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Do meio-dia. Está a começar o Jornal do Meio-Dia, com a edição do Miguel Vieira. Miguel, a Polícia Judiciária está esta manhã a fazer buscas na Câmara Municipal de Albufeira.

Notícia avançada pela CNN Portugal. O visado é o novo presidente da autarquia, eleito pelo Chega. Rui Cristina é suspeito de crimes de discriminação racial e incitamento ao ódio. A acusação tem por base declarações do autarca Rui Cristina, em assembleia municipal, relacionadas com habitações para elementos da comunidade cigana. No mandado de busca emitido pelo Ministério Público de Évora, é ordenada a apreensão, por exemplo, de computadores. A PJ quer identificar mensagens e e-mails trocados pelo autarca de Albufeira, relevantes para a investigação em curso.

Isaltino Morais nega ilegalidades nas contas da autarquia de Oeiras, irregularidades alegadamente relacionadas com refeições.

Sim, o presidente da Câmara Municipal é acusado pelo Ministério Público de ter desviado €150 mil para refeições, álcool e tabaco. De acordo com a investigação, Isaltino Morais e outros 22 funcionários da autarquia terão feito estes gastos em mais de 1400 refeições pagas pela autarquia. Almoços que ultrapassam, em muitos casos, 900 €. Para o autarca, refeições fora fazem parte do dia a dia da autarquia.

Estamos a falar dos ditos almoços de trabalho. Obviamente que há almoços de trabalho todos os dias, ou se não é todos os dias, com alguma frequência. Reuniões que se prolongam até às 16h e nessa altura vai-se almoçar. Quanto a bebidas alcoólicas, o vinho é álcool, de facto, são refeições normais, não se vai dizer a uma pessoa "não bebe vinho". Agora, o que é importante saber é o seguinte: o que são estas refeições? Estas refeições fazem parte da atividade administrativa normal de uma Câmara Municipal do dia a dia.

É o que disse Isaltino Morais aos jornalistas esta manhã, junto à Câmara Municipal de Oeiras, um registo captado pela RTP. Os arguidos são acusados dos crimes de peculato e abuso de poder. O Ministério Público considera que estes gastos decorrem de uma atuação em flagrante delito, uma grave violação de deveres. A autarquia de Oeiras já tinha também rejeitado qualquer ilegalidade num comunicado enviado às redações.

E o Banco de Portugal reviu em baixa o crescimento da economia para este ano.

Uma consequência da guerra no Médio Oriente, o Banco de Portugal espera que a economia portuguesa cresça este ano 1,8%, quando em dezembro antecipava um crescimento do PIB de 2,3%. A influenciar esta revisão em baixa de 0,5 pontos percentuais, o aumento do preço da energia e a expectativa de subida das taxas de juro.

Fatores, Miguel, que devem contribuir também para uma subida generalizada dos preços.

É isso que se espera. O Banco de Portugal prevê uma subida da inflação de 2,8%, mais 0,7 pontos percentuais face à última estimativa. Sendo que há também uma revisão em alta da inflação para 2027. A nova previsão aponta para um valor de 2,3%, mais 0,3 pontos percentuais em relação à previsão de dezembro.

E face à conjuntura mais negra, Miguel, o setor da agricultura e também da distribuição voltaram hoje a pedir mais apoios do governo.

O secretário-geral da CAP, Luís Mira, a Confederação dos Agricultores de Portugal, por exemplo, pede uma descida mais acentuada do imposto sobre produtos petrolíferos. O desconto em vigor determinado pelo governo, diz Luís Mira, não chega.

Foi uma medida muito minimalista, porque o gasóleo aumentou €0,42 e a diminuição do imposto foram €0,03. Isso não é nada. A agricultura portuguesa necessita de 1,250 milhões de litros por dia. Isto tem um custo, com os €0,40 em cada semana, de 2,5 milhões de euros a mais. Não pode ser a produção a suportar isto.

Luís Mira, secretário-geral da CAP, no "Explicador" desta manhã, em que foi convidado também o diretor-geral da Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição, a APED, Gonçalo Lopes Xavier, considera que são necessárias mais medidas para não perder competitividade face a Espanha, que anunciou recentemente um pacote de ajuda no valor de 5 mil milhões de euros.

