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Uma da tarde. Está a começar o Jornal da Uma, com a edição do Luís Soares. Luís, o primeiro-ministro justifica as auditorias à Polícia Judiciária com a necessidade de desfazer todas as dúvidas sobre o que foi feito nos últimos anos.

Declarações de Luís Montenegro, esta manhã em Fafe, onde se pronunciou pela primeira vez sobre as averiguações relativas a contratos celebrados para a realização de obras, na altura em que Luís Neves era diretor nacional da Polícia Judiciária. O Ministério da Justiça determinou a realização de uma auditoria da Inspeção-Geral dos Serviços de Justiça à PJ e também uma avaliação interna à liderança exercida por Luís Neves, enquanto diretor nacional da instituição. Em declarações aos jornalistas, Luís Montenegro sublinha que as auditorias servem para isso mesmo, para credibilizar as entidades públicas.

E eu espero que todos entendam que é precisamente tirando a limpo tudo aquilo que são situações que têm vindo a público, que nós podemos credibilizar as instituições e a vida do país. Honestamente, eu creio que estamos numa altura da nossa vida, enquanto comunidade, em que devemos ver as coisas com um espírito um pouco mais consensual. Eu creio que o que seria estranho era que não houvesse fiscalização, que não houvesse auditorias cujo objetivo é clarificar.

Reação de Luís Montenegro ao anúncio da auditoria à Polícia Judiciária, que terá como objeto a atuação de Luís Neves, atual ministro da Administração Interna, quando era diretor nacional da Polícia Judiciária.

E a ministra da Justiça garante que o objetivo das investigações à atuação da Polícia Judiciária é proteger a instituição. Rita Alarcão Júdice assegura que esta é a forma natural de atuação.

E que não está em causa a investigação de um ministro por parte de outro ministro. Em declarações aos jornalistas, à entrada para uma cerimónia na sede da PJ em Lisboa, Rita Alarcão Júdice garante independência nestas averiguações.

Não está em causa a investigação de um ministro por outro ministro. Não está em causa a averiguação político-pessoal de uma determinada pessoa. O que está aqui em causa é a averiguação, uma auditoria administrativa a uma determinada matéria no âmbito da Polícia Judiciária, que será verificada e que será analisada. Aliás, é um procedimento normal dentro das instituições democráticas e dentro do funcionamento do Estado.

Esta posição não deixa de ser desconfortável para si?

Eu não tenho esses estados de alma. A minha preocupação é defender as instituições, defender a Polícia Judiciária, que é uma entidade essencial do funcionamento do Estado. É essencial que a confiança que os portugueses têm e continuam a ter na Polícia Judiciária seja mantida e inatacável.

Admito que ficou fragilizada.

E por isso, é muito importante que essas entidades sejam auditadas e sejam verificadas, como aliás, é natural que assim seja.

A garantia da ministra da Justiça, Rita Alarcão Júdice, que, no entanto, não se compromete com nenhum prazo para o fim destas averiguações.

Já o diretor nacional da Polícia Judiciária, Carlos Cabreiro, garante que todas as responsabilidades vão ser apuradas.

Sejam elas internas, sejam individuais e independentemente das pessoas, assegura Carlos Cabreiro.

Estamos a falar de investigações que têm o seu ritmo. Algumas que são de índole interno, outras que correm termos em investigações criminais, como sabem e como é do vosso conhecimento, há também uma investigação a decorrer no Ministério Público. E é algo que se irá apurar nesse inquérito. Todas as responsabilidades, quer internas, quer individuais.

Independentemente das pessoas.

Independentemente das pessoas.

O diretor nacional garante ainda que, apesar das notícias que têm vindo a público, a Polícia Judiciária não fica manchada porque, diz Carlos Cabreiro, é uma instituição com provas dadas.

Voltamos agora às declarações do primeiro-ministro em Fafe, onde Luís Montenegro também considerou naturais os reparos do Presidente da República sobre os incêndios.

António José Seguro, que exigiu este fim de semana ao governo que seja mais eficaz na prevenção dos incêndios, mas também que cumpra as promessas feitas em anos anteriores. Luís Montenegro afirma que o governo está a investir na prevenção dos incêndios e explica também que respeita a opinião manifestada pelo chefe de Estado.

