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Na Rádio Observador. Miguel, começamos este jornal das 15h com o Ministro dos Negócios Estrangeiros. Avisa que é provável que haja portugueses entre as vítimas mortais dos terramotos na Venezuela.
Tendo em conta a dimensão dos estragos e as áreas atingidas, até o momento não há indicação de portugueses na lista de 164 vítimas mortais, balanço provisório. Há, sim, por agora, adianta Paulo Rangel, em entrevista à TVI, cinco portugueses desaparecidos.
Começa-se a identificar concretamente uma família desaparecida em La Guaira. Seriam quatro, mas nós, neste momento, não temos nenhuma confirmação de nada. Há o caso também de uma outra pessoa, de uma portuguesa, aliás, até familiar de pessoas que trabalham nos serviços consulares, que também poderá estar debaixo de escombros. Esta será mais na zona de Caracas, a outra em La Guaira. Temos que estar preparados para números mais severos. Poderemos chegar aos milhares de mortes e, nesse caso, temos que ser realistas, é provável que haja portugueses também.
O alerta de Paulo Rangel. O Ministro dos Negócios Estrangeiros diz também que já há uma equipa com mais de 50 elementos preparada para rumar a território venezuelano.
Portugal está a organizar já um voo, já tem 53 pessoas escaladas, em que também estão seis pessoas do INEM, dois médicos, dois enfermeiros, dois tripulantes de ambulâncias. Temos a Unidade de Emergência e Socorro da GNR, temos pessoas da Proteção Civil, todos estão já em estado de prontidão. Portanto, esta manhã estivemos a tratar disso. Pode demorar algum tempo. A Venezuela estava, disse o meu ministro, a ativar uma crise maior pela Proteção Civil, o que obviamente nos permite, nacionalmente e em termos europeus, responder mais agilmente.
Não há indicação de quando poderá rumar à Venezuela esta equipa de socorristas e de ajuda humanitária.
Um grupo de tripulantes da TAP estava em Caracas na altura dos dois terramotos, o hotel teve de ser evacuado.
Sendo que a tripulação está bem, tal como as restantes equipas da empresa naquele país, uma informação avançada à Rádio Observador por fonte da transportadora aérea. Os tripulantes da TAP estavam num hotel que ficou danificado, foram transferidos para outra unidade hoteleira e encontram-se em segurança. A transportadora aérea está em contacto com as autoridades portuguesas e venezuelanas, mas para já não é possível prever quando é que a tripulação da TAP vai poder regressar a Portugal, tendo em conta os trabalhos de resgate e as condições logísticas que se vivem neste momento na Venezuela. É nosso convidado desta edição das 15h, Hélder Teixeira está com a família, precisamente na Venezuela. Boa tarde, bom dia aí, bem-vindo, obrigado pela disponibilidade. Começava por pedir que nos traçasse um retrato daquilo que se passa aí na Venezuela. Estão a decorrer as operações de resgate e salvamento, isso temos visto na televisão. A população está onde? Na rua, em casa?
Olá, boa tarde lá, bom dia aqui. Por acaso, aqui há muita informação hoje. Ainda agora, a situação foi muito forte, sobretudo na parte do que é La Guaira, o estado La Guaira. Aqui nas zonas de Caracas, há algumas partes, alguns prédios bastante velhos que foram abaixo. Há uma questão de socorristas que já estão lá desde ontem à noite, estão a prestar os serviços e a ajudar as pessoas. Por aqui, eu estava na rua ontem à noite, consegui depois chegar à casa de uns familiares, fiquei em uma casa ao sair do prédio, porque a estrutura tem que ser avaliada, porque sofreu alguns danos nas paredes, mas não sabemos a estrutura tal qual como é que está ainda agora. E preferi, igual que a minha família, os meus pais, que estão cá de férias, as minhas irmãs. Por acaso a minha família está bem, mas tenho registros e informação de muitas pessoas. Por acaso ainda há pouco estava falando com um amigo meu na Espanha, que temos um amigo que a mulher estava aqui na Venezuela, em La Guaira, com os filhos, lograram ser resgatados, ela e os filhos, mas ainda estão à procura da irmã dela, a mãe, o pai. Parece que o pai estava dentro do apartamento. Tem sido bastante forte e tem sido uma situação bastante complicada e grave.
