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Atualizar a informação. Notícias das 14:00 com o Carlos Pedro. Carlos, 10 de Junho celebrado nos Açores. O Presidente da República apela ao diálogo e à moderação na política nacional. Lá fora, Seguro defende uma relação de equilíbrio entre os aliados.

O primeiro 10 de Junho de António José Seguro como Presidente da República foi marcado por apelos de união dentro e fora do país. Na política nacional, o chefe de Estado pede coragem, mas sem populismos.

Este é um tempo que nos pede coragem. A coragem prática de fazer escolhas difíceis sem ceder ao populismo, de dizer a verdade mesmo quando é desconfortável, de investir no futuro mesmo quando o presente aperta, de defender o interesse de longo prazo, mesmo quando o ciclo eleitoral empurra para o curto prazo. Este é também um tempo que nos pede humildade. A humildade de reconhecer que ninguém tem o monopólio das soluções, que nenhuma região ou comunidade é dispensável, que nenhuma geração é proprietária do país.

Antes dos apelos à coragem, António José Seguro deixou também um apelo ao respeito pela pluralidade. O chefe de Estado faz um convite ao diálogo para que a polarização não substitua o debate.

Neste tempo, faltam-nos cada vez mais as palavras do meio, aquelas que não nascem entre muros, mas nos espaços abertos. As palavras do meio são mais de tolerância do que de exclusão. São elas que permitem a aproximação, a criação de pontes entre as pessoas, entre os portugueses, entre as instituições e as ideias. São o antídoto para o vírus da polarização, que tende a substituir a argumentação, o debate e a negociação. Essas palavras do meio fazem parte de um dicionário que antecipa o próprio diálogo, porque criam a disponibilidade para que ele aconteça. Têm a ver com o desejo do bem comum.

O Presidente da República não esqueceu também a atualidade internacional na Ilha Terceira, nos Açores, onde a Base das Lages tem sido tema na sequência da guerra no Irão. António José Seguro defende a cooperação com os aliados, mas destaca que Portugal tem liberdade de decisão e responsabilidade.

Autonomia não significa isolamento, significa liberdade de decisão e responsabilidade, aperfeiçoando, atualizando e reforçando cooperações bilaterais com os nossos aliados. A garantia da segurança dos países europeus só é possível em articulação com os nossos aliados, numa relação de equilíbrio e reciprocidade, de respeito pela soberania dos Estados, assente em valores que, apesar da incerteza dos tempos, não mudam: a paz, a liberdade, os direitos humanos e o multilateralismo.

António José Seguro nos Açores nesta primeira celebração como chefe de Estado no dia 10 de Junho.

Antes do Presidente da República, discursou o responsável pelas comemorações do 10 de Junho. Miguel Monjardinho considera que Portugal deve ter confiança em relação ao futuro incerto.

E diz que não é tempo de alimentar ilusões sobre as mudanças que estão em curso. Miguel Monjardinho admite que o paradigma mundial é de mudança e defende que não é tempo de enterrar a cabeça na areia.

Este não é o tempo de alimentarmos ilusões sobre as mudanças que estão em curso e as suas consequências. Este não é o tempo de enterrarmos a cabeça na areia e negar os factos. Este é, sim, o tempo de deixarmos para trás o canto de sonhos em que temos vivido. Somos um país com quase nove séculos de história. Tal deve dar-nos confiança em relação ao futuro.

Um futuro que, para Miguel Monjardinho, vai ser muito diferente. O presidente das comemorações deste ano do 10 de Junho afirma que, neste momento, o país enfrenta uma grande rutura com o multilateralismo apoiado em instituições internacionais.

O futuro será muito naturalmente diferente. O mundo multilateral e apoiado em instituições internacionais que nos foi altamente benéfico está a desaparecer e a ser substituído por um mundo muito mais hierárquico, complexo e fragmentado. A grande ruptura está em curso e estamos presentes novamente na criação de um novo ciclo histórico.

Miguel Monjardinho, no discurso da cerimônia comemorativa do Dia de Portugal, Camões e das Comunidades Portuguesas. O professor e analista político foi o presidente das comemorações que aconteceram em Angra do Heroísmo, na Ilha Terceira, no arquipélago dos Açores.

Nas reações, os três partidos com mais deputados deixaram elogios ao discurso do Presidente da República.

A começar pelo PSD, o líder da bancada parlamentar dos sociais-democratas, Hugo Soares, diz que foi um discurso patriota por parte do chefe de Estado.

