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Observador. As notícias com o jornalista Miguel Vieira. Miguel, a Polícia Judiciária deteve uma médica por prescrição de Ozempic a falsos diabéticos. O SNS pode ter sido lesado em mais de € 3 milhões.
Assim é, precisamente. A notícia é conhecida a esta hora. A endocrinologista Graça Vargas é suspeita de conduzir um esquema fraudulento de prescrição indevida de medicamentos antidiabéticos usados para perda de peso. De acordo com a investigação denominada Obelix, a médica simulava que os pacientes eram diabéticos para que dessa forma pudessem obter medicamentos comparticipados pelo Estado. Graça Vargas é investigada pelos crimes de burla qualificada e falsidade informática. Para além da endocrinologista, estão também sob suspeita uma outra médica e um advogado. Em comunicado, a Polícia Judiciária adianta que as buscas visaram a casa dos principais suspeitos, um escritório de advogados, um estabelecimento de saúde e a sede de duas empresas em Albufeira e no Funchal, que tudo leva a crer serem empresas de fachada, bem como gabinetes de contabilidade em Santa Maria da Feira e Lousada. O volume de prescrições chamou a atenção das autoridades. A endocrinologista terá registrado prescrições superiores a €9,7 milhões. O SNS suportou mais de €3 milhões em comparticipações, o que representa mais de 65 mil embalagens dispensadas a quase 2 mil utentes.
Seguimos com mais um caso de Justiça, Miguel. Duas funcionárias do Ministério da Saúde foram detidas por suspeita de inscreverem no Serviço Nacional de Saúde milhares de imigrantes ilegais.
De acordo com o comunicado da Polícia Judiciária, em causa está um esquema de corrupção que passava precisamente pela atribuição indevida de números de utentes a milhares de estrangeiros em situação ilegal no país, a troco de contrapartidas financeiras para as duas funcionárias administrativas da Unidade de Saúde Familiar de Laços, em Ovar. As duas mulheres, de 40 e 54 anos, são suspeitas dos crimes de corrupção passiva, auxílio à imigração ilegal e falsidade informática. O processo decorre na Polícia Judiciária do Centro, insere-se na operação Gamerra, que já levou anteriormente à detenção 16 pessoas e à constituição de 26 arguidos. Entre os arguidos estão sete empresários, uma advogada e uma funcionária da Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas.
António José Seguro defende que o país precisa ser implacável contra a imigração ilegal, Miguel.
Reage desta forma, precisamente, a esta notícia da detenção de duas funcionárias do Ministério da Saúde por suspeita de inscrição no SNS de milhares de imigrantes ilegais. Para António José Seguro, casos como este não podem acontecer.
Claro que é grave, trata-se de um crime. Eu sou contra a imigração ilegal e sou a favor de uma imigração legal, organizada, com integração, com acolhimento. Os imigrantes são indispensáveis para o crescimento da nossa economia, para os contributos que dão na Segurança Social e, portanto, temos que ser implacáveis contra o crime, designadamente contra a imigração ilegal.
O candidato a Belém defende que Portugal precisa de uma imigração legal, organizada, com integração e acolhimento.
António José Seguro respondeu também sobre as buscas que aconteceram ontem à TAP, mas em poucas palavras.
À Justiça, o que é da Justiça.
É a Justiça a funcionar e eu espero que a Justiça funcione bem. Para os comentadores, na minha opinião, é muito simples: Portugal é um Estado de direito e tem que em todos os momentos ser eficiente nas suas investigações e ser implacável com quem comete crimes.
António José Seguro, no final de uma ação de pré-campanha no Montijo. As buscas que aconteceram ontem levaram à constituição de quatro arguidos, duas empresas, duas pessoas singulares. Na mira dos investigadores, uma operação realizada durante a privatização da empresa em 2015, mas também o período em que a TAP teve gestão privada, ou seja, até 2019.
E também hoje João Cotrim Figueiredo reagiu às buscas na TAP. O candidato a Belém diz que a investigação prova que a companhia aérea já devia ter sido privatizada há mais tempo.