Onde é que estava o Hélder Teixeira e a sua família na altura dos terramotos?
Nós estávamos em Terrazas de La Vila, é uma localidade que está na zona de Petare, hacia a parte oeste da zona de Caracas. Nós estamos relativamente perto do que é Altamira, pelos grandes, onde também aconteceram alguns prédios abaixo.
Estavam dentro de casa?
Estávamos, sim, senhor. Eu por acaso não sei porque estamos, o aplicativo do Google começou a dar um alerta e começou a apitar, mas foi um apito mesmo de emergência. E então naquele momento eu fiquei consternado, porque não sabia o que estava a acontecer e digo: "Envolva a outra", minha mulher estava, a minha mãe em casa Estava de visita na minha casa e então começa a dar o alerta e eu digo: "Olha, um alerta no telefone que vai tremer, que vai haver um sismo". Então a minha mulher, nesse momento, começa a dizer: "Vamos correr todos que vai tremer". E começamos a sair da casa e aquilo começou a abanar tudo. Já dirigindo-nos às escadas do prédio, começou aquilo a tremer com bastante força. Eu tenho um menino de cinco meses, eu ia com o meu menino ao colo e, graças a Deus, todos os que estavam em casa e o pessoal do prédio, havia muitas pessoas maiores que depois de passar o terremoto conseguiram descer, porque obviamente naquele momento é difícil e há pessoas com dificuldades para caminhar. Depois do episódio, é que eles conseguiram descer, mas graças a Deus, num instante havia mais de 20 pessoas na rua, pelo menos na zona onde eu moro.
E houve casas que ruíram aí nessa zona onde mora?
Tiveram, por acaso, um prédio à frente de nós, mas é só aquela parte de paredes. Aquelas rachas que fazem nas paredes, mas a estrutura como tal dos prédios se vê relativamente bem. Não houve casos maiores na zona onde eu moro, mas sim, sei de alguns sítios. Só não tenho conhecimento ainda daquela parte onde foi o episódio como tal, mas parece que naquela zona sim, foi bastante forte. Há muitas partes no interior do país que estão se a ver bastante afetadas.
Não há muitas informações sobre a forma como estes terremotos atingiram a comunidade portuguesa. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, dava conta há pouco de cinco portugueses desaparecidos. Há preocupação entre a comunidade, tem indicação de que há mais portugueses que nesta altura estão incontactáveis, que ainda não foi possível contactar?
Sim. Nós por acaso no nosso centro português temos um grupo ou vários grupos e sempre temos estado desde ontem à noite em contacto a todos para ver como é que é, como é que está. Lembre-se também que ontem era dia de folga, era um dia festivo aqui, o dia de São João, e havia muitas pessoas que foram passar o dia lá em La Guaira. Portanto, temos informação, ainda ontem havia informação dos rapazes que não apareciam, mas depois já conseguiram contactá-los, eles já vinham de volta para Caracas, mas como eles têm alguns outros que ainda não têm sido localizados, há alguns portugueses que ainda moram lá ou moravam lá na Guaira e parece que ainda alguns que estão desaparecidos, alguns que lamentavelmente não tenho informação como tal disso, mas aparentemente há alguns falecidos da nossa comunidade, mas aquilo está por ser comprovado ainda.
Seguramente motivo de preocupação. Têm acesso a comida, os supermercados estão abertos, há essa dificuldade ou não?
