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Com Miguel Vidara. Jornal das duas. Miguel Vidara, o Primeiro-Ministro marca presença na reunião agendada para esta hora, que vai juntar a presidente da Câmara de Coimbra, a ministra do Ambiente e o secretário de Estado da Proteção Civil.

Para em conjunto perspetivarem as próximas horas, sendo que a autarca de Coimbra, Ana Abrunhosa, já esteve há pouco reunida com responsáveis pela Agência Portuguesa do Ambiente. É que, apesar de não se terem confirmado os receios de grandes inundações na baixa de Coimbra na última noite, Luís Soares, agora aqui em direto da cidade dos estudantes, a verdade é que os riscos permanecem.

Os riscos permanecem e daí esse alerta mantido pela Câmara de Coimbra. Antes mesmo desta reunião que vai acontecer aqui no Comando Sub-regional da Proteção Civil de Coimbra e que vai contar com essa presença, que não estava nos planos, do Primeiro-Ministro e também ministro da Administração Interna em funções. Luís Montenegro há de chegar, entretanto, aqui ao Comando Sub-regional. Ainda não chegou. De resto, tanto quanto consegui perceber, Ana Abrunhosa também ainda não chegou, assim como outros responsáveis que virão, como a ministra do Ambiente e o secretário de Estado da Proteção Civil, para um ponto de situação, para perspetivar aquilo que serão as próximas horas, tendo em conta aquilo que se esperava para o dia de hoje e que acabou por não se confirmar, com a eventual inundação da baixa de Coimbra, a baixa do Mondego, mas com o facto de não ter chovido tanto, com o facto da barragem de Aguieira poder ter descarregado menos do que estava previsto e de forma mais controlada, foi possível que, ao longo do dia, as coisas tivessem corrido melhor do que aquilo que era esperado e não foi emitida qualquer indicação para evacuar nenhuma localidade ribeirinha, daquelas que estavam previstas no dia de ontem. Estava previsto que pudessem ser retiradas 9000 pessoas de casa. Ainda assim, as autoridades continuam em alerta máximo, porque, efetivamente, continua a chover. De resto, na última hora, caiu um grande aguaceiro aqui em Coimbra, até acompanhado de algum granizo. Isto tem sido mais ou menos assim ao longo de todo o dia. Ora há um raio de sol, como neste precisamente acaba de acontecer, ou então, a seguir, cai um grande aguaceiro durante alguns minutos. Tem sido assim ao longo de toda a manhã, mas ainda assim não é uma chuva persistente como se podia temer e que acabaria por prejudicar também o próprio fluxo do Mondego e também aquilo que é o débito depois da Ponte do Açude, permitindo, por outro lado, que a água do Mondego possa continuar, ainda que com força e fora das margens em alguns locais, a evoluir. O certo é que hoje houve já uma reunião técnica da Agência Portuguesa do Ambiente para avaliar e para preparar também este dia. E agora haverá também esse ponto de situação para perceber exatamente como é que podem evoluir as próximas horas, com essa nota de que o Primeiro-Ministro irá também marcar presença. Aguardamos que Luís Montenegro chegue aqui ao Serviço Regional da Proteção Civil nos próximos minutos.

Sugeria, Luís, que ficasses com a via aberta para, caso o Primeiro-Ministro faça alguma declaração à chegada ao Comando Sub-regional da Proteção Civil, para nos poderes dar conta dessa declaração de Luís Montenegro. Luís Soares é o jornalista do Observador que está por estes dias em Coimbra a acompanhar os efeitos do mau tempo, com esta preocupação grande em torno da subida do caudal do Mondego.

Em Montemor-o-Velho, há preocupação em relação ao possível reventamento de diques que podem trazer consequências graves a duas localidades.

A própria vila de Montemor-o-Velho e Vila Nova da Barca. De acordo com o autarca de Montemor, José Veríssimo, ouvido aqui na antena do Observador, ambas as localidades estão em risco.