Todos têm um dever de contato permanente com as pessoas, com a sociedade, com a comunidade. E o senhor presidente da República, naturalmente, independentemente do conteúdo das conversas que nós temos todas as semanas, como diz, tem também a competência e a responsabilidade de falar com o país, como faz também o primeiro-ministro. E, portanto, só podemos ver isso com muita naturalidade, com muito respeito e, francamente, com muita convergência também de posições.

O primeiro-ministro recorda que o executivo tem mudado a estratégia para enfrentar os fogos. Nestas declarações aos jornalistas em Fafe, o primeiro-ministro sublinhou também que Portugal atravessa uma boa fase e promete que o país vai superar outra vez as expectativas económicas este ano.

E precisamente sobre os incêndios, os autarcas de alguns dos conselhos mais afetados pelos fogos nas últimas semanas alertam para a existência de prejuízos avultados e pedem uma maior aposta na prevenção.

Desde logo, na Guarda, o incêndio do final do mês passado pode ter provocado prejuízos de até um milhão de euros, um valor avançado à Rádio Observador pelo presidente da autarquia. Sérgio Costa volta a criticar a forma como o combate foi feito. O autarca independente considera que com uma resposta mais eficaz, os prejuízos hoje poderiam não ser tão elevados.

Estamos a falar no montante provisório que poderá chegar até um milhão de euros, que foi o prejuízo deste incêndio. É uma verba avultada. De fato, os incêndios quando não se consegue, pelas mais diversas razões Não se consegue debelar logo à cabeça, logo no seu início, quando começa a alastrar, é nisto que resulta em imensos prejuízos.

Sérgio Costa, o presidente da Câmara da Guarda, em Mirandela, um concelho também muito afetado por um outro incêndio. Também há prejuízos, sobretudo para os agricultores, apesar de ainda não haver uma contabilização oficial. Ouvido também pela Rádio Observador, o autarca eleito pelo PS, Vítor Correia, concorda com o presidente da República: é preciso aprender com as lições do passado.

Nós temos que perceber por que o terreno, por que algumas questões não são devidamente tratadas. Nós sabemos que há muito abandono das terras por várias razões, porque não há garantia de rentabilidade da produção, mas quem não trata as terras, se não trata as terras, pode efetivamente vendê-las, cedê-las, alugá-las a quem as pode tratar. Portanto, isso pode ser aqui também uma das formas de nós ultrapassarmos isso.

Presidente da Câmara de Mirandela, onde o incêndio do mês passado consumiu mais de 5 mil hectares. O presidente da República exige ao governo que seja mais eficaz na prevenção e que cumpra as promessas feitas em anos anteriores.

E a Rússia acusa a Ucrânia de ter levado a cabo um ataque terrorista, em causa o ataque com drones, que provocou a morte de 13 pessoas.

A Rússia abriu mesmo uma investigação sobre este ataque. O Ministério Russo da Defesa explica que as defesas aéreas conseguiram interceptar mais de 450 drones ucranianos em 16 regiões russas, entre as quais Moscovo e a Crimeia. Moscovo considera que se tratou de um ataque terrorista, confirmando que foram atacadas áreas residenciais e que entre os mortos há, pelo menos, uma criança. Entre os 13 mortos, há também meia centena de feridos. De acordo com as autoridades ucranianas, o ataque teve como alvo instalações industriais e também civis.

Uma hora e sete minutos. Luís, que outras notícias vão marcando a atualidade?

As primeiras-ministras de Itália e da Dinamarca criticaram hoje o que classificaram de imigração descontrolada para a Europa e relacionam este fenómeno com o aumento da criminalidade e da violência sexual. Defendem ainda um aumento do número de deportações. As duas chefes de governo acrescentam que os cidadãos esperam ações concretas para mitigar os efeitos deste problema. A Ordem dos Médicos pede a simplificação urgente dos procedimentos do Registro Nacional de Utentes, que têm obrigado os utentes a ir atualizar dados aos centros de saúde para não perderem comparticipações. Em comunicado, a Ordem dos Médicos manifesta-se preocupada com essas exigências e pede à Administração Central do Sistema de Saúde e também aos serviços partilhados do Ministério da Saúde que simplifiquem os processos, sublinhando que a atualização de dados não pode tornar-se numa barreira burocrática. Ainda Europeus de Atletismo, as portuguesas Auriol Dongmo, Jécica Enxun e Eliana Bandeira já estão qualificadas para a final do lançamento do peso. As provas estão a decorrer em Birmingham, na Inglaterra. A final destas provas realiza-se já hoje, a partir das 19h.

Boa sorte às atletas portuguesas no fecho deste Jornal da Uma.