Por acaso na nossa zona e há uma cadeia de farmácias aqui na Venezuela, eles nunca pararam de trabalhar, eles trabalham 24 horas, os supermercados estão abertos. Há algumas zonas que está tudo relativamente bem, por zonas de estruturas, os prédios e coisas não sofreram maiores danos e o pessoal está saindo, mas há muitas pessoas a sair, a comprar, a se abastecerem com comida, águas e tudo. E também há muitas pessoas que estão a sair à rua para comprar insumos, águas e tudo para colaborarem com aquelas comunidades que foram muito afetadas.
Há a indicação que foram criados centros para acolher as pessoas que ficaram desalojadas na sequência destes terremotos. Tem alguma indicação de que estes centros já estão a funcionar e a prestar em plena esse apoio?
Acho que estão todos a funcionar. Por acaso aí em Altamira, o presidente da Câmara fez um comunicado e eles puseram uma praça que se chama Praça Altamira. Eles já desde ontem à noite, bem cedo, logo imediatamente depois do terremoto, eles fizeram aquilo um centro de acopio, puseram ambulâncias, os bombeiros todos já tinham contingência de águas, pessoal a tomar conta das pessoas que apareceram, que estavam dentro do prédio, já recebendo informação das pessoas desaparecidas e entendo também que em La Guaira os protocolos de ajuda e coisa já foram todos ativados e tem pontos essenciais onde o pessoal chega a se reportar. Igualmente também, que eu por acaso mandei um amigo meu, há um link na net que podes entrar e colocar a informação, os dados de alguma pessoa que não tenhas notícias, alguma pessoa que esteja desaparecida, colocas aí e já começa a haver um protocolo de pesquisas para conseguir pessoas que não aparecem até agora.
Ainda estão desaparecidas. Hélder Teixeira, há quantos anos é que está na Venezuela?
Por acaso, tenho a cidadania, nasci aqui, mas os meus pais são portugueses e estou muito apegado à portuguesa. Sempre estamos com o clube e a comunidade portuguesa que há aqui é vasta.
Estamos com algumas dificuldades para manter esta ligação com Hélder Teixeira, luso-ocidente a residir em Caracas, aqui a fazermos um ponto de situação e também a traçarmos um retrato da situação vivida ontem à noite, aquando dos dois terremotos de 7.2 e 7.5 na escala de Richter, que até ao momento provocaram a morte, já confirmada, a 164 pessoas. Há também, como percebemos por este relato, a preocupação em torno de alguns portugueses que estão desaparecidos.
Seguimos ainda na Venezuela, para onde estão já a encaminhar-se várias equipes de resgate e de ajuda humanitária. Disso mesmo deu já conta a presidente interina Delcy Rodríguez.
Na entrevista à televisão pública venezuelana.
Quero informar que, perante esta necessidade que a Venezuela tem de equipes especializadas em operações de resgate, falei com vários chefes de Estado e também com o coordenador do sistema das Nações Unidas na Venezuela. Já estão a ser enviadas equipes especializadas em operações de resgate, certificadas pelo sistema da ONU, que já se encontram a caminho do nosso país.
Delcy Rodríguez, presidente interina da Venezuela. Nelson, está a começar a conferência de imprensa da Seleção Nacional Portuguesa de Futebol.
E é Pedro Neto, jogador da Seleção, que vai responder às perguntas dos jornalistas. Vamos acompanhar esta conferência de imprensa em direto de Palm Beach.
Depois passaremos aos internacionais, alguns que falam em português também, mas já sabemos como é que é. Estou a aceitar perguntas. Então vamos começar aqui com o Nuno Matos.
Pedro, muito bom dia. Assistência no primeiro jogo, titular nos dois. É este o momento físico e mental ideal para explodir definitivamente neste torneio e logo no jogo como aquele que aí vem, enfrentar a Colômbia? Muito obrigado.
