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E avançamos para o jornal das 17h, com a jornalista Vanessa Cruz.

Começamos com Nicolás Maduro, que começa a esta hora a ser interrogado num tribunal de Manhattan. É a hora prevista. Espera-se que preste declarações ainda hoje. Já se sabe que responde por crimes de narcotráfico e posse de armas. Já vamos detalhar a acusação contra Nicolás Maduro, mas primeiro vamos em direto até Lisboa, até à Gulbenkian. Está por lá o ministro português dos Negócios Estrangeiros, com a jornalista do Observador, Diana Rosa.

Precisamente, Vanessa. Boa tarde, senhor ministro, em direto para a Rádio Observador. É incontornável o tema da agressão dos Estados Unidos à Venezuela. Donald Trump já disse que pretende governar o país, já disse também que pretende beneficiar do petróleo venezuelano e disse até que está a planear uma segunda vaga de ataques. Senhor ministro, continua a acreditar que a intenção dos Estados Unidos foi benéfica com o primeiro ataque à Venezuela?

Olha, há uma coisa, em primeiro lugar, que eu queria dizer, é que nós continuamos a ter notícias, até agora, tranquilizadoras da situação da comunidade portuguesa na Venezuela. Até alguns dos negócios que são dirigidos por portugueses já estão a abrir e a funcionar. Portanto, isso é bom sinal. Vamos ver. Depois eu gostava que quando as pessoas falam, se tomassem as suas afirmações por inteiro e não se pegassem palavras sozinhas, porque aquilo que eu disse, nós dissemos em comunicado, e que eu disse também na própria declaração que fiz, é que Portugal valoriza sempre a legalidade internacional e a Carta das Nações Unidas. Está no nosso comunicado da manhã, todos os jornalistas tiveram acesso a ele, e isso é fundamental. Agora, dito isso, aquilo que é fundamental agora é resolver este problema, porque quando existe uma intervenção que necessita de uma revisão dessa intervenção, normalmente é para voltar à situação anterior. Ora, neste caso, ninguém defende, isto é que é fundamental nós percebermos, que Nicolás Maduro volte ao poder na Venezuela. E, portanto, nós temos é de estar a trabalhar, especialmente tendo uma comunidade portuguesa que é tão grande, trabalhar para construir uma solução, essa sim, democrática, para a Venezuela. E, portanto, temos de trabalhar também com os Estados Unidos para que a solução política e governativa que venha a sair possa ser uma solução que traga estabilidade, traga segurança às pessoas e traga, essencialmente, um processo democrático. Que, como eu disse, e essa é a posição, curiosamente, não vi ninguém a sublinhar isto na comunicação social, que devia ser Edmundo González a retomar as suas funções. Pode haver outras funções se os próprios aceitarem, eventualmente, num outro quadro.

Isto não é abrir um mau precedente?

Repare, o que eu estou a dizer é: com a situação que nós temos agora, o que é que os senhores querem que aconteça aos portugueses que estão na Venezuela? É que eu vejo, os senhores perguntam imenso sobre outros assuntos, mas ninguém pergunta, nós temos a responsabilidade por 300 mil portugueses e muitos mais, por lá em torno a mais de 200 mil, 220 e tal mil, lusodescendentes. E, portanto, quando nós estamos a falar em nome de Portugal, eu sei que os portugueses que nos estiverem a ouvir sabem que a nossa primeira preocupação é a comunidade portuguesa. O que é que nós queremos? A comunidade portuguesa perdeu muito com os governos de Chávez e, principalmente, de Maduro. Nós sabemos disso, mesmo economicamente. Tanto que muitos foram obrigados a regressar. E, portanto, muitos querem retomar. Aliás, vi fazerem muitas entrevistas de rua, por exemplo, na Madeira ou no norte de Portugal, e encontrei muita gente a dizer que até gostaria de regressar se houver um ambiente propício para isso. Portanto, o que o governo português vai fazer, e eu tenho a certeza que não há um português de bom senso que discorde disto, é trabalhar para construir uma solução política na Venezuela, que foi aberta por esta situação. Pode-se, como eu digo, pôr em causa a legalidade internacional, a Carta das Nações Unidas, pode-se tudo isso dizer. Mas nós agora temos esta situação e temos os portugueses que estão lá. E, portanto, temos que trabalhar para conseguir uma solução que seja uma solução inclusiva, que torne a sociedade venezuelana uma sociedade plural e democrática, em que todos possam conviver e que possa devolver prosperidade. Esta é que é a questão fundamental do meu ponto de vista.

Vimos aqui as declarações de Paulo Rangel, o ministro dos Negócios Estrangeiros, que evita então qualificar a ação dos Estados Unidos, prefere sim preocupar-se com a situação dos imigrantes portugueses na Venezuela.