Fez um discurso adequadíssimo à cerimônia e à ocasião. Foi um discurso onde puxou pelo patriotismo e hoje é também preciso que aqueles que representam as instituições ao mais alto nível, designadamente o senhor Presidente da República, que possa puxar pelo nosso patriotismo. Uma palavra muito especial para as comunidades portuguesas. E julgo que como mensagem política, aquilo que resulta, para lá de uma palavra de esperança e de acreditar, foi um pedido para que todas as forças políticas tenham consciência de que estes são momentos em que os ciclos eleitorais devem revelar menos e aquilo que deve ser absolutamente decisivo é o interesse nacional. No fundo, uma palavra de longo prazo e de estabilidade política que registei, que anoto e com a qual concordo.

Do lado do Chega, o líder parlamentar Pedro Pinto diz que o Presidente da República fez um discurso realista e que vai ao encontro do que defende o partido.

Hoje fez um discurso realista, de querer melhorar o país e acho que foram muitos alertas a Luís Montenegro. Acho que Luís Montenegro, que estava aqui também presente, deve ter ficado com as orelhas a arder, porque tudo aquilo que nós ouvimos o senhor Presidente da República dizer é tudo aquilo que nós defendemos para o país. Um país com qualidade, com bons salários, com muito trabalho, e é isso que nós defendemos.

Já o secretário-geral do PS realça o apelo de António José Seguro ao diálogo e à concertação. Aos jornalistas, José Luís Carneiro reafirma ainda o compromisso com o projeto europeu, sem desvalorizar a relação com os Estados Unidos.

Um discurso muito substantivo e que dá força, energia e que nos inspira para o futuro do nosso país. A nossa pertença ao projeto europeu e a nossa participação ativa no projeto europeu não significa a desvalorização. Pelo contrário, significa que a nossa dimensão na Europa reforça-se com a valorização da nossa relação com os Estados Unidos da América, em termos de segurança e defesa.

As reações de José Luís Carneiro, Pedro Pinto e Hugo Soares na reação ao discurso de António José Seguro no dia 10 de junho, celebrado nos Açores, ainda a respeito dos Estados Unidos. Os norte-americanos saúdam este dia para Portugal, um dos mais antigos e fiéis aliados. A mensagem foi publicada pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, envia saudações calorosas a Portugal e evoca a amizade antiga entre os dois países, que remonta ao final do século XVIII.

E o ministro da Presidência considera que o pacto de migrações e asilo da União Europeia não é só um travão à imigração ilegal. António Leitão Amaro diz que é um incentivo à migração segura e ordeira.

Entrou em vigor em 2024, ainda em fase de transição. Esta sexta-feira passa a ter de ser cumprido por todos os 27 Estados-membros. À Lusa, o ministro Leitão Amaro aponta que Portugal já concluiu 22 das 105 medidas do plano nacional. Outras 72 estão em curso. O ministro da Presidência explica o que está em causa, no que considera ser um salto muito grande no controle dos fluxos migratórios.

É uma resposta europeia a uma evolução que começou ainda em 2015, 2016, na crise dos refugiados, para grande parte do resto da Europa, que chegou a Portugal de uma maneira totalmente distinta e já não por uma crise de refugiados, mas por uma decisão de escancarar as portas mais tarde, sobretudo a partir de 2018, 2019. Portanto, é uma resposta europeia em que os países se puseram de acordo para fortalecer muito as regras, os mecanismos de controle, as tecnologias, as bases interoperáveis para permitir os controles de segurança dos fluxos migratórios.

António Leitão Amaro a apelar ao fortalecimento das rotas de migração regular, seguras e ordeiras, através de, por exemplo, acordos bilaterais.

O PCP não está disponível para aprovar a proposta de prestação social única do governo. Paulo Raimundo acusa o executivo de Luís Montenegro de atacar os mais frágeis e vergar-se aos mais fortes.

Isto numa referência à política do governo sobre a distribuição dos apoios sociais, em concreto, a prestação social única. Para Paulo Raimundo, a discussão do documento deve ser feita com calma. O líder comunista critica a pressa do governo em receber uma espécie de carta-branca.

Nós temos um governo com uma peitaça grande, desculpe a expressão, uma peitaça forte, contra os mais fracos e depois que se verga perante os mais fortes. O governo encontrou aqui uma solução de atacar ainda os mais pobres. Nós queremos discutir isso com tempo. Nós queremos discutir a situação com verdade e com rigor. Uma discussão dessas para ser feita, não pode ser feita assim à corrida como o governo quer. O governo quer uma autorização para fazer o que entender. Nós não vamos estar disponíveis para dar uma autorização alguma para fazer o que entender.

Paulo Raimundo esta manhã, à margem da Feira Nacional de Agricultura, em Santarém, PS e Chega admitiram a possibilidade de aprovar esta proposta do governo, ainda assim, mediante algumas alterações.

Notícia de fecho do Jornal das Duas.