Bom dia a todos. Primeiro de tudo, queria deixar uma palavra de solidariedade ao povo da Venezuela devido ao que aconteceu, às suas famílias e às vítimas, até porque temos lá uma grande quantidade de portugueses e era a primeira palavra que eu queria deixar. Respondendo à sua pergunta, espero que sim, espero que possa explodir. As coisas têm corrido bem, tanto à equipa como individualmente. Estou aqui para ajudar e espero que seja esse o momento, ainda por cima um jogo importante para passarmos em primeiro lugar. E quero aproveitar também essa oportunidade para ajudar a equipa, se assim for chamado para jogar, para que possamos passar em primeiro e ajudar a equipa da melhor maneira.
Olá, Pedro. António Betolho, em direto para a TSF. Nós fomos falar com o seu pai a Vieira do Castelo aqui há uns dias e ele disse que o seu maior sonho era estar num campeonato do mundo. A família toda vem depois da fase de grupos, já deve saber disso. Era mesmo o seu sonho? Quais são as sensações de estar a cumprir este grande sonho para si?
Não, é um motivo de orgulho, sem dúvida um sonho de criança. Eu infelizmente falhei o Mundial 2022. Estou aqui com toda a energia e com todo o meu querer e quero aproveitar este primeiro mundial para fazer coisas bonitas e acima de tudo tentar levar a taça para Portugal, que é o nosso objetivo.
E à Cristiana, SIC.
Bom dia, Pedro Neto. Cristiana Queiroz Alves, em direto para a SIC Notícias. O Pedro costuma jogar mais do lado esquerdo do ataque, mas neste último jogo apareceu à direita. A minha pergunta é: onde é que se sente mais confortável? Onde é que sente que consegue ajudar da melhor maneira esta seleção nacional?
Sim, já no clube tenho muito essa polivalência. Aqui na seleção, o mister também me tem utilizado muitas vezes nas duas bandas. Sinceramente, sinto-me mais confortável à direita, mas acho que durante a minha carreira até cheguei mais à esquerda. Mas em qualquer posição sinto-me confortável, quero ajudar a equipa, quero estar no meu melhor e acho que isso é o que eu me tento focar sempre.
O Marco aqui, à RTP, se faz favor. O microfone à RTP, se faz favor.
Viva, Pedro Neto. Manuel Fernandes Silva, em direto para a RTP Notícias. Pedro, tem sido titular. Eu gostava de lhe perguntar se esse estatuto existe na seleção ou se aquilo que o selecionador vos transmite é que todos são potenciais titulares e por isso todos têm de estar a todo momento preparadíssimos para a entrada no onze, ou se há algum tipo de estatuto titular que vocês percebam que existe nesta altura.
Não, eu acho que desde que o mister está aqui, é claro que qualquer jogador pode jogar a titular. O mister tem mostrado que faz alta rotatividade na equipa e todos os jogadores estão prontos para jogar. Acho que é isso que todos os jogadores têm em mente, que ninguém tem um papel titular na equipa, mas sim todos têm um papel importante e acho que é uma forte característica deste grupo em que todos os jogadores sabem que podem jogar, todos os jogadores sabem que podem ajudar e é com essa mentalidade que temos que seguir no torneio.
Aqui ao João.
Bom dia, Pedro. João Pimpim, Para a Bola. O Pedro e o Trincão cresceram juntos no Minho, partilharam balneário no Braga, no Vianense, no Wolverhampton, mais tarde. Gostava de saber o que é que mudou ao longo destes anos e se quando se juntam, continuam a ser aqueles meninos de Viana e de Braga, até porque hoje são rivais pela posição.
Não é de ser rivais, é uma competição saudável. Eu e o Trincão, já no Braga, dávamo-nos muito bem, partilhávamos a mesma carrinha, partilhávamos boas histórias. Sempre que estou com ele, sei que é para rir, ele está sempre para rir, até porque não consigo estar à beira dele sem tentar fazer asneiras. E é essa competição saudável também que temos aqui na seleção. Eu e ele sabemos que queremos os dois jogar, trabalhamos os dois para jogar, mas acima de tudo, estamos os dois aqui para ajudar a seleção e isso é o mais importante.