Reportagem da Diana Rosa, em direto da Gulbenkian, em Lisboa. Como dizíamos, Nicolás Maduro já está no tribunal em Nova York. Primeiro, há uma audiência de instrução. Vai ser informado das acusações que enfrenta. Responde por crimes de narcotráfico e posse de armas. Maduro e a mulher, Cília Flores, têm como advogado Barry Pollack, que negociou o acordo de libertação de Julian Assange. É a primeira audiência de Maduro em Nova York. O juiz é Alvin Hellerstein, um magistrado que é dos mais experientes dos Estados Unidos, tem 92 anos, está também a julgar um ex-general venezuelano por narcotráfico e já travou algumas iniciativas do presidente Donald Trump.

E começou há mais de hora e meia a reunião do Conselho de Segurança da ONU, a pedido da Venezuela. Foi lida uma declaração do secretário-geral da ONU. António Guterres não está ainda em Nova Iorque.

Tinha agenda hoje em Lisboa, mas está a caminho dos Estados Unidos. Na declaração que foi lida pela diretora de Questões Políticas da ONU, Rosemary DiCarlo, António Guterres mostra-se profundamente preocupado com uma possível intensificação da instabilidade na Venezuela e o impacto para toda a região. O secretário-geral da ONU também condena o precedente que esta ação norte-americana pode criar para a forma como as relações entre os Estados são conduzidas daqui para a frente. E questiona se a captura de Maduro viola o direito internacional. Guterres apela a todas as entidades venezuelanas que se envolvam num diálogo democrático que conduza à paz.

E a União Europeia apela à participação dos líderes da oposição venezuelana no processo de transição.

Edmundo González, vencedor reconhecido pela comunidade internacional das últimas eleições na Venezuela, e Marina Corina Machado, tida como a líder da oposição a Maduro, devem ser envolvidos. É o que diz a porta-voz da União Europeia para a política externa, Anita Hipper. Entretanto, o filho de Nicolás Maduro pede aos venezuelanos que se mobilizem para que o pai seja libertado. Foi numa mensagem enviada à rádio venezuelana Mira Flores.

"Estamos bem, estamos calmos. Vão ver-nos nas ruas, ao lado do povo. Vão ver-nos a levantar as bandeiras de dignidade. E querem ver-nos fracos, não nos verão fracos. Vamos à rua, vamos convocar o nosso povo, vamos unir-nos. Querem plantar dúvidas, não vão conseguir, não podem conseguir. Não podem conseguir plantar dúvidas. Depois se verá. A história dirá quem foram os traidores".

O apelo de Nicolás Ernesto Maduro, filho do presidente deposto da Venezuela. Decorre a esta hora uma manifestação no país de apoio a Maduro, junta milhares de pessoas.

Entretanto, avançamos para as presidenciais. Está na rua a campanha eleitoral para as eleições presidenciais de 18 de janeiro. Luís Montenegro apareceu ontem, no primeiro dia, num almoço de apoio a Marques Mendes, e essa presença do presidente do PSD, primeiro-ministro, continua a dar o que falar e muito.

Com críticas, Ricardo, de mais um dos adversários na corrida, Gouveia e Melo.

Eu acho que o senhor primeiro-ministro, nesse caso específico, esteve mal. Não se pode esquecer que mesmo enquanto presidente do PSD, continua a ser um primeiro-ministro. E pode ter uma certeza: é que não pode condicionar os portugueses a escolherem o presidente da República que ele acha que lhe faz jeito. E tentar condicionar a escolha de um presidente da República é, para mim, um mau sintoma, até um mau sintoma democrático.

A crítica de Gouveia e Melo, que se segue às de Cotrim Figueiredo e André Ventura sobre a ida de Luís Montenegro a uma ação de campanha de Marques Mendes.

Marques Mendes, que lembra que os adversários que têm citado Sá Carneiro na campanha, e já foram vários, diz que o fundador do PSD também participou em eleições presidenciais. Pelo menos nas campanhas.

Sim, e por isso defende que contar com Luís Montenegro não é, como dizem outros candidatos, um sinal de fraqueza.

A participação de Luís Montenegro na minha campanha eleitoral não é um ato de fraqueza, é um ato de coerência e é um ato de força. A coisa mais normal do mundo em democracia é que um líder político participe numa campanha política e numa campanha presidencial. E para aqueles que passam a vida a invocar Sá Carneiro, a torto e a direito, vale a pena recordar que Sá Carneiro morreu a participar numa campanha presidencial.

Marques Mendes, num almoço em Coimbra, numa IPSS, onde contou também com uma intervenção de Sebastião Bugalho.

