só pessoal. No entanto, alerta que os discursos contra o socialismo saíram derrotados nesta eleição. E perante isso, diz que o PS vai conseguir recuperar.
Eu acho que a recuperação do Partido Socialista é uma recuperação que já está a acontecer e vamos continuar a fazer esse caminho. Agora, esse discurso a que nós temos vindo a assistir ao longo dos últimos meses, ao longo dos últimos anos, e agora não só por parte de pessoas do CHEGA, de uma certa estigmatização do socialismo, como se em Portugal, esse discurso, eu penso que tem sido derrotado.
Declarações nesta manhã por parte de João Torres na Rádio Observador. Escutamos também Cristina Rodrigues, do Chega, que quis desvalorizar os números da vitória de António José Seguro e disse que preferia olhar para outro aspecto. Apesar da derrota, a deputada do Chega defende que 33% da votação em André Ventura é uma grande conquista para o líder do Chega.
O André Ventura não teve uma votação residual, teve a maior votação, aliás, que o Chega teve em eleições até agora. Acho que estes números são muito importantes. Se alguém foi responsável pelo resultado de António José Seguro, um socialista, foram todos os partidos do regime que se uniram para impedir a vitória de André Ventura e portanto é só a eles que cabe alguma responsabilidade.
Cristina Rodrigues, do Chega. Escutamos também Alexandre Poço, do PSD, e João Torres, do PS. Reações esta manhã na Rádio Observador à eleição de António José Seguro como novo presidente da República.
Em Penamacor celebra-se a eleição de António José Seguro, mas garante-se que apesar de ser o próximo presidente da República, vai continuar por ali a ser reconhecido como o Tozé.
E em Penamacor, Seguro venceu com perto de 82% dos votos. Dos cafés às papelarias, a grande maioria das pessoas mostra-se feliz com o resultado eleitoral e não é preciso procurar muito, João Gama, para encontrar quem conheça bem o próximo presidente da República.
É tema único em Penamacor, a eleição não do António José Seguro, mas sim do Tozé.
Sim, sempre o Tozé.
Fátima Silva acordou com as notícias da eleição do filho da terra. Mais no centro da vila, Paulo Leitão abre as portas do café O Arco, liga a televisão, que vai mostrando os destaques da noite eleitoral. Fiquei e estou superfeliz, nem que seja pelo fato de ele ser da minha terra. Em Penamacor, em cada esquina há quem conheça bem o novo inquilino do Palácio de Belém. E até posso dizer com algum orgulho que ele foi ao meu casamento. Joana Coruj entra para beber um café, tem poucos minutos antes de ir abrir a loja da Penha, uma loja cujo dono é António José Seguro.
É boa. Temos uma relação de empregado com patrão, inicialmente, depois tornámo-nos sócios.
Portanto, é sócia do Presidente da República.
É verdade.
Acha que o agora Presidente da República vai ter, se calhar, um pouco menos tempo para estar a atender a sua sócia?
Ele já não tinha.
Amigos, amigos, negócios à parte, António José não é o único Seguro que deixou marca em Penamacor. José Leitão está a sair da antiga papelaria do pai do novo presidente, Domingos Seguro, e só tem elogios a dizer.
O Tozé Seguro jogou muitos anos à bola comigo, grande jogador.
Avançado centro, não é?
Era. Ele à minha beira era um garoto. Tanto o pai como a família, toda a família Seguro, espetacular.
E depois de voz embargada e mãos agarradas a um chapéu de chuva, fala no orgulho que tem na sua terra.
Ter um filho que foi criado aqui com ele, estudou aqui e agora ser presidente da República, devia ser uma coisa estrondosa. E a vila de Penamacor está muito orgulhosa e está muito contente por ter um presidente da República aqui da nossa terra.
Terra de presidente da República, que não deixa de ser a terra do Tozé.
Penamacor passa a ter um filho da terra como presidente da República.
Um grupo de pais está a manifestar-se esta manhã à porta de uma creche na freguesia de Carnide, em Lisboa.
E denunciam maus-tratos a crianças por parte das funcionárias desta instituição, desta creche. O protesto acontece desde o início da manhã e já houve a presença da PSP, que confirma ao Observador que está a fiscalizar este espaço para tentar apurar se estas queixas, estas alegações, fazem sentido. A mesma fonte acrescenta que os pais já apresentaram queixa às autoridades. Há cartazes e fotografias nas mãos destes pais. Esses cartazes mostram imagens com marcas de agressões a crianças. Até ao momento, não é conhecida qualquer reação por parte da direção desta creche. Os pais exigem que o caso seja investigado.
Há outras notícias também em destaque a esta hora.
Hoje é dia de clássico futebol Clube do Porto e Sporting, Estádio do Dragão. O jogo pode relançar a luta pelo título. Este encontro está agendado para às 20h45. Tem relato em direto aqui na Rádio Observador, emissão que começa depois das 20h. Ontem, o Benfica jogou com o Alverca no Estádio da Luz e as Águias venceram por 2x1. Para fechar, protestos na Austrália contra a visita do presidente de Israel. Há registo de centenas de manifestantes reunidos pelas ruas de Sydney e relatos de confrontos com as autoridades. Estão contra a visita de Isaac Herzog, que está na Austrália para uma visita oficial de quatro dias. O presidente de Israel está no país para acompanhar a comunidade judaica depois do ataque antissemita de 14 de dezembro, na praia de Bondi, nos arredores de Sydney.