E o Ivo? Ivo.
Olá, Pedro. Bom dia, em direto para a Sport TV+. Depois do primeiro jogo, a mensagem era reagir. Já no segundo jogo, depois da vitória contra o Uzbequistão, vem aí a Colômbia, com vários jogadores que até conhecemos bem do contexto do futebol português. Como é que olham para esse adversário e depois da reação, qual é a palavra-chave destes dias de trabalho para o terceiro jogo?
Sabemos que vamos nos confrontar a um adversário que ficou fora do Catar, um adversário que está bem, um adversário que tem uma boa equipe, foi finalista na Copa América. E a palavra-chave acho que é resiliência e também acrescentava o trabalho. É isso que nós temos feito, temos sido resilientes, temos trabalhado muito e acho que para o jogo da Colômbia essa também é a chave, sabendo que também é uma equipe muito batalhadora, uma equipe sul-americana que é muito forte também nesse aspecto e nós temos que igualar ou superar esses aspectos também.
Rui Miguel.
Pedro, estamos em direto para o Canal 11. Queria te perguntar como é que olhas para a situação de Portugal no grupo, porque já por diversas vezes se demonstrou que ficar em primeiro lugar nem sempre acaba por ser o melhor caminho. Há outros torneios que comprovam isso. Se vocês já olham para a frente, para outros cenários, para possíveis adversários ou é só ficar em primeiro e depois logo se vê.
Sendo sincero, às vezes nós olhamos quais são as situações que podem acontecer, estaria a mentir se não olhássemos o que é que poderia acontecer caso ficássemos em segundo ou em terceiro. Mas tal como tu disse, acho que o mais importante, e sendo português, e a mentalidade que nós temos é sempre ser os melhores. E, como é óbvio, vamos encarar a Colômbia para ficar em primeiro, não sabendo o que é que poderá acontecer até nos outros grupos, mas a nossa mentalidade é acabar em primeiro e é isso que vamos para o jogo fazer, é fazer um grande jogo e acabar em primeiro lugar.
Ok.
Olá Pedro, João Pedro Roca da TV da CNN. O Cristiano foi o primeiro a chegar aos seis gols em mundiais e depois do jogo disse que estava de volta e que depois de momentos um bocadinho difíceis. Como é que vocês viveram esse momento do Cristiano? Se sentem agora mais aliviado depois daquele momento de tensão? E já agora aproveito para lhe perguntar, seguindo ali a dica do Francisco, já vi vários tops em que o Pedro é mesmo eleito o mais bonito deste mundial. Eu não sei se isso é um tema de conversação aí entre o grupo, se é um tema de brincadeira, porque, de fato, já vimos aí nas redes sociais e em vários sites que foi eleito. Obrigado.
À primeira pergunta, eu acho que foi óbvio que o grupo ficou contente por ele, até porque sabemos que ele vive de gols, ele é obcecionado por isso. E então o grupo fica contento por ele. Gostamos de ver sempre o melhor a fazer aquilo que ele gosta de fazer. E quanto ao segundo tema, acho que não é nada de admiração, uma coisa completamente normal. E acho que nem foi tema no balneário, porque o grupo tava todo com uma opinião unânime sobre o mais bonito.
CNN TV. Obrigado.
Bom dia, Pedro. Menezes de Sousa, Correio da Manhã. Eu perguntava se a seleção vai conseguir transportar a raiva que mostrou no jogo de Houston para o jogo de Miami e se vocês pensam que a partir deste jogo, as outras seleções começam a ver Portugal como um forte candidato.