E há outro ex-líder do PSD a entrar na campanha, não literalmente, pelo próprio pé. António José Seguro conta com vários antigos apoiantes de Pedro Passos Coelho e está à espera de mais.

Diz que vai continuar a receber esses apoios de braços abertos.

Uma coisa incompreensível é quando muitas vezes me perguntam: "Mas também tem apoiantes à sua direita?" Como se fosse crime que as pessoas que escolhem legitimamente outros partidos pudessem aproximar-se da nossa candidatura. Temo-los e com gosto, porque esta candidatura é aberta a todas e a todos os democratas, a todas e a todos os progressistas, a todas e a todos os humanistas.

António José Seguro no Alentejo, onde entoou o Cante Alentejano, garante que se for eleito presidente da República, os interesses ficam à porta do Palácio do Plan, interesses partidários, econômico e financeiros.

André Ventura fala diretamente em Pedro Passos Coelho neste segundo dia de campanha. Considera que é o candidato preferido, ele, Ventura, do antigo primeiro-ministro.

Admite até que esse apoio pode surgir na segunda volta.

Claro que Pedro Passos Coelho é um deles, é um desses atores, para além de que eu gosto dele e para além de que tenho admiração pelo trabalho que fez e que acho que se ele tiver que escolher na segunda volta entre mim e o doutor Marques Mendes, acho que prefere que seja eu. Tenho que lhe perguntar a ele se ele também acha isso.

O líder do Chega em campanha por Sines, onde criticou ainda um dos adversários. No fim de semana, Cotrim Figueiredo disse que o espírito reformador de Sá Carneiro e a coragem de Passos Coelho estão com a candidatura que é apoiada pela Iniciativa Liberal. Ora, André Ventura diz que ninguém acredita nisso.

E há outras notícias a marcar a tarde desta segunda-feira.

Enquanto decorre a campanha eleitoral, os problemas no Serviço Nacional de Saúde continuam. A ministra da Saúde avisa que a situação dos tempos de espera nas urgências é muito crítica, apesar de já vários profissionais de saúde terem voltado de férias. Como os casos de gripe são cada vez mais, Ana Paula Martins reconhece que esta semana ainda vai ser bastante difícil, sobretudo no Amadora-Sintra, no Beatriz Ângelo, em Loures, e também no Hospital de Santa Maria, em Lisboa. Foi adiada a reunião do primeiro-ministro com a CGTP, estava agendada para depois de amanhã, dia 7. É agora remarcada para a próxima semana, dia 14 de janeiro, às 10h30 da manhã, um dia depois da manifestação nacional convocada pela CGTP. Não é adiantado o motivo deste adiamento, mas em cima da mesa o mesmo assunto, as alterações à lei laboral. José Mourinho foi despedido do Manchester United, 14 meses depois de ter assumido o comando técnico da equipa inglesa. O despedimento foi anunciado na página oficial do clube, um dia depois do empate do United a um golo em casa do Leeds. No final desse encontro, o treinador português, José Mourinho, fez declarações polêmicas que iniciavam já um clima de mal-estar com a direção do clube. E agora um estudo sobre inteligência artificial.

Vamos a isso. Mais um estudo. Sabes que eu adoro estudos, Vanessa.

Não sei se queres te atirar uma percentagem dos portugueses que já utilizam ferramentas de inteligência artificial. Tens assim uma ideia?

Não faço ideia.

67%. Dois em cada três portugueses utiliza ferramentas de-

De todos os portugueses?

Este estudo aponta para que, pelo menos uma vez por mês, uma grande parte da população utilize ferramentas de inteligência artificial. É um estudo que se refere ao ano passado, 2025, um aumento de 15 pontos percentuais face a 2024, é o que conclui o estudo da Boston Consulting Group.

E há noção também de quais são as faixas etárias que recorrem mais à inteligência artificial?

O maior aumento é mesmo nos adultos, entre os 18 e os 34 anos. Estás fora deste leque, Ricardo Conceição. O número de utilizadores disparou 81.

Sentia que ia-

Mas eu sei que usas inteligência artificial. Usas bastante, não é?

Uso com alguma frequência.

O número de utilizadores nesta faixa etária entre os 18 e os 34 disparou 81%. No ano anterior, a percentagem era de 64%. A frequência de utilização também está a aumentar, 43% diz que utiliza plataformas como o ChatGPT pelo menos uma vez por semana.

Estamos por cá a desenvolver o Amália, vai ser a nossa ferramenta de inteligência artificial. Um estudo a fechar esta edição das 17h sobre a inteligência artificial. Eu uso muito, mas por exemplo, pergunto qual é a melhor forma de fazer ovos mexidos. Não é assim, não é bater os ovos e já está. A Vanessa vai regressar às 17h30.