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Vamos começar com a resposta do PS à montenegrização, expressão usada pelo Primeiro-Ministro ontem durante o debate com Rui Rocha. O socialista Marcos Perestrello diz que a origem deste conceito é a instabilidade política.

O líder da AD, Luís Montenegro, disse que a oposição está cada vez mais próxima dessas ideias da coligação PSD/CDS. O coordenador da campanha socialista dá a resposta, sublinha as contradições de Luís Montenegro na liderança do governo.

A montenegrização do país é a paralisação provocada pela instabilidade política causada pelos truques, pelas mentiras, pelas meias-verdades, pelas manipulações, pela falta de transparência. Há um ano, Luís Montenegro fez uma campanha eleitoral em torno dos conflitos de interesses, das incompatibilidades e da prevenção de riscos. Toda essa conversa desapareceu. Luís Montenegro tratou da ética, dos conflitos de interesses com tanta transparência que este ano o assunto ficou invisível no programa de governo da AD.

Marcos Perestrello foi também questionado sobre a notícia avançada hoje pelo Correio da Manhã. Escreve o CM que Luís Montenegro terá escondido do Tribunal Constitucional três contas à ordem 2023 e 2022 e que só agora enviou os saldos dessas mesmas contas ao Ministério Público, depois de ter sido notificado.

O porta-voz do PS para as legislativas considera que, com esse envio, o caso está encerrado.

O Tribunal Constitucional pediu informações adicionais ao doutor Luís Montenegro sobre a existência de contas nessas condições, e o doutor Luís Montenegro declarou-as. Declarou-as tardiamente, declarou-as fora do prazo, mas é assim que o processo, tanto quanto eu pude ler nos jornais, fica concluído. Havia uma obrigação declarativa que estava por fazer e, quando foi feita, naturalmente, deixou de haver questões relativamente a essa falta de declaração.

Marcos Perestrello, na sede do Partido Socialista em Lisboa, o porta-voz do PS para as legislativas diz ainda que o atual governo não soube gerir as contas certas que herdou do anterior executivo socialista. Antes, nos Açores, Luís Montenegro tinha acusado os partidos da oposição de usarem os reembolsos do IRS como arma de arremesso político.

O líder do PSD falou sobre as críticas às alterações nas tabelas de retenção no IRS. Já sabemos, há contribuintes que vão receber este ano menos na altura da dedução do imposto, outros vão mesmo ter de pagar. Para Luís Montenegro, as críticas dos partidos são uma prova de sucesso do atual governo.

Há um ano atrás, tínhamos um plano de diminuição dos nossos impostos que muitos acharam que era irrealista. E os que acharam que era irrealista são aqueles que agora dizem que nós não cumprimos, quando nós cumprimos. Qualquer crítica que se queira fazer sobre este caminho não passa de mero jogo político-partidário de quem diz umas atoardas para o ar que não têm fundamento. É, talvez, o reconhecimento do sucesso da trajetória do governo.

Luís Montenegro, que participou esta tarde numa arruada nos Açores, ao lado de José Manuel Bolieiro. E vamos ouvir agora Marcelo Rebelo de Sousa. Deixa um alerta aos Estados Unidos, diz que é um erro histórico qualquer tentativa de enfraquecimento da NATO.

Considero um erro histórico enfraquecer a NATO, como aconteceu entre 2016 e 2020, desde logo, pela não definição do adversário principal. E depois, a seguir, por querelas secundárias que minimizaram e foram esbatendo o seu protagonismo internacional. E só espero que a tentação que hoje vivemos se não venha a concretizar o enfraquecimento da NATO pelo papel de um aliado fundamental.

Um receio para o Presidente da República. Declarações durante uma intervenção na sede da Academia Militar, em Lisboa. O chefe de Estado aproveitou para destacar a relevância das Forças Armadas portuguesas no momento de incerteza internacional.

O antigo ministro da Economia, Carlos Tavares, pede cautela na reação às tarifas alfandegárias de Donald Trump e considera que a guerra comercial ainda é demasiado incerta nesta altura para estar a alterar cenários macroeconômicos em programas eleitorais.

O atual coordenador do Observatório de Políticas Econômicas e Financeiras da CEDES esteve no "Explicador" desta tarde.

Face a um quadro econômico incerto, Carlos Tavares apela à AD e ao Partido Socialista que não se precipitem a fazer projeções futuras, pede foco nas reformas de que o país precisa.

Os cenários não devem reagir também aqui com precipitação ao contexto internacional. Portugal tem que fazer uma série de reformas. A reforma fiscal, que é uma das mais urgentes e que nós temos de fazer, não pode estar dependente de um circunstancialismo, como digo, nós temos uma carga fiscal excessiva e mal distribuída.