Eu acho que não foi muito raiva, eu acho que foi mais o fato de querermos fazer um jogo ainda melhor. Já no primeiro jogo, eu tenho a opinião que entramos bem, depois deixamos cair um bocado a nossa intensidade, também por ter sido o primeiro jogo. No segundo jogo, eu acho que foi clara a maneira como nós entramos no jogo e conseguimos manter esse ritmo. E quanto a Portugal ser candidato, eu acho que todas as equipes sabem a qualidade dos jogadores que nós temos, a união que nós temos, até pelo fato de termos ganho a Liga das Nações. Todas as equipes já olhavam para nós de uma maneira diferente depois dessa competição e acho que depois do segundo jogo as equipes continuam a olhar da mesma maneira, sabendo que nós somos uma equipe forte, tanto como nós sabemos as equipes fortes que há neste campeonato do mundo. Estamos só preocupados em fazer o nosso trabalho, seguir o nosso caminho e chegar o mais longe possível.
Aqui é a Agência Lusa.
Olá, Pedro. Aqui atrás, Luís Garoupa, da Lusa. Ainda quando estava a serviço do Wolverhampton, teve duas lesões muito graves, que até chegou a estar quase um ano parado. Eu pergunto que nessa altura, e olhando para trás, estando agora a viver o seu primeiro mundial como titular, achou nessa altura que isso seria uma impossibilidade que ia ter na sua carreira? Chegou a pensar nisso?
Sim, na altura foi um momento muito difícil, não sabia o que é que podia acontecer. Felizmente, hoje estou aqui, estou a viver um sonho. Se me perguntasse há uns anos atrás se eu acharia que fosse possível estar aqui, eu sempre acreditei que sim, sempre acreditei que ia recuperar da melhor maneira e poder representar Portugal outra vez e felizmente consegui fazer.
E o Mais Futebol.
Aqui, Sérgio Pereira, do Mais Futebol. Pedro, o Pedro tem um jogo, um futebol de velocidade, muito forte nos duelos, muito agressivo. Curiosamente, numa entrevista recente, a sua mãe disse que quando chegava aos treinos, diziam: "Olha, está a chegar a mãe do pestinha". E também já referiu que não conseguia estar ao lado de Trincão sem estar a fazer asneiras. Esta personalidade peste, digamos assim, ajudou a moldar este jogador que não dá nenhum duelo por perdido, que faz da intensidade sua maior força?
Sim, sem dúvida. Acho que o meu jogo baseia-se muito nisso, a intensidade, os duelos, um contra um, a velocidade, porque é a maneira também como eu sou fora de campo. Sou uma pessoa intensa, sou uma pessoa transparente, que dou tudo de mim, seja dentro ou fora. E são coisas que, sem dúvida, transporto para dentro de campo e tento ser sempre assim. Até porque na minha mentalidade, quando faltar alguma coisa, a única coisa que não pode faltar é atitude. É assim que eu vou ser sempre e é assim que eu espero continuar a fazê-lo. Acho que vem muito também daquilo que eu fui vivendo ao longo dos meus anos e espero poder continuar assim, saudável e com a energia que tenho, porque eu quero continuar a fazer o que estou a fazer.
Vamos entrar aqui no período final das perguntas da imprensa portuguesa. Aqui o Paulo Catarro.
Pedro Neto, bom dia. Paulo Catarro, para CMTV einal. Eu gostava de lhe perguntar sobre o ambiente no seio da seleção. Sentiu-se que depois do empate com o Congo, que havia alguma tensão, até pelo volume de críticas que se abateu, muito provavelmente, que vocês consideraram muito exageradas, mas como já se viu, até pela resposta que deu acerca do top sexy, o ambiente mudou completamente. A minha pergunta é se este resultado funcionou como gatilho para os jogadores desfrutarem realmente agora do mundial, mesmo que não passem em primeiro lugar no grupo e a pensar já nos jogos a eliminar.