É isso mesmo que diz o candidato à Presidência da República, apoiado pela Iniciativa Liberal.
Pergunta a alguém por que demora 10 anos até que apurar. Essa é a primeira questão. A segunda, talvez ainda mais importante e de fundo, é que seja qual for o ilícito e seja qual for o infrator nesta matéria, há de ser apurado rapidamente e devidamente responsabilizado. Em segundo lugar, acho que isso só prova que a privatização já devia ter ocorrido há mais tempo, porque este tema que estamos aqui agora a discutir tem a ver com uma privatização que só teve que ocorrer porque estava nas mãos do Estado uma empresa que estava a dar prejuízos que o contribuinte não conseguia suportar.
João Cotrim Figueiredo, em declarações aos jornalistas, hoje em Lisboa, junto à estação ferroviária de Belém.
A TAP voltou aos lucros no terceiro trimestre deste ano. A empresa conseguiu um resultado positivo de € 126 milhões.
Uma subida de 14,5% face ao mesmo período do ano passado. Ora, segundo a empresa, a contribuir para este resultado, um dos verões mais movimentados dos últimos anos. Já quanto aos primeiros nove meses do ano, o resultado recuou 35%. Até setembro, a TAP teve um total de € 55 milhões de lucros. Os resultados são conhecidos um dia depois dessas buscas à empresa por suspeitas de vários crimes relacionados com a privatização em 2015. Tal como já aqui demos conta, foram constituídos quatro arguidos.
Mudamos agora de tema, Miguel. O UGT guarda com expectativa o diálogo com o governo, mas esse diálogo ainda não começou.
Foi o que disse hoje o secretário-geral da Central Sindical, Mário Mourão. Esteve reunido com os grupos parlamentares do PS e também do CHE, esta manhã, para expressar as preocupações do UGT face ao anteprojeto do governo que altera as leis laborais. No final da reunião com os deputados do PS, Mário Mourão disse que ainda está à espera que o governo entre em contacto com a Central Sindical, com essa greve geral no horizonte a 11 de dezembro.
Expectativa de diálogo, de compromisso Não sei se é isso que vamos encontrar do outro lado. Sinceramente, depois destes dias muito agitados sobre o anteprojeto, num anteprojeto que tem mais de 100 artigos para rever, 10 ou 12 artigos é um documento muito inócuo daquilo que são as propostas que a UGT quer ver discutidas e quer fazer compromissos e que, até agora, da parte do governo, essa disponibilidade não surgiu. Vamos ver.
Diz Mário Mourão, em tom de lamento. Às 15h, os dirigentes da UGT vão estar reunidos com deputados do Livre.
01h09, Miguel Vieira, é tempo de olharmos para outras notícias que estão a marcar esta tarde de quarta-feira?
A Inspeção-Geral das Atividades em Saúde abriu um processo para esclarecer a morte de um feto após assistência a uma grávida em Coimbra. A informação enviada à Agência Lusa e IGAS adianta que o processo foi instaurado por despacho do Inspetor-Geral a 12 de novembro, depois de notícias divulgadas nos primeiros dias do mês sobre este caso, que ocorreu na Maternidade Daniel de Matos. A IGAS vai avaliar os factos relacionados com o acompanhamento prestado à mulher em final de gestação na Unidade Local de Saúde de Coimbra. Já é conhecido o vencedor do Prêmio Leia deste ano. Foi distinguida a escritora Carla Pais, com o romance "A Sombra das Árvores no Inverno". O presidente do júri, Manuel Alegre, destaca a elegância da escrita, a abordagem a situações problemáticas e confusas na Europa, sobretudo decorrentes da imigração oriunda de África e Próximo Oriente. Carla Pais nasceu em 1979, vive em Paris, tem outros romances publicados, o último, "Um Cão Deitado à Fossa".
E é com cultura que fechamos este jornal da 13h, foi o jornalista Miguel Vieira e a atualização de notícias. Ficamos por aqui neste jornal da uma da Rádio Observador.