Neste momento, temos o periférico direito que está com um caudais muito grande, muito grande, inclusivamente a estrada 111 está cortada e passa por uns diques aqui junto à vila de Montemor-o-Velho e junto a uma povoação que é Vila Nova, que é a Barca. Ou seja, um desses diques, se colapsa, pode meter em causa todas essas pessoas.

O presidente da Câmara explica que nem todos os habitantes destas localidades abandonaram as casas e mesmo que a situação esteja agora mais calma, avisa o autarca, tudo pode mudar rapidamente.

Nós tentámos salvaguardar as pessoas. Algumas saíram, outras não saíram, mas estão todas avisadas, estão de pré-aviso. Temos todas as forças de segurança aqui no local. Neste momento as coisas, felizmente, estão a correr dentro da normalidade, mas como os caudais são muito grandes, poderá haver um colapso de um momento para o outro.

Motivo de preocupação para José Veríssimo, presidente da Câmara Municipal de Montemor-o-Velho, ouvido aqui na Rádio Observador.

A Proteção Civil admite que os problemas ligados ao mau tempo são menos gravosos, mas o risco ainda não passou.

Sim, há ainda um perigo significativo de cheias e deslizamentos de terra Nos locais mais afetados pela precipitação, com destaque para Coimbra, que é dos locais, como já aqui sublinhámos, que inspira mais preocupação. No briefing diário na sede da Proteção Civil, o comandante nacional Mário Silvestre lembrou que a chuva continua sem dar tréguas e os solos estão, por isso, muito saturados. E assim não é altura para baixar os braços, diz Mário Silvestre.

Não estamos, de alguma forma, a dizer que não vamos ter problema. Estamos a dizer que neste momento, e com base naquilo que aconteceu durante a noite, temos aqui uma situação um pouco mais estável, menos gravosa, mas o risco de podermos ter que vir a evacuar a zona baixa de Coimbra mantém-se até o final do dia de hoje. E, portanto, estão alerta todas as pessoas que nos ouvem para manterem os seus comportamentos de uma forma segura e anteciparem esses problemas.

Sendo que Mário Silvestre sublinha que não está descartada a possibilidade de evacuações na zona baixa da cidade de Coimbra.

E não é só em Coimbra e na zona do rio Mondego que há ainda um risco significativo de inundação.

Sim, também no rio Tejo, no Sorraia e no rio Sado. São estes os rios que têm uma situação mais complexa. Toda a atenção é pouca, diz a Proteção Civil. Mas a partir de amanhã, com a previsível melhoria do estado do tempo, as boas notícias podem começar a chegar com mais regularidade.

A nossa perspectiva é exatamente tenhamos a capacidade para aliviar todas as medidas que temos a partir do final de sábado, domingo, porque mais uma vez referimos que a água que vai da precipitação vai chegar às barragens, não no momento em que chove, mas posteriormente. E portanto, é uma situação que iremos continuar a monitorizar e a acompanhar, e iremos continuar a manter a população informada relativamente a essa situação.

Expectativa da Proteção Civil para os próximos dias.

Antes de seguir esta tarde para Alcácer do Sal, o secretário-geral do PS esteve de manhã em Almada, onde visitou a zona de Porto Brandão, que foi afetada por graves deslizamentos de terras.

Esteve no terreno acompanhado pela presidente da Câmara Municipal de Almada, Inês de Medeiros, com membros da Proteção Civil e com Bombeiros Voluntários da Trafaria. O líder do PS acusou o governo de abandonar os autarcas, acusa o executivo de insensibilidade.

E o governo não pode deixar ficar uma autarca sozinha com esse problema nas mãos. Só um governo insensível é que pode deixar uma presidente de Câmara sozinha numa situação desta natureza. As pessoas estão em estresse. A presidente de Junta de Freguesia, a presidente da Câmara, as pessoas que estão a viver este drama pessoal, familiar, famílias que se sentem literalmente abandonadas e, portanto, o meu apelo é um apelo ao governo para que coloque aqui uma equipa, que tenha pessoas da psicologia, tenha pessoas da Segurança Social.

O apelo feito por José Luís Carneiro, que pede garantias para a reconstrução das habitações afetadas pelo aluimento de terras.