Eu acho que é normal, depois do primeiro jogo, as coisas não estarem tão bem. Acho que era um bocado até errado. Como é óbvio, nós queremos ter entrado com uma vitória, é normal não estarmos de uma maneira eufórica ou contentes, porque temos uma mentalidade muito vincada, temos uma mentalidade muito vencedora e é normal que depois do primeiro jogo, onde não conseguimos a vitória, estarmos um pouco abatidos. E sem dúvida, as críticas fazem parte do jogo, nós temos que saber lidar com elas. E no segundo jogo utilizámos isso também de uma maneira motivadora para entrarmos em campo e darmos o nosso melhor. E foi o que aconteceu, sem dúvida, que é um gatilho também pra motivação e entrarmos neste jogo também que falta pra ganhar e passar em primeiro lugar.
Última pergunta à imprensa portuguesa, ali pro Pedro Cadima.
Bom dia, Pedro. Perguntava pelas expectativas em relação ao clima de Miami, do que vai ser o jogo temperado por muitos colombianos. Já sabe que é uma cidade onde eles dominam. Vocês vêm de Houston, de dois jogos em que, eventualmente, a maioria portuguesa também se pode ter feito sentir. Aqui as coisas podem ser diferentes. Como é que olha, sendo um jogo decisivo para definir o primeiro lugar do grupo, para o impacto do ambiente, da atmosfera e também, ao fim ao cabo, para um jogo que coloca duas equipas com ambições fortes neste grupo?
Não, sem dúvida que vai ser um desafio, devido ao calor e tal como disse, devido à atmosfera de haver muitos colombianos lá. Mas acho que acima de tudo, nós o que temos feito é estar focados no nosso trabalho, estar focados na nossa maneira de jogar. E é isso que nós vamos fazer no próximo jogo, é estar focados na nossa essência, na nossa identidade e tentar passar o grupo em primeiro lugar.
Vamos iniciar agora a imprensa estrangeira.
Aqui, Natália Cruveilo, Brasil. Pedro, primeiro, desde que vocês se juntaram como grupo até o dia de hoje, qual você acha que foi o aspecto que a seleção mais evoluiu e se você, particularmente, assiste aos demais jogos da Copa do Mundo, como o do Brasil e Escócia ontem, os três a zero?
Eu acho que o aspecto que este grupo sempre tende a melhorar é o trabalho, ou seja, quando as coisas não correm da melhor maneira, tendemos a trabalhar ainda mais, a ser mais resilientes, e acho que é isso que nós melhoramos também. E quanto a outros jogos da Copa, eu sinceramente não vejo muito futebol, por além do nosso. Então não tenho estado muito atento aos resultados, nem às exibições do Brasil ou, por exemplo, como ontem contra a Escócia. O que sim tive atento, tal como já disse, às vezes acontece, é nós vermos o facto contra equipes que podemos calhar e tudo mais, mas de resto.
Bom dia, Pedro. Hanna Tenda, Brasil. Queria fazer uma pergunta, porque Portugal, pelo menos no Brasil, é considerado uma das seleções favoritas pelo elenco que tem, jogadores jogando nas melhores equipes do mundo, mas ao mesmo tempo, Portugal chega também com uma carga simbólica, podendo ser a última copa do Cristiano Ronaldo. Isso pra vocês é uma pressão ou é uma motivação extra?
Não, acho que acaba por ser uma motivação extra, acaba por deixar um sabor ainda melhor, no sentido em querermos ajudá-lo a conseguir esse objetivo. É uma coisa que a ele falta e que ele quer muito, tanto como nós queremos. Por isso, é isso. Acho que é mais uma motivação de nós conseguirmos dar esse último gosto àquilo que ele também nos deu muito a nós.
Aqui.
Por acá, Jorge Lara, de Canal 6, de México. Mi pregunta es con respecto a Raul Jiménez. Compartiste con él em algum momento com o Wolverhampton. Passou por uma situação muito dura quando estava no Wolverhampton. Para ti, o que significa hoje vê-lo, marcar seu primeiro gol? Supongo que é um amigo teu também, Raul. E também te queria perguntar uma segunda.
Não.
Ok, está bem. Só sobre Raul Jiménez.