Esta perda de competitividade com a Espanha, tenho que concordar. Nós não podemos continuar a ter outros mecanismos mais fracos face ao nosso principal concorrente.

É isso que diz o secretário-geral da APED, a associação que representa o setor da distribuição. Foram convidados do "Explicador" desta manhã, a pretexto da escalada dos preços dos combustíveis, por causa do conflito no Médio Oriente. Agricultores e distribuidores asseguram que à data de hoje não há risco de escassez de qualquer produto.

E Miguel, como está hoje a cotação do petróleo e do gás?

O petróleo continua abaixo da barreira dos $100. Está a ser negociado a esta hora o Brent a $94,48, é o Brent que serve de referência para Portugal. Quanto ao gás, o gás TTF dos Países Baixos, que é referência para Portugal e para os demais países da União Europeia, está a ser negociado a 54 euros. Já atingiu os 55 esta quarta-feira, baixou entretanto, mas parece mais estável o preço do gás depois de um aumento substancial da cotação.

E o Ministro da Economia está disponível para adiantar verbas das autarquias para que as câmaras municipais possam avançar com obras urgentes nas infraestruturas mais afetadas.

Disponibilidade manifestada durante uma audição no Parlamento. O ministro disse também que o processo de apoio aos proprietários de casas afetadas pelo mau tempo continua bastante atrasado, uma preocupação que Manuel Castro Almeida já havia expressado no início do mês. À data de hoje, a razão do atraso continua a ser a mesma: a demora na avaliação dos estragos que as autarquias têm de fazer.

No caso das casas, o processo está bastante mais atrasado O número de pessoas que receberam apoios é ainda muito pequeno face ao número de pedidos, que excede hoje 20 mil pedidos. O que está a acontecer é que as pessoas fazem o pedido eletronicamente, o pedido é automaticamente dirigido ao município respetivo, o município faz a sua avaliação e manda automaticamente para a comissão de coordenação.

O Ministro da Economia, Manuel Castro Almeida, ouvido esta manhã no Parlamento, continua a sublinhar esta dificuldade, o atraso na avaliação dos danos provocados pelo mau tempo, que tem como consequência um atraso também na atribuição de apoios.

Meio-dia e oito, seguimos com a notícia da morte de José Maria Ricciardi.

Antigo administrador do Banco Espírito Santo, figura central na denúncia de más práticas com o antigo presidente do BES e primo, Ricardo Salgado. Em entrevista ao Observador acusou, por exemplo, Ricardo Salgado de o ter tentado silenciar. Miguel Horta e Costa, antigo administrador do BES, ouvido esta manhã aqui na antena do Observador, recorda o amigo de infância, um homem de causas e lutador.

José Maria para mim era um homem de causas. É um homem que se entregava com um enorme amor e paixão àquilo em que acreditava. Era uma pessoa exigente, com muita ambição. Era um lutador. Aliás, nesta última fase da sua vida triste, a lutar contra o câncer. Aí também se manifestou dessa sua faceta de ser um lutador.

Miguel Horta e Costa a recordar José Maria Ricciardi.

Também conhecido por ter uma forte ligação ao Sporting Clube de Portugal.

Era sobrinho-neto do sócio-fundador do clube, José Alvalade, foi membro do Conselho Fiscal em seis direções diferentes de 1995 a 2013. Em 2018 foi candidato à presidência do clube. Perdeu as eleições para o atual líder leonino, Frederico Varandas. Dias Ferreira, histórico dirigente e também candidato à presidência do Sporting, recorda o amigo que hoje partiu, com quem teve muitas discussões sobre o clube do coração.

José Maria Ricciardi era um dos grandes amigos que eu tinha e que eu conheci no Sporting Clube de Portugal e que apreciava muito o seu sportinguismo. Efetivamente, ele era muito emocional a discutir qualquer coisa e por isso muitas vezes as nossas discussões eram de dois emocionais a discutir o Sporting, dois sportinguistas a discutir emocionalmente o Sporting. E às vezes a gente ultrapassava aquilo que era legítimo ou aquilo que era lícito entre dois amigos. Portanto, tivemos algumas discussões, mas o que permaneceu sempre foi uma boa relação, uma boa amizade.

Dias Ferreira, a memória que guarda de José Maria Ricciardi. Morreu hoje aos 71 anos.