O PS, que rejeita as acusações de ter interrompido o projeto para a barragem de Girabolhos, em Seia, por questões ideológicas.

A acusação foi feita pelo ministro da Agricultura, José Manuel Fernandes. O projeto da barragem de Girabolhos é visto como preponderante para conter as cheias na bacia do Mondego, mas só vai avançar agora, apesar de estar projetada a obra há vários anos. Nos últimos dias, o ministro da Agricultura acusou o PS de ter posto a iniciativa na gaveta por causa do acordo com as esquerdas no primeiro governo de António Costa. O Partido Socialista defende-se, rejeita as acusações de extremismo. O líder parlamentar Eurico Brilhante Dias falou há pouco aos jornalistas sobre este tema na Assembleia da República. Uma declaração escutada pelo jornalista Miguel Viterbo Dias. Miguel, agora aqui em direto, que justificação dá o PS para o projeto, afinal, não ter avançado em 2015?

Coloca as culpas nos privados, neste caso na Endesa, que era a empresa concessionária desta barragem, que desistiu da construção desta infraestrutura. Ainda assim, Eurico Brilhante Dias confirma essa existência de um acordo com o Partido Ecologista Os Verdes para a revisão do Plano Nacional de Barragens, mas diz que esta, em específico, ficou fora desse acordo com os Verdes.

Não era com o Bloco de Esquerda nem com o PCP, era com o Partido Ecologista Os Verdes. E aquilo que foi considerado, havia questões que se levantavam desde o ponto de vista ambiental, mas o plano de revisão era estritamente quanto a barragens que não tinham começado a sua construção. Girabolhos não se enquadrava nesse conjunto de barragens porque o processo de construção tinha começado. A Endesa, em 2016, como consta do documento que nós distribuímos, que é um documento da APA, da Agência Portuguesa do Ambiente, desistiu da barragem e aliás, só assim se percebe que não tenha pedido nenhuma indemnização ao Estado português.

Eurico Brilhante Dias, que defende o legado do PS na construção de barragens, nomeadamente com o Alqueva. Deixa-me também só acrescentar que nos últimos minutos também o PCP falou aqui aos jornalistas para também recusar estas acusações. Diz até o PCP que chegou a questionar o presidente da Endesa sobre o porquê da desistência da construção desta barragem de Girabolhos, que aos dias de hoje é vista como essencial para ajudar a conter as cheias na bacia do rio Mondego.

E assim, o líder parlamentar do PS, Eurico Brilhante Dias, rejeita que tenha sido a geringonça a travar este projeto. Declarações de Eurico Brilhante Dias, escutadas pelo jornalista Miguel Viterbo Dias.

Vamos a outras notícias também em destaque a esta hora.

A Brisa assume desde já que vai suportar os custos da reparação da A1. Em resposta ao Observador, fonte oficial da concessionária diz que a Brisa decretou o início da obra e assume o custo imediato. O foco está em recuperar o mais rápido possível o troço que abateu entre os nós de Coimbra Norte e Coimbra Sul, na sequência da rutura de um TIC. Ontem à noite, em entrevista à SIC Notícias, o presidente da Brisa, António Pires de Lima, já tinha dito que a empresa não estava a discutir com ninguém quem paga e garante que vão ser lançados concursos públicos para a empreitada. Foi restabelecida a ligação fluvial da Transtejo entre as estações do Seixal e Cais do Sodré. Às primeiras horas da manhã, os utentes depararam-se com painéis a informar que todos os horários tinham sido cancelados, inclusive os da tarde. Mas afinal, a ligação entre as duas margens do Tejo já foi retomada. No caso do Montijo, tem havido algumas perturbações no transporte fluvial. De saída da presidência da Metro Mondego, já no final deste mês, João Marrana exclui que a decisão esteja relacionada com os constrangimentos no Metrobus, em Coimbra, suspenso desde o final de janeiro. Durante a reunião de Câmara de Miranda do Corvo, explicou que já tinha comunicado a decisão há mais de um mês e que se soubesse que estes problemas iam ocorrer, não o teria feito. Mas a decisão está tomada. João Marrana deixa a liderança da Metro Mondego.