Não, eu com o Raul me dou muito bem. Até somos vizinhos em Londres, onde estava agora. E sim, muito contente por ele, muito contento também pelo que aconteceu este ano, por seu pai. E sim, me alegro muito de vê-lo como está. Me alegro muito de vê-lo a desfrutar outra vez do futebol e é algo que me deixa muito contente.
Temos periodistas colombianos aí? Acá. Então aí.
Oi, tudo bem? Marina Granziera da Caracol. Queria perguntar, esse é um jogo de 30 milhões de demandas de boletas que a FIFA até comentou. Eu imagino que o mundo inteiro está ansioso pra ver esse jogo, pelo menos pela demanda de entradas pra esse jogo. O que vocês esperam pra um jogo desse? Porque se o mundo inteiro tá a fim de ver esse jogo, o que vocês, jogadores, esperam pra esse jogo? Obrigada.
Esperamos um jogo difícil, um jogo intenso, um jogo que todos estamos ansiosos por jogar, até porque é sempre um jogo muito vivo, de muita garra. Eu, pessoalmente, gosto muito desse estilo de jogo e acho que as pessoas estão à espera de um grande jogo, um grande espetáculo, e é isso que nós vamos tentar dar às pessoas. É por isso que as pessoas tiveram essa demanda de bilhetes e, acima de tudo, é tentar desfrutar ao máximo esse tipo de ambiente, que eu espero que seja espetacular como tem sido até agora e que Portugal saia vencedor.
Hola, buen día. Juan Sebastián Vargas, de Rádio Caracol, de Colômbia. Pedro, Luis Díaz es el hombre más importante de la Selección Colômbia, según su opinión?
Eu sei que a Colômbia tem grandes jogadores. Sem dúvida que o Luis é um grande jogador e muito influente, mas não podemos focar só em um jogador, até porque o Muñoz também já fez dois gols até agora. Então temos que focar no coletivo, mas, além disso, o mais importante é estarmos focados em nós e no que temos que fazer.
Ruben, por aqui. Carlos Gamboa, de Futebol RCN e Win Sports. Quanta pressão tem Portugal para terminar como primeiro do grupo ou já se sentem tranquilos com o fato de só terem conseguido a classificação?
Não, tranquilos não estamos. Queremos sempre o melhor. Então tomamos o partido como muito importante. A pressão vai haver sempre. Então nós queremos passar em primeiro e esse é o objetivo que temos para o próximo partido.
Pedro Neto em resposta aos jornalistas também colombianos. Miguel Cordeiro está em Palm Beach a acompanhar esta conferência de imprensa. Com bastante humor do jogador português, parece estar bem melhor o espírito desta seleção, a avaliar pelo menos pelas respostas do Pedro Neto, Miguel.
Sim, está um ambiente naturalmente melhor depois dessa vitória frente ao Uzbequistão. A primeira semana de trabalhos, a semana entre o Congo e o Uzbequistão, foi um pouco mais complicada. Os próprios jogadores assumiram isso e até assumiram que chegaram com raiva. Agora há um ambiente diferente, mas ainda assim sente-se também, Pedro Neto, essa vontade de jogar, essa vontade de partir para o jogo com a Colômbia, e já disse isso várias vezes, que há uma grande expectativa para esse jogo e que os jogadores querem corresponder. Sobre o fato de existirem muitos colombianos em Miami, Pedro Neto diz que faz parte e que jogar em situações adversas é algo que é natural também para todos os jogadores de futebol. Têm a mentalidade vincada e sobre o Ronaldo, diz que é uma motivação extra o fato de estar no último mundial, é uma motivação extra para a equipa para conseguir chegar o mais longe possível.
Miguel Cordeiro em Palm Beach a acompanhar a conferência de imprensa da seleção portuguesa. Hoje é Pedro Neto a responder aos jornalistas. Este Colômbia-Portugal acontece de sábado para domingo, à meia-noite e meia de domingo, e vai ter emissão especial aqui na Rádio Observador.