É o que diz Carlos Tavares. E neste contexto de guerra comercial, sabemos, o governo aprovou um pacote de 10 mil milhões de euros em fundos de apoio às empresas. Carlos Tavares não percebe exatamente qual a resposta que o executivo pretende dar com esta medida.

As ajudas, para além da questão que foi levantada, que tem que ter algumas regras que sejam compatíveis com as da Organização Mundial do Comércio, em termos de não criar distorções no comércio internacional E depois a própria aplicação tem que ter em conta o facto a que se está a responder. E neste momento eu, francamente, mas provavelmente por defeito meu, não sei qual é o facto a que se está a responder em definitivo.

Carlos Tavares no Explicador, o antigo ministro da Economia, lamenta que a comunidade internacional reaja com nervosismo às tarifas de Donald Trump. Diz que é exatamente isso que o presidente norte-americano pretende.

Foi chumbada a discussão do relatório de segurança interna na Comissão Permanente. É uma decisão saída da reunião de conferência de líderes.

O requerimento do Bloco de Esquerda foi rejeitado pelo PSD, CDS e Chega. Jorge Paulo Oliveira, deputado do PSD, diz que o partido não considera adequado, relevante ou oportuno fazer este debate na Comissão Permanente.

Entretanto, o Chega, pela voz do líder parlamentar, anunciou que vai apresentar na próxima legislatura uma proposta de comissão parlamentar de inquérito sobre os dados do relatório de segurança interna. Sem fundamentar, Pedro Pinto diz que os dados estão errados.

A Associação Solidariedade Imigrante critica a medida da via verde para trabalhadores imigrantes que entrou, Miguel, hoje em vigor.

Trata-se de um mecanismo criado pelo governo que permite a contratação direta de imigrantes pelas empresas portuguesas. O presidente da associação, Timóteo Macedo, considera a medida um desastre, não dignifica as condições de trabalho de quem chega a Portugal.

A via verde vem compactuar, naturalmente, com aquilo que nunca devia ter existido. Ou seja, os vistos de trabalho nunca foram solução. E essas grandes empresas querem o quê? Querem mão de obra escrava? Vão contratar quem? Vão dar formação? E eles sabem se as pessoas estão capacitadas para trabalhar naquele local de trabalho, ou na agricultura, ou na restauração, seja onde for.

Timóteo Macedo, presidente da Associação Solidariedade Imigrante, ouvido pela Rádio Observador. No dia 23 de abril, esta associação vai sair à rua, uma concentração frente à Agência para a Integração, Migrações e Asilo, no Porto. O objetivo é lutar pelos direitos humanos dos imigrantes.

E no âmbito da entrada em vigor desta via verde para a imigração, a Rádio Observador falou também com a secretária-geral do Sindicato dos Trabalhadores Consulares, que antecipa dificuldades.

Os pedidos de visto devem ser feitos junto das embaixadas e consulados. Prevê-se que o visto possa ser depois emitido no prazo de 20 dias. Rosa Teixeira Ribeiro considera que não há condições para responder a um previsível aumento de pedidos.

Parece-nos, no momento atual, um bocado difícil de garantir, porque as lacunas em recursos humanos são gritantes e não vemos como é que isto possa ter efeito útil já imediato.

As preocupações dos trabalhadores dos serviços consulares. Há outra dificuldade, e essa é apontada pelo presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve. As entidades empregadoras devem garantir habitação aos imigrantes que são contratados. Ora, esse é precisamente o principal problema hoje no Algarve e para o desenvolvimento do turismo na região: a falta de habitação para os empregados que trabalham no setor da hotelaria.

Ouvido no Explicador da Tarde Política, Hélder Martins vê na Lei dos Solos uma ajuda para resolver o problema.

Nós propusemos ao governo que, agora dentro do âmbito da Lei dos Solos, que vai ser possível desclassificar terrenos para habitação social, que houvesse essa possibilidade também para as unidades hoteleiras, que pudessem comprar terrenos para fazer habitação para os seus funcionários, adequados àquilo que é a necessidade de recursos humanos com alojamento, e que houvesse uma chancela que dissesse que esse alojamento não pode ser vendido, nem alugado, não pode ter outra utilização do que seja para serviços das pessoas.

Hélder Martins é o presidente da Associação de Hotéis e Empreendimentos Turísticos do Algarve, foi convidado do Explicador da Tarde Política e deixou ainda outra mensagem. Quer que, à semelhança do que já havia definido o presidente da CIP, a via verde para a imigração se mantenha independentemente daquele que vier a ser o resultado das legislativas de